Frases e Pensamentos de Valor as pessoas

Frases de Valor as pessoas,Mensagens de Valor as pessoas,Pensamentos de Valor as pessoas, Reflexões sobre Valor as pessoas, Citações de Valor as pessoas,Poemas,Poesias

VALOR AS PESSOAS

516 resultados encontrados

A visão de que um desses grupos me foi apresentada - grupo em que se achavam reunidas pessoas que professavam crer na verdade. Uma delas achava-se a um instrumento de música,e cantava canções que faziam chorar os anjos da guarda; Havia ruidosa alegria,havia riso vulgar,abundância de entusiasmo e uma espécie de inspiração; mas a alegria era daquela espécie que unicamente Satanás é capaz de produzir.
( Frases e Pensamentos de Ellen G. White) Mensagem sobre Música


Então, como ser humano, eu ficaria preocupado apenas com essa questão central. Eu sei o quão confusa, contraditória, desarmoniosa a vida está. É possível modificar isso de modo que a inteligência possa funcionar em minha vida, de modo que eu possa viver sem desarmonia, de modo que o ponteiro, a direção seja guiada pela inteligência? Esse talvez seja o porquê de as pessoas religiosas, em vez de utilizarem a palavra inteligência, terem utilizado a palavra Deus.
( J. Krishnamurti )


Os Poetas Tornam a Vida mais Leve ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

Os poetas, na medida em que também querem tornar mais leve a vida das pessoas,
ou desviam o olhar do trabalhoso presente ou ajudam o presente a adquirir novas
cores, graças a uma luz vinda do passado que fazem irradiar sobre ele. Para
poderem fazê-lo, têm eles próprios de ser, em muitos aspectos, seres voltados
para trás: de maneira que se os pode utilizar como pontes para chegar a tempos e
concepções muito distantes, a religiões e civilizações em vias de extinção ou já
extintas. (...) É certo que há algumas coisas desfavoráveis a dizer quanto aos
meios de que eles se servem para aligeirar a vida: apenas sossegam e curam
provisoriamente, só de momento; até impedem as pessoas de trabalhar na realidade
por uma melhoria da sua situação, precisamente enquanto suprimem e descarregam,
por meio de paliativos, a paixão dos insatisfeitos, que incitam à acção.


Sem temer os obstáculos e maldades que surgem de dentro ou de fora, devemos atacá-los e combatê-los, e esta conquista irá fortalecer a nossa fé Com isso, poderemos ensinar e converter outras pessoas e receber benefícios maiores do que o necessário para erradicar os débitos do passadoDa mesma forma, como o veneno se transforma em remédio, podemos transformar a infelicidade em boa sorte como também evidenciar em nós mesmos a Lei que possibilita o acesso a suprema felicidade.
(Makiguti)


A economia emergente baseia-se no conhecimento, na imaginação, na curiosidade e no talento. E se pudéssemos aprender a explorar as ricas e maravilhosas diferenças entre as pessoas? Uma empresa capaz de explorar a singularidade de cada um de seus mil funcionários (ou 10 ou 10 mil) seria extremamente poderosa? De forma negativa, uma empresa que não descobre como usar as curiosidades especiais de seu pessoal não estará fada a ter problemas?
( Tom Peters ) Mensagem sobre Filosofia


Rir muito e com freqüência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu. Isso é ter tido sucesso.
( Frases e Pensamentos de Ralph Waldo Emerson)


Sou o que quero ser...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos


O primeiro que tendo cercado um terreno se lembrou de dizer: "Isto é meu", e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: "Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdido se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém"
( ROUSSEAU )


No mundo sempre existirão pessoas que vão me amar pelo que sou,outras que vão me odiar pelo que sou e outras,ainda,que oras vão me amar oras vão me odiar pelo que sou. Sabendo disso,vivo livre. Falo o que penso,faço o que tenho vontade,mudo de opinião ao bel prazer. O importante é agradar a mim! Eu tenho de estar feliz comigo e para isso não posso fazer nada pensando em agradar outra pessoa senão eu mesma.
( Frases e Pensamentos de Claudia Giovanni) Mensagem sobre Autoconhecimento


No mundo sempre existirão pessoas que vão me amar pelo que sou,outras que vão me odiar pelo que sou e outras,ainda,que oras vão me amar oras vão me odiar pelo que sou. Sabendo disso,vivo livre. Falo o que penso,faço o que tenho vontade,mudo de opinião ao bel prazer. O importante é agradar a mim! Eu tenho de estar feliz comigo e para isso não posso fazer nada pensando em agradar outra pessoa senão eu mesma.
( Frases e Pensamentos de Claudia Giovanni) Mensagem sobre Auto-Conhecimento


Nós todos fazemos parte da grande família da humanidade e somos moradores em comum de uma imensa casa chamada terra Não há outra forma senão nos entendermos Não há por que não chegarmos a um entendimento através de um sincero diálogo Ao menos devemos nos esforçar e nos empenhar ao máximo para issoQuem não se esforça nesse sentido demonstra uma grande arrogância em relação as pessoas Além disso, na maioria das vezes, existe por trás disso um espírito covarde que tenta proteger a si mesmo.
(Daisaku Ikeda)


Quando ouço gritar - Ki jai, cada som desta frase me transpassa o coração como se fosse uma flecha. Se pensasse, embora por um só instante, que tais gritos podem merecer-me o swaraj; conseguiria aceitar o meu sofrimento. Mas quando constato que as pessoas perdem tempo e gastam energias em aclamações vãs, e passam ao longo quando se trata de trabalho, gostaria que, em vez de gritarem meu nome, me acendessem uma pira fúnebre, na qual eu pudesse subir para apagar uma vez por todas o fogo que arde o coração.
( MAHATMA GANDHI )


Ei! Sorria...( CHARLES CHAPLIN )

Ei! Sorria... Mas não se esconda atrás desse sorriso... Mostre aquilo que
você é, sem medo. Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu.
Viva! Tente! A vida não passa de uma tentativa. Ei! Ame acima de tudo, ame a
tudo e a todos.
Não feche os olhos para a sujeira do mundo, não ignore a fome! Esqueça a bomba,
mas antes, faça algo para combatê-la, mesmo que se sinta incapaz.
Procure o que há de bom em tudo e em todos. Não faça dos defeitos uma distancia,
e sim, uma aproximação.
Aceite! A vida, as pessoas, faça delas a sua razão de viver. Entenda! Entenda as
pessoas que pensam diferente de você, não as reprove.
Ei! Olhe... Olhe a sua volta, quantos amigos... Você já tornou alguém feliz
hoje? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Ei! Não corra. Para que tanta pressa? Corra apenas para dentro de você. Sonhe!
Mas não prejudique ninguém e não transforme seu sonho em fuga. Acredite! Espere!
Sempre haverá uma saída, sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute! Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você. Ei! Ouça...
Escute o que as outras pessoas têm a dizer, é importante. Suba... faça dos
obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo, mas não esqueça daqueles
que não conseguem subir a escada da vida.
Ei! Descubra! Descubra aquilo que há de bom dentro de você. Procure acima de
tudo ser gente, eu também vou tentar.
Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe.


Nenhum Prazer é um Mal em Si ( EPICURO )

Nenhum prazer é um mal em si, mas certas coisas capazes de engendrar prazeres
trazem consigo maior número de males que de prazeres. Se as coisas que
proporcionam prazeres às pessoas dissolutas pudessem livrar-lhe o espírito das
angústias que experimentam diante dos fenómenos celestes, da morte e dos
sofrimentos, e se, por outro lado, lhes ensinassem o limite dos desejos, nada
teriamos de censurar nelas, pois que as cumulariam de prazeres, sem mistura
alguma de dor ou pesar, os quais constituem precisamente o mal.


O ser humano vivência a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.
(ALBERT EINSTEIN)


A Alma do Amor ( PLATÃO )

Quando um homem, quer tenda para os rapazes ou para as mulheres, encontra aquele
mesmo que é a sua metade, é um prodígio como os transportes de ternura,
confiança e amor os tomam. Eles não desejariam mais separar-se, nem por um só
instante. E pensar que há pessoas que passam a vida toda juntas, sem poder
dizer, diga-se de passagem, o que uma espera da outra; pois não parece que seja
o prazer dos sentidos que lhes faça encontrar tanto encanto na companhia uma da
outra. É evidente que a alma de ambas deseja outra coisa, que não pode dizer,
mas que adivinha e deixa adivinhar.


Saber Viver ( CORA CORALINA )

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar


Comecei a escrever profissionalmente aos 30 anos, quando fui trabalhar na imprensa, depois de tentar outras coisas que não deram certo. Na época, não se precisava ter diploma para começar no jornalismo. Comecei como copidesque e, eventualmente, passei a ter um espaço assinado e me tornei cronista. Antes, além de umas traduções do inglês, nunca tinha escrito nada, e não tinha idéia de ser escritor. Se o fato de ter um pai escritor me inibiu? Conscientemente, não. Inconscientemente, talvez. Às vezes, fico tentado a inventar algum grande drama edipiano entre meu pai e eu para satisfazer a expectativa das pessoas, mas nunca houve isso.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)


Inveja Justa e Injusta ( RENÉ DESCARTES )

Quando a fortuna envia a alguém bens de que ele é verdadeiramente indigno,
e a inveja só é excitada em nós porque amando naturalmente a justiça ficamos
contrariados que ela não seja observada na distribuição desses bens, trata-se de
um zelo que pode ser desculpável; principalmente quando o bem que invejamos de
outros é de tal natureza que pode converter-se em mal nas mãos deles, como se
for algum cargo ou ofício em cujo exercício eles possam comportar-se mal.
Mesmo quando desejamos para nós o mesmo bem e somos impedidos de tê-lo, porque
ouros que são menos merecedores o possuem, isto torna mais violenta tal paixão;
e ela não deixa de ser desculpável, contanto que o ódio que contém se relacione
somente com a má distribuição do bem que se inveja, e não com as pessoas que o
possuem e distribuem.
Mas há poucos que sejam tão justos, e tão generosos a ponto de não ter ódio por
aqueles que os precederam na obtenção de um bem que não é comunicável a várias
pessoas e que eles haviam desejado para si mesmos, embora os que os obtiveram
sejam tanto ou mais merecedores. E o que habitualmente é mais invejado é a
glória, pois embora a dos outros não impeça que possamos almejá-la, no entanto
às vezes torna o seu acesso mais difícil e encarece-lhe o valor.


O estudo da Bíblia dará vigor ao intelecto. Diz o salmista: "A exposição das Tuas palavras dá luz e dá entendimento aos símplices." Sal. 119:130. Muitas vezes tem-me sido perguntado: Deve a Bíblia tornar-se o livro mais importante em nossas escolas?" Ela é um livro precioso e admirável. É um tesouro que contém jóias de grande valor. É uma história que descerra perante nós os séculos passados. Sem a Bíblia estaríamos entregues a conjeturas e fábulas no tocante às ocorrências dos tempos antigos. Dentre todos os livros que têm inundado o mundo, por mais valiosos que sejam, a Bíblia é o Livro dos livros, e merece o mais profundo estudo e atenção.
( Frases e Pensamentos de Ellen G. White)


"Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol,e perguntava como era este às pessoas que enxergavam. Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão. O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som. Depois,quando ouviu um sino,pensou que fosse o sol. Outra vez,disse-lhe alguém: o sol é como uma vela. O cego apalpou uma vela,e pensou que assim era o formato do sol. A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem,são exatamente como o cego. Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos,ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela."
( Frases e Pensamentos de Su Tungp’o) Mensagem sobre Verdade


O valor de uma religião depende de sua capacidade de conter a ambição, o ódio e a insensatez Não se deve confiar na mente que está cheia de cobiça, ira e estultícia Não se deve deixar a mente desenfreada, deve-se mantê-la sob rígido controle É muito difícil ter o perfeito controle mental Aqueles que buscam a Iluminação devem livrar-se primeiro do fogo de todos os desejos O desejo é como fogo devastador, e aquele que está trilhando o caminho da Iluminação deve evitar o fogo do desejo, assim como o homem que carrega um fardo de feno evita as chamas É loucura um homem arrancar seus olhos, pelo temor de ser tentado pelas formas bonitas A mente é o senhor e se ela estiver sob controle, os menores desejos desaparecerão.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam d pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!
( ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )


"Se você é infeliz no amor, preste atenção no que está fazendo em sua vida. Identifique os papéis que tem assumido e reconheça que você não é nada daquilo. Descobrir como você é, do que gosta é a chave para obter felicidade.
Conhecer-se é fundamental. Saiba avaliar o que lhe dá prazer. Respeite seus sentimentos. Não tenha medo de ser o que é.
Se fizer isso, sentirá um calor agradável no peito, uma alegria gostosa, que tornará sua vida mais bonita e colocará mais sedução em seu sorriso.
Essa beleza da alma que se reflete nos sentimentos verdadeiros atrai, conquista, seduz. É o carisma. E se você jogar fora seu "sonho de amor", deixar acontecer naturalmente, gostar das pessoas como elas são, descobrirá de quanta beleza, dignidade, dedicação e amor elas são capazes. É só tentar." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


A Razão ao Serviço do Instinto ( IMMANUEL KANT )

O homem é um ser que tem necessidades na medida em que pertence ao mundo
sensível, e, a esse respeito, a sua razão tem certamente um encargo que não pode
declinar em relação à sensibilidade, o de se ocupar dos interesses da última, o
de constituir máximas práticas, em vista da felicidade desta vida e também,
quando é possível, da felicidade de uma vida futura. Mas não é, no entanto, tão
completamente animal para ser indiferente a tudo o que a razão lhe diz por ela
mesma e para empregá-la simplesmente como um instrumento próprio para satisfazer
as suas necessidades como ser sensível. Pois o facto de ter a razão não lhe dá
absolutamente um valor superior à simples animalidade, se ela só devesse
servir-lhe para o que o instinto realiza nos animais.


A fraqueza humana e a estupidez são as mesmas, hoje em dia Quando as pessoas ingressam em alguns campos de atividades, como a política onde são tratados com glória e com respeito da sociedade, embora no início parecem não esquecerem-se de seu propósito original de empenha-se pela causa do povo, mais tarde são propensos a serem levados pelos desejos de fama e fortunaExistem aqueles que, a despeito da promessa em seus anos mais jovem, quando chega a época em que alcançam ou , não são capazes de controlar a si mesmosA fim de prevenir tais ocorrências, é de máxima importância que, seja qual for o campo em que esteja envolvido sempre mantenha a humildade em sua mente, para receber orientações sobre a féVocê deve compreender que mais uma vez que se desligue espiritualmente de seus veteranos na fé e da organização, estará sempre numa situação perigosa.
(Daisaku Ikeda)


O mundo que Deus nos deu é mais do que suficiente, segundo os cientistas e pesquisadores, para todos; existe riqueza mais que de sobra para todos. É só uma questão de reparti-la bem, sem egoísmo. O aborto pode ser combatido mediante a adoção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar, fosse gasto em fazer com que as pessoas vivessem, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza.Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos Aids, mas matar crianças inocentes não nos assusta.
( Frases e Pensamentos de MADRE TERESA DE CALCUTÁ)


Impressões mal Fundamentadas ( PLATÃO )

Sócrates- Quando a cera que está na alma de alguém é não apenas densa, mas
abundante e lisa, com a consistência adequada, o que vem através das percepções
grava-se neste «coração» da alma. Como Homero lhe chama de modo enigmático,
referindo-se à semelhança com a cera. Nesse momento, os sinais tornam-se puros
nestas pessoas e têm suficiente densidade para chegarem a ser duradouros.
Quantos são desse tipo têm, em primeiro lugar, facilidade em aprender, em
segundo, boa memória, e, em terceiro, não desviam os sinais das suas percepções,
mas têm opiniões verdadeiras. Com efeito, dado que os sinais são claros e bem
espaçados, distribuem-nos rapidamente em cada uma das impressões, às quais sem
dúvida se chama coisas que são. E estas pessoas são chamadas sábias. Ou não te
parece?
Teeteto- Sem dúvida. A explicação é maravilhosamente convincente.
Sócrates- Ora bem, vejamos o que sucede quando o coração de uma pessoa é hirsuto
- coisa que o poeta elogiou, na sua enorme sabedoria - ou, quando a cera está
suja e é impura, ou quando é extremamente líquida ou dura: aqueles cuja cera é
líquida têm facilidade para aprender, mas tornam-se esquecidos, enquanto, com
aqueles cuja cera é dura, ocorre o contrário. Os que têm a sua cera hirsuta e
áspera, como se fosse de pedra, repleta de terra, ou de sujidade mesclada com
ela, têm impressões sem clareza. Os que a têm dura também têm as impressões sem
clareza, pois têm-nas sem densidade. E os que a têm líquida, por sua vez, também
carecem de clareza, pois, por acção da fusão, rapidamente se tornam confusas. E
se, além de tudo isto, as impressões caíram umas em cima das outras, devido à
falta de espaço, e, se a alminha de uma pessoa é pequena, são ainda mais
carentes de clareza que aquelas. Por conseguinte, todos estes são os que chegam
a opinar falsidades, pois, quando vêem, ouvem ou pensam algo não são capazes de
distribuir com rapidez a impressão a cada coisa e são lentos. E, ao distribuirem
o que corresponde a outra, não só vêem mal, como ainda por cima ouvem e pensam
mal, na maior parte das vezes. Estes são os que não só se encontram na
falsidade, a respeito da realidade, como são chamados ignorantes.


Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só esquece a outra como pensa muito mais nela... Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto caçador e fazem qualquer homem sofrer... Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável.. Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como bonzinho não é bom... Um dia percebemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importânciada frase: Tu te tornas eternamente responsávelpor aquilo que cativas... Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mais ai já é tarde demais... Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito... O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutarmos para realizar todas as nossas loucuras... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


O que Alécio vê(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

A voz lhe disse ( uma secreta voz):
- Vai, Alécio, ver.
Vê e reflete o visto, e todos captem
por seu olhar o sentimento das formas
que é o sentimento primeiro - e último - da vida.
E Alécio vai e vê
o natural das coisas e das gentes,
o dia, em sua novidade não sabida,
a inaugurar-se todas as manhãs,
o cão, o parque, o traço da passagem
das pessoas na rua, o idílio
jamais extinto sob as ideologias,
a graça umbilical do nu feminino,
conversas de café, imagens
de que a vida flui como o Sena ou o São Francisco
para depositar-se numa folha
sobre a pedra do cais
ou para sorrir nas telas clássicas de museu
que se sabem contempladas
pela tímida (ou arrogante) desinformação das visitas,
ou ainda
para dispersar-se e concentrar-se
no jogo eterno das crianças.
Ai, as crianças... Para elas,
há um mirante iluminado no olhar de Alécio
e sua objetiva.
(Mas a melhor objetiva não serão os olhos líricos de Alécio?)
Tudo se resume numa fonte
e nas três menininhas peladas que a contemplam,
soberba, risonha, puríssima foto-escultura de Alécio de Andrade,
hino matinal à criação
e a continuação do mundo em esperança.


As Três Fases da Moralidade ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

Temos o primeiro sinal de que o animal se tornou homem, quando a sua actuação já
não se relaciona com o bem-estar momentâneo, mas com o duradouro, pro­va de que
o homem adquire o sentido do útil, do adequado: é então que, pela primeira vez,
irrompe o livre senhorio da razão. Um estádio ainda mais ele­vado é alcançado,
quando ele age consoante o prin­cípio da honra; graças ao mesmo, ele adapta-se,
sub­mete-se a sentimentos comuns, e isso ergue-o muito acima da fase, em que só
a utilidade entendida em termos pessoais o guiava: ele respeita e quer ser
res­peitado, isto é, entende o proveito como dependente do que ele opina acerca
dos outros, do que os outros opinam acerca dele. Finalmente, na fase mais
eleva­da da moralidade em uso até agora, ele age segundo o seu critério quanto
às coisas e às pessoas, ele próprio determina para si e para outros o que é
honroso, o que é útil; tornou-se o legislador das opiniões, em conformidade com
o conceito cada vez mais desen­volvido do útil e do honroso. O conhecimento
habi­lita-o a preferir o mais útil, ou seja, a colocar o pro­veito geral e
duradouro à frente do pessoal, a respeitosa estima de valia geral e duradoura à
frente da momentânea; ele vive e actua como indivíduo co­lectivo.


Sobre a conversação (KAHLIL GIBRAN)



...Então, um literato disse: - "Fala-nos da conversação".
E ele respondeu:
- "Vós conversais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos. E
quando não podeis mais viver na solidão de vosso coração, procurais viver nos
vossos lábios, e encontrais então uma diversão e um passatempo nas vibrações
emitidas. Em grande parte de vossas conversações, o pensamento é meio
assassinado. Pois, o pensamento é uma ave do espaço que, numa gaiola de
palavras, pode abrir as asas, mas não pode voar.
Há entre vós, aqueles que procuram os faladores por medo da solidão. A quietude
da solidão revela-lhes seu eu-desnudo, e eles preferem escapar-lhe.
E há aqueles que falam e, sem o saber ou prever, traem uma verdade que eles
próprios não compreendem. E há aqueles que possuem a verdade dentro de si, mas
não a expressam em palavras. No íntimo de tais pessoas, o espírito
habita num silêncio rítmico.
Quando encontrardes vosso amigo na rua ou no mercado público, deixai que o
espírito que esta em vós ponha em movimento vossos lábios e dirija vossa língua.
E que a voz escondida na vossa voz fale ao ouvido de seu ouvido; pois sua alma
guardara a verdade de vosso coração, como é lembrado o sabor do vinho. Mesmo
depois que a sua cor houver sido esquecida, e a taça que o
continha não mais existir.


Honra Aparente ( ARTHUR SCHOPENHAUER )

A honra não consiste na opinião dos outros sobre o nosso valor, mas unicamente
nas exteriorizações dessa opinião, pouco importando se a opinião externada de
facto existe ou não, muito menos se ela tem fundamento. Por conseguinte, os
outros podem nutrir a pior opinião a nosso respeito, por conta do nosso modo de
vida, e podem desprezar-nos como bem entenderem; durante o tempo em que ninguém
se atrever a expressá-la em voz alta, ela não prejudicará em nada a nossa honra.
Mas, ao contrário, se mesmo com as nossas qualidades e acções compelirmos os
outros a atribuir-nos elevada estima (pois isto não depende do seu arbítrio),
então bastará que apenas um indivíduo - seja ele o pior e mais ignorante -
exprima o seu desprezo por nós para que logo a nossa honra seja ferida e até
perdida para sempre, caso não a reparemos.
Um demonstrativo supérfluo disso, ou seja, de que aqui não se trata da opinião
de outrem, mas apenas da sua exteriorização, é que as ofensas podem ser
retiradas ou, se necessário, pode-se pedir perdão, e então é como se elas jamais
tivessem acontecido. A questão de saber se a opinião que produziu as ofensas
também mudou e por que isso aconteceria não afecta em nada o caso: anula-se
simplesmente a sua exteriorização e tudo fica bem. Como conclusão, tem-se que o
importante não é ganhar respeito, mas extorqui-lo.


Aprendi( CHARLES CHAPLIN )

Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões
para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi
que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que
não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las. Aprendi que posso passar
anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso
usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou
falando. Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por
isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão
continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso
caminho. Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que
quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos
limites que eu próprio coloquei. Aprendi que preciso escolher entre controlar
meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem
o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que
sentem. Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de
mim, mas não consegue expressar isso. Aprendi... Que nos momentos mais difíceis
a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as
coisas. Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não
tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus
sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse
convencê-la disso. Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em
quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser
perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro. Aprendi que, não importa
o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso. Eu
aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu
sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto. Aprendi que numa briga eu
preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que,
quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas
pessoas não discutem não significa que elas se amem. Aprendi que por mais que eu
queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte
da vida. Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas,
por causa de gente que eu nunca vi antes. Aprendi também que diplomas na parede
não me fazem mais respeitável ou mais sábio. Aprendi que as palavras de amor
perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para
guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos. Aprendi que certas
pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos
retê-las para sempre. Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser
gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.
Tua caminhada ainda não terminou... A realidade te acolhe dizendo que pela
frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras e do teu silêncio. Se
amanhã sentires saudades, lembra-te da fantasia e sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo jamais conseguirão obter, porque é uma
vitória que surge da paz e não do ressentimento. É certo que irás encontrar
situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva
que cai e não a faceta do raio que destrói. Se não consegues entender que o céu
deve estar dentro de ti, é inútil buscá-lo acima das nuvens e ao lado das
estrelas. Por mais que tenhas errado e erres, para ti haverá sempre esperança,
enquanto te envergonhares de teus erros. Tu és jovem. Atender a quem te chama é
belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição. A juventude precisa
de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água
que rola e o coração necessita de afeto. Não faças do amanhã o sinônimo de
nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram! Olhes
para trás... mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para
poderem seguir-te.


"A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranqüilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recorda-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.
A morte é só uma mudança de estado. Depois dela, passamos a viver em outra dimensão" (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


Final ( Paul Géraldy )

Já que a gente vai se separar, olhe-me ainda
um instante ... Mas sem chorar: seria idiota.
Como é horrível agora a lembrança remota
do que nós fomos numa vida antiga e linda!
Nossas vidas se confundiram totalmente ...
E agora cada qual retoma o seu caminho!
E nós vamos partir, cada qual mais sozinho,
recomeçar, vagar por aí ... Certamente,
Sofreremos também ... Mas há de vir, depois,
o esquecimento, a única coisa que perdoa.
E há de haver eu e haver você; seremos dois;
seremos isto: uma pessoa e outra pessoa.
Veja! você já vai entrar no meu passado!
Havemos de nos ver na rua ...
E viveremos nossas vidas paralelas ...
E amigos contarão a você minha história ...
O nosso amor ... era esta coisa sem valor !
No entanto, que loucura a dos primeiros dias !
Lembra-se ? Que apoteose, que magia ! ...
Se nos amávamos! ... E era isto o nosso amor !
Mesmo nós, até nós então, quando dizemos
"eu te amo", o que é que vale o que estamos dizendo?
É humilhante, meu Deus! ... Somos todos os mesmos ?
Iguais aos outros, nós ? ... Como está chovendo !
Fique comigo!
Fique! Vamos viver - não sei ... - mais conformados ...
Os nossos corações, embora bem mudados,
se refaçam talvez à luz do sonho antigo ...
Vamos tentar. Ser bons, de novo. Que remédio !
Podem falar: a gente tem seus hábitos ... Então ?
Não vá! Fique! E retome a meu lado o seu tédio.
Eu retomo a seu lado a minha solidão ...


O VAIDOSO ( ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY )

O segundo planeta, um vaidoso o habitava.
- Ah! Ah! Um admirador vem visitar-me! exclamou de longe o vaidoso, mal vira o
príncipe.
Porque, para os vaidosos, os outros homens são sempre admiradores.
- Bom dia, disse o principezinho. Você tem um chapéu engraçado.
- É para agradecer, exclamou o vaidoso. Para agradecer quando me aclamam.
Infelizmente não passa ninguém por aqui.
- Sim? disse o principezinho sem compreender.
- Bate as mãos uma na outra, aconselhou o vaidoso.
O principezinho bateu as mãos uma na outra. O vaidoso agradeceu modestamente,
erguendo o chapéu.
- Ah, isso é mais divertido que a visita ao rei, disse consigo mesmo o
principezinho. E recomeçou a bater as mãos uma na outra. O vaidoso recomeçou a
agradecer, tirando o chapéu.
Após cinco minutos de exercício, o principezinho cansou-se com a monotonia do
brinquedo:
- E para o chapéu cair, perguntou ele, que é preciso fazer?
Mas o vaidoso não ouviu. Os vaidosos só ouvem os elogios.
- Não é verdade que tu me admiras muito? perguntou ele ao principezinho.
- Que quer dizer admirar?
- Admirar significa reconhecer que eu sou o homem mais belo, mais rico, mais
inteligente e mais bem vestido de todo o planeta.
- Mas só há você no seu planeta!
- Dá-me esse gosto. Admira-me mesmo assim!
- Eu te admiro, disse o principezinho, dando de ombros. Mas como pode isso
interessar-te?
E o principezinho foi-se embora.
As pessoas grandes são decididamente muito bizarras, ia pensando ele pela viagem
afora.


ORAÇÃO DO POBRE (MADRE TERESA DE CALCUTÁ)

Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho
em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam. Não
há nada na tua vida que não tenha importância para mim.
Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas,
as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que
pudesses partilhar a minha força e a minha vitória.
Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor.Nunca duvides da minha
misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver
a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito.
Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa. Não há ninguém que
me interesse mais no mundo do que tu. Confia em mim. Pede-me todos os dias que
entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei.
A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto.Tudo
o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te
prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando
caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a
alegria de ser o teu Salvador.

Não há nada que eu não possa perdoar.
Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te
esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida. Tu já
experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não
experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes?


Por não estarem distraídos(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a
garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca
entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta
sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam
e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede
deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a
sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o
brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se
transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande
dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não
via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto
ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham
prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de
súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar
um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a
carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou
os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Hino Nacional(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

Precisamos descobrir o Brasil!
Escondido atrás as florestas,
com a água dos rios no meio,
o Brasil está dormindo, coitado.
Precisamos colonizar o Brasil.
O que faremos importando francesas
muito louras, de pele macia,
alemãs gordas, russas nostálgicas para
garçonettes dos restaurantes noturnos.
E virão sírias fidelíssimas.
Não convém desprezar as japonesas...
Precisamos educar o Brasil.
Compraremos professores e livros,
assimilaremos finas culturas,
abriremos dancings e subvencionaremos as elites.
Cada brasileiro terá sua casa
com fogão e aquecedor elétricos, piscina,
salão para conferências científicas.
E cuidaremos do Estado Técnico.
Precisamos louvar o Brasil.
Não é só um país sem igual.
Nossas revoluções são bem maiores
do que quaisquer outras; nossos erros também.
E nossas virtudes? A terra das sublimes paixões...
os Amazonas inenarráveis... os incríveis João-Pessoas...
Precisamos adorar o Brasil!
Se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens,
por que motivo eles se ajuntaram e qual a razão
de seus sofrimentos.
Precisamos, precisamos esquecer o Brasil!
Tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado,
ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
O Brasil não nos quer! Está farto de nós!
Nosso Brasil é no outro mundo. Este não é o Brasil.
Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros?
Eduardo Alves da Costa
Quanto a mim, sonharei com Portugal
Às vezes, quando
estou triste e há silêncio
nos corredores e nas veias,
vem-me um desejo de voltar
a Portugal. Nunca lá estive,
é certo, como também
é certo meu coração, em dias tais,
ser um deserto.


Os Dois Infinitos ( IMMANUEL KANT )

Duas coisas enchem a alma de admiração e de respeito sempre renovados e que
aumentam à medida que o pensamento mais vezes se concentra nelas: acima de nós,
o céu estrelado; no nosso íntimo, a lei moral. Não é necessário buscá-las e
adivinhá-las como se estivessem ofuscadas por nuvens ou situadas em região
inacessível, para além do meu horizonte; vejo-as ante mim e relaciono-as
imediatamente com a consciência da minha existência. A primeira, a partir do
lugar que ocupo no mundo exterior, estende a relação do meu ser com as coisas
sensíveis a todo esse imenso espaço onde os mundos se sucedem aos mundos e os
sistemas aos sistemas e a toda a duração ilimitada dos seus movimentos
periódicos. A segunda parte do meu invisível eu, da minha personalidade e do meu
posto num mundo que possui a verdadeira infinitude, mas no qual o entendimento
mal pode penetrar e ao qual reconheço estar vinculado por uma relação não apenas
contingente, mas universal e necessária (relação que também alargo a todos esses
mundos visíveis).
Numa, a visão de uma infinidade de mundos quase aniquila a minha importância, na
medida em que me considero uma criatura animal que, depois de ter (não se sabe
como) gozado a vida durante um breve lapso de tempo, deve devolver a matéria de
que é formada ao planeta em que vive e que não é mais do que um ponto no
universo. Pelo contrário, a outra ergue infinitamente o meu valor como
inteligência, mediante a minha personalidade, na qual a lei moral me revela uma
vida independente da animalidade e até de todo o mundo sensível, pelo menos na
medida em que podemos julgá-lo pelo destino que esta lei consigna à minha
existência, e que, em vez de ser limitada às condições e aos limites desta vida,
se alarga até ao infinito.


Os Vários Tipos de Amor ( RENÉ DESCARTES )

Parece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da
estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando
estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas
uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se
chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada
como devoção. Assim, podemos te afeição por uma flor, por um pássaro, por um
cavalo; porém, a menos que o nosso espírito seja muito desajustado, apenas por
seres humanos podemos ter amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa
paixão que não há homem tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade
muito perfeita, quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma
verdadeiramente nobre e generosa.
Quanto à devoção, o seu principal objecto é sem dúvida a soberana divindade, da
qual não poderíamos deixar de ser devotos quando a conhecemos como se deve
conhecer. Mas também podemos ter devoção pelo nosso príncipe, pelo nosso país,
pela nossa cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais
que a nós mesmos. Ora, a diferença que há entre esses três tipos de amor
manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos
consideramos juntos e unidos à coisa amada, estamos sempre dispostos a abandonar
a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que amamos; e, na
devoção, ao contrário, a preferirmos a coisa amada e não a nós mesmos, de tal
forma que não hesitamos em morrer para a conservar. Frequentemente se viram
exemplos disso, nos que se expuseram à morte certa para defender o seu príncipe
ou a sua cidade, e mesmo às vezes pessoas particulares às quais se tinham
devotado por inteiro.


Quando Amei( CHARLES CHAPLIN )

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava
no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar. Hoje sei
que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento
emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje
sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e
comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje
chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar
alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo
que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei
que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável...
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início
minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama...
Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer
grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que
acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso
é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei
muitas menos vezes. Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar
com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje
vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me
decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma
grande e valiosa aliada. Tudo isso é... Saber viver!!!


A Imortalidade( JORGE LUIS BORGES )

Ser imortal é coisa sem importância. Excepto o homem, todas as criaturas o
são, porque ignoram a morte. O divino, o terrível, o incompreensível, é
considerar-se imortal. Já notei que, embora desagrade às religiões, essa
convicção é raríssima. Israelitas, cristãos e muçulmanos professam a
imortalidade, mas a veneração que dedicam ao primeiro século prova que apenas
crêem nele, e destinam todos os outros, em número infinito, para o premiar ou
para o castigar.
Mais razoável me parece o círculo descrito por certas religiões do Indostão.
Nesse círculo, que não tem princípio nem fim, cada vida é uma consequência da
anterior e engendra a seguinte, mas nenhuma determina o conjunto... Doutrinada
por um exercício de séculos, a república dos homens imortais tinha conseguido a
perfeição da tolerância e quase do desdém. Sabia que num prazo infinito ocorrem
a qualquer homem todas as coisas. Pelas suas passadas ou futuras virtudes,
qualquer homem é credor de toda a bondade, mas também de toda a traição pelas
suas infâmias do passado ou do futuro. Assim como nos jogos de azar as cifras
pares e ímpares permitem o equilíbrio, assim também se anulam e se corrigem o
engenho e a estupidez.
(...) Ninguém é alguém, um único homem imortal é todos os outros homens. Como
Cornelio Agrippa, sou deus, sou herói, sou filósofo, sou demónio e sou o mundo,
o que é uma forma cansativa de dizer que não sou.
(...) A morte (ou a sua alusão) torna os homens delicados e patéticos. Estes
comovem-se pela sua condição de fantasmas. Cada acto que executam pode ser o
último. Não há um rosto que não esteja por se desfigurar como o rosto de um
sonho. Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do perdido. Entre
os Imortias, pelo contrário, cada acto (e cada pensamento) é o eco de outros que
no passado o antecederam, sem princípio visível, ou o claro presságio de outros
que, no futuro, o repetirão até à vertigem. Não há coisa que não esteja perdida
entre infatigáveis espelhos. Nada pode ocorrer uma só vez, nada é primorosamente
gratuito. O elegíaco, o grave, o cerimonial, não contam para os Imortais. Homero
e eu separamo-nos nas portas de Tânger. Creio que não nos despedimos.


Delicatessen ( Hilda Hilst )

Você nunca conhece realmente as pessoas. O ser humano é mesmo o mais
imprevisível dos animais. Das criaturas. Vá lá. Gosto de voltar a este tema.
Outro dia apareceu uma moça aqui. Esguia, graciosa, pedindo que eu autografasse
meu livro de poesia, "tá quentinho, comprei agora". Conversamos uns quinze
minutos, era a hora do almoço, parecia tão meiga, convidei-a para almoçar,
agradeceu muito, disse-me que eu era sua "ídala", mas ia almoçar com alguém e
não podia perder esse almoço. Alguém especial?, perguntei. Respondeu nítida: "pé
-de-porco". Não entendi. Como? "Adoro pé-de-porco, pé-de-boi também". Ahn...
interessante, respondi. E ela se foi apressada no seu Fusquinha. Não sei por que
não perguntei se ela gostava também de cu de leão. Enfim, fiquei pasma.
Surpresas logo de manhã.
Olga, uma querida amiga passando alguns dias aqui conosco, me diz: pois você
sabe que me trouxeram uma noite um pé-perna de porco, todo recheado de
inverossímeis, como uma delicadeza para o jantar? Parecia uma bota. Do demo,
naturalmente. E lendo uma entrevista com W. H. Auden, um inglês muito
sofisticado, o entrevistador pergunta-lhe: "O que aconteceu com seus gatos?"
Resposta: "Tivemos que matá-los, pois nossa governanta faleceu". Auden também
gostava de miolo, língua, dobradinha, chouriços e achava que "bife" era uma
coisa para as classes mais baixas, "de um mau gosto terrível", ele enfatiza. E
um outro cara que eu conheci, todo tímido, parecia sempre um urso triste, também
gostava de poesia... Uma tarde veio se despedir, ia morar em Minas... Perguntei:
"E todos aqueles gatos de que você gostava tanto?" Resposta: "Tive de matá-los".
"Mas por quê?!" Resposta: "Porque gatos gostam da casa e a dona que comprou
minha casa não queria os gatos". "Você não podia soltá-los em algum lugar,
tentar dar alguns?" Olhou-me aparvalhado: "Mas onde? Pra quem?" "E como você os
matou?" "A pauladas", respondeu tranqüilo, como se tivesse dado uma morte feliz
a todos eles. E por aí a gente pode ir, ao infinito. Aqueles alemães não ouviam
Bach, Wagner, Beethoven, não liam Goethe, Rilke, Hölderlin(?????) à noite, e de
dia não trabalhavam em Auschwitz? A gente nunca sabe nada sobre o outro. E
aquele lá de cima, o Incognoscível, em que centésima carreira de pó cintilante
sua bela narina se encontrava quando teve a idéia de criar criaturas e
juntá-las? Oscar, traga os meus sais.


Desigualdade Natural e Desigualdade Institucional( J. J. ROUSSEAU )

É fácil de ver que, entre as diferenças que distinguem os homens, muitas passam
por naturais, quando são unicamente a obra do hábito e dos diversos géneros de
vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou
delicado, a força ou a fraqueza que disso dependem, vêm muitas vezes mais da
maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constituição primitiva
dos corpos. Acontece o mesmo com as forças do espírito, e a educação não só
estabelece a diferença entre os espíritos cultivados e os que não o são, como
aumenta a que se acha entre os primeiros à proporção da cultura; com efeito,
quando um gigante e um anão marcham na mesma estrada, cada passo representa uma
nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do
estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em
que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem
exactamente as mesmas coisas, compreender-se-á quanto a diferença de homem para
homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a
desigualdade natural deve aumentar na espécie humana pela desigualdade de
instituição.
Mas, quando a natureza afectasse, na distribuição dos seus dons, tantas
preferências como se pretende, que vantagem os mais favorecidos tirariam disso,
com prejuízo dos outros, num estado de coisas que não admitiria quase nenhuma
espécie de relações entre eles? Onde não há amor, de que servirá a beleza? De
que serve o espírito a pessoas que não falam, e a astúcia às que não têm
negócios? Ouço sempre repetir que os mais fortes oprimirão os fracos. Mas, que
me expliquem o que querem dizer com a palavra opressão. Uns dominarão com
violência, outros gemerão sujeitos a todos os seus caprichos. Eis, precisamente,
o que se observa entre nós; mas, não vejo como se poderia dizer o mesmo dos
selvagens, a quem seria dificílimo fazer perceber o que é servidão e dominação.
Um homem poderá apoderar-se dos frutos colhidos por outro, da caça que o outro
matou, do antro que lhe servia de asilo; mas, como poderá conseguir fazer-se
obedecer? E quais poderiam ser as cadeias da dependência entre homens que não
possuíam nada? Se me expulsam de uma árvore, estou livre para ir para outra; se
me atormentam num lugar, quem me impedirá de passar para outro? Se encontro um
homem de força muito superior à minha, e, além disso, muito depravado, muito
preguiçoso e muito feroz, para me constranger a prover à sua subsistência
enquanto ele permanece ocioso, é preciso que ele se resolva a não me perder de
vista um só instante, que me deixe amarrado com grande cuidado enquanto dorme,
de medo que eu escape ou que o mate; isto é, fica obrigado a se expor
voluntariamente a um trabalho muito maior do que o que quer evitar, e do que o
que me dá a mim mesmo. Depois de tudo isso, a sua vigilância relaxa-se por um
momento, um barulho imprevisto fá-lo voltar a cabeça: dou vinte passos na
floresta, os meus ferros quebram-se, e nunca mais me tornará a ver.


O gigante egoísta(OSCAR WILDE)

Todas as tardes, ao regressar da escola, costumavam as crianças ir brincar no
jardim do Gigante.
Era um jardim amplo e belo, com um macio e verde gramado. Aqui e ali, por sobre
a relva erguiam-se lindas flores como estrelas e havia doze pessegueiros que na
primavera floresciam em delicados botões cor-de-rosa e pérola, e no outono davam
saborosos frutos. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão suavemente que
as crianças costumavam parar seus brinquedos, a fim de ouvi-los. - Como somos
felizes aqui!-, gritavam uns para os outros.
Um dia o Gigante voltou. Tinha ido visitar seu amigo o Ogre de Cornualha e ali
vivera com ele durante sete anos. Passados os sete anos, dissera tudo quanto
tinha a dizer, pois sua conversa era limitada, e decidiu voltar para seu
castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
- Que estão vocês fazendo aqui? - gritou ele, com voz bastante ríspida e as
crianças puseram-se em fuga.
- Meu jardim é meu jardim - disse o Gigante -. Todos devem entender isto e não
consentirei que nenhuma outra pessoa, senão eu, brinque nele.
Construiu um alto muro cercando-o e pôs nele um cartaz:
É PROIBIDA A ENTRADAOS TRANSGRESSORES SERÃO PROCESSADOS
Era um Gigante muito egoísta.
As pobres crianças não tinham agora lugar onde brincar. Tentaram brincar na
estrada, mas a estrada tinha muita poeira e estava cheia de pedras duras, e isto
não lhes agradou. Tomaram o costume de vaguear, terminadas as lições, em redor
dos altos muros, conversando a respeito do belo jardim por eles cercados. - Como
éramos felizes ali!- diziam uns aos outros.
Depois chegou a primavera e por todo o país havia passarinhos e florinhas.
Somente no jardim do Gigante Egoísta reinava ainda o inverno. Os pássaros, uma
vez que não havia meninos, não cuidavam de cantar nele e as árvores esqueciam-se
de florescer. Somente uma bela flor apontou a cabeça dentre a relva, mas quando
viu o cartaz, ficou tão triste por causa das crianças que se deixou cair de novo
no chão, voltando a dormir. Os únicos que se alegraram foram a Neve e a Geada.
- A primavera esqueceu-se deste jardim - exclamaram -. de modo que viveremos
aqui durante o ano inteiro.
A Neve cobriu a relva com seu grande manto branco e o Gelo pintou todas as
árvores de prata. Então convidaram o Vento Norte para ficar com eles e o vento
veio. Estava envolto em peles e bramava o dia inteiro no jardim, derrubando
chaminés.
- Este lugar é delicioso - dizia ele -. Devemos convidar o Granizo a fazer-nos
uma visita.
De modo que o Granizo veio. Todos os dias, durante três horas, rufava no telhado
do castelo, até que quebrou a maior parte das ardósias, e depois punha-se a dar
voltas loucas no jardim, o mais depressa que podia. Trajava de cinzento e seu
hálito era frio como gelo.
- Não posso compreender por que a Primavera está demorando tanto a chegar -
disse o Gigante Egoísta, ao sentar-se à janela e olhar para fora, para seu
jardim frio e branco -. Espero que haja uma mudança de tempo.
Mas a Primavera nunca chegou, nem tampouco o Verão. O Outono deu frutos áureos a
todos os jardins, mas ao jardim do Gigante não deu nenhum.
- É demasiado egoísta - disse ele.
De modo que havia sempre Inverno ali e o Vento Norte, e o Granizo, e a Geada e a
Neve dançavam por entre as árvores.
Uma manhã jazia o Gigante acordado em sua casa, quando ouviu uma música
deliciosa. Soava tão docemente a seus ouvidos que pensou que deviam ser os
músicos do Rei que iam passando. Era na realidade apenas um pequeno pintarroxo
que cantava do lado de fora de sua janela, mas já fazia tanto tempo que não
ouvia ele um pássaro cantar em seu jardim que lhe pareceu aquela a mais bela
música do mundo. Então o Granizo parou de bailar por cima da cabeça dele, o
Vento Norte cessou seu rugido e delicioso perfume chegou até ele pela janela
aberta.
- Creio que chegou por fim a Primavera - disse o Gigante, saltando da cama e
olhando para fora.
Que viu ele?
Viu um espetáculo maravilhoso. Por um buraco feito no muro, as crianças
tinham-se introduzido no jardim, encarapitando-se nas árvores. Em todas as
árvores que conseguia ver achava-se uma criancinha. E as árvores sentiam-se tão
contentes por ver as crianças de volta que se haviam coberto de botões e
agitavam seus galhos gentilmente por cima das cabeças das crianças. Os pássaros
revoluteavam e chilreavam, com deleite, e as flores riam, apontando as cabeças
por entre a relva. Era um belo quadro. Apenas em um canto ainda havia inverno.
Era o canto mais afastado do jardim e nele se encontrava um menininho. Era tão
pequeno que não podia alcançar os galhos da árvore e vagava em redor, chorando
amargamente. A pobre árvore estava ainda coberta de geada e neve e o Vento Norte
soprava e rugia por cima dela.
- Sobe, menino! - dizia a Árvore, inclinando seus ramos o mais baixo que podia.
Mas o menino era demasiado pequenino.
E ao contemplar o Gigante aquela cena seu coração enterneceu-se.
- Como tenho sido egoísta - disse. Agora estou sabendo por que a Primavera não
vinha cá. Vou colocar aquele pobre menininho no alto da árvore e depois
derrubarei o muro e meu jardim será para todo o sempre o lugar de brinquedo para
os meninos.
Sentia-se deveras muito triste pelo que tinha feito.
De modo que desceu as escadas e abriu a porta de entrada bem devagarinho, saindo
para o jardim. Mas quando as crianças o viram, ficaram tão atemorizadas que
saíram todas a correr e o jardim voltou a ser como no inverno. Somente o
menininho não correu, pois seus olhos estavam tão cheios de lágrimas que não
viram o Gigante chegar. E o Gigante deslizou por trás dele, apanhou-o
delicadamente com a mão e colocou-o no alto da árvore. E a árvore imediatamente
abriu-se em flor e os pássaros chegaram e cantaram nela pousados e o menininho
estendeu seus dois braços, cercou com eles o pescoço do Gigante e beijou-o. E as
outras crianças, quando viram que o Gigante já não era mau, voltaram correndo e
com eles veio também a Primavera.
- O jardim agora é de vocês, criancinhas - disse o Gigante, que pegou um grande
machado e derrubou o muro. E quando as pessoas iam passando para a feira ao
meio-dia, encontraram o Gigante a brincar com as crianças no mais belo jardim
que jamais haviam visto.
Brincaram o dia inteiro e à noitinha dirigiram-se ao Gigante para despedir-se.
- Mas onde está o companheirinho de vocês? - perguntou -. O menino que eu pus na
árvore?
O Gigante gostava mais dele porque o havia beijado.
- Não sabemos - responderam as crianças -. Foi-se embora.
- Devem dizer-lhe que não deixe de vir amanhã - disse o Gigante. Mas as crianças
responderam-lhe que não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes. E o
Gigante sentiu-se muito triste.
Todas as tardes, quando as aulas terminavam, as crianças chegavam para brincar
com o Gigante. Mas o menininho de quem o Gigante gostava nunca mais foi visto de
novo. O Gigante mostrava-se muito bondoso para com todas as crianças, contudo
tinha saudades do seu primeiro amiguinho e muitas vezes a ele se referia.
- Como gostaria de vê-lo! - costumava dizer.
Os anos se passaram e o Gigante foi ficando muito velho e fraco. Não podia mais
tomar parte nos brinquedos, de modo que se sentava numa grande cadeira de braços
e contemplava o brinquedo das crianças e admirava seu jardim.
- Tenho belas flores em quantidade - dizia ele , mas as crianças são as mais
belas flores de todas.
Numa manhã de inverno, olhou de sua janela, enquanto se vestia. Não odiava o
Inverno agora, pois sabia que era apenas a Primavera adormecida e que as flores
estavam descansando.
De repente, esfregou os olhos, maravilhado, e olhou e tornou a olhar. Era
realmente uma visão maravilhosa. No canto mais afastado do jardim via-se uma
arvore toda coberta de alvas e belas flores. Seus ramos eram cor de ouro e
frutos prateados pendiam deles e por baixo estava o menininho que ele amara.
O Gigante desceu as escadas a correr, com grande alegria, e saiu para o jardim.
Atravessou correndo o gramado e aproximou-se da criança. E quando chegou bem
perto dela, seu rosto ficou vermelho de cólera e perguntou.
- Quem ousou ferir-te?
Pois nas palmas das mãos da criança viam-se as marcas de dois cravos e as marcas
de dois cravos nos pequeninos pés.
- Quem ousou ferir-te? - gritou o Gigante -. Dize-me, para que eu possa tirar
minha grande espada e matá-lo.
- Não - respondeu o menino -. São estas as feridas do Amor.
- Quem és? - perguntou o Gigante, sentindo-se tomado dum grande respeito e
ajoelhando-se diante do menininho.
E o menino sorriu para o Gigante e disse:
- Tu me deixaste brincar uma vez em teu jardim, hoje virás comigo para o meu
jardim, que é o Paraíso.
E quando as crianças chegaram correndo naquela tarde, encontraram o Gigante
morto sob a árvore toda coberta de alvas flores.



A pesquisa da expressão "Valor as pessoas" retornou 4 páginas

valor as pessoas 1 2 3 4