Frases e Pensamentos de Olhai Os Lírios Do Campo

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OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

56 resultados encontrados

A natureza é apenas para quem vive no campo
( La Bruyère )


Todo povo é um campo armado.
( Frases e Pensamentos de Mao Tsé-Tung )


O silêncio é um campo plantado de verdades que aos poucos se fazem palavras.
( Thiago de Melo )


A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor.
( Frases e Pensamentos de Vitor Hugo )


Só Deus e alguns génios raros continuam a avançar pelo campo da novidade
( Frases e Pensamentos de Diderot )


As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.
(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


O inverso da verdade tem dez mil formas e um campo ilimitado.
( Michel Euquem de Montaigne ) Mensagem sobre Filosofia


O pensamento e seu campo de segurança, seu desejo por segurança, criou a morte como algo separado dele mesmo.
( J. Krishnamurti )


O campo é onde não estamos. Ali, só ali, há sombras verdadeiras e verdadeiro arvoredo.
( Frases e Pensamentos de FERNANDO PESSOA )


No campo político é preciso manter a lucidez,mesmo que isso pareça uma espécie de loucura,num contexto em que a loucura é a norma. No campo literário estou a favor da loucura,da fantasia,dos fantasmas,dos mitos.
( Frases e Pensamentos de Mario Vargas Llosa) Mensagem sobre Literatura


O amor é um jardim florido e o casamento um campo de urtigas
( Frases e Pensamentos de Provérbio finlandês) Mensagem sobre Provérbios


O campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer.
( Frases e Pensamentos de Abraham Lincoln )


Madrigal gravado em laca
Quando a borboleta coroou a flor amarela
os lírios , em ângulo reto com seus caules,
fizeram uma profunda saudação...


No campo daqueles que procuram a verdade, não existe nenhuma autoridade humana. Todo aquele que se fizer de magistrado encontrará imediatamente a risada dos deuses
(ALBERT EINSTEIN)


O rei inquiriu: Sanjaya, por favor, agora diga-me, em detalhes, o que fizeram os meus (os Kauravas) e os Pandavas no campo de batalha antes da guerra começar? (1.01)
( Bhagavad Gita )


As flores refletem bem o que é o amor. Quem deseja possuir uma flor, irá ve-la murchar. Mas quem olhar uma flor no campo, terá esta beleza para sempre. (Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre. (Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


"As flores refletem bem o verdadeiro. Quem tenta possuir uma flor verá a sua beleza murchando. Mas quem olhar uma flor no campo permanecerá para sempre com ela." - Brida
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Magia


Muito me criticam por ter feito uma reavaliação da arte de vanguarda. Conservadora é a vanguarda,que tem nas mãos todos os prêmios oficiais. A vanguarda ampliou nosso campo de visão,mas chegou ao esgotamento.
( Frases e Pensamentos de Ferreira Gullar)


Muito me criticam por ter feito uma reavaliação da arte de vanguarda. Conservadora é a vanguarda,que tem nas mãos todos os prêmios oficiais. A vanguarda ampliou nosso campo de visão,mas chegou ao esgotamento.
( Frases e Pensamentos de Ferreira Gullar) Mensagem sobre Arte


Muito me criticam por ter feito uma reavaliação da arte de vanguarda. Conservadora é a vanguarda,que tem nas mãos todos os prêmios oficiais. A vanguarda ampliou nosso campo de visão,mas chegou ao esgotamento.
( Frases e Pensamentos de Ferreira Gullar) Mensagem sobre Artista


ALARANJADO( GUIMARÃES ROSA )

No campo seco, a crepitar em brasas,
dançar as últimas chamas da queimada,
tão quente que o sol pende no ocaso,
bicado,
pelos sanhaços das nuvens,
para cair, redondo e pesado,
como uma tengerina temporã madura...


No mundo dos esportes,duas mulheres são... uma dupla de tênis,cinco mulheres são... um time de basquete,seis mulheres são... um time de vôlei,onze mulheres são... um time de futebol e,dezoito mulheres são... um campo de golfe...
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Machismo


O desenvolvimento da capacidade geral de pensamento e livre-arbítrio sempre deveria ser colocado em primeiro lugar, e não a aquisição de conhecimento especializado. Se uma pessoa domina o fundamental no seu campo de estudo e aprendeu a pensar e a trabalhar livremente, ela certamente encontrará o seu caminho e será mais capaz de adaptar-se ao progresso e às mudanças.
(ALBERT EINSTEIN)


Vai,portanto,não hesites. Procura conquistar todas as mulheres. Em mil,haverá talvez uma para te resistir. E quer cedam,quer resistam,todas gostam de ser cortejadas. Mesmo se fores derrotado,a derrota será sem perigo. Mas por que serias repelido,já que toda volúpia nova parece mais gostosa e somos mais seduzidos por aquilo que não nos pertence? A colheita é sempre mais abundante no campo alheiro,e o rebanho do vizinho tem as tetas mais grossas.
( Frases e Pensamentos de Ovídio)


Minha esperança perdeu seu nome... Fechei meu sonho, para chamá-la. A tristeza transfigurou-me como o luar que entra numa sala. O último passo do destino parará sem forma funesta, e a noite oscilará como um dourado sino derramando flores de festa. Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes. E um campo de estrelas irá brotando atrás das lembranças ardentes.
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


Vai,portanto,não hesites. Procura conquistar todas as mulheres. Em mil,haverá talvez uma para te resistir. E quer cedam,quer resistam,todas gostam de ser cortejadas. Mesmo se fores derrotado,a derrota será sem perigo. Mas por que serias repelido,já que toda volúpia nova parece mais gostosa e somos mais seduzidos por aquilo que não nos pertence? A colheita é sempre mais abundante no campo alheiro,e o rebanho do vizinho tem as tetas mais grossas.
( Frases e Pensamentos de Ovídio) Mensagem sobre Amor


Aprendi,graças a uma amarga experiência,a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia,assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e,de uma maneira geral,consigo. Mas quando a ira me assalta,limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.
( MAHATMA GANDHI)Tema: Auto-Conhecimento


Aprendi,graças a uma amarga experiência,a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia,assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e,de uma maneira geral,consigo. Mas quando a ira me assalta,limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua.
( Frases e Pensamentos de Mahatma Gandhi) Mensagem sobre Autoconhecimento


"Poeminha Amoroso" ( CORA CORALINA )

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...


Árvores do Alentejo ( FLORBELA ESPANCA )

Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol postonte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
-Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!


A LENDA DOS SÉCULOS ( VICTOR HUGO )

... Um fresco perfume saiu dos tufos do asphodele
Os suspiros das flutuações noturnas em Galgala.
... Uma imensa bondade tombou do firmamento,
Era a hora tranqüila onde leões vão beber.
Tudo descansou em Ur e em Jérimadeth,
As estrelas esmaltaram o céu profundo e sombrio ;
O crescente fina e clara surgiu entre as flores da sombra
Brilhando a oeste, e Ruth desejou saber,
Imóvel, abrindo o céu debaixo de seus véus
Que deus, que ceifara do verão eterno,
Tendo, de si mesmo surgido , negligentemente lançando,
Esta foice dourada no campo das estrelas.


ESCRITO COM TINTA VERDE ( Octavio Paz )

A tinta verde cria jardins, selvas, prados,
folhagens onde gorjeiam letras,
palavras que são árvores,
frases de verdes constelações.
Deixa que minhas palavras, ó branca, desçam e te cubram
como uma chuva de folhas a um campo de neve,
como a hera à estátua,
como a tinta a esta página.
Braços, cintura, colo, seios,
fronte pura como o mar,
nuca de bosque no outono,
dentes que mordem um talo de grama.
Teu corpo se constela de signos verdes,
renovos num corpo de árvore.
Não te importe tanta miúda cicatriz luminosa:
olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas.


CÂNTICO dos cânticos VII( Salomão )

QUÃO formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! Os
contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista.
O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como
montão de trigo, cercado de lírios.
Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela.
O teu pescoço como a torre de marfim; os teus olhos como as piscinas de Hesbom,
junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz como torre do Líbano, que olha para
Damasco.
A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça como a
púrpura; o rei está preso nas galerias.
Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias!
A tua estatura é semelhante à palmeira; e os teus seios são semelhantes aos
cachos de uvas.
Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão
como os cachos na vide, e o cheiro da tua respiração como o das maçãs.
E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz
com que falem os lábios dos que dormem.
Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição.
Vem, ó amado meu, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.
Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já
aparecem as tenras uvas, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os meus
amores.
As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de
excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti.


CÂNTICO dos cânticos VI( Salomão )

PARA onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se
retirou o teu amado, para que o busquemos contigo?
O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, para apascentar nos
jardins e para colher os lírios.
Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta entre os lírios.
Formosa és, meu amor, como Tirza, aprazível como Jerusalém, terrível como um exé
rcito com bandeiras.
Desvia de mim os teus olhos, porque eles me dominam. O teu cabelo é como o
rebanho das cabras que aparecem em Gileade.
Os teus dentes são como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais
todas produzem gêmeos, e não há estéril entre elas.
Como um pedaço de romã, assim são as tuas faces entre os teus cabelos.
Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número.
Porém uma é a minha pomba, a minha imaculada, a única de sua mãe, e a mais
querida daquela que a deu à luz; viram-na as filhas e chamaram-na
bem-aventurada, as rainhas e as concubinas louvaram-na.
Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o
sol, terrível como um exército com bandeiras?
Desci ao jardim das nogueiras, para ver os frutos do vale, a ver se floresciam
as vides e brotavam as romãzeiras.
Antes de eu o sentir, me pôs a minha alma nos carros do meu nobre povo.
Volta, volta, ó Sulamita, volta, volta, para que nós te vejamos. Por que olhas
para a Sulamita como para as fileiras de dois exércitos?


A fraqueza humana e a estupidez são as mesmas, hoje em dia Quando as pessoas ingressam em alguns campos de atividades, como a política onde são tratados com glória e com respeito da sociedade, embora no início parecem não esquecerem-se de seu propósito original de empenha-se pela causa do povo, mais tarde são propensos a serem levados pelos desejos de fama e fortunaExistem aqueles que, a despeito da promessa em seus anos mais jovem, quando chega a época em que alcançam ou , não são capazes de controlar a si mesmosA fim de prevenir tais ocorrências, é de máxima importância que, seja qual for o campo em que esteja envolvido sempre mantenha a humildade em sua mente, para receber orientações sobre a féVocê deve compreender que mais uma vez que se desligue espiritualmente de seus veteranos na fé e da organização, estará sempre numa situação perigosa.
(Daisaku Ikeda)


CÂNTICO dos cânticos II( Salomão )

EU sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas.
Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos;
desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao
meu paladar.
Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.
Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.

A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me
abrace.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não
acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes,
pulando sobre os outeiros.
O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da
nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em
nossa terra.
A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma;
levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras,
mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua
face graciosa.
Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas
vinhas estão em flor.
O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te
semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.


A Melhor Companhia ( HENRY DAVID THOREAU )

Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo
pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca
encontrei um companheiro tão sociável como a solidão. Estamos geralmente mais
sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos
aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar
onde ele deseja. A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um
homem e os seus congéneres.
O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de
Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto. O agricultor pode
trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou
podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa,
à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos.
Tem que ir onde possa «estar com as pessoas», distrair-se e ser compensado pela
solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em
casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se
deprimido. Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a
trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos
seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora
eventualmente de uma forma mais condensada.
Ouvi falar de um homem perdido na floresta e a morrer de fome e de exaustão ao p
é de uma árvore e cuja solidão era aliviada pelas visões grotescas com que,
devido à fraqueza física, a sua imaginação doente o rodeava, e que ele
acreditava serem reais. Assim também, graças à saúde e à força física e mental,
podemos sentir-nos continuamente animados por uma companhia semelhante, se bem
que mais normal e natural, e chegarmos à conclusão de que nunca estamos sós.


Os Ciúmes Das Nossas Virtudes ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

Meu irmão, és feliz se só tens uma virtude e não várias: pois passarás mais
facilmente a ponte.
É uma distinção ter muitas virtudes, mas é sorte bem dura; e não são poucos os
que se têm ido matar ao deserto, cansados de serem combate e campo de batalha
das suas próprias virtudes.
Meu irmão, serão um mal a guerra e as batalhas? Mas são males necessários, e é
necessário que as tuas virtudes tenham ciúmes umas das outras e estejam
desconfiadas umas das outras e se caluniem entre si.
Vê, cada uma das tuas virtudes é ávida de tudo possuir, cada uma quer que a
totalidade da tua alma lhe sirva de arauto, quer toda a tua força na cólera, no
ódio e no amor.
Cada uma das tuas virtudes é ciosa das outras, e o ciúme é uma coisa terrível.
As próprias virtudes podem morrer de ciúme.
O que está cercado pela chama do ciúme acaba, como o escorpião, por voltar
contra si mesmo o seu aguilhão envenenado.
Ai! meu irmão, nunca viste uma virtude caluniar-se e apunhalar-se a si própria?
O homem é um ser que deve superar-se, por isso necessitas amar as tuas virtudes
- porque por elas morrerás.


Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa? E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte? Que vale o pensamento humano, esforçado e vencido, na turbulência das horas? Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses? Que valem as pálpebras da tímida esperança, orvalhadas de trêmulo sal? O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis, no profundo diagrama. E o homem tão inutilmente pensante e pensado só tem a tristeza para distingui-lo. Porque havia nas úmidas paragens animais adormecidos, com o mesmo mistério humano: grandes como pórticos, suaves como veludo, mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver. Grandes animais sem passado, sem antecedentes, puros e límpidos, apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas e na seda longa das crinas desfraldadas. Mas a noite desmanchava-se no oriente, cheia de flores amarelas e vermelhas. E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes, erguiam no ar a vigorosa cabeça, e começavam a puxar as imensas rodas do dia. Ah! o despertar dos animais no vasto campo! Este sair do sono, este continuar da vida! O caminho que vai das pastagens etéreas da noite ao claro dia da humana vassalagem!
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


CÂNTICO dos cânticos III( Salomão )

DE noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o,
e não o achei.
Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei
aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei.
Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes
aquele a quem ama a minha alma?
Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma;
agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na
câmara daquela que me gerou.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não
acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira.
Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, de
incenso, e de todos os pós dos mercadores?
Eis que é a liteira de Salomão; sessenta valentes estão ao redor dela, dos
valentes de Israel;
Todos armados de espadas, destros na guerra; cada um com a sua espada à cinta
por causa dos temores noturnos.
O rei Salomão fez para si uma carruagem de madeira do Líbano.
Fez-lhe as colunas de prata, o estrado de ouro, o assento de púrpura, o interior
revestido com amor, pelas filhas de Jerusalém.
Saí, ó filhas de Sião, e contemplai ao rei Salomão com a coroa com que o coroou
sua mãe no dia do seu desposório e no dia do júbilo do seu coração.


Deus sonha ( VICTOR HUGO )

O dia acorda! Deus por uma fresta
das nuvens a espreitar, ri-se. A floresta,
o campo, o inseto, o ninho sussurrante,
a aldeia, o sol que tinge a serrania...
Tudo isso acorda, quando acorda o dia
no fresco banho de ouro de Levante.
Deus sonha! Vasa os olhos d'água; pica
as artérias da terra; o liz fabrica;
e da matéria sonda o fundo ovário,
pinta as rosas de branco e de vermelho
e faz das asas do escaravelho
a surpresa do mundo planetário.
Homens! As férreas naus de velas largas,
monstros revéis, formidolosas cargas
do bruto oceano arfando às insolências;
extenuados os ventos, e nos flancos
longo enxame a arrastar de flocos brancos
de escuma, e raios, e fosforescências...
Os estandartes de arrogantes pregas;
as batalhas, os choques, as refregas;
náuseas de fogo de canhões sangrentos;
feroz carnificina de ferozes
batalhões - bando negro de albatrozes
de asa espalmada e aberta aos quatro ventos...
Comburentes, flamívomas bombardas,
ígnea selva de canos de espingardas,
estampidos, estrépitos, canglores;
e bêbado de pólvora e fumaça,
Napoleão, que galopando passa,
ao ruflar de frenéticos tambores;
a guerra, o saque, as convulsões, o espanto;
Sebastopol em chamas; de Lepanto
o vau de lanças e clarins repleto...
Homens! Tudo isso, enquanto recolhido
Deus sonha, passa e soa ao seu ouvido,
como o rumor das asas de um inseto!


CÂNTICO dos cânticos IV( Salomão )

EIS que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os
das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que
pastam no monte de Gileade.
Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do
lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua
fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos.
O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos
pendem dela, todos broquéis de poderosos.
Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam
entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao
outeiro do incenso.
Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha.
Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de
Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os
montes dos leopardos.
Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um
dos teus olhares, com um colar do teu pescoço.
Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu
amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as
especiarias!
Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da
tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.
Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o
nardo.
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de
incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que
destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos
excelentes!


CÂNTICO dos cânticos V( Salomão )

JÁ entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com
a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu
leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados.
Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo:
abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha
cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.
Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os
tornarei a sujar?
O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas
estremeceram por amor dele.
Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos gotejavam mirra, e os
meus dedos mirra com doce aroma, sobre as aldravas da fechadura.
Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha
alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o e não me
respondeu.
Acharam-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me, feriram-me,
tiraram-me o manto os guardas dos muros.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu amado, lhe digais que
estou enferma de amor.
Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as
mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras?
O meu amado é branco e rosado; ele é o primeiro entre dez mil.
A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos
como o corvo.
Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em
leite, postos em engaste.
As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como flores perfumadas; os seus
lábios são como lírios gotejando mirra com doce aroma.
As suas mãos são como anéis de ouro engastados de berilo; o seu ventre como alvo
marfim, coberto de safiras.
As suas pernas como colunas de mármore colocadas sobre bases de ouro puro; o seu
aspecto como o Líbano, excelente como os cedros.
A sua boca é muitíssimo suave, sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu
amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.


O Amor (KAHLIL GIBRAN)

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.
O amor não possui
nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.


Desejos do Amor (KAHLIL GIBRAN)

O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amar é precisar ter desejos, sejam estes os vossos desejos:
de se diluir no amor e ser como um riacho que canta sua melodia para a noite...
de conhecer a dor de sentir ternura demasiada...
de ficar ferido por vossa própria compreensão do amor ...
de sangrar de boa vontade e com alegria...
de acordar na aurora com o coração alado e agradecer por um novo dia de amor...
de descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor...
de voltar para casa a noite com gratidão ...
e de adormecer com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma
canção de bem aventurança ...


O Amigo! (KAHLIL GIBRAN)


E um adolescente disse: "Fala-nos
da Amizade." E ele respondeu, dizendo: "Vosso amigo, é a satisfação de vossas
necessidades.
Ele é o campo que semeias com carinho e ceifais com agradecimento. É vossa mesa
e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca da paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temeis o "não" de vossa própria
opinião, nem prendeis o sim.
E quando ele se cala, vosso coração continua a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são
partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separeis de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que vós ameis nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o
alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do
espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio misté
rio não é o amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela
apanhado.
E que o melhor de vós próprio seja para o vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu fluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente fim de matar o
tempo? Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente
refrescado.


Será o Benedito! Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

A primeira vez que me encontrei com Benedito, foi no dia mesmo da minha chegada
na Fazenda Larga, que tirava o nome das suas enormes pastagens. O negrinho era
quase só pernas, nos seus treze anos de carreiras livres pelo campo, e enquanto
eu conversava com os campeiros, ficara ali, de lado, imóvel, me olhando com
admiração. Achando graça nele, de repente o encarei fixamente, voltando-me para
o lado em que ele se guardava do excesso de minha presença. Isso, Benedito
estremeceu, ainda quis me olhar, mas não pôde agüentar a comoção. Mistura de
malícia e de entusiasmo no olhar, ainda levou a mão à boca, na esperança talvez
de esconder as palavras que lhe escapavam sem querer:
- O hôme da cidade, chi!...
Deu uma risada quase histérica, estalada insopitavelmente dos seus sonhos
insatisfeitos, desatou a correr pelo caminho, macaco-aranha, num mexe-mexe
aflito de pernas, seis, oito pernas, nem sei quantas, até desaparecer por detrás
das mangueiras grossas do pomar.
Nos primeiros dias Benedito fugiu de mim. Só lá pelas horas da tarde, quando eu
me deixava ficar na varanda da casa-grande, gozando essa tristeza sem motivo das
nossas tardes paulistas, o negrinho trepava na cerca do mangueirão que
defrontava o terraço, uns trinta passos além, e ficava, só pernas, me olhando
sempre, decorando os meus gestos, às vezes sorrindo para mim. Uma feita, em que
eu me esforçava por prender a rédea do meu cavalo numa das argolas do mangueirão
com o laço tradicional, o negrinho saiu não sei de onde, me olhou nas minhas
ignorâncias de praceano, e não se conteve:
- Mas será o Benedito! Não é assim, moço!
Pegou na rédea e deu o laço com uma presteza serelepe. Depois me olhou irônico e
superior. Pedi para ele me ensinar o laço, fabriquei um desajeitamento muito
grande, e assim principiou uma camaradagem que durou meu mês de férias.
Pouco aprendi com o Benedito, embora ele fosse muito sabido das coisas rurais. O
que guardei mais dele foi essa curiosa exclamação, "Será o Benedito!", com que
ele arrematava todas as suas surpresas diante do que eu lhe contava da cidade.
Porque o negrinho não me deixava aprender com ele, ele é que aprendia comigo
todas as coisas da cidade, a cidade que era a única obsessão da sua vida.
Tamanho entusiasmo, tamanho ardor ele punha em devorar meus contos, que às vezes
eu me surpreendia exagerando um bocado, para não dizer que mentindo. Então eu me
envergonhava de mim, voltava às mais perfeitas realidades, e metia a boca na
cidade, mostrava o quanto ela era ruim e devorava os homens. "Qual, Benedito, a
cidade não presta, não. E depois tem a tuberculose que..."
- O que é isso?...
- É uma doença, Benedito, uma doença horrível, que vai comendo o peito da gente
por dentro, a gente não pode mais respirar e morre em três tempos.
- Será o Benedito...
E ele recuava um pouco, talvez imaginando que eu fosse a própria tuberculose que
o ia matar. Mas logo se esquecia da tuberculose, só alguns minutos de mutismo e
melancolia, e voltava a perguntar coisas sobre os arranha-céus, os "chauffeurs"
(queria ser "chauffeur"...), os cantores de rádio (queria ser cantor de
rádio...), e o presidente da República (não sei se queria ser presidente da
República). Em troca disso, Benedito me mostrava os dentes do seu riso
extasiado, uns dentes escandalosos, grandes e perfeitos, onde as violentas
nuvens de setembro se refletiam, numa brancura sem par.
Nas vésperas de minha partida, Benedito veio numa corrida e me pôs nas mãos um
chumaço de papéis velhos. Eram cartões postais usados, recortes de jornais, tudo
fotografias de São Paulo e do Rio, que ele colecionava. Pela sujeira e amassado
em que estavam, era fácil perceber que aquelas imagens eram a única Bíblia, a
exclusiva cartilha do negrinho. Então ele me pediu que o levasse comigo para a
enorme cidade. Lembrei-lhe os pais, não se amolou; lembrei-lhe as brincadeiras
livres da roça, não se amolou; lembrei-lhe a tuberculose, ficou muito sério. Ele
que reparasse, era forte mas magrinho e a tuberculose se metia principalmente
com os meninos magrinhos. Ele precisava ficar no campo, que assim a tuberculose
não o mataria. Benedito pensou, pensou. Murmurou muito baixinho:
- Morrer não quero, não sinhô... Eu fico.
E seus olhos enevoados numa profunda melancolia se estenderam pelo plano aberto
dos pastos, foram dizer um adeus à cidade invisível, lá longe, com seus
"chauffeurs", seus cantores de rádio, e o presidente da República. Desistiu da
cidade e eu parti. Uns quinze dias depois, na obrigatória carta de resposta à
minha obrigatória carta de agradecimentos, o dono da fazenda me contava que
Benedito tinha morrido de um coice de burro bravo que o pegara pela nuca. Não
pude me conter: "Mas será o Benedito!... E é o remorso comovido que me faz
celebrá-lo aqui.


A moça mostrava a coxa(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não mostrava aquilo
- concha, berilo, esmeralda -
que se entreabre, quatrifólio,
e encerrra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
á visão dos seios claros,
qua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o maximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-dalva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quando mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...


Canudos e o Exército ( ARIANO SUASSUNA )

(in Folha de São Paulo, 30 de Novembro de 1999)
O que houve em Canudos e continua a acontecer hoje, no campo como nas grandes
cidades brasileiras, foi o choque do Brasil "oficial e mais claro" contra o
Brasil "real e mais escuro". Ao Brasil oficial e mais claro que não é somente
"caricato e burlesco", como afirmou um Machado de Assis, momentaneamente
perturbado por sua justa indignação, pertenciam algumas das melhores figuras do
patriciado do tempo de Euclydes da Cunha: civis e políticos como Prudente de
Moraes, ou militares como o general Machado Bittencourt.
Bem-intencionados mas cegos, honestos mas equivocados, estavam convencidos de
que o Brasil real de Antônio Conselheiro era um país inimigo que era necessário
invadir, assolar e destruir. O civil que começou a reparar esse erro doloroso
foi Euclydes da Cunha. O militar foi o major Henrique Severiano, grande herói de
Canudos, do lado do Exército. Através de sua bela morte, acendeu ele uma chama
que, juntamente com a de Euclydes da Cunha, temos todos nós -intelectuais,
políticos, padres, soldados- o dever de levar fraternalmente adiante. Conta-se,
em "Os Sertões", sobre o incêndio dos últimos dias de Canudos: "O comandante do
25º batalhão, major Henrique Severiano, era uma alma belíssima, de valente. Viu
em plena refrega uma criança a debater-se entre as chamas. Afrontou-se com o
incêndio. Tomou-a nos braços; aconchegou-a do peito criando, com um belo gesto
carinhoso, o único traço de heroísmo que houve naquela jornada feroz e salvou-a.
Mas expusera-se. Baqueou mal ferido, falecendo poucas horas depois
A meu ver, tal seria o militar simbólico, emblema do verdadeiro soldado
brasileiro, capaz de apoiar um movimento em favor do povo, também simbolicamente
representado aí por essa criança, iluminada entre as chamas do seu martírio.
Euclydes da Cunha, formado, como todos nós, pelo Brasil oficial, falsificado e
superposto, saiu de São Paulo como seu fiel adepto positivista, urbano e
"modernizante". E, de repente, ao chegar ao sertão, viu-se encandeado e ofuscado
pelo Brasil real de Antônio Conselheiro e seus seguidores. Sua intuição de
escritor de gênio e seu nobre caráter de homem de bem colocaram-no imediatamente
ao lado dele, para honra e glória sua. Mas a revelação era recente demais, dura
demais, espantosa demais. De modo que, entre outros erros e contradições, só lhe
ocorreu, além da corajosa denúncia contra o crime, pregar uma "modernização" que
consistiria, finalmente, em conformar o Brasil real pelos moldes da rua do
Ouvidor e do Brasil oficial. Isto é, uma modernização falsificadora e falsa, e
que, como a que estão tentando fazer agora, é talvez pior do que uma invasão
declarada. Esta apenas destrói e assola, enquanto a falsa modernização, no campo
como na cidade, descaracteriza, assola, destrói e avilta o povo do Brasil real.


Mocinha ( ARIANO SUASSUNA )

(in Folha de São Paulo, 27/06/00)
Em 1990, quando tomei posse de minha cadeira na Academia Brasileira de Letras,
agi de modo a ligar o mais possível a cerimônia, o uniforme, o colar e a espada
aos rituais de festa do nosso povo. Eu lera, de Gandhi, uma frase que me
impressionou profundamente. Dizia ele que um indiano verdadeiro e sincero, mas
pertencente a uma das classes mais poderosas de seu país, não deveria nunca
vestir uma roupa feita pelos ingleses. Primeiro, porque estaria se acumpliciando
com os invasores. Depois, porque, com isso, tiraria das mulheres pobres da Índia
um dos poucos mercados de trabalho que ainda lhes restavam.
A partir daí, passei a usar somente roupas feitas por uma costureira popular,
Edite Minervina. E também foi ela quem cortou e costurou meu uniforme acadêmico,
bordado por Cicy Ferreira. Isaías Leal fez o colar e a espada, unindo, nesta,
num só emblema, a zona da mata e o sertão.
Naquele ano, era Miguel Arraes quem governava Pernambuco. E, como o Estado que
me adotou como filho se encarregou da doação normalmente feita ao acadêmico pela
terra de seu nascimento, combinei tudo com o governador e fizemos, no palácio do
Campo das Princesas, uma espécie de cerimônia prévia na qual Arraes (que, como
eu, é egresso do Brasil oficial, mas procura se ligar ao real) faria o discurso
de entrega das insígnias; e artistas populares me entregariam os adereços feitos
por eles: Edite e Cicy, o fardão, Isaías Leal, o colar, e mestre Salusitano, a
espada (que, na ABL, meseria entregue por meu mestre Barbosa Lima Sobrinho).
Depois que Isaías Leal me deu o colar, no Recife, pedi à maior cantadora
nordestina, Mocinha de Passira, que o colocasse em meu pescoço - uma vez que, na
Academia, escolhera para isso outra mulher, minha querida Rachel de Queiroz.
Como se vê, em tudo, eu tentava mostrar, do modo canhestro, simbólico e precário
que me é possível, que, apesar de nascido e criado no Brasil oficial, procuro
sempre não esquecer que existe o Brasil real e é a seu lado que me alinho em
todas as circunstâncias da minha vida.
Foi por tudo isso também que, escrevendo aqui em dezembro do ano passado,
escolhi dois personagens simbólicos para representarem o Brasil real. Dizia: -O
primeiro é Chico Ambrósio, cabreiro do sertão da paraíba, homem de sangue
predominantemente indígena e jeito aciganado; a outra é Mocinha de Passira,
violeira dotada de uma voz impressionante”
E concluía: -Na minha opinião, o que devemos fazer é olhar o brasil de Chico e
Mocinha para seguir e aprofundar (no campo social, político e econômico) o
caminho indicado por Antônio Conselheiro - aquele socialismo-de-pobre que, para
nós, foi uma picada aberta em direção ao sol de Deus.
Nos tempos de desprezo que estamos vivendo em relação à cultura brasileira (e em
especial à popular), espero, então, que pelo menos as nossas universidades
percebam a importância dessa cantora e repentista, que, como afirmei em meu
discurso da ABL, significa para mim, para o Brasil e para o nosso povo o mesmo
que Pastora Pavón representava para García Lorca, para a Espanha e para o povo
espanhol.