Frases e Pensamentos de Tristeza

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TRISTEZA

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Há um certo prazer parente da tristeza
( SÊNECA )


Lança o saber e não terás tristeza
( Frases e Pensamentos de Lao-Tsé )


Desconfia da tristeza de certos poetas. É uma tristeza profissional e tão suspeita como a exuberante alegria das coristas(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Só a mágoa deveria ser a instrutora dos sábios; / Tristeza é saber.
( LORD BYRON)


Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


A tristeza pura e completa é tão impossível quanto a felicidade,pura e completa.
( Tolstoi )


A alma resiste muito mais facilmente à dor profunda do que à tristeza prolongada
( ROUSSEAU )


Desconfia da tristeza de certos poetas. É uma tristeza profissional e tão suspeita como a exuberante alegria das coristas.
( Frases e Pensamentos de Mario Quintana) Mensagem sobre Poesia


Quem conhece a felicidade não consegue mais aceitar humildemente a tristeza.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.
( Frases e Pensamentos de KAHLIL GIBRAN)


Nas asas do tempo,a tristeza voa.
( Frases e Pensamentos de Jean de La Fontaine) Mensagem sobre Tempo


Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado !
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa )


Certo prazer existente na tristeza é mais doce do que o prazer do prazer.
( Frases e Pensamentos de Shelley) Mensagem sobre Prazer


A tristeza pode sempre sobrevoar a sua cabeça,mas nunca a deixe fazer um ninho.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Conselhos


Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


"Quem conhece a felicidade não consegue mais aceitar humildemente a tristeza." -Brida
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Felicidade


Se um homem é feliz então está triste todos os dias. Cada dia tem o seu quinhão de tristeza ou a sua pequena preocupação..
( Frases e Pensamentos de Vitor Hugo )


Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


Tu tens um medo: Acabar. Não vês que acabas todo dia. Que morres no amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que te renovas todo dia. No amor. Na tristeza. Na dúvida. No desejo. Que és sempre outro. Que és sempre o mesmo. Que morrerás por idades imensas. Até não teres medo de morrer. E então serás eterno.
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


A maternidade traz uma alegria inestimável,mas também tráz tédio,cansaço,tristeza. Nada é capaz de causar tanta alegria,tristeza,orgulho e cansaço,pois não há nada tão difícil quanto ajudar um ser a desenvolver sua própria individualidade, sobretudo quando lutamos para conservar a nossa.
( Frases e Pensamentos de Marguerite Kelly e Elia Parkson) Mensagem sobre Dia das Mães


Que as derrotas da vida não sejam motivo para tristeza,lute,hoje e sempre,pois só assim você será um vencedor.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Problemas


Não se deve ver só a tristeza do fim e esquecer os momentos alegres da vida. Antes de nascermos, a vida já existia, e continuará existindo depois que deixarmos este mundo.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Não tenho vergonha de dizer que estou triste, Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas: Estou triste por que vocês são burros e feios E não morrem nunca(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Eu juro que vale mais ser de baixa condição e cercar-se alegremente de gente humilde, que não se encontrar muito encumbrado, com um resplandeciente pesar e levar uma dourada tristeza.
(Frases e Pensamentos de William Shakespeare)


Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará
( Frases e Pensamentos de Santa Teresa de Jesus )


Há o pessimismo que bate quando estou sozinho e penso no mundo. Mas se é para ir a uma festa em que há mulheres bonitas, o pessimismo desaparece. A vida está correndo. Tenho momentos de tristeza, de prazer, de saudade... Faz parte.
(OSCAR NIEMEYER)


Uma noite,quando vires a lua pousada numa amendoeira em flor,pensa por um minuto no poeta cuja tristeza foi tão grande que viajou para um país de onde nunca,nunca se volta.
( Frases e Pensamentos de A Flauta de Jade) Mensagem sobre Poesia


O luar, é a luz do Sol que está sonhando O tempo não pára! A saudade é que faz as coisas pararem no tempo... ...os verdadeiros versos não são para embalar, mas para abalar...A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


"Não se deve ver só a tristeza do fim e esquecer os momentos alegres da vida. Antes de nascermos,a vida já existia,e continuará existindo depois que deixarmos este mundo." - Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Vida


Poder para: (1) subjugar as naturezas rudes e incultas; poder para (2) suscitar pensamentos e (3) despertar simpatia,para (4) promover a harmonia de ação e (5) banir a tristeza e os maus pensamentos,os quais destroem o ânimo e debilitam o esforço.
( Frases e Pensamentos de Ellen G. White) Mensagem sobre Música


Poder para: (1) subjugar as naturezas rudes e incultas; poder para (2) suscitar pensamentos e (3) despertar simpatia,para (4) promover a harmonia de ação e (5) banir a tristeza e os maus pensamentos,os quais destroem o ânimo e debilitam o esforço.
( Frases e Pensamentos de Ellen G. White) Mensagem sobre Música


Sol dos Insones (LORD BYRON)

Sol dos insones! Ó astro de melancolia!
Arde teu raio em pranto, longe a tremular,
E expões a treva que não podes dissipar:
Que semelhante és à lembrança da alegria!
Assim raia o passado, a luz de tanto dia,
Que brilha sem com raios fracos aquecer;
Noturna, uma tristeza vela para ver,
Distinta mas distante-clara-mas que fria!


Sou o que quero ser...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos


Minha esperança perdeu seu nome... Fechei meu sonho, para chamá-la. A tristeza transfigurou-me como o luar que entra numa sala. O último passo do destino parará sem forma funesta, e a noite oscilará como um dourado sino derramando flores de festa. Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes. E um campo de estrelas irá brotando atrás das lembranças ardentes.
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


São Sebastião ( RAINER MARIA RILKE )

Como alguém que jazesse, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.
E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele ri, incólume, às feridas.
Num só passo a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
os destrutores de uma coisa bela.


"Quantas vezes nos reprimimos por vergonha,por medo do que os outros vão pensar de nós,por insegurança,por "educação". Medo de parecer ridículo,fraco,louco. Nessas,onde fica nossa criança interior? Aquele serzinho que habita no fundo da alma,sufocado por tantos "não pode" e precisando se expressar? E sem nossa criança como é que fica nossa emoção? Sufocada? Nossa alegria lacrada? Nossa tristeza bloqueada,a raiva encalacrada,o amor reprimido doendo no peito porque não pode ser demonstrado?"
( Frases e Pensamentos de Léa Waider) Mensagem sobre Autoconhecimento


Civilização sem Riso ( Eça de Queiróz )

Eu penso que o riso acabou - porque a humanidade entristeceu. E entristeceu
- por causa da sua imensa civilização. O único homem sobre a Terra que ainda
solta a feliz risada primitiva é o negro, na África. Quanto mais uma sociedade é
culta - mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos
nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a
económica, a social, a literária, a artística que matou o nosso riso, como o
desejo de reinar e os trabalhos sangrentos em que se envolveu para o satisfazer
mataram o sono de Lady MacBeth. Tanto complicámos a nossa existência social, que
a Acção, no meio dela, pelo esforço prodigioso que reclama, se tornou uma dor
grande: - e tanto complicámos a nossa vida moral, para a fazer mais consciente,
que o pensamento, no meio dela, pela confusão em que se debate, se tornou uma
dor maior. O homem de acção e de pensamento, hoje, está implacavelmente votado à
melancolia.
Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si
acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter,
da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura
afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado,
que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às
flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que
constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as
realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação
de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe
que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos
resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e
que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha
sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e
que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão
um triste!
Desde que homem de acção e homem de pensamento são paralelamente tristes - o
mundo, que é sua obra, só pode mostrar tristeza. Tristeza na sua literatura,
tristeza na sua sociedade, tristeza nas suas festas, tristeza nos fatos negros
de que se veste... Tristeza dentro de si, tristeza fora de si. E quando por
acaso alguém por profissão tradicional, como os palhaços, ou por contraste, ou
pela saudade da antiga alegria e o desejo de a ressuscitar, procura fazer rir
este mundo - só lhe consegue arrancar a tal casquinada curta, áspera, rangente,
quase dolorosa, que parece resultar de cócegas feitas nos pés de um doente.
Não há que duvidar! Voltaram os tempo de Albert Durer! Outra vez o famoso moço
de asas potentes, no meio dos inumeráveis instrumentos das ciências e das artes,
que atulham o seu laboratório, e diante das obras colossais, que com eles
construiu, sente, sob esta produção excessiva que o não tornou nem melhor nem
mais feliz, um imenso desalento, e, considerando a inutilidade de tudo, de novo
deixa pender sobre as mãos a testa coroada de louro.
Pobre moço, que, de muito trabalhar sobre o universo e sobre ti próprio,
perdeste a simplicidade e com ela o riso, queres um humilde conselho? Abandona o
teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não
te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a
terra, e reconquistarás, com a saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.
Mas como pode escutar estes conselhos de sapiência um desgraçado que tem, nos
poucos anos que ainda restam de século, de descobrir o problema da comunicação
interastral, e de assentar sobre bases seguras todas as ciências psíquicas?
O infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os
jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio - o Grande Civilizado.


O meu impossível ( FLORBELA ESPANCA )

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!
Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!...
Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!... Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto...
Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!...


Vida (MADRE TERESA DE CALCUTÁ)

A vida é uma oportunidade, aproveite-a...
A vida é beleza, admire-a...
A vida é felicidade, deguste-a...
A vida é um sonho, torne-o realidade...
A vida é um desafio, enfrente-o...
A vida é um dever, cumpra-o...
A vida é um jogo, jogue-o...
A vida é preciosa, cuide dela...
A vida é uma riqueza, conserve-a...
A vida é amor, goze-o...
A vida é um mistério, descubra-o...
A vida é promessa, cumpra-a...
A vida é tristeza, supere-a...
A vida é um hino, cante-o...
A vida é uma luta, aceite-a...
A vida é aventura, arrisque-a...
A vida é alegria, mereça-a...A vida é vida, defenda-a...


"A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranqüilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recorda-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.
A morte é só uma mudança de estado. Depois dela, passamos a viver em outra dimensão" (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


Sandness ( Narcisa Amália )

Still visit thus my nights, for you reserved,
And mount my soaring soul thougts like yours.
(James Thomson)
XX
Meu anjo inspirador não tem nas faces
As tintas coralíneas da manhã,;
Nem tem nos lábios as canções vivaces
Da cabocla pagã!
Não lhe pesa na fronte deslumbrante
Coroa de esplendor e maravilhas,
Nem rouba ao nevoeiro flutuante
As nítidas mantilhas.
Meu anjo inspirador é frio e triste
Como o sol que enrubesce o céu polar!
Trai-lhe o semblante pálido - do antiste
O acerbo meditar!
Traz na cabeça estema de saudades,
Tem no lânguido olhar a morbideza;
Veste a clâmide eril das tempestades,
E chama-se - Tristeza!...


A sua irritação não solucionará problema algum... As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas... Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar. O seu mau humor não modifica a vida... A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus... A sua tristeza não iluminará os caminhos... O seu desânimo não edificará ninguém... As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade... As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você... Não estrague o seu dia. Aprenda a sabedoria divina, A desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre...Para o infinito bem!(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


OS RAIOS E AS SOMBRAS - TRISTEZA D’OLIMPO ( VICTOR HUGO )

... "Tão pouco tempo é suficiente para mudar todas as coisas!
Natureza com a fronte serena , como você esquece!
E como vós se feres em suas metamorfoses
Os filhos misteriosos de onde nossos corações são limitados !
... "O limite do caminho, que vive uma jornada sem fim,
Onde antes de me entender ele gostaria de se sentar,
Cansou de golpear , quando a estrada é escura,
As grandes carruagens gémissants que volta da noite.
... "Outros irão passar agora aonde nós passamos.
Nós viemos de lá, outros virão de vir,
e o sonho que esboçará em nossas duas almas
Eles continuarão sem nunca ter fim !
... " Responda , puro vale pequeno, responda, solidão,
Oh Natureza protegida neste deserto tão belo ,
Quando nós dormiremos ambos de qualquer jeito,
Distribuir as mortes pensativas em forma da tumba ;
... "É o que vós seria capaz, sem tristeza e sem pranto ,
Ver nosso sombras flutuantes não trabalharem por nós ,
E ver o ensinamento , num abraço sombrio,
Versos de qualquer origem em lágrimas que soluçam profundamente ?
... " Eh bem! Nos esqueça, casa, jardim , sombra;
Erva, use nossa soleira ! Arbusto , não nos esconda !
Cantem , pássaros! Rios, corram ! Cresçam , folhagens!
Esses que vós esqueceis não os esquecerão.
" Porque vós sois para nós a sombra do mesmo amor,
Vós sóis o oásis daquele que se encontra na senda !
Vós sóis , oh pequeno vale, o descanso supremo ,
Onde nós choramos segurando-nos pelas mãos!
" Todas as paixões mudam com o tempo ,
Umas levam a nos mascarar e o outras nos esfaqueiam,
Como uma multidão cantando na viagem
De quem o grupo diminui atrás da pequena colina.
"... E lá, por esta noite em que nenhuma raio de estrela ,
A alma, em uma dobra escura onde tudo parecem terminar,
Sente qualquer coisa a palpitar debaixo de um véu...
És tu que dorme na sombra, oh sacra lembrança!"


O Efeito da Verdadeira Maturidade ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

A alternância de amor e ódio caracteriza, durante muito tempo, a condição íntima
de uma pessoa que quer ser livre no seu juízo acerca da vida; ela não esquece e
guarda rancor às coisas por tudo, pelo bom e pelo mau. Por fim, quando, à força
de anotar as suas experiências, todo o quadro da sua alma estiver completamente
escrito, já não desprezará nem odiará a existência, mas tão-pouco a amará, antes
permanecerá por cima dela, ora com o olhar da alegria, ora com o da tristeza, e,
tal como a Natureza, a sua disposição ora será estival, ora outunal.
(...) Quem quiser seriamente ser livre perderá de mais a mais, sem qualquer
constrangimento, a propensão para os erros e vícios; também a irritação e o
aborrecimento o acometerão cada vez mais raramente. É que a sua vontade não quer
nada mais instantaneamente do que conhecer e o meio para tanto, ou seja, a
condição permanente em que ele está mais apto para o conhecimento.


A vinda do navio(KAHLIL GIBRAN)

Como poderei ir-me em paz e sem pena ?
Não, não será sem um ferimento na alma que deixarei esta cidade.
Longos foram os dias de amargura que passei dentro de suas muralhas, e longas as
noites de solidão; e quem pode despedir-se sem tristeza de sua amargura e de sua
solidão ?
Muitos foram os pedaços de minha alma que espalhei nestas ruas, e muitos são os
filhos de minha ansiedade que caminham, desnudos, entre estas colinas, e não
posso abandoná-los sem me sentir oprimido e entristecido.
Não é uma simples vestimenta que dispo hoje, mas a própria epiderme que arranco
com minhas mãos.
Nem é um mero pensamento que deixo atrás de mim, mas um coração enternecido pela
fome e pela sede.
Contudo, não posso demorar-me por mais tempo.
O mar, que chama a si todas as coisas, está me chamando, e devo embarcar.
Pois permanecer aqui, enquanto as horas queimam-se na noite, seria congelar-me e
cristalizar-me num molde.
De bom grado levaria comigo tudo o que está aqui.
Mas como fazê-lo ? A voz não leva consigo a língua e os lábios que lhe deram
asas.
É isolada que deve procurar o éter.
É também só e sem ninho que a águia voará rumo ao Sol.


Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa? E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte? Que vale o pensamento humano, esforçado e vencido, na turbulência das horas? Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses? Que valem as pálpebras da tímida esperança, orvalhadas de trêmulo sal? O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis, no profundo diagrama. E o homem tão inutilmente pensante e pensado só tem a tristeza para distingui-lo. Porque havia nas úmidas paragens animais adormecidos, com o mesmo mistério humano: grandes como pórticos, suaves como veludo, mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver. Grandes animais sem passado, sem antecedentes, puros e límpidos, apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas e na seda longa das crinas desfraldadas. Mas a noite desmanchava-se no oriente, cheia de flores amarelas e vermelhas. E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes, erguiam no ar a vigorosa cabeça, e começavam a puxar as imensas rodas do dia. Ah! o despertar dos animais no vasto campo! Este sair do sono, este continuar da vida! O caminho que vai das pastagens etéreas da noite ao claro dia da humana vassalagem!
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


Política de Interesse ( Eça de Queiróz )

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar
oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a
moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso,
diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade,
pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias;
ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da
vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali
há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de
grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros
inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a
miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura;
combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os
desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com
dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos
querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de
consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.


Vendaval(FERNANDO PESSOA)

Ó vento do norte, tão fundo e tão frio,
Não achas, soprando por tanta solidão,
Deserto, penhasco, coval mais vazio
Que o meu coração!
Indômita praia, que a raiva do oceano
Faz louco lugar, caverna sem fim,
Não são tão deixados do alegre e do humano
Como a alma que há em mim!
Mas dura planície, praia atra em fereza,
Só têm a tristeza que a gente lhes vê
E nisto que em mim é vácuo e tristeza
É o visto o que vê.
Ah, mágoa de ter consciência da vida!
Tu, vento do norte, teimoso, iracundo,
Que rasgas os robles — teu pulso divida
Minh'alma do mundo!
Ah, se, como levas as folhas e a areia,
A alma que tenho pudesses levar -
Fosse pr'onde fosse, pra longe da idéia
De eu ter que pensar!
Abismo da noite, da chuva, do vento,
Mar torvo do caos que parece volver -
Porque é que não entras no meu penssamento
Para ele morrer?
Horror de ser sempre com vida a consciência!
Horror de sentir a alma sempre a pensar!
Arranca-me, é vento; do chão da existência,
De ser um lugar!
E, pela alta noite que fazes mais'scura,
Pelo caos furioso que crias no mundo,
Dissolve em areia esta minha amargura,
Meu tédio profundo.
E contra as vidraças dos que há que têm lares,
Telhados daqueles que têm razão,
Atira, já pária desfeito dos ares,
O meu coração!
Meu coração triste, meu coração ermo,
Tornado a substância dispersa e negada
Do vento sem forma, da noite sem termo,
Do abismo e do nada!


ESTE É O PRÓLOGO ( Frederico Garcia Lorca )

Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.
Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam !
Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta !
Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,
ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.
Um livro de poesias
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,
e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
- entranháveis distâncias.
O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.
O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.
O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.
Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.
Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas
que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.
Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.
Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.
Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.
Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.
Oh ! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam !
Deixaria neste livro
toda a minha alma...


A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas ( RENÉ DESCARTES
)

Podemos distinguir duas espécies de cólera: uma que é muito súbita e se
manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente
ser apaziguada; e outra que inicialmente não aparece tanto, porém corrói mais o
coração e tem efeitos mais perigosos. Os que têm muita bondade e muito amor são
mais sujeitos à primeira. Pois ela não provém de um ódio profundo, e sim de uma
súbita aversão que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas
devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, tão logo acontece de
forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso,
mesmo que a coisa não os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afeição,
interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim,
o que para outra pessoa seria apenas motivo de indignação é para eles um motivo
de cólera. E como a inclinação que têm para amar faz que tenham muito calor e
muito sangue no coração, a aversão que os surpreende não pode impelir para este
tão pouca bile que isso não cause inicialmente uma grande emoção no sangue. Mas
tal emoção pouco dura, porque a força da surpresa não se prolonga e porque, tão
logo percebem que o motivo que os contrariou não devia emocioná-los tanto,
arrependem-se disso.
A outra espécie de cólera, em que predominam o ódio e a tristeza, não é tão
aparente no início, a não ser talvez fazendo o rosto empalidecer. Mas pouco a
pouco a sua força é aumentada pela agitação que um ardente desejo de vingar-se
excita no sangue, que, estando misturado com a bile que é impelida da parte
inferior do fígado e do baço para o coração, excita nele um calor muito áspero e
muito picante. E, assim como as almas mais generosas são as que sentem mais
reconhecimento, assim as que têm mais orgulho, e que são mais baixas e mais
fracas, são as que mais se deixam arrebatar por essa espécie de cólera; pois as
injúrias parecem tanto maiores quanto mais o orgullho faz que nos estimemos; e
também na medida em que mais estimamos os bens que elas arrrebatam, os quais
tanto mais estimamos quanto mais fraca e mais baixa tivermos a alma, porque eles
dependem de outrem.


Será o Benedito! Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

A primeira vez que me encontrei com Benedito, foi no dia mesmo da minha chegada
na Fazenda Larga, que tirava o nome das suas enormes pastagens. O negrinho era
quase só pernas, nos seus treze anos de carreiras livres pelo campo, e enquanto
eu conversava com os campeiros, ficara ali, de lado, imóvel, me olhando com
admiração. Achando graça nele, de repente o encarei fixamente, voltando-me para
o lado em que ele se guardava do excesso de minha presença. Isso, Benedito
estremeceu, ainda quis me olhar, mas não pôde agüentar a comoção. Mistura de
malícia e de entusiasmo no olhar, ainda levou a mão à boca, na esperança talvez
de esconder as palavras que lhe escapavam sem querer:
- O hôme da cidade, chi!...
Deu uma risada quase histérica, estalada insopitavelmente dos seus sonhos
insatisfeitos, desatou a correr pelo caminho, macaco-aranha, num mexe-mexe
aflito de pernas, seis, oito pernas, nem sei quantas, até desaparecer por detrás
das mangueiras grossas do pomar.
Nos primeiros dias Benedito fugiu de mim. Só lá pelas horas da tarde, quando eu
me deixava ficar na varanda da casa-grande, gozando essa tristeza sem motivo das
nossas tardes paulistas, o negrinho trepava na cerca do mangueirão que
defrontava o terraço, uns trinta passos além, e ficava, só pernas, me olhando
sempre, decorando os meus gestos, às vezes sorrindo para mim. Uma feita, em que
eu me esforçava por prender a rédea do meu cavalo numa das argolas do mangueirão
com o laço tradicional, o negrinho saiu não sei de onde, me olhou nas minhas
ignorâncias de praceano, e não se conteve:
- Mas será o Benedito! Não é assim, moço!
Pegou na rédea e deu o laço com uma presteza serelepe. Depois me olhou irônico e
superior. Pedi para ele me ensinar o laço, fabriquei um desajeitamento muito
grande, e assim principiou uma camaradagem que durou meu mês de férias.
Pouco aprendi com o Benedito, embora ele fosse muito sabido das coisas rurais. O
que guardei mais dele foi essa curiosa exclamação, "Será o Benedito!", com que
ele arrematava todas as suas surpresas diante do que eu lhe contava da cidade.
Porque o negrinho não me deixava aprender com ele, ele é que aprendia comigo
todas as coisas da cidade, a cidade que era a única obsessão da sua vida.
Tamanho entusiasmo, tamanho ardor ele punha em devorar meus contos, que às vezes
eu me surpreendia exagerando um bocado, para não dizer que mentindo. Então eu me
envergonhava de mim, voltava às mais perfeitas realidades, e metia a boca na
cidade, mostrava o quanto ela era ruim e devorava os homens. "Qual, Benedito, a
cidade não presta, não. E depois tem a tuberculose que..."
- O que é isso?...
- É uma doença, Benedito, uma doença horrível, que vai comendo o peito da gente
por dentro, a gente não pode mais respirar e morre em três tempos.
- Será o Benedito...
E ele recuava um pouco, talvez imaginando que eu fosse a própria tuberculose que
o ia matar. Mas logo se esquecia da tuberculose, só alguns minutos de mutismo e
melancolia, e voltava a perguntar coisas sobre os arranha-céus, os "chauffeurs"
(queria ser "chauffeur"...), os cantores de rádio (queria ser cantor de
rádio...), e o presidente da República (não sei se queria ser presidente da
República). Em troca disso, Benedito me mostrava os dentes do seu riso
extasiado, uns dentes escandalosos, grandes e perfeitos, onde as violentas
nuvens de setembro se refletiam, numa brancura sem par.
Nas vésperas de minha partida, Benedito veio numa corrida e me pôs nas mãos um
chumaço de papéis velhos. Eram cartões postais usados, recortes de jornais, tudo
fotografias de São Paulo e do Rio, que ele colecionava. Pela sujeira e amassado
em que estavam, era fácil perceber que aquelas imagens eram a única Bíblia, a
exclusiva cartilha do negrinho. Então ele me pediu que o levasse comigo para a
enorme cidade. Lembrei-lhe os pais, não se amolou; lembrei-lhe as brincadeiras
livres da roça, não se amolou; lembrei-lhe a tuberculose, ficou muito sério. Ele
que reparasse, era forte mas magrinho e a tuberculose se metia principalmente
com os meninos magrinhos. Ele precisava ficar no campo, que assim a tuberculose
não o mataria. Benedito pensou, pensou. Murmurou muito baixinho:
- Morrer não quero, não sinhô... Eu fico.
E seus olhos enevoados numa profunda melancolia se estenderam pelo plano aberto
dos pastos, foram dizer um adeus à cidade invisível, lá longe, com seus
"chauffeurs", seus cantores de rádio, e o presidente da República. Desistiu da
cidade e eu parti. Uns quinze dias depois, na obrigatória carta de resposta à
minha obrigatória carta de agradecimentos, o dono da fazenda me contava que
Benedito tinha morrido de um coice de burro bravo que o pegara pela nuca. Não
pude me conter: "Mas será o Benedito!... E é o remorso comovido que me faz
celebrá-lo aqui.


Vestida de Preto Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou
contar é conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado
sempre. Depois do amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os
cinco mais ou menos, logo o meu amor se dirigiu para uma espécie de prima
longínqua que freqüentava a nossa casa. Como se vê, jamais sofri do complexo de
Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe e eu fomos muito bons amigos, sem
nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu
nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se
acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as
palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme
e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo
a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos
primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas
sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia
Velha, era fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias
e estragos. Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já
avançada para ele. Mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma
que casávamos rápido, só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que
dantes nos interessavam tanto, e cada par fugia logo, indo viver no seu quarto.
Os melhores interesses infantis do brinquedo, fazer comidinha, amamentar
bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade apressada para os
menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que os outros
faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas
sem tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo
iminente que ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e
assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não
lembro mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e
armários cheios de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se
lembrasse de tocar naqueles doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer
roubo! estávamos longe disso. O que nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre
uma cesta de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu
também estava longe de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos
os meus instintos na existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como
um danado dentro de mim e virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia
naqueles tempos cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali,
no travesseiro.
- Já é tarde, vamos dormir - Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o
travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria,
essa estava simples demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite:
olhou em torno e afinal, vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma
toalha de banho muito quentinha que estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro
no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas da janela sobre a tarde, e depois
deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela
deixou pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser
grande. Mas imaginem numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de
Maria, citação obrigatória e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por
causa duma neta preferida que ela imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos
cabelos de Maria.
- Você não vem dormir também? - ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
- Já vou - que eu disse - estou conferindo a conta do armazém.
Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado
em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente
assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia
espirrar, marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito
ridículo, havia de ser um espirrão enorme, os outros escutavam lá da
sala-de-visita longínqua, e daí é que o nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas
juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada,
ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles
cabelos, que maravilha! até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então
fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram
lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o
pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimô
nia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só
recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir
que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve.
Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a
perfeição fixa a gente. O beijo me deixara completamente puro, sem minhas
curiosidades nem desejos de mais nada, adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera
em meu cérebro uma enorme luz branca, meu ombro bem que doía no chão, mas a luz
era violentamente branca, proibindo pensar, imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto
barulhento. Percebi muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era
completamente feio.
- Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
- Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha - eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta,
sem método - pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar
que só alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante,
eu estava só pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos
antes era real.
- Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os
pratos que ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha,
uma indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza
viva, quase antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante
de todos, fiquei zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei
definitivo. Eu estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de
revoltas íntimas, detestava estudar. Só no desenho e nas composições de
português tirava as melhores notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero
em todas as outras. E todos os anos era aquela já esperada fatalidade: uma, duas
bombas (principalmente em matemáticas) que eu tomava apenas o cuidado de apagar
nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente
agora. Mas tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava
de mim!... Minha mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava
a imaginar que era só por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável,
incapaz de uma carícia. Como incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo,
a tara da família, ele jamais ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é
que, decidido em minha desesperada revolta contra o mundo que me rodeava,
sentindo um orgulho de mim que jamais buscava esclarecer, tão absurdo o
pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por um caso perdido,
que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular,
quando enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante
encabulado, todos em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando,
lembrando a bomba, me achincalhando em minha imperfeição de caso perdido.
Esbocei um gesto falsamente alegre de bom-dia, e fui no escritório pegado,
esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia já voltar para o meio de
todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que Tia Velha perdia
com suas preferências:
- Passou seu namorado, Maria.
- Não caso com bombeado - ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma.
Maria não gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal
podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte.
Nós seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até
viajava na Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem
indecente, se opondo ao casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas
ótimo. Houvera um rompimento de amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso
virara escândalo mastigado e remastigado nos comentários de hora de jantar. Tudo
por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela
não havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria.
"Não caso com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os
junto ao rosto, pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca
sem desgosto. Naquele instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que
eu dava em Maria, último beijo, beijo de despedida, que o cheiro desagradável do
papelão confirmou. Estava tudo acabado entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava
com uma raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia
que já não tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto
partira dela, fora por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza,
só vazio, não sei... creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada,
ajoelhar ali junto da escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu
era um perdido mesmo, Maria tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados.
Acho que até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem:
Pus tal firmeza em não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De
resto a mocidade raiava e eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se
passou em mim. Sem abandonar o meu jeito de "perdido", o cultivando mesmo,
ginásio acabado, eu principiara gostando de estudar. Me batera, súbito, aquela
vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo. Era mesmo uma impaciência
raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma orientação. Mas brilhava,
fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes, tinha idéias que
assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos
vinte anos fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e
se desfez de repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata
riquíssimo, casar em duas semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e
partir em busca duma embaixada européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe,
eu me recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e
devorar numa tarde um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia
Rose pra de-noite, e uma linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me
chamavam de "jardineiro", e eu punha na coincidência daqueles duas flores uma
força de destinação fatalizada. Tamanha mesmo que topando numa livraria com The
Gardener de Tagore, comprei o livro e comecei estudando o inglês com loucura.
Mário de Andrade conta num dos seus livros que estudou o alemão por causa dum
emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar
pela primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência,
conversando com mamãe na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda
desabrida:
- Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe
de nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de
canhão. Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se
atordoando com dinheiro e brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que
principiava sendo alguém, estudando por mim fora dos ginásios, vibrando em
versos que muita gente já considerava. E percebi horrorizado, que Rose! nem
Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é que amara sempre,
como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira, desgraçadíssimo,
aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me
imaginar feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria,
era exclusivamente Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em
mim... E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam
falando muito de Maria? Contavam que pintava o sete, ficara célebre com as
extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes às portas do divórcio, com um
caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que só pintava efeitos de
luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão, Maria pintada
nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao
menos me salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se
ela estava se transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era
apenas uma projeção dela, como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos
trocáramos por um estúpido engano de amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim,
mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a ela de novo. Foi a razão da briga
com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite - bebedeira tamanha que acabei
ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico, escândalo, e choro
largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo
depois de jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais.
Cheguei na casa dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de
gente ricaça, criado que leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam
ainda jantando. Me introduziram na saletinha da esquerda, uma espécie de
luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por inteiro, dando pro hol central. Que
fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na
saleta, virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de
preto. Olhem: eu sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive
a sensação da vontade de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida,
fantasticamente mulher. Meu corpo soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
- Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela
estava se entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu
queria, naquele se deixar olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do
corpo, toda vestida de preto. Um segundo, me passou na visão devorá-la numa hora
estilhaçada de quarto de hotel, foi horrível. Porém, não havia dúvida: Maria
despertava em mim os instintos da perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito
indiferente, e as vozes amontoadas vinham do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham,
cuidam de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas
Europas, divorciada afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado
em feiras internacionais. Um aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria...
bom: acho que vou falar banalidade.