Penso, logo existo
( RENÉ DESCARTES )
É propriamente não valer nada não ser útil a ninguém
( RENÉ DESCARTES )
Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis
( RENÉ DESCARTES )
A vontade é tão livre por natureza que jamais pode ser coagida
( RENÉ DESCARTES )
A palavra tem muito mais força para persuadir do que a escrita
( RENÉ DESCARTES )
Quase nunca me fio nos primeiros pensamentos que me vêm à mente
( RENÉ DESCARTES )
Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar
( RENÉ DESCARTES )
Não basta termos um bom espírito, o mais importante é aplicá-lo bem
( RENÉ DESCARTES )
Não há nada que dominemos inteiramente a nao ser os nossos pensamentos
( RENÉ DESCARTES )
Mas o que sou eu então? Uma coisa que pensa. E o que é uma coisa que pensa?
( RENÉ DESCARTES )
O maior bem que pode existir em um Estado é ter verdadeiros filósofos.
( René Descartes )
As maiores almas são tanto capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes
( RENÉ DESCARTES )
Os homens que se emocionam com as paixões são capazes de ter mais doçura na vida
( RENÉ DESCARTES )
Desejar, ter aversão, garantir, negar, duvidar são maneiras diferentes de querer
( RENÉ DESCARTES )
Quando gastamos tempo demais a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nosso próprio país
( RENÉ DESCARTES )
Mesmo os mais perfeitos espíritos terão necessidade de dispor de muito tempo e atenção
( RENÉ DESCARTES )
Viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir
( RENÉ DESCARTES )
Apenas compete aos soberanos, ou aos que por eles são autorizados, regular os costumes alheios
( RENÉ DESCARTES )
As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos
( RENÉ DESCARTES )
A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados
( RENÉ DESCARTES )
Para examinar a verdade, é necessário, uma vez na vida, colocar todas as coisas em dúvida o máximo possível
( RENÉ DESCARTES )
Divide as dificuldades que tenhas de examinar em tantas partes quantas for possível, para uma melhor solução
( RENÉ DESCARTES )
Basta ajuizar bem para bem fazer, e julgar o melhor que nos seja possível para fazermos também o nosso melhor
( RENÉ DESCARTES )
Não há nada no mundo que esteja melhor repartido do que a razão: toda a gente está convencida de que a tem de sobra
( RENÉ DESCARTES )
Ninguém pode conceber tão bem uma coisa e fazê-la sua, quando a aprende de um outro, em vez de a inventar ele próprio
( RENÉ DESCARTES )
Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer
( RENÉ DESCARTES )
Quando se é demasiado curioso de coisas praticadas nos séculos passados, é comum ficar-se ignorante das que se praticam no presente
( RENÉ DESCARTES )
Muitas vezes as coisas que me pareceram verdadeiras quando comecei a concebê-las tornaram-se falsas quando quis colocá-las sobre o papel
( RENÉ DESCARTES )
À exceção de nossos pensamentos não há nada de tão absoluto em nosso poder.
( Frases e Pensamentos de René Descartes) Mensagem sobre Sabedoria
A minha terceira máxima era de sempre tentar vencer mais a mim mesmo do que a fortuna e mudar os meus desejos mais do que a ordem do mundo
( RENÉ DESCARTES )
Tomei a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado na minha mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos meus sonhos
( RENÉ DESCARTES )
Despreza-se um homem que tem ciúmes da mulher, porque isso é testemunho de que ele não ama como deve ser, e de que tem má opinião de si próprio ou dela
( RENÉ DESCARTES )
A filosofia que cultivo não é nem tão bárbara nem tão inacessível que rejeite as paixões; pelo contrário é só nelas que reside a doçura e felicidade da vida
( RENÉ DESCARTES )
O bom senso é o que há de mais bem distribuído no mundo pois cada um pensa estar bem provido dele.
( Frases e Pensamentos de René Descartes) Mensagem sobre Sabedoria
Quando se tem demasiada curiosidade acerca das coisas que se faziam nos séculos passados, fica-se quase sempre na grande ignorância das que têm lugar no presente
( RENÉ DESCARTES )
Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos
( RENÉ DESCARTES )
Os que melhor digerem os seus pensamentos a fim de os tornarem claros e inteligíveis têm maior facilidade em persuadir daquilo que propõem, mesmo que só falem em mau bretão
( RENÉ DESCARTES )
Os que buscam o justo caminho da verdade não devem ocupar-se com nenhum objecto a respeito do qual não possam ter uma certeza igual à das demonstrações da aritmética e da geometria
( RENÉ DESCARTES )
A filosofia é a que nos distingue dos selvagens e bárbaros; as nações são tanto mais civilizadas e cultas quanto melhor filosofam seus homens.
( Frases e Pensamentos de René Descartes ) Mensagem sobre Filosofia
O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm
( RENÉ DESCARTES )
Não se pode conceber algo tão estranho ou tão implausível que já não tenha sido dito por um filósofo ou outro.
( Frases e Pensamentos de Rene Descartes (1596-1650), 'Le Discours de la Methode,' 1637 ) Mensagem sobre Filosofia
Quando o primeiro contacto com algum objecto nos surpreende e o
consideramos novo ou muito diferente do que conhecíamos antes ou então do que
supunhamos que ele devia ser, isso faz que o admiremos e fiquemos espantados com
ele. E como tal coisa pode acontecer antes que saibamos de alguma forma se esse
objecto nos é conveniente ou não, a admiração parece-me ser a primeira de todas
as paixões. E ela não tem contrário, porque, se o objecto que se apresenta nada
tiver em si que nos surpreenda, não somos emocionados por ele e consideramo-lo
sem paixão.
Se o artista apenas reproduz os traços superficiais,como faz o fotógrafo,se registra com exatidão as diversas características de uma fisionomia,mas sem relacioná-la ao caráter,ele não merece ser admirado. A semelhança que ele deve atingir é a da alma.
( Frases e Pensamentos de René-François-Auguste) Mensagem sobre Artista
É propriamente ter os olhos fechados, sem jamais tentar abri-los, viver sem
filosofar; e o prazer de ver todas as coisas que a nossa visão descobre não é
comparável à satisfação proporcionada pelo conhecimento daquelas que encontramos
por meio da filosofia; e, finalmente, esse estudo é mais necessário para regrar
os nossos costumes e conduzir-nos por essa vida do que o uso dos nossos olhos
para orientar os nossos passos.
(...) Se desejamos seriamente ocupar-nos com o estudo da filosofia e com a busca
de todas as verdades que somos capazes de conhecer, tratemos, em primeiro lugar,
de nos libertar dos nossos preconceitos, e estaremos em condições de rejeitar
todas as opiniões que outrora recebemos através da nossa crença até que as
tenhamos examinado novamente; em seguida, passaremos em revista as noções que
estão em nós, e só aceitaremos como verdadeiras as que se apresentarem clara e
distintamente ao nosso entendimento.
Quando a fortuna envia a alguém bens de que ele é verdadeiramente indigno,
e a inveja só é excitada em nós porque amando naturalmente a justiça ficamos
contrariados que ela não seja observada na distribuição desses bens, trata-se de
um zelo que pode ser desculpável; principalmente quando o bem que invejamos de
outros é de tal natureza que pode converter-se em mal nas mãos deles, como se
for algum cargo ou ofício em cujo exercício eles possam comportar-se mal.
Mesmo quando desejamos para nós o mesmo bem e somos impedidos de tê-lo, porque
ouros que são menos merecedores o possuem, isto torna mais violenta tal paixão;
e ela não deixa de ser desculpável, contanto que o ódio que contém se relacione
somente com a má distribuição do bem que se inveja, e não com as pessoas que o
possuem e distribuem.
Mas há poucos que sejam tão justos, e tão generosos a ponto de não ter ódio por
aqueles que os precederam na obtenção de um bem que não é comunicável a várias
pessoas e que eles haviam desejado para si mesmos, embora os que os obtiveram
sejam tanto ou mais merecedores. E o que habitualmente é mais invejado é a
glória, pois embora a dos outros não impeça que possamos almejá-la, no entanto
às vezes torna o seu acesso mais difícil e encarece-lhe o valor.
De há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário
algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito
incertas, (...). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da
verdade, pensei que era necessário proceder exactamente ao contrário, e
rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor
dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas
opiniões que fosse inteiramente indubitável.
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que
nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se
enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem
paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como
qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações.
Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem
ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro,
resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito
não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida,
notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o
pensava, necessáriamente era alguma coisa. E notando esta verdade: eu penso,
logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos
cépticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem
escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.
O ciúme é uma espécie de temor, que se relaciona com o desejo de
conservarmos a posse de algum bem; e não provém tanto da força das razões que
levam a julgar que podemos perdê-lo, como da grande estima que temos por ele, a
qual nos leva a examinar até os menores motivos de suspeita e a tomá-los por
razões muito dignas de consideração.
E como devemos empenhar-nos mais em conservar os bens que são muito grandes do
que os que são menores, em algumas ocasiões essa paixão pode ser justa e
honesta. Assim, por exemplo, um chefe de exército que defende uma praça de
grande importãncia tem o direito de ser zeloso dela, isto é, de suspeitar de
todos os meios pelos quais ela poderia ser assaltada de surpresa; e uma mulher
honesta não é censurada por ser zelosa de sua honra, isto é, por não apenas
abster-se de agir mal como também evitar até os menores motivos de maledicência.
Mas zombamos de um avarento quando ele é ciumento do seu tesouro, isto é, quando
o devora com os olhos e nunca quer afastar-se dele, com medo que ele lhe seja
furtado; pois o dinheiro não vale o trabalho de ser guardado com tanto cuidado.
E desprezamos um homem que é ciumento de sua mulher, pois isso é uma prova de
que não a ama da maneira certa e tem má opinião de si ou dela. Digo que ele não
a ama da maneira certa porque se lhe tivesse um amor verdadeiro não teria a
menor inclinação para desconfiar dela. Mas não é à mulher propriamente que ama:
é somente ao bem que ele imagina consistir em ser o único a ter a posse dela; e
não temeria perder esse bem se não julgasse que é indigno dele, ou então que a
sua mulher é infiel. De resto, essa paixão refere-se apenas às suspeitas e às
desconfianças; pois tentar evitar algum mal quando se tem motivo justo para
temê-lo não é propriamente ter ciúmes.
Parece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da
estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando
estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas
uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se
chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada
como devoção. Assim, podemos te afeição por uma flor, por um pássaro, por um
cavalo; porém, a menos que o nosso espírito seja muito desajustado, apenas por
seres humanos podemos ter amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa
paixão que não há homem tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade
muito perfeita, quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma
verdadeiramente nobre e generosa.
Quanto à devoção, o seu principal objecto é sem dúvida a soberana divindade, da
qual não poderíamos deixar de ser devotos quando a conhecemos como se deve
conhecer. Mas também podemos ter devoção pelo nosso príncipe, pelo nosso país,
pela nossa cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais
que a nós mesmos. Ora, a diferença que há entre esses três tipos de amor
manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos
consideramos juntos e unidos à coisa amada, estamos sempre dispostos a abandonar
a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que amamos; e, na
devoção, ao contrário, a preferirmos a coisa amada e não a nós mesmos, de tal
forma que não hesitamos em morrer para a conservar. Frequentemente se viram
exemplos disso, nos que se expuseram à morte certa para defender o seu príncipe
ou a sua cidade, e mesmo às vezes pessoas particulares às quais se tinham
devotado por inteiro.
Podemos distinguir duas espécies de cólera: uma que é muito súbita e se
manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente
ser apaziguada; e outra que inicialmente não aparece tanto, porém corrói mais o
coração e tem efeitos mais perigosos. Os que têm muita bondade e muito amor são
mais sujeitos à primeira. Pois ela não provém de um ódio profundo, e sim de uma
súbita aversão que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas
devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, tão logo acontece de
forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso,
mesmo que a coisa não os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afeição,
interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim,
o que para outra pessoa seria apenas motivo de indignação é para eles um motivo
de cólera. E como a inclinação que têm para amar faz que tenham muito calor e
muito sangue no coração, a aversão que os surpreende não pode impelir para este
tão pouca bile que isso não cause inicialmente uma grande emoção no sangue. Mas
tal emoção pouco dura, porque a força da surpresa não se prolonga e porque, tão
logo percebem que o motivo que os contrariou não devia emocioná-los tanto,
arrependem-se disso.
A outra espécie de cólera, em que predominam o ódio e a tristeza, não é tão
aparente no início, a não ser talvez fazendo o rosto empalidecer. Mas pouco a
pouco a sua força é aumentada pela agitação que um ardente desejo de vingar-se
excita no sangue, que, estando misturado com a bile que é impelida da parte
inferior do fígado e do baço para o coração, excita nele um calor muito áspero e
muito picante. E, assim como as almas mais generosas são as que sentem mais
reconhecimento, assim as que têm mais orgulho, e que são mais baixas e mais
fracas, são as que mais se deixam arrebatar por essa espécie de cólera; pois as
injúrias parecem tanto maiores quanto mais o orgullho faz que nos estimemos; e
também na medida em que mais estimamos os bens que elas arrrebatam, os quais
tanto mais estimamos quanto mais fraca e mais baixa tivermos a alma, porque eles
dependem de outrem.