Não é pressa, é saudade.(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)
Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno
( Autor: Charles Baudelaire )
Quem ama tem saudade ainda antes de ir embora.
( Frases e Pensamentos de Amor)
A saudade pelos vivos é dor suave.
( Frases e Pensamentos de Camilo Castelo Branco )
No amor a saudade é brisa, na paixão é vendaval.
( Frases e Pensamentos de Amor)
Deus existe para tranquilizar a saudade.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)
A cada curva que faço aumenta minha saudade.(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)
Destruidor de distâncias, devorador da saudade!(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)
Quem inventou a distância não conhecia a saudade.(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)
Vamos comemorar nossa saudade, comemorar nossa solidão.
( Frases e Pensamentos de Renato Russo )
A poesia não tem presente: ou é esperança ou saudade.
( Frases e Pensamentos de Camilo Castelo Branco )
A saudade da amada criatura é bem melhor do que a presença dela(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)
Na solidão o amor se retempera. Na solidão forja-se a saudade, que intensifica o amor.
( Frases e Pensamentos de Amor)
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo,
( Frases e Pensamentos de Mário Quintana) Mensagem sobre Tempo
A juventude é um disparate,a idade adulta uma batalha,a velhice uma saudade.
( Frases e Pensamentos de Disraeli) Mensagem sobre Idade
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)
Quando penso em você fecho os olhos de saudade Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia
Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
( Frases e Pensamentos de Mário Quintana) Mensagem sobre Tempo
Traze-me um pouco da tua lembrança, aroma perdido, saudade da flor! -Vê que nem te digo - esperança! -Vê que nem sequer sonho - amor!
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia
Mas de que estranho veneno se compõe o ciúme! Muitos que o sofrem chegam a sentir saudade do malefício, se acaso o ciumento conseguiu dar-lhe fim: - Não gostas mais de mim?!
( Frases e Pensamentos de Ciúme)
Há o pessimismo que bate quando estou sozinho e penso no mundo. Mas se é para ir a uma festa em que há mulheres bonitas, o pessimismo desaparece. A vida está correndo. Tenho momentos de tristeza, de prazer, de saudade... Faz parte.
(OSCAR NIEMEYER)
O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
Por favor ponha máscaras,ou qualquer um dos seus íntimos disfarces. Quero minha nudez,solitária,porque o baile a cada hora acaba,as fantasias sempre se renovam,e eu pretendo sobrar assim,sem nada... Se alguém,intrépido,insiste em permanecer tal como é,nu ou despojado,ao partir vai me despedaçar com sua ausência. Serei então melancolia e saudade sem tréguas. Enfim,o meu retrato: O negativo irrevelável de quem se mostrou,partiu e me legou a saudade eterna.
( Frases e Pensamentos de Antonio Carlos Mattos) Mensagem sobre Poesia
O luar, é a luz do Sol que está sonhando O tempo não pára! A saudade é que faz as coisas pararem no tempo... ...os verdadeiros versos não são para embalar, mas para abalar...A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)
Ao final de nossas lomgas andaças, chegamos finalmente ao lugar.E o vemos então pela primeira vez.Para isso caminhamos a vidainteira:para chegarao lugar de onde partimos.E, quando chegamos, é surpresa.È como se nunca o tivéssemos visto.Agora, ao final de nossas andaças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)
Sorri quando a dor te torturar, e a saudade atormentar os teus dias tristonhos
vazios.
Sorri quando tudo terminar. Quando nada mais restar do teu sonho encantador.
Sorri quando o sol perder a luz, e sentires uma cruz nos teus ombros cansados,
doloridos.
Sorri vai mentindo a sua dor, e ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que
és feliz
"Fome,desejo e vontade poderiam ser variantes do QUERER,como diriam os filósofos. Não existe querer futuro,quando se quer já é presente,impossível controlar e é esse querer alguma coisa que nos motiva a viver. O dia que deixarmos de querer a morte simplesmente chega. Daí talvez venha aquela coisa de dizer "fulano morreu de saudade/amor",na verdade o fulano perdeu a capacidade de querer e simplesmente parou de viver..."
( Frases e Pensamentos de Andréa Bianchi) Mensagem sobre Vida
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m'embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...
Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...
Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?
Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!
Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade !
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo ! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade !
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita !
Sonho que sou Alguém cá neste mundo ...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ...
Amei-te muito, e eu creio que me quiseste
Também por um instante nesse dia
Em que tão docemente me disseste
Que amavas 'ma mulher que o não sabia.
Amei-te muito, muito!Tão risonho
Aquele dia foi, aquela tarde!...
E morreu como morre todo o sonho
Deixando atrás de si só a saudade! ...
E na taça do amor, a ambrosia
Da quimera bebi aquele dia
A tragos bons, profundos, a cantar...
O meu sonho morreu... Que desgraçada!
....................................
E como o rei de Thule da balada
Deitei também a minha taça ao mar ...
No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas...
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!...
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!...
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!...
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
Bahia de todos os santos (e de quase todos os pecados)
casas trepadas umas por cima das outras
como um grupo de gente se espremendo
p'ra sair num retrato de revista ou jornal
igrejas gordas (as de Pernambuco são mais magras)
toda a Bahia é uma maternal cidade gorda
como se dos ventres empinados dos seus montes
dos quais saíram tantas cidades do Brasil
inda outras estivessem p'ra sair.
ar mole oleoso com cheiro de comida
automóveis a 30$ a hora
e um "Ford" todo osso sobe qualquer ladeira
saltando, pulando, tilintando
p'ra depois escorrer sobre o asfalto novo
que branqueja como dentadura postiça
entre as casas velhas
gente da Bahia!
preta, parda, roxa, morena
cor de bons jacarandás de engenho
do Brasil
(madeira que cupim não rói)
sem caras cor de fiambre
nem rostos cor de peru frio
sem borrões de manteiga francesa
(cabelo ruivo de inglês e de alemão)
Bahia ardendo de cores quentes
carnes mornas gostos picantes
eu detesto teus oradores, Bahia de todos os santos,
teus ruys barbosas teus otávios mangabeiras
mas gosto dos teus angus e das tuas mulatas
tabuleiros flores de papel candieirinhos
tudo à sombra das tuas igrejas
todas cheias de anjos bochechudos
sãojoões, sãojosés, meninozinhos-Deus
e com senhoras gordas se confessando
a frades mais magros do que eu
(o padre reprimido que há em mim
se exalta diante de ti, Bahia
e perdoa suas superstições
teu comércio de medidas de Nossa Senhora
e de Nossos Senhores do Bonfim)
negras velhas da Bahia
vendendo mingau e vendendo angu
negras velhas de xale encarnado
e de mole peito caído
mães das mulatas mais quentes do Brasil
mulatas do gordo peito em bico
como p'ra dar de mamar
a tudo quanto é menino do Brasil
Bahia de quase todos os pecados
escorrediça lama de carne
ranger de camas de lona
sob corpos ardendo, suando de gozo
moquecas da preta Eva
caruru vatapá azeite de dendê
cachos de gordas bananas
balaios de enormes laranjas
bacharéis de pince-nês
gênios de Sergipe
bonecas de pano
mulatos de fraque
estudantes de medicina
chapéus do Chile
botinas de elástico
mulatinhos de fala fina
literatos que tomam a sério Mário Pinto Serva
requintados que lêem Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia
patriotas que dão viva ao sr. Pedro Lago
chegado do Rio pelo Ruy Barbosa
e outros com saudade do doutor Seabra
Bahia
um dia voltarei com vagar ao teu seio brasileiro
ao teu quente seio brasileiro
às tuas igrejas cheirando a incenso
aos teus tabuleiros escancarados em X
(esse X é o futuro do Brasil)
e cheirando a mingau e a angu.
Anão e servos, menestrel e bardos,
o árabe narrador e as bailarinas
desertaram das salas do banquete.
Haydéa e seu amante, a sós, estavam,
vendo o sol que em desmaio no ocidente
bordava o céu de franjas cor-de-rosa.
Ave-Maria! estrela do viandante,
tu conduzes ao pouso o peregrino
que anda, longe dos seus, na terra estranha.
Salve, estrela do mar; em ti se fitam
olhos e coração do marinheiro
que no oceano te saúda agora.
Salve, rainha excelsa, Ave-Maria!
Ei-la que chega a hora do teu culto,
à tardinha, em céu meigo, à luz do ocaso!
Bendita seja est'hora tão querida,
e o tempo, e o clima, e os sítios suspirados,
onde eu gozava na manhã da vida
o enlevo, - o santo enlevo, - deste instante!
Soava ao longe, - bem me lembro ainda, -
na velha torre o sino do mosteiro;
subia ao céu em notas morredouras
o harmonioso cântico da tarde;
era tudo silêncio, - e só se ouvia
a natureza a suspirar seus hinos
de arroubo e fé, - de devoção e pasmo.
Hora do coração, do amor, das preces,
Salve, Maria. Enlevo a ti minha alma,
Como é formoso o oval de teu semblante!
Amo teu rosto feiticeiro e belo,
amo o doce recato de teus olhos,
que se cravam na terra, enquanto adejam
sobre tua puríssima cabeça
cândidas asas de celeste anúncio!
Será isto um painel da fantasia?
Um quadro, um canto, uma legenda, um sonho?
Não! somente me prostro ante a verdade.
Aprazem-se uns obscuros casuístas
em criminar-me de ímpio. - Eles que venham
ajoelhar-se e suplicar comigo...
Veremos qual de nós melhor conhece
o caminho do céu. - São meus altares
as montanhas, as vagas do oceano,
a terra, o ar, os astros, o universo,
tudo o que emana da sublime Essência,
de onde exalou-se, e aonde irá minh'alma.
Hora doce do trêmulo crepúsculo!
quantas vezes errante, junto à praia,
na solidão dos bosques de Ravena,
que se alastram por onde antigamente
flutuavam as ondas do Adriático,
Bosques frondosos, para mim sagrados
pelos graciosos contos do Boccácio,
pelos versos de Dryden; - quantas vezes
aí cismei aos arrebóis da tarde!
Tudo o que há de mais grato, a ti devemos,
ó Héspero: - ao romeiro fatigado
dás a hospedagem: - a cansado obreiro,
a refeição da tarde; - ao passarinho,
a asa da mãe; - ao boi, o aprisco:
toda a paz que se goza em torno aos lares,
o quente, o meigo aninho dos penates,
descem contigo à hora do repouso,
tu coas n'alma o doce da saudade;
moves o coração, que a vez primeira
sai da terra natal, deixa os amigos,
e anda à mercê das ondas do oceano:
enterneces, enfim, o peregrino
ao som da torre, cuja voz sentida
como que chora o dia moribundo.
Na vida, para mim, não há deleite.
Ando a chorar convulsa noite e dia ...
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça, onde me deite !
E nem flor de lilás tenho que enfeite
A minha atroz, imensa nostalgia ! ...
A minha pobre Mãe tão branca e fria
Deu-me a beber a Mágoa no seu leite !
Poeta, eu sou um cardo desprezado,
A urze que se pisa sob os pés.
Sou, como tu, um riso desgraçado !
Mas a minha tortura inda é maior:
Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha Dor ! ...
Fanatismo
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !
Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !
E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Ambiciosa
Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O voo dum gesto para os alcançar ...
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar ...
__Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar !
Minh’ alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus !
O amor dum homem ? __Terra tão pisada,
Gota de chuva ao vento baloiçada ...
Um homem ? __Quando eu sonho o amor de um Deus ! ...
Versos de orgulho
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !
O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
__O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Cantigas leva-as o vento...
A lembrança dos teus beijos
Inda na minh'alma existe,
Como um perfume perdido,
Nas folhas dum livro triste.
Perfume tão esquisito
E de tal suavidade,
Que mesmo desapar'cido
Revive numa saudade!
Eu penso que o riso acabou - porque a humanidade entristeceu. E entristeceu
- por causa da sua imensa civilização. O único homem sobre a Terra que ainda
solta a feliz risada primitiva é o negro, na África. Quanto mais uma sociedade é
culta - mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos
nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a
económica, a social, a literária, a artística que matou o nosso riso, como o
desejo de reinar e os trabalhos sangrentos em que se envolveu para o satisfazer
mataram o sono de Lady MacBeth. Tanto complicámos a nossa existência social, que
a Acção, no meio dela, pelo esforço prodigioso que reclama, se tornou uma dor
grande: - e tanto complicámos a nossa vida moral, para a fazer mais consciente,
que o pensamento, no meio dela, pela confusão em que se debate, se tornou uma
dor maior. O homem de acção e de pensamento, hoje, está implacavelmente votado à
melancolia.
Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si
acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter,
da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura
afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado,
que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às
flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que
constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as
realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação
de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe
que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos
resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e
que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha
sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e
que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão
um triste!
Desde que homem de acção e homem de pensamento são paralelamente tristes - o
mundo, que é sua obra, só pode mostrar tristeza. Tristeza na sua literatura,
tristeza na sua sociedade, tristeza nas suas festas, tristeza nos fatos negros
de que se veste... Tristeza dentro de si, tristeza fora de si. E quando por
acaso alguém por profissão tradicional, como os palhaços, ou por contraste, ou
pela saudade da antiga alegria e o desejo de a ressuscitar, procura fazer rir
este mundo - só lhe consegue arrancar a tal casquinada curta, áspera, rangente,
quase dolorosa, que parece resultar de cócegas feitas nos pés de um doente.
Não há que duvidar! Voltaram os tempo de Albert Durer! Outra vez o famoso moço
de asas potentes, no meio dos inumeráveis instrumentos das ciências e das artes,
que atulham o seu laboratório, e diante das obras colossais, que com eles
construiu, sente, sob esta produção excessiva que o não tornou nem melhor nem
mais feliz, um imenso desalento, e, considerando a inutilidade de tudo, de novo
deixa pender sobre as mãos a testa coroada de louro.
Pobre moço, que, de muito trabalhar sobre o universo e sobre ti próprio,
perdeste a simplicidade e com ela o riso, queres um humilde conselho? Abandona o
teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não
te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a
terra, e reconquistarás, com a saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.
Mas como pode escutar estes conselhos de sapiência um desgraçado que tem, nos
poucos anos que ainda restam de século, de descobrir o problema da comunicação
interastral, e de assentar sobre bases seguras todas as ciências psíquicas?
O infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os
jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio - o Grande Civilizado.
Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o
tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é
claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso,
embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá
aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas
efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu
sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de
criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram
as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus
filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você
não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres -
não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação
ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso
é que está a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da
qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela
criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o
espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o
seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou
decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos
se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas
as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que
vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as
violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto
fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...
No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave
maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não
deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine
a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de
noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada
mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas,
a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da
esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da
domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o,
embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ô
nus de castigar.
Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do
imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva
a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor
pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último
recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma
noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos
de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes
uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a
sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras
na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elé
trica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a
parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!
Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá
escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...
Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados
prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas
com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o
direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o
olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de
inveja do seu maravilhoso neto!
E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe
reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao
forno.
E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe
castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir
abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.
Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e
neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente!
- bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com
preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho
pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se
zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que
custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.