Frases e Pensamentos de Platao

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PLATAO

61 resultados encontrados

O homem é a medida de todas as coisas( PLATÃO )


A necessidade que é a mãe da invenção( PLATÃO )


Só os mortos conhecem o fim da guerra( PLATÃO )


A paz do coração é o paraíso dos homens( PLATÃO )


Tudo quanto vive provém daquilo que morreu( PLATÃO )


Só pelo amor o homem se realiza plenamente( PLATÃO )


Não é permitido irritarmo-nos com a verdade( PLATÃO )


O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel( PLATÃO )


Tudo aquilo que engana parece libertar um encanto( PLATÃO )


Devemos prosperar por merecimento, não por protecção( PLATÃO )


São muitos os que usam a régua, mas poucos os inspirados( PLATÃO )


A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos( PLATÃO )


O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê( PLATÃO )


Amor: uma perigosa doença mental( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Amor


A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior( PLATÃO )


Todo homem é poeta quando está apaixonado( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Poesia


Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele( PLATÃO )


Uma vida não questionada não merece ser vivida.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Vida


A admiração é própria da natureza do filósofo; e a filosofia deriva apenas da estupefacção( PLATÃO )


O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Tempo


Os filhos dos homens, dentre todos os animais jovens, são os mais difíceis de serem tratados( PLATÃO )


Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer( PLATÃO )


Amor: uma perigosa doença mental
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Amor


Os homens não desejam aquilo que fazem, mas os objectivos que os levam a fazer aquilo que fazem( PLATÃO )


Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer acções injustas, mas porque teme sofrê-las( PLATÃO )


Você pode descobrir mais a respeito de uma pessoa numa hora de jogo do que num ano de conversação( PLATÃO )


Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência( PLATÃO )


A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento( PLATÃO )


O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Tempo


A filosofia é a mais sublime das músicas.
( Frases e Pensamentos de Platão ) Mensagem sobre Filosofia


Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal( PLATÃO )


A verdadeira religião é a base do estado.
( Frases e Pensamentos de Platão ) Mensagem sobre Religião


Todo homem é poeta quando está apaixonado
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Poesia


Quando a mente está pensando,está falando consigo mesma.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Pensamentos


Uma vida não questionada não merece ser vivida.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Vida


O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Tempo


Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Pensamentos


De todos os animais selvagens,o homem jovem é o mais difícil de domar.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Idade


Quando a mente está pensando,está falando consigo mesma.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Pensamentos


Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Pensamentos


É a esta força que mantém sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer e não temer, que chamo e defino coragem( PLATÃO )


Nunca desencoraje ninguém que continuamente faz progresso,não importa quão devagar.( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Conselhos


De todos os animais selvagens,o homem jovem é o mais difícil de domar.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Idade


A democracia... é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais( PLATÃO )


"Disse Platão que os bons são os que se contentam com sonhar aquilo que os maus fazem na realidade." (Frases e Pensamentos de Sigmund Freud)

"

De todos os animais selvagens,o homem jovem é o mais difícil de domar.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Pensamentos


Nunca desencoraje ninguém que continuamente faz progresso,não importa quão devagar.
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Conselhos


Às vezes, penso se não concordo com Platão. Na República, ele fala que os artistas são nocivos para uma sociedade.
( Frases e Pensamentos de Renato Russo )


O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo( PLATÃO )


"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."( Frases e Pensamentos de PLATÃO) Mensagem sobre Medo


Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada um( PLATÃO )


"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."
( Frases e Pensamentos de Platão) Mensagem sobre Medo


A velhice é um estado de repouso e de liberdade no que respeita aos sentidos. Quando a violência das paixões se relaxa e o seu ardor arrefece, ficamos libertos de uma multidão de furiosos tiranos( PLATÃO )


O bom juiz não deve ser jovem, mas ancião, alguém que aprendeu tarde o que é a injustiça, sem tê-la sentido como experiência pessoal e ínsita na sua alma; mas por tê-la estudado, como uma qualidade alheia, nas almas alheias( PLATÃO )


O Sábio ( PLATÃO )

Quem faz depender de si mesmo, se não tudo, quase tudo o que contribui para a
sua felicidade, e não se prende a outra pessoa, nem se modifica de acordo com o
bom ou o mau êxito da sua conduta, está, de facto, preparado para a vida; é
sábio, na verdadeira acepção do termo, corajoso e temperante.


Os cidadãos não terão alívio do mal, meu querido Glauco, nem a raça humana, creio, a não ser que os filósofos governem as cidades ou que os que hoje chamamos de reis e governantes estudem filosofia verdadeira e genuinamente, até que o poder político e a filosofia coalesçam e as diversas natureza dos que hoje perseguem alguém até a exclusão do outro sejam forçosamente impedidas de fazê-lo.
( Sócrates, segundo Platão ) Mensagem sobre Filosofia


A Alma do Amor ( PLATÃO )

Quando um homem, quer tenda para os rapazes ou para as mulheres, encontra aquele
mesmo que é a sua metade, é um prodígio como os transportes de ternura,
confiança e amor os tomam. Eles não desejariam mais separar-se, nem por um só
instante. E pensar que há pessoas que passam a vida toda juntas, sem poder
dizer, diga-se de passagem, o que uma espera da outra; pois não parece que seja
o prazer dos sentidos que lhes faça encontrar tanto encanto na companhia uma da
outra. É evidente que a alma de ambas deseja outra coisa, que não pode dizer,
mas que adivinha e deixa adivinhar.


Amor, pois que é palavra essencial(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.


Afirmando ironicamente que de nada sabia, Sócrates logo de início desarmava seu interlocutor e encorajava-o a expor seus pontos fracos. Através de perguntas, introduzia ora um, ora outro conceito, até que a pessoa via-se em tal conflito que já não podia prosseguir. Embaraçada, percebia que não sabia o que julgava saber e que apenas cultivara preconceitos. A partir daí, Sócrates podia guiá-la para o verdadeiro conhecimento, fazendo que extraísse de si mesma a resposta.
Certa vez, um rico habitante de Larissa chamado Mênon, viajou até Atenas para aprender a retórica dos sofistas. Ao encontrar Sócrates na praça, descalço e de ar zombeteiro, não resistiu a provocá-lo:
-- "Poderias me dizer, Sócrates, se a virtude pode ser ensinada? Ou se ela se adquire por exercício?"
-- "Muito me honras, estrangeiro, se julgas que sei se a virtude pode ser ensinada ou se ela se adquire de outro modo. Na realidade, confesso-te, Mênon, que não o sei. Aliás, nem sei o que é a virtude. E não sabendo o que é uma coisa, como queres que saiba como ela é?
A conversa prossegue, e a palavra passa rapidamente de um a outro interlocutor, até que Mênon, sente-se embaraçado e interrompe o diálogo. Irritado, tenta ridicularizar Sócrates e compara-o à tremelga marinha, peixe de abdômen volumoso, cabeça grande e lisa, capaz de desferir descargas elétricas, paralisando a quem o toca. Com isso, referia-se tanto ao físico de Sócrates, quanto ao seu modo de discutir.
Passado o choque inicial, Mênon vem a receber ampla compensação. É no decorrer deste diálogo que Sócrates fórmula sua teoria da reminiscência. Segundo ela, nada se aprende e nada se ensina, pois a alma apenas se recorda, de tudo que viu e de tudo que conheceu em suas infinitas vivências. A verdadeira ciência e a verdadeira opinião são apenas uma vaga recordação das verdades eternas que um dia a alma contemplou (Platão, Mênon).


Impressões mal Fundamentadas ( PLATÃO )

Sócrates- Quando a cera que está na alma de alguém é não apenas densa, mas
abundante e lisa, com a consistência adequada, o que vem através das percepções
grava-se neste «coração» da alma. Como Homero lhe chama de modo enigmático,
referindo-se à semelhança com a cera. Nesse momento, os sinais tornam-se puros
nestas pessoas e têm suficiente densidade para chegarem a ser duradouros.
Quantos são desse tipo têm, em primeiro lugar, facilidade em aprender, em
segundo, boa memória, e, em terceiro, não desviam os sinais das suas percepções,
mas têm opiniões verdadeiras. Com efeito, dado que os sinais são claros e bem
espaçados, distribuem-nos rapidamente em cada uma das impressões, às quais sem
dúvida se chama coisas que são. E estas pessoas são chamadas sábias. Ou não te
parece?
Teeteto- Sem dúvida. A explicação é maravilhosamente convincente.
Sócrates- Ora bem, vejamos o que sucede quando o coração de uma pessoa é hirsuto
- coisa que o poeta elogiou, na sua enorme sabedoria - ou, quando a cera está
suja e é impura, ou quando é extremamente líquida ou dura: aqueles cuja cera é
líquida têm facilidade para aprender, mas tornam-se esquecidos, enquanto, com
aqueles cuja cera é dura, ocorre o contrário. Os que têm a sua cera hirsuta e
áspera, como se fosse de pedra, repleta de terra, ou de sujidade mesclada com
ela, têm impressões sem clareza. Os que a têm dura também têm as impressões sem
clareza, pois têm-nas sem densidade. E os que a têm líquida, por sua vez, também
carecem de clareza, pois, por acção da fusão, rapidamente se tornam confusas. E
se, além de tudo isto, as impressões caíram umas em cima das outras, devido à
falta de espaço, e, se a alminha de uma pessoa é pequena, são ainda mais
carentes de clareza que aquelas. Por conseguinte, todos estes são os que chegam
a opinar falsidades, pois, quando vêem, ouvem ou pensam algo não são capazes de
distribuir com rapidez a impressão a cada coisa e são lentos. E, ao distribuirem
o que corresponde a outra, não só vêem mal, como ainda por cima ouvem e pensam
mal, na maior parte das vezes. Estes são os que não só se encontram na
falsidade, a respeito da realidade, como são chamados ignorantes.


A Alegoria da Caverna ( PLATÃO )

- Imagina agora o estado da natureza humana com respeito à ciência e à
ignorância, conforme o quadro que dele vou esboçar. Imagina uma caverna
subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente
a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não
possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as
pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles. Nas
suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os
ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente
acessível. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes
que os charlatães de feita colocam entre si e os espectadores para esconder
destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
- Estou a imaginar tudo isso.
- Imagina homens que passem para além da parede, carregando objectos de todas as
espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal
modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam
uns com os outros, ou passam em silêncio.
- Estranho quadro e estranhos prisioneiros!
- E, no entanto, são ponto por ponto tal qual como nós. Em primeiro lugar,
julgas que percepcionarão outra coisa, de si mesmos e dos que se encontram a seu
lado, além das sombras que na sua frente se produzem, no fundo da caverna?
- Que outra coisa poderão ver, pois que, desde o nascimento, foram compelidos a
conservar a cabeça permanentemente imóvel?
- Verão, apesar disso, outras coisas além dos objectos que passam à sua
rectaguarda?
- Não.
- Se pudessem conversar uns com os outros, não concordariam em dar às sombras
que vêem os nomes dessas mesmas coisas?
- Sem dúvida.
- E se no fundo da sua prisão houvesse eco que repetisse as palavras daqueles
que passam, não imaginariam que ouviam falar as sombras mesmas que desfilam
diante dos seus olhos?
- Sim.
- E, por fim, não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?
- Não há dúvida.
- Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das
suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam. Liberte-se um
desses cativos, e que ele seja obrigado a levantar-se imediatamente, a voltar a
cabeça, a andar e a enfrentar a luz: nada disso poderá fazer sem grande esforço;
a luz encandear-lhe-á a vista e o deslumbramento produzido impedi-lo-á de
distinguir os objectos cujas sombras via antes. Que julgas tu que responderia se
lhe dissessem que até então apenas vira fantasmas e que agora tem ante os olhos
objectos mais reais e mais próximos da verdade? Se lhe mostrarem imediatamente
as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de
perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que
aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?
- Sem dúvida.
- E se o obrigassem a enfrentar o fogo, não adoeceria dos olhos? Não desviaria
os seus olhares, para dirigi-los para a sombra, que enfrenta sem dificuldade?
Não julgaria que essa sombra possui algo de mais claro e distinto do que tudo
quanto se lhe mostra?
- Certamente.
- Se agora o arrancarmos da caverna e o arrastarmos, pela senda áspera e
fragosa, até à claridade do Sol, que suplício o seu por ser assim arrastado!
Como está furioso! E, uma vez chegado à luz livre, os olhos ofuscados com o
fulgor dela, poderia ver alguma coisa da multitude de objectos a que chamamos
seres reais?
- De início ser-lhe-ia impossível.
- Necessitaria de tempo, sem dúvida, para se acostumar a eles. Aquilo que
distinguiria melhor seria, em primeiro lugar, as sombras; e, logo a seguir, as
imagens dos homens e dos mais objectos, reflectidos à superfície das águas; por
fim, os próprios objectos. Daí volveria os olhos para o céu, cuja visão
suportaria com maior facilidade durante a noite, à luz da Lua e das estrelas, do
que durante o dia, à luz do Sol.
- Sem dúvida.
- Por fim, encontrar-se-ia em condições, não só de ver a imagem do Sol nas águas
e em tudo aquilo em que se reflicta, como de olhá-lo e contemplar o verdadeiro
Sol no seu verdadeiro local.
- Sim.
- Depois disto, pondo-se a reflectir, chegaria à conclusão de que o Sol é o que
determina as estações e os anos, e o que rege todo o mundo visível e que, de
certo modo, é causa daquilo que se via na caverna.
- É evidente que chegaria gradualmente a tais reflexões.
- E se, então, se recordasse da sua primeira habitação e da ideia que aí
formavam da sabedoria, ele e os seus companheiros de escravidão, não se
regozijaria com a mudança e não teria compaixão da desgraça daqueles que
permaneciam cativos?
- Certamente.
- Crês tu que agora ele sentisse ciúmes das honras, das vaidades e recompensas
ali outorgadas àquele que mais rapidamente captasse as sombras, àquele que com
maior segurança recordasse as que iam atrás ou juntas e por tal razão seria o
mais hábil em prever a sua aparição, ou que invejasse a condição daqueles que na
prisão eram mais poderosos e mais honrados? Não preferiria, como Aquiles,
segundo Homero, passar a vida ao serviço dum pobre lavrador e sofrê-lo, a voltar
ao seu primeiro estado e às suas primitivas ilusões?
- Não duvido de que preferiria suportar todos os males possíveis a voltar a
viver de tal modo.
- Atenta, pois, nisto: se regressasse novamente à sua prisão, para voltar a
ocupar nela o seu antigo posto, não se acharia como um cego, na súbita passagem
da luz do dia para a obscuridade?
- Sim.
- E se, no entanto, ainda não distinguisse nada e, antes que os seus olhos se
houvessem refeito, o que apenas poderia acontecer depois de muito tempo, tivesse
de discutir com os mais prisioneiros sobre essas sombras, não se tornaria
ridículo aos olhos dos outros, que diriam dele que, por ter subido até lá acima,
perdera a vista, acrescentando que seria uma loucura o eles pretenderem sair do
lugar onde se encontravam, e que, se alguém se lembrasse de tirá-los dali e
levá-los para a região superior, se tornaria necessário prendê-lo e matá-lo?
- Indiscutivelmente.
- Pois, meu querido Glauco, é essa, precisamente, a imagem da condição humana. A
caverna subterrânea é este mundo visível; o fogo que a ilumina, a luz do Sol; o
prisioneiro que ascende à região superior e a contempla é a alma que se eleva at
é à esfera do inteligível. É isto, pelo menos, o que penso, já que o queres
conhecer, mas só Deus sabe se é certo. Pelo que me toca, a coisa afigura-se-me
tal como te vou comunicar. Nos últimos limites do mundo inteligível encontra-se
a ideia do bem, que só com dificuldade se percebe, mas que, todavia, não pode
ser percebida sem que se conclua que ela é a causa primeira de quanto há de bom
e de belo no universo; que ela, neste mundo visível, produz a luz e o astro do
qual a luz irradia directamente; que, no mundo visível, engendra a verdade e a
inteligência; que é preciso, enfim, ter os olhos fitos nessa ideia, se quisermos
conduzir-nos honestamente na vida pública e privada.
- Na medida em que pude compreender a tua ideia, concordo contigo.
- Tens, pois, de admitir e não estranhar que aqueles que alcançaram essa sublime
contemplação desdenhem da intervenção nos assuntos humanos e que as suas almas
aspirem, incessantemente, a fixar-se nesse lugar eminente. Assim deve ser, se
isto está em conformidade com a pintura alegórica que esbocei.
- Assim deve ser.