Frases e Pensamentos de Odio

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ODIO

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Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia
( La Bruyère )


Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


O afecto ou o ódio mudam a face da justiça
( Blaise Pascal )


Quando o sangue respira o ódio, não pode dissimular-se
( SÊNECA )


Há homens cujo ódio nos glorifica
( Frases e Pensamentos de Diderot )


Os mais falsos argumentos podem mostrar um ódio correcto.
( Karl Kraus )


A vida é um sopro. Por isso, não há motivo para tanto ódio
(OSCAR NIEMEYER)


O ódio sem desejo de vingança é um grão caído sobre o granito
( HONORÉ DE BALZAC )


O sentimento de ódio é um processo de auto-obsessão.(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


Só podemos vencer o adversário com o amor,nunca com o ódio.
( MAHATMA GANDHI)Tema: Amor


Marido de mulher feia tem ódio de domingo e feriado.(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)


Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio
( HONORÉ DE BALZAC )


Quem põe ponto final numa paixão com o ódio, ou ainda ama, ou não consegue deixar de sofrer
( OVÍDIO )


Parece-me fácil viver sem ódio, coisa que nunca senti. Mas viver sem amor acho impossível
( JORGE LUIS BORGES )


O ciúme é o meio-termo entre o amor e o ódio.
( Frases e Pensamentos de Commerson) Mensagem sobre Ciúme


É coisa mais que provada não haver ciúme sem loucura. – E também sem amor,meu senhor,isso se pode igualmente afirmar. – Ora ciúme é ódio,e de ódio,sempre,o amor está vazio.
( Frases e Pensamentos de Miguel de Cervantes) Mensagem sobre Ciúme


O casamento é o triunfo do hábito sobre o ódio.
( Frases e Pensamentos de Oscar Levant) Mensagem sobre Casamento


O ciúme é mistura explosiva de amor,ódio,avareza e orgulho.
( Frases e Pensamentos de Alfonso Karr) Mensagem sobre Ciúme


Só podemos vencer o adversário com o amor,nunca com o ódio.
( Frases e Pensamentos de Mahatma Gandhi) Mensagem sobre Amor


Não odeies o teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo o seu escravo. O teu ódio nunca será melhor do que a tua paz
( JORGE LUIS BORGES )


Todo oposto contém o seu mesmo oposto. Amor e ódio são expressões diferenciadas de uma só energia original.
( Frases e Pensamentos de Amor)


Nem o ódio nem a lisonja são cristais fiéis: adulteram a verdade; aquele das virtudes faz vícios, e esta, dos vícios, virtudes.
( Baltasar Gracián )


Penso que o ódio é um sentimento que só pode existir na ausência da inteligência. Os bons médicos não odeiam os seus doentes.
( Tennessee Williams )


O sofrimento é uma espécie de sacramento para quem o recebe sem ódio.
( Frases e Pensamentos de Louis Evely) Mensagem sobre Pensamentos


Los bárbaros que todo lo confían a la fuerza y a la violencia nada construyen, porque sus simientes son de odio.
( Frases e Pensamentos de José Marti )


O amor não "vira" ódio; este, de latente, se faz manifesto: ocorre que às vezes se odeia na ilusão de que se ama.
( Frases e Pensamentos de Amor)


Não devemos mostrar a nossa cólera ou o nosso ódio senão por meio de atos. Os animais de sangue frio são os únicos que têm veneno.
( ARTHUR SCHOPENHAUER )


Não se pode argumentar com pessoas cegas pelo ódio. Elas odeiam o poder do indivíduo. Elas odeiam o progresso das mulheres. Elas odeiam a liberdade religiosa dos outros. Elas odeiam a brisa libertadora da democracia. Mas senhoras e senhores, seu ódio não serve para a decência da América.
( Frases e Pensamentos de Arnold Schwarzenegger )


Parece-me fácil viver sem ódio,coisa que nunca senti,mas viver sem amor acho impossível.
( Frases e Pensamentos de Jorge Luis Borges) Mensagem sobre Amor


Todo oposto contém o seu próprio oposto: flutua o riso nas lágrimas, no choro o riso aflora, pêlos olhos do amor o ódio espreita.
( Frases e Pensamentos de Amor)


Infunde-me tanto ódio como os portões do Hades aquele que oculta uma coisa em seu coração e diz outra.
( Aquiles, Na Ilíada de Homero ) Mensagem sobre Filosofia


El derecho del obrero no puede ser nunca el odio al capital; es la armonía, la conciliación, el acercamiento común de uno y del otro.
( Frases e Pensamentos de José Marti )


Posso enfrentar o ódio, posso enfrentar a raiva, posso enfrentar o desespero, posso enfrentar qualquer coisa que esteja sentindo alguma coisa, mas não posso enfrentar o nada.
( LEO BUSCAGLIA )


O ciúme é um estranho amálgama moral; nele se fusionam amor e ódio, castidade e luxúria, humildade e soberba, mansuetude e ira, desprendimento e inveja.
( Frases e Pensamentos de Ciúme)


O ódio, tal como o amor, alimenta-se com as menores coisas, tudo lhe cai bem. Assim como a pessoa amada não pode fazer nenhum mal, a pessoa odiada não pode fazer nenhum bem
( HONORÉ DE BALZAC )


O medo da perda gera o ciúme, impulso animal (o termo vem de cio) que reveste as feições do ódio: o ciumento às vezes se enfurece e mata a pessoa a quem diz amar.
( Frases e Pensamentos de Ciúme)


O ódio nunca desaparece, enquanto pensamentos de mágoas forem alimentados na mente Ele desaparece, tão logo esses pensamentos de mágoa forem esquecidos.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


Sem amor por si mesmo, o amor pelos outros também não é possível. O ódio por si mesmo é exactamente idêntico ao flagrante egoísmo e, no final, conduz ao mesmo isolamento cruel e ao mesmo desespero
( HERMANN HESSE )


O sentimento que o homem suporta com mais dificuldade é a piedade, principalmente quando a merece. O ódio é um tónico, faz viver, inspira vingança; mas a piedade mata, enfraquece ainda mais a nossa fraqueza
( HONORÉ DE BALZAC )


Tenho uma forte sensação de que o oposto do amor não é o ódio. É a apatia. Com ela não se sente nada. Se alguém me odeia deve sentir algo a meu respeito, ou não poderia me odiar. Então, existe alguma maneira pela qual posso chegar a ela.
( LEO BUSCAGLIA )


Com a inveja e o ciúme, não há calma nem repouso para aquele que está atacado desse mal: os objetos de sua cobiça, de seu ódio, de seu despeito, se levantam diante dele como fantasmas que não lhe dão nenhuma trégua e o perseguem até no sono.
(ALLAN KARDEC)


A energia psíquica, fonte dos sentimentos, é uma só, que se diversifica em variados aspectos; daí a razão por que o riso e as lágrimas se confundem e, não raro, o amor e o ódio de tal forma se mesclam que quase não se distinguem.
( Frases e Pensamentos de Amor)


Obviamente, desde que somos seres humanos, eternamente existirão algumas espécies de conflitos, rivalidades ou mesmo divergências de opiniões Entretanto, terminantemente, jamais haver a necessidade de nutrirem-se de ódio ou mesmo matarem-se uns aos outros.
(Daisaku Ikeda)


Não utilizemos bombas e armas para dominar o mundo. Vamos usar amor e compaixão. A paz começa com um sorriso - sorri cinco vezes por dia para alguém a quem não gostarias realmente de sorrir - faze isso pela paz. Então vamos irradiar a paz de Deus e assim acender a Sua luz e extinguir do mundo e dos corações de todos os homens todo o ódio e amor pelo poder.


ATRASO PONTUAL( PAULO LEMINSKI )

Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relogio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?


"Deves apreciar o afeto do amigo que corre o risco de provocar teu ódio ao chamar tua atenção para as tuas fraquezas e faltas; pois somos todos tão levianos que só percebemos qualidades em nós mesmos e só gostamos de ouvir elogios. Assim nossas imperfeições ,vistas por todos,são por nós ignoradas e acompanham-nos até o fim da vida. E nove em dez,odiamos quem no-las revela,mesmo com a intenção de nos beneficiar."
( Frases e Pensamentos de Walter Raleigh) Mensagem sobre Conselhos


Inveja Justa e Injusta ( RENÉ DESCARTES )

Quando a fortuna envia a alguém bens de que ele é verdadeiramente indigno,
e a inveja só é excitada em nós porque amando naturalmente a justiça ficamos
contrariados que ela não seja observada na distribuição desses bens, trata-se de
um zelo que pode ser desculpável; principalmente quando o bem que invejamos de
outros é de tal natureza que pode converter-se em mal nas mãos deles, como se
for algum cargo ou ofício em cujo exercício eles possam comportar-se mal.
Mesmo quando desejamos para nós o mesmo bem e somos impedidos de tê-lo, porque
ouros que são menos merecedores o possuem, isto torna mais violenta tal paixão;
e ela não deixa de ser desculpável, contanto que o ódio que contém se relacione
somente com a má distribuição do bem que se inveja, e não com as pessoas que o
possuem e distribuem.
Mas há poucos que sejam tão justos, e tão generosos a ponto de não ter ódio por
aqueles que os precederam na obtenção de um bem que não é comunicável a várias
pessoas e que eles haviam desejado para si mesmos, embora os que os obtiveram
sejam tanto ou mais merecedores. E o que habitualmente é mais invejado é a
glória, pois embora a dos outros não impeça que possamos almejá-la, no entanto
às vezes torna o seu acesso mais difícil e encarece-lhe o valor.


O valor de uma religião depende de sua capacidade de conter a ambição, o ódio e a insensatez Não se deve confiar na mente que está cheia de cobiça, ira e estultícia Não se deve deixar a mente desenfreada, deve-se mantê-la sob rígido controle É muito difícil ter o perfeito controle mental Aqueles que buscam a Iluminação devem livrar-se primeiro do fogo de todos os desejos O desejo é como fogo devastador, e aquele que está trilhando o caminho da Iluminação deve evitar o fogo do desejo, assim como o homem que carrega um fardo de feno evita as chamas É loucura um homem arrancar seus olhos, pelo temor de ser tentado pelas formas bonitas A mente é o senhor e se ela estiver sob controle, os menores desejos desaparecerão.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


Não Amar nem Odiar ( ARTHUR SCHOPENHAUER )

Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem
e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu
valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e
atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do carácter.
Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro
custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos
a proteger-nos da confiabilidade e da amizade tolas.
«Não amar, nem odiar», eis uma sentença que contém a metade da prudência do
mundo; «nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade. Decerto, daremos
de bom grado as costas a um mundo que torna necessárias regras como estas e como
as seguintes.
Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso,
imprudente, ridículo e comum. Nunca se deve revelar cólera ou ódio a não ser por
actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais
perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Apenas animais de sangue frio são
venenosos.
Falar sem elevar a voz: essa antiga regra das gentes do mundo tem por alvo
deixar ao entendimento dos outros a tarefa de descobrir o que dissemos. Ora, tal
entendimento é vagaroso, e, antes que termine, já nos fomos. Por outro lado,
falar sem elevar a voz significa falar aos sentimentos, e então tudo se inverte.
Com maneiras polidas e tom amigável, pode-se falar grandes asneiras a muitas
pessoas sem perigo imediato.


Vida É o amor existencial. Razão É o amor que pondera. Estudo É o amor que analisa. Ciência É o amor que investiga. Filosofia É o amor que pensa. Religião É o amor que busca a Deus. Verdade É o amor que eterniza. Ideal É o amor que se eleva. Fé É o amor que transcende. Esperança o amor que sonha.Caridade É o amor que auxilia. Fraternidade É o amor que se expande. Sacrifício É o amor que se esforça. Renúncia É o amor que depura. Simpatia É o amor que sorri. Trabalho É o amor que constrói. Indiferença É o amor que se esconde. Desespero É o amor que se desgoverna. Paixão É o amor que se desequilibra. Ciúme É o amor que se desvaira. Orgulho É o amor que enlouquece. Sensualismo É o amor que se envenena. Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu gravemente. (Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


A INÊS (LORD BYRON)

Não me sorrias! Minha fronte é triste,
Cavou-lhe sulcos da desgraça a mão!
Teu riso ardente, que traduz amores,
Jamais soubera compensar-te, não!
Oh! roga aos astros que jamais o pranto
Te banhe o rosto, qual o meu, em vão!
Não queiras, virgem, soerguer o manto,
Que oculta em sombras minhas lentas dores;
Travo de angústia me envenena os dias
Na mocidade, na estação das flores.
Fôra baldado! Tu jamais puderas
Trocar meu pranto no sorrir de amores!
Não é a febre de um amor ardente,
Não é a lava de voraz paixão,
Não é o ódio a me abrasar o peito,
De honras perdidas o desejo vão,
Que faz-me agora maldizer afetos,
Passar meus dias na desolação.
O mar, as flores o vergel, o prado,
Tudo que vejo, como a vida, odeio;
Da dor o manto o coração me enluta,
Nem a beleza faz pulsar meu seio;
E dos teus olhos mesmos a luz fulgente
Não faz minh'alma palpitar de enleio!


O Efeito da Verdadeira Maturidade ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

A alternância de amor e ódio caracteriza, durante muito tempo, a condição íntima
de uma pessoa que quer ser livre no seu juízo acerca da vida; ela não esquece e
guarda rancor às coisas por tudo, pelo bom e pelo mau. Por fim, quando, à força
de anotar as suas experiências, todo o quadro da sua alma estiver completamente
escrito, já não desprezará nem odiará a existência, mas tão-pouco a amará, antes
permanecerá por cima dela, ora com o olhar da alegria, ora com o da tristeza, e,
tal como a Natureza, a sua disposição ora será estival, ora outunal.
(...) Quem quiser seriamente ser livre perderá de mais a mais, sem qualquer
constrangimento, a propensão para os erros e vícios; também a irritação e o
aborrecimento o acometerão cada vez mais raramente. É que a sua vontade não quer
nada mais instantaneamente do que conhecer e o meio para tanto, ou seja, a
condição permanente em que ele está mais apto para o conhecimento.


Escolhe Inimigos Que Te Mereçam ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

Gosto dos valentes; mas não basta bater a torto e a direito; é preciso saber
ainda no que se bate. E muitas vezes há mais coragem em se conter e passar
adiante, a fim de se reservar para um adversário mais digno. Tende apenas
inimigos dignos de ódio, e não inimigos desprezíveis; é necessário que possais
estar orgulhosos dos vossos inimigos; já vos ensinei isso.
É necessário reservardes-vos para um adversário mais digno, meus amigos; por
isso tereis de passar por cima de muitas ofensas, - passar por cima de muita
canalha que vos massacrará com as palavras povo e nação.
Livrai o vosso olhar de se misturar às suas contestações. É um matagal de
direitos e de abusos. Ter de considerá-los irrita. Lançar aí os olhos -
atirar-se para a confusão - é a mesma coisa; ide-vos pois para os bosques e
deixai dormir a vossa espada!
Segui os caminhos que vos pertencem. E deixai povos e nações seguirem os seus
escuros caminhos, na verdade, nos quais não brilha uma única esperança!


A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas ( RENÉ DESCARTES
)

Podemos distinguir duas espécies de cólera: uma que é muito súbita e se
manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente
ser apaziguada; e outra que inicialmente não aparece tanto, porém corrói mais o
coração e tem efeitos mais perigosos. Os que têm muita bondade e muito amor são
mais sujeitos à primeira. Pois ela não provém de um ódio profundo, e sim de uma
súbita aversão que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas
devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, tão logo acontece de
forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso,
mesmo que a coisa não os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afeição,
interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim,
o que para outra pessoa seria apenas motivo de indignação é para eles um motivo
de cólera. E como a inclinação que têm para amar faz que tenham muito calor e
muito sangue no coração, a aversão que os surpreende não pode impelir para este
tão pouca bile que isso não cause inicialmente uma grande emoção no sangue. Mas
tal emoção pouco dura, porque a força da surpresa não se prolonga e porque, tão
logo percebem que o motivo que os contrariou não devia emocioná-los tanto,
arrependem-se disso.
A outra espécie de cólera, em que predominam o ódio e a tristeza, não é tão
aparente no início, a não ser talvez fazendo o rosto empalidecer. Mas pouco a
pouco a sua força é aumentada pela agitação que um ardente desejo de vingar-se
excita no sangue, que, estando misturado com a bile que é impelida da parte
inferior do fígado e do baço para o coração, excita nele um calor muito áspero e
muito picante. E, assim como as almas mais generosas são as que sentem mais
reconhecimento, assim as que têm mais orgulho, e que são mais baixas e mais
fracas, são as que mais se deixam arrebatar por essa espécie de cólera; pois as
injúrias parecem tanto maiores quanto mais o orgullho faz que nos estimemos; e
também na medida em que mais estimamos os bens que elas arrrebatam, os quais
tanto mais estimamos quanto mais fraca e mais baixa tivermos a alma, porque eles
dependem de outrem.


O Limite Saudável do Amor por Nós Próprios( J. J. ROUSSEAU )

O amor por nós mesmos, que só a nós diz respeito, sente-se satis­feito quando as
nossas verdadeiras necessidades ficam satisfeitas; mas o amor-próprio - que se
pretende comparar com ele - nun­ca se sente satisfeito nem o poderia estar,
porque esse sentimen­to, que nos leva a preferirmo-nos aos outros, também exige
que os outros nos prefiram a eles próprios; ora isso é impossível. Eis co­mo as
paixões suaves e afectuosas têm origem no amor por si pró­prio, e como as
paixões de ódio e de ira provêm do amor-próprio. Assim, o que torna o homem
essencialmente bom é o facto de ter poucas necessidades e de pouco se comparar
com os outros; o que o torna essencialmente mau é ter muitas necessidades e
preo­cupar-se muito com a opinião. Sobre este princípio, é fácil ver co­mo se
podem dirigir - para o bem ou para o mal - todas as pai­xões das crianças e dos
homens. É verdade que, como não podem viver sempre sós, dificilmente poderão
viver sempre bons: e esta dificuldade aumentará, necessariamente, com o
alargamento das suas relações; e é nisso, sobretudo, que os perigos da sociedade
nos tornam a arte e os cuidados mais indispensáveis para prevenir­ - no coração
humano - a depravação originada pelas suas novas ne­cessidades.


JOSÉ(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


O Apóstolo ( RAINER MARIA RILKE )

Mesa redonda no melhor hotel de N... Contra as paredes de mármore da alta e
clara sala de jantar ondula o rumor humano e o barulho dos talheres.
Apressados, como sombras mudas, os criados de casaca preta andam de cá
para lá com as bandejas de prata. Nos baldes com gelo brilham garrafas de
champanhe. Tudo cintila à luz das lâmpadas eléctricas: as taças, os olhos e as
jóias das mulheres, os crânios luzidios dos cavalheiros e até mesmo as
palavras que saltam como faúlhas. Quando são espirituosas, estala, mais perto
ou mais longe, o chamejar agudo dum riso breve numa garganta feminina.
Depois as senhoras comem a sopa fumegante em finas taças translúcidas,
enquanto os jovens ajustam o monóculo e percorrem com um olhar crítico a
mesa multicor.
Eram todos eles frequentadores que se conheciam já. Mas, nesse dia, um
desconhecido sentara-se numa das extremidades da mesa. Os homens
deitaram-lhe um olhar rápido, porque o traje desse homem pálido e grave não
era da última moda. Subia-lhe até ao queixo um alto colarinho branco e
apertava-lhe o pescoço a grande gravata negra que se usava no começo do
século. O casaco preto assentava-lhe nos ombros largos. O mais surpreendente
eram os grandes olhos cinzentos do recém-chegado, que com olhar solene e
poderoso parecia trespassar de lado a lado toda a assistência, e que brilhava
como se algum longínquo desígnio nele incessantemente se reflectisse.
Aquele olhar atraía os olhos das mulheres curiosas que o interrogavam em
segredo. Murmuraram toda a espécie de suposições, tocaram-se com o pé,
interrogaram-se, encolheram os ombros e, apesar de tudo, não conseguia
explicar-se aquela presença.
A baronesa polaca Vilovsky, jovem e espirituosa Witib, estava ao centro dos
conservadores. Também ela parecia interessar-se pelo taciturno desconhecido.
Os seus grandes olhos negros suspendiam-se com estranha insistência nos
traços cavados do estrangeiro. A sua mão fina tamborilava nervosamente na
toalha adamascada, fazendo brilhar a magnífica jóia que ornava um dos seus
anéis. Com uma pressa impaciente e pueril, ora falava de um assunto, ora
doutro, para depois se interromper bruscamente ao notar que o estrangeiro não
tomava parte na conversação. Julgava-o um artista com muita habilidade e
levava a conversa para os temas de arte mais diversos. Em vão. O
desconhecido vestido de preto conservava o olhar perdido no vago. Mas a
baronesa Vilovsky não abandonava a partida.
- Já ouviu falar do terrível incêndio na aldeia de B...?- perguntou ela ao seu
vizinho.
E como lhe respondesse afirmativamente, acrescentou: - Proponho formarmos
uma comissão para organizar um peditório e uma obra de beneficência em
favor das vítimas desse incêndio.
Lançou em volta olhares interrogadores. Vivas aprovações acolheram a
proposta. Um sorriso sarcástico iluminou o rosto do desconhecido. A baronesa
sentiu esse sorriso sem o ver. Uma grande cólera a agitava.
- Está toda a gente de acordo? - observou ela num tom imperioso, que não
admitia réplicas. E ouviu-se então um coro de vozes:
- Sim, de acordo! Naturalmente!
O conviva que me ficava defronte, um banqueiro de Colónia, com gesto
eloquente, ia já a meter a mão no bolso que continha a sua carteira cheia de
notas do banco.
- Podemos contar consigo, senhor? - perguntou a baronesa ao estrangeiro. A
sua voz tremia. O desconhecido pôs-se de pé e, em voz alta, sem olhar, num
tom brutal, disse:
- Não!
A baronesa estremeceu. Sorriu contrafeita. Todos os olhos estavam fitos no

estrangeiro. Este dirigiu o seu olhar à baronesa e prosseguiu:
- A senhora comete um acto inspirado pelo amor; eu, pela minha parte, ando
através do mundo com o propósito de matar o mesmo amor. Seja onde for que
o encontre, assassino-o. E encontro-o muitas vezes em choupanas, nos
castelos, nas igrejas e na natureza. Mas persigo-o impiedosamente. E da
mesma maneira que na Primavera os ventos quebram a rosa que demasiado
cedo desabrochou, assim também a minha grande e obstinada vontade a
destrói: porque penso que a lei do amor nos foi prematuramente imposta.
A sua voz ressoou cavernosa como o eco do som do sino às Ave-Marias. A
baronesa fez menção de responder, mas o homem continuou: - Não me
compreendeu ainda. Escute-me. Os homens não se encontravam amadurecidos
quando o Nazareno veio até eles e lhes trouxe o amor. Na sua generosidade
pueril e ridícula, julgava ele fazer-lhes bem. Para uma raça de gigantes, o
amor teria sido um confortável travesseiro na brancura do qual poderiam com
volúpia sonhar novos feitos. Mas para homens fracos é a extrema decadência.
Um sacerdote católico que se encontrava presente levou a mão ao colarinho
como se sentisse faltar-lhe o fôlego.
- A extrema decadência!... - exclamava o estrangeiro. - Não falo do amor entre
os sexos. Falo do amor do próximo, da caridade e da piedade, da graça e da
indulgência. Não há piores venenos para a nossa alma!
Um som indistinto se ouviu entre os espessos lábios do sacerdote.
- Dize-me tu, ó Cristo: que fizeste? Parece-me que fomos educados como
aqueles animais ferozes que se procuram desabituar dos seus mais profundos
instintos, no propósito de lhes bater impunemente com um látego de domador
quando eles se tornarem meigos. Da mesma maneira nos limaram os dentes e
as garras e nos pregaram o amor do próximo. Arrancaram-nos das mãos o
brilhante dardo da nossa vontade altiva e pregaram-nos o amor do próximo! E
foi assim que nos entregaram nus à tempestade da vida, na qual
incessantemente sobre nós caem as marretadas do destino, ao mesmo tempo
que, por outro lado, se nos prega o amor do próximo!
Todos, sustendo a respiração, escutavam. Os criados não se atreviam a mexer-
se e mantinham-se firmes perto da mesa segurando nas mãos as bandejas de
prata. As palavras do desconhecido, como um sopro violento de tempestade,
rompiam o abafado silêncio.
- E nós obedecemos - continuou ele. - Obedecemos cega e estupidamente a
essa ordem insensata. Partimos em procura daqueles que tinham sede, dos que
tinham fome, dos doentes, dos leprosos, dos fracos e nós próprios somos
doentes e miseráveis. Sacrificamos a nossa vida para erguer aqueles que
caíam, animar os que duvidavam, consolar os que estavam tristes, e nos
próprios desesperamos. Aos que tinham assassinado as nossas mulheres e os
nossos filhos, tinham lançado a discórdia nos nossos lares, não destruímos as
suas próprias casas, e eles puderam esperar nelas calmamente o fim dos seus
dias.
Um terrível acento de zombaria fez-lhe tremer a voz, e continuou:
- Aquele que celebram como Messias transformou o mundo inteiro num
enorme hospício de doentes incuráveis. Os fracos, os miseráveis e os inválidos
são seus filhos e seus favoritos. Então os fortes viriam ao mundo apenas para
proteger, servir e velar por esses inermes seres? E se eu sinto em mim um
fogoso entusiasmo, um entusiasmo intenso e celeste para a luz, se subo com
firmeza o caminho escarpado e pedregoso, devo acaso, quando vejo já
flamejar o divino fim, inclinar-me para o inválido caído à beira do caminho?
Devo anima-lo, erguê-lo, arrasta-lo comigo e gastar a minha força ardente a
tratar desse cadáver impotente que, alguns passos adiante, cairá de novo,
prostrado? Como havemos nós de subir, se todas as nossas forças forem
aplicadas em proteger e erguer os miseráveis, os oprimidos e até mesmo os
preguiçosos hipócritas que não têm medula nem alma?
Elevou-se um murmúrio.
- Silêncio! - exclamou o estrangeiro numa voz de estentor. - Sois demasiado
fracos para confessardes que é assim mesmo como eu digo. Desejais enterrar-
vos eternamente no pântano. Julgais ver o céu porque vedes o reflexo dele no
regato. Ora, compreendei-me bem. Ligaram a nossa força à terra. É preciso
que ela se apague miseravelmente nos braseiros da misericórdia. Deve servir
apenas para acender o incenso da piedade, para produzir os vapores que nos
entorpecem os sentidos. Ela, essa força que poderia elevar-se para o céu como
uma grande chama livre e jubilosa!
Todos se calaram. Sorridente, o estranho desconhecido prosseguiu:
- E se os nossos antepassados fossem macacos, animais selváticos movidos
por poderosos instintos naturais, e se um Messias lhes tivesse pregado o amor
do próximo, obedecendo à sua palavra eles ter-se-iam impedido de realizar
todo e qualquer desenvolvimento das suas possibilidades. Nunca a massa
múltipla e estúpida pode determinar o progresso; só o «único», o grande, que
odeia a populaça, obscuramente consciente da sua baixeza, pode caminhar
sem receios na estrada da vontade, com uma força divina e um sorriso
vitorioso nos lábios. A nossa geração também não esta no cume da pirâmide
infinita do devir. Também nós não significamos um termo. Também nós não
estamos ainda demasiado amadurecidos como vós presunçosamente acreditais.
Portanto, para a frente! Não havemos de elevar-nos pelo conhecimento, pela
vontade e pelo poder? Não devem os fortes conseguir escapar da atmosfera de
constrangimento e de inveja das massas para seguirem em direcção à luz?
«Ouçam-me todos! Encontramo-nos em pleno combate! À direita e à esquerda
de nós caem os nossos companheiros; caem vítimas de fraqueza, de doença, de
vício e de loucura... e de todos os outros projécteis que sobre eles vomita o
destino terrível. Deixem-nos cair, deixem-nos morrer abandonados,
miseráveis! Sejam duros, sejam terríveis, sejam impiedosos! É preciso
avançar. Para a frente!
«Para que são esses olhares de temor? Sois acaso cobardes? Receais, vós
também, ficar para trás? Pois então deixai-vos para estoirar como cães! Sou
forte, tenho direito de viver. O forte segue sempre em frente!... As fileiras
cerradas abrir-se-lhe-ão. Mas são pouco numerosos os grandes, os poderosos,
os divinos que, com os olhos cheios de sol, esperam a nova terra sagrada.
Talvez que isso ocorra dentro de milhares de anos. Talvez que então, com os
seus braços fortes, musculosos e imperiosos construam um templo sobre os
corpos dos doentes, dos fracos e dos enfezados... Um império eterno...»
Os olhos brilhavam-lhe. Levantara-se. A sua silhueta erguia-se com grandeza
sobrenatural. Parecia aureolado de luz. Tinha o aspecto de um deus.
O olhar pareceu demorar-se-lhe um momento na visão maravilhosa; depois
regressando, subitamente, à realidade concluiu:
- Vou através do mundo para matar o amor. Que a força seja convosco! Vou-
me através do mundo para pregar aos fortes: ódio, ódio e ainda ódio!
Todos se olharam, mudos. A baronesa, dominada por viva emoção, calcava o
lenço contra as pálpebras.
Quando ela levantou os olhos, o lugar ao canto da mesa estava vazio.
Percorreu-os a todos um frémito. Ninguém proferiu palavra. Os criados,
trémulos ainda, retomaram o serviço.
O gordo banqueiro, sentado em frente de mim, foi o primeiro a retomar o uso
da palavra.
Disse entre dentes:- Era um louco ou...
Não ouvi o resto da frase, porque o homem mastigava com a boca muito cheia
um pedaço de empadão de lagosta.