Um amigo é a obra-prima da natureza.
( Frases e Pensamentos de Ralph Waldo Emerson) Mensagem sobre Amizade
O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.
( ARISTÓTELES )
A obra de arte pode ter um efeito moral,mas exigir uma finalidade moral do artista é fazê-lo arruinar a sua obra.
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)
Expor roupa suja ao público,por meio da arte,nunca leva a uma obra-prima.
( Frases e Pensamentos de François Truffaut) Mensagem sobre Arte
A arte é a ideia da obra, a ideia que existe sem matéria.
( ARISTÓTELES )
Use sua obra para mostrar a você mesmo quem você é.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
P. Por que Deus fez o homem antes de fazer a mulher? R. Antes de uma obra-prima há sempre um rascunho
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Feminismo
A obra de arte pode ter um efeito moral,mas exigir uma finalidade moral do artista é fazê-lo arruinar a sua obra.
( Frases e Pensamentos de Johann Goethe) Mensagem sobre Arte
Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.
( Frases e Pensamentos de FERNANDO PESSOA )
A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.
( MAHATMA GANDHI) Mensagem sobre Arte
A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.
( MAHATMA GANDHI)Tema: Arte
Purifique a prata e o artista poderá fazer uma obra de arte. Prv. 25: 4
Autor : Rei Salomão)
Minha obra toda badala assim: Brasileiros, chegou a hora de realizar o Brasil.
( MÁRIO DE ANDRADE)
Uma obra de arte é um ângulo visto através de um temperamento.
( Frases e Pensamentos de Emile Zola)
Uma obra de arte é um canto da criação visto através de um temperamento.
( Frases e Pensamentos de Émile Zola )
Nenhuma obra grandiosa jamais foi realizada sem entusiasmo.
( Frases e Pensamentos de Ralph Waldo Emerson)
Uma obra de arte é o resultado excepcional de um temperamento excepcional.
( Frases e Pensamentos de OSCAR WILDE)
Quando a obra dos melhores chefes fica concluída, o povo diz: fomos nós que a fizemos
( Frases e Pensamentos de Lao-Tsé )
Enfim, pus mão à obra e tinha tanta boa vontade que consegui perfeitamente
( Frases e Pensamentos de Santa Teresa de Jesus )
Fazer o bem ao teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens
( JORGE LUIS BORGES )
A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte.
( Frases e Pensamentos de Mahatma Gandhi) Mensagem sobre Arte
Uma obra de arte é um ângulo visto através de um temperamento.
( Frases e Pensamentos de Emile Zola) Mensagem sobre Arte
É inconcebível que o Criador tenha colocado seres tão diversos sobre a Terra,cada um tão admirável em seu meio,tão perfeito em seu papel,somente para permitir ao Homem,sua obra-prima,destruí-los para sempre.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Humanidade
Uma obra de arte é o resultado excepcional de um temperamento excepcional.
( Frases e Pensamentos de Oscar Wilde) Mensagem sobre Arte
Purifique a prata e o artista poderá fazer uma obra de arte. Prv. 25: 4
( Frases e Pensamentos de Rei Salomão) Mensagem sobre Artista
"Use sua obra para mostrar a você mesmo quem você é." - Inédita
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Autoconhecimento
Onde você desejar ver a face de Deus, você verá. E se não quiser vê-la, isto não faz a mínima diferença, desde que sua obra seja boa.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
Uma obra de arte só é superior se for,ao mesmo tempo,um símbolo e a expressão exata de uma realidade.
( Frases e Pensamentos de Maupassant) Mensagem sobre Arte
Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido
( Frases e Pensamentos de CARL GUSTAV JUNG)
Os ricos pretendem não se admirar com nada, e reconhecem, à primeira vista, numa obra bela o defeito que os dispensará da admiração, um sentimento vulgar
( HONORÉ DE BALZAC )
Aquilo que na vida tem sentido, mesmo sendo qualquer coisa de mínimo, prima sobre algo de grande, porém isento de sentido.
( Carl Gustav Jung ) Mensagem sobre Filosofia
Quem se prende aos detalhes de determinada obra,na maioria das vezes,perde a visão do conjunto.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Sabedoria
Quem se prende aos detalhes de determinada obra,na maioria das vezes perde a visão do conjunto.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Filosofia
Toda a obra de arte é uma personalidade. O artista vive nela,depois dela ter vivido longo tempo dentro dele.
( Frases e Pensamentos de Vargas Vila) Mensagem sobre Arte
Em toda a obra de génio reconhecemos os pensamentos que havíamos rejeitado. Estes retornam a nós com uma certa majestade alienada.
( Frases e Pensamentos de Ralph Waldo Emerson)
Baudelaire disse que a surpresa,o espanto são as características básicas de uma obra de arte. É o que penso.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Arte
Para fazer uma obra de arte não basta ter talento,não basta ter força,é preciso também viver um grande amor.
( Frases e Pensamentos de Wolfgang Amadeus Mozart) Mensagem sobre Amor
O artista tem pois essa experiência com a sua obra: ele não produziu uma
essência igual a ele mesmo. Sem dúvida, da sua obra retorna para ele uma
consciência, pois uma multidão admirativa honra a obra como o espírito que é a
essência deles. Essa admiração, porém, ao lhe restituir a sua consciência de si
apenas como admiração é antes uma confissão feita ao artista de que ela não é
igual a ele. Uma vez que o seu Si retorna para ele como júbilo em geral, ali ele
não encontra nem a dor da sua formação e da sua produção, nem o esforço do seu
trabalho. Os outros podem de facto julgar a obra ou trazer-lhe oferendas,
conceber, de algum modo, que ela seja a sua consciência; se eles se colocam com
o seu saber acima dela, o artista, pelo contrário, sabe o quanto a sua operação
vale mais do que a compreensão e o discurso deles; se eles se colocam abaixo
dela e nela reconhecem a essência deles que os domina, ele conhece-a, pelo
contrário, como o seu senhor.
A grandeza de uma obra de arte está fundamentalmente no seu caráter ambíguo,que deixa ao espectador decidir sobre o seu significado.
( Frases e Pensamentos de Theodor Adorno) Mensagem sobre Arte
Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte.
( Frases e Pensamentos de FERNANDO PESSOA )
A principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que,foi-me apresentado em Janeiro último,seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que,se devidamente dirigido,seria uma bênção.
( Frases e Pensamentos de Ellen G. White) Mensagem sobre Música
"Onde você desejar ver a face de Deus,você verá. E se não quiser vê-la,isto não faz a mínima diferença,desde que sua obra seja boa." - O Diário de Um Mago
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Magia
Cada poema é único. Em cada obra lateja, com maior ou menor intensidade, toda a poesia. Portanto, a leitura de um só poema nos revelará, com maior certeza do que qualquer investigação histórica ou filológica, o que é a poesia .
(Autor : Octávio Paz )
Não acredito na idéia de vanguarda,como não acredito em progresso na arte. Na ciência,essas idéias são aceitáveis,mas em arte o que vale é a obra encantar e provocar admiração,ou não.
( Frases e Pensamentos de Ernst Hans Gombrich) Mensagem sobre Arte
A manifestação consciente do pensamento, por meio da fala ou da ação, com qualquer fim, é Arte... De sua primeira a sua última obra, a Arte é o uso voluntário do espírito e a combinação de coisas para servir a seu fim.
( Ralph Waldo Emerson ) Mensagem sobre Filosofia
Durante boa parte da vida achei que o poeta,o artista,tinha de mudar a consciência das pessoas e fazer da sua obra um instrumento dessa mudança. Hoje acho que,antes de fazer arte com esta ou aquela finalidade,você tem que fazer arte de fato.
( Frases e Pensamentos de Ferreira Gullar)
A excitação causada pelo novo,que ocupa seu lugar na evolução natural da vida dando seqüência àquilo que já foi novo,é um véu de ilusão,pois o valor da obra não se mede nem se encontra apenas na época de sua criação. Haja eternidade!
( Frases e Pensamentos de Zizi Possi) Mensagem sobre Artista
Durante boa parte da vida achei que o poeta,o artista,tinha de mudar a consciência das pessoas e fazer da sua obra um instrumento dessa mudança. Hoje acho que,antes de fazer arte com esta ou aquela finalidade,você tem que fazer arte de fato.
( Frases e Pensamentos de Ferreira Gullar) Mensagem sobre Artista
Terminei, enfim, esta obra, que nem a ira de Júpiter, nem o fogo, / nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir. / Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser, / poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida; / mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal / sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá
( OVÍDIO )
Quando Juscelino Kubitschek me procurou, na minha Casa das Canoas, pedindo que eu ajudasse a ele na construção da nova capital, eu fiquei entusiasmado, era uma obra que me interessava e ia ajudar a um amigo que acompanhava há muito tempo. Eu já não tinha preocupação em dar explicação a ninguém, já me sentia a vontade para fazer o que bem entendia.
(OSCAR NIEMEYER)
Eu nunca pude entender, Ilustríssimo Senhor, de onde originou-se o fato de que tudo aquilo que dos meus estudos achei conveniente publicar, para agradar ou servir aos outros, tenha encontrado em muitas pessoas uma certa animosidade em diminuir, defraudar e desprezar aquele pouco valor que, se não pela obra, ao menos pela minha intenção, eu esperava merecer.
( GALILEU GALILEI )
A revolução não é o convite um convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é um insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra.
( Frases e Pensamentos de Mao Tsé-Tung )
Nunca será de mais insistir no carácter arbitrário da antiga oposição entre
arte e a filosofia. Se quisermos interpretá-la num sentido muito preciso, é
certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas
disciplinas têm, cada uma delas, o seu clima particular, isso é verdade sem
dúvida, mas muito vago. A única argumentação aceitável residia na contradição
levantada entre o filósofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado
diante da sua obra. Mas isto era válido para uma certa forma de arte e de
filosofia, que aqui consideramos secundária. A ideia de uma arte separada do seu
criador não está somente fora de moda. É falsa. Por oposição ao artista,
dizem-nos que nunca nenhum filósofo fez vários sistemas.
Mas isto é verdade, na própria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais
de uma só coisa sob rostos diferentes. A perfeição instantânea da arte, a
necessidade da sua renovação, só é verdade por preconceito. Porque a obra de
arte também é uma construção, e todos sabem como os grandes criadores podem ser
monótonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa
osmose levanta o mais importante dos problemas estéticos. Além disso, nada é
mais vão que essas distinções, segundo os métodos e os objectos, para quem se
persuade da unidade de finalidade do espírito. Não há fronteiras entre as
disciplinas que o homem se propõe, para compreender e amar. Interpenetram-se e
confunde-as a mesma angustia.
Penso que um autor deve intervir o menos possível na elaboração da sua
obra. Deve procurar ser um amanuense do Espírito ou da Musa (ambas as palavras
são sinónimas), e não das suas opiniões, que são o que de mais superficial nele
existe. Assim o entendeu Rudyard Kipling, o mais ilustre dos escritores
comprometidos. A um escritor, disse-nos, é-lhe dado inventar uma fábula, não a
moralidade dessa fábula.
Todos os pensamentos que renunciam à unidade exaltam a diversidade. E a
diversidade é o local da arte. O único pensamento que liberta o espírito é
aquele que o deixa só, certo dos seus limites e do seu fim próximo. Nenhuma
doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada
dele, a primeira fará ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma
alma para todo o sempre liberta da esperança. Ou nada fará ouvir, se o criador,
cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale.
O Delta do Amazonas constitui uma das áreas de mais antiga ocupação européia no
Brasil. Já nos primeiros anos do século XVII ali se instalaram soldados e
colonos portugueses, inicialmente para expulsar franceses, ingleses e holandeses
que disputavam seu domínio, depois como núcleos de ocupação permanente. Estes
núcleos encontrariam uma base econômica na exploração de produtos florestais
como o cacau, o cravo, a canela, a salsaparrilha, a baunilha, a copaíba que
tinham mercado certo na Europa e podiam ser colhidos, elaborados e transportados
com o concurso da mão-de-obra indígena, farta e acessível naqueles primeiros
tempos.
( DARCY RIBEIRO )
Esta cidade é conhecida em todos os arredores por possuir as maiores estrebarias
para bois, vacas e cavalos, construções que não ficam a dever nada nem sequer
aos edifícios públicos; por outro lado contam-se aqui pelos dedos os locais onde
se pode rezar ou discursar com total liberdade.
Em vez de se autocelebrarem por meio da arquitectura, não deveriam as nações
fazê-lo pelo poder do seu pensamento abstracto? O Bagavad-Gita é muito mais
admirável do que todas as ruínas do oriente. Torres e templos são luxo de
príncipes. A mente simples e livre não moureja sob as ordens de nenhum príncipe.
O espírito não é privilégio de nenhum imperador, nem são exclusivos deste, a não
ser em insignificante medida, a prata, o ouro e o mármore. Com que finalidade,
digam-me lá, se talha tanta pedra?
Quando estive na Arcádia, não vi pedras a serem lavradas. As nações são
possuídas pela louca ambição de perpetuarem a sua memória com a soma das
esculturas que deixam. Que tal se esforços semelhantes fossem despendidos no
sentido de aperfeiçoar e polir a sua conduta? Uma obra de bom senso seria mais
memorável que um momumento da altura da Lua. Prefiro contemplar as pedras no seu
local de origem.
Toda a arte pressupõe regras na base das quais uma produção, se deve
considerar-se artística, é representada, em primeiro lugar, como possível; mas o
conceito das belas-artes não permite derivar o juízo sobre a beleza da produção
de qualquer regra que tenha um conceito como princípio determinante, em virtude
de pôr como fundamento um conceito do modo por que tal é possível. Assim, a arte
do belo não pode inventar ela mesma a regra segundo a qual realizará a sua
produção. Mas, como sem regra anterior um produto não pode ser artístico, é
necessário que a natureza dê a regra de arte ao próprio sujeito (na concordância
das suas faculdades), isto é, as belas-artes só podem ser o produto do génio.
Daí se conclui: 1º Que o génio é o talento de produzir aquilo de que se não pode
dar regra determinada, mas não é a aptidão para o que pode ser apreendido
consoante uma qualquer regra; portanto, a sua primeira característica é a
originalidade. 2º Que as suas produções, visto que o absurdo também pode ser
original, devem simultaneamente ser modelos, isto é, ser exemplares; por
consequência, não sendo obras de imitação, têm de ser propostas à imitação das
outras, isto é, servir-lhes de medida ou de regra critica. 3° Que ele mesmo não
pode indicar cientificamente como leva a cabo a sua obra, mas que dá, enquanto
natureza, a regra; portanto, o autor duma obra devida ao seu génio não sabe de
onde lhe vêm as ideias e não depende dele concebê-las a seu grado ou segundo um
plano, nem comunicá-las a outros em prescrições que os habilitariam a produzir
obras semelhantes. (...)
Tal mestria é incomunicável, é propiciada directamente a cada qual por intermé
dio da natureza, desaparece, pois, com cada um até que a natureza confira a
outro os mesmos dons; e a este mais não resta que ter um modelo para deixar
manifestar-se de tal modo o talento de que tem consciência.
Visto que o dom da natureza deve estabelecer a regra da arte (belas-artes), qual
é, pois, tal regra? Não é possível formulá-la para servir de preceito, pois que
nesse caso o juízo sobre o belo seria determinado por conceitos, mas a regra
deve ser extraída do acto mesmo, isto é, do produto, deve servir aos outros de
pedra de toque para o seu próprio talento, como um modelo para uma imitação que
não deve ser servil. Como é tal coisa possível? Eis o que é difícil esclarecer.
As ideias do artista despertam no discípulo ideias semelhantes, se a natureza
dotou este de faculdades equivalentes. Os modelos da arte são, pois, os únicos
guias que podem perpetuá-los.
Estamos habituados, perante tudo o que é perfeito, a omitir a questão do seu
processo evolutivo, regozijando-nos antes com a sua presença, como se ele
tivesse saído do chão por artes mágicas. Provavelmente, estamos ainda, neste
caso, sob o efeito residual de um antiquíssimo sentimento mitológico. Quase nos
sentimos ainda (por exemplo, num templo grego como o de Pesto) como se, numa
manhã, um deus, brincando, tivesse construído a sua morada com tão gigantescos
fardos. Outras vezes, como se um espírito tivesse subitamente sido metido por
encanto dentro duma pedra e quisesse, agora, falar através dela. O artista sabe
que a sua obra só produz pleno efeito, se fizer crer numa improvisação, numa
miraculosa instantaneidade da sua criação; e, assim, ele ajuda mesmo a essa
ilusão, introduzindo na arte, ao começo da sua criação, aqueles elementos de
entusiástica inquietação, de desordem que tacteia às cegas, de sonho atento,
como forma de iludir, a fim de dispor o espírito do espectador ou do ouvinte de
modo a que ele creia no súbito brotar da perfeição.
A ciência da arte, como é evidente, tem de contradizer essa ilusão da maneira
mais determinada e apontar as conclusões erróneas e os maus hábitos do
intelecto, graças aos quais este cai na rede do artista.
A arte oferece-nos a única possibilidade de realizar o mais legítimo desejo
da vida - que é não ser apagada de todo pela morte. Agora que o espírito, tendo
uma consciência mais segura do universo, se recusa a crer na capciosa promessa
das religiões de que ele não acabará inteiramente, e irá ainda, em regiões de
azul ou de fogo, continuar a sua existência pelo êxtase ou pela dor - a única
esperança que nos resta de não morrermos absolutamente como as couves é a fama,
essa imortalidade relativa que só dá a arte.
Só a arte realmente pode dizer aos seus eleitos, com firmeza e certeza: - «Tu
não morrerás inteiramente: e mesmo amortalhado, metido entre as tábuas de um
caixão, regado de água benta, tu poderás continuar por mim a viver. O teu
pensamento, manifestação melhor e mais completa da tua vida, permanecerá
intacto, sem que contra ele prevaleçam todos os vermes da terra; e ainda que,
fixado definitivamente na tua obra, pareça imobilizado nela como uma múmia nas
suas ligaduras, ele terá todavia o supremo sintoma da vida, a renovação e o
movimento, porque fará vibrar outros pensamentos e através das criações deles
estará perpetuamente criando.
Mesmo o teu riso, de um momento, reviverá nos risos que for despertando; e as
tuas lágrimas não secarão porque farão correr outras lágrimas. Ficarás para
sempre vivo, para te misturares perpetuamente à vida dos outros; e as mesmas
linhas do teu rosto, o teu traje, os teus modos, não morrerão, constantemente
rememorados pela curiosidade das gerações. Assim, não desaparecerás nem na tua
forma mortal: e serás desses eternos viventes, mais eternos que os deuses, que
são os contemporâneos de todas as gerações, e vão sempre marchando no meio da
humanidade que marcha, espíritos originais a que se acendem outros espíritos,
para que se não apague o fogo perene da inteligência - iguais a essas quatro ou
cinco lâmpadas que leva a grande caravana de Meca, para que a elas se acendam
lareiras e tochas, e a caravana possa sempre marchar, orando sempre, e segura.
O pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.
Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.
Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.
Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam o
coração e nem elevam a alma.
Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.
Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.
"Inclinados a tal, sob que influências vindas de longe? A esse respeito é
bom
recorrer-se à fonte de informação do madrugador século XVI, suprida pela própria
Igreja através de pesquisas realizadas então, como se estivessem concorrendo
para saberes cientificamente sociais pelo santo Ofício em atividades
investigadoras no Brasil. Suponho ter sido, no livro Casa-Grande & Senzala, o
primeiro a utilizar os resultados de tais pesquisas, em obra acessível ao grande
público. Constam essas informações da Primeira Visitação do Santo Ofício a
Partes do Brasil pelo Licenciado Heitor Furtado de Mendonça. Surgem, nessas
indagações secretas, homens casados casando outra vez com mulatas (talvez do
tipo mulher tornada conhecida como "arde-lhe o rabo", decerto por haver se
extremado em furor anal), adultos europeus ou de procedência européia pecando
contra a natureza, em coitos anais ou através de luxúrias de felação, com
efebos, quer da terra, quer da Guiné, participantes, alguns deles, com tal
volúpia desses amplexos, que de um deles se registra a exclamação "quero mais".
A participação nesses coitos da gente da terra parece indicar, de ameríndios,
presentes em contatos madrugadores com europeus, terem sido, eles próprios,
dados à sodomia ou à pederastia, com o abuso de bundas já então praticado, quer
por europeus em não-europeus, quer -- é possível -- em reciprocidades volutuosas
eurotropicais: euro-ameríndias e euro-afronegras. Pode-se concluir de mulheres
indígenas, desde esses dias, terem revelado preferências, para contatos sexuais
com portugueses, por aqueles motivos priápicos já alegados pelo severo
Varnhagen: os portugueses, em confronto com machos indígenas, teriam se
revelado mais ardorosamente potentes. Sabe-se por alguma observações
antropológicas confiáveis, de homens de culturas primitivas precisarem, em
vários casos, para efeitos de procriação tribal, de festas excitantemente
sexuais, que os levem a atos procriadores, é claro que acompanhados de gozos.
Atos e gozos, entretanto, mais provocados que espontâneos, embora as
investigações do Santo Ofício documentem ocorrência de receptividade de
indígenas a práticas, já por indígenas conhecidas, em que o coito anal teria se
verificado.
O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo
mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não
querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo
contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do
mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes
da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos
escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas;
fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o
estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua
verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que,
ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode
surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela
termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos
outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma
coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao
observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas
vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos
arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um,
nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor
perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse
durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta
insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento
terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se
sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À
falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um
destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã,
após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que
tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
"Nosso subconsciente trabalha na materialização de nossas crenças. Ele não tem senso de humor. Faz sempre o que acreditamos. Não falha. Dessa forma, o fracasso não existe. Você foi sempre um sucesso! Sua vida é obra sua. Você é responsável por suas experiências. Mesmo aquelas que parecem não depender de você foram atraídas por sua forma de pensar.
As coisas não vão bem? Só colhe infelicidade? É hora de perceber como você consegue fazer isso. Certamente não escolheu a atitude adequada para obter bons resultados. Mudando essa atitude, tudo se modificará.
A vida deseja que você desenvolva seus potenciais de espírito eterno e aprenda a ser feliz. A felicidade é nosso destino e só o bem é verdadeiro. Para nos ensinar isso, a vida programa nossas experiências de acordo com nossas necessidades. Através do resultado dessas experiências conquistamos a sabedoria.
Na queixa há sempre uma justificativa para continuarmos a ser como somos, mas há também uma auto-imagem negativa. Você pensa que não pode fazer nada, que é incapaz e não merece. Conforma-se em ser pobre, em ficar em segundo plano, em pensar primeiro nos outros (é feio pensar em você primeiro). Acha que, para você ter, outros terão que dar e perder. Como se Deus fosse pobre e tão limitado que para dar a uns teria que tirar de outros. Esses pensamentos são altamente depressivos e atraem infelicidade.
Seu subconsciente obedece às mensagens que você lhe envia. Você tem todo o poder de criar seu próprio destino. Se deseja viver melhor, reconheça isso.
Faça uma lista de suas crenças e até das frases que costuma dizer. Se puser atenção e for sincera, logo vai perceber quais as crenças que são responsáveis por sua infelicidade. Não pense mais nelas. Esqueça-as. Quanto mais se preocupar em eliminá-las, mais pensará nelas e as alimentará.
Trate de cultivar o oposto. Faça afirmações positivas sempre usando o presente. Exemplo: 'Eu sou feliz', 'Tenho muita sorte', 'Minha saúde está cada dia melhor', etc. Escreva-as e espalhe-as em sua casa, nos lugares onde você possa vê-las constantemente. Repita-as várias vezes por dia.
Mas não se esqueça de pôr emoção nelas, acreditar realmente no que afirmar. Ignore aquela vozinha que lhe diz que não vai funcionar. Não custa nada experimentar.
Lembre-se de que todos os problemas de sua vida foram criados por você. Você foi, é e sempre será um sucesso. Suas escolhas podem ter dado um resultado diverso do que você esperava, mas você conseguiu materializa-las. Refletem o que você crê, e o que você crê seu subconsciente materializa... Pense nisso." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)
Trabalhadores do Brasil: Aqui estou, como de outras vezes, para compartilhar as
vossas comemorações e testemunhar o apreço em que tenho o homem de trabalho como
colaborador direto da obra de reconstrução política e econômica da Pátria. Não
distingo, na valorização do esforço construtivo, o operário fabril do técnico de
direção, do engenheiro especializado, do médico, do advogado, do industrial ou
do agricultor. O salário, ou outra forma de remuneração, não constitui mais do
que um meio próprio a um fim, e esse fim é, objetivamente, a criação da riqueza
nacional e o surto de maiores possibilidades à nossa civilização.
A despeito da vastidão territorial, da abundância de recursos naturais e da
variedade de elementos de vida, o futuro do país repousa, inteiramente, em nossa
capacidade de realização. Todo trabalhador, qualquer que seja a sua profissão é,
a este respeito, um patriota que conjuga o seu esforço individual à ação
coletiva, em prol da independência econômica da nacionalidade. O nosso progresso
não pode ser obra exclusiva do Governo, sim de toda a Nação, de todas as
classes, de todos os homens e mulheres, que se enobrecem pelo trabalho,
valorizando a terra em que nasceram.
Constitui preocupação constante do regime que adotamos difundir entre os
elementos laboriosos a noção da responsabilidade que lhe cabe no desenvolvimento
do país, pois o trabalho bem feito é uma alta forma de patriotismo, como a
ociosidade uma atitude nociva e reprovável. Nas minhas recentes excursões aos
Estados do Centro e do Sul, em conta to com as mais diversas camadas da
população, recebi caloroso acolhimento e manifestações que testemunham, de modo
inequívoco, a confiança que os brasileiros, desde os simples operários aos
expoentes das atividades produtoras, depositam na ação governamental.
Falando em momento como este, diante de uma multidão que vibra de Exaltação
patriótica, não posso deixar de pensar como os nossos governantes permaneceram,
durante tanto tempo, indiferentes à cooperação construtiva das classes
trabalhadoras. Relegados a existência vegetativa, privados de direitos e
afastados dos benefícios da civilização, da cultura e do conforto, os
trabalhadores brasileiros nunca obtiveram, sob os governos eleitorais, a menor
proteção, o mais elementar amparo. Para arrancar-lhes os votos, os políticos
profissionais tinham de mantê-los desorganizados e sujeitos à vassalagem dos
cabos eleitorais.
A obra de reparação e justiça realizada pelo Estado Novo distancia-nos,
imensamente, desse passado condenável, que comprometia aos nossos sentimentos
cristãos e se tornara obstáculo insuperável à solidariedade nacional. Naquela é
poca, ao aproximar-se o Primeiro de Maio, o ambiente era bem diverso.
Generalizavam-se as apreensões e abria-se um período de buscas policiais no
núcleos associativos, pondo-se em custódia os suspeitos, dando a todos uma
sensação de insegurança e exibindo um luxo de força nas ruas e locais de
reunião, que, não raro, redundavam em choques e conflitos sangrentos.
Atualmente, a data comemorativa dos homens de trabalho é festiva e de
confraternização.
Os benefícios da política trabalhista, empreendida nestes últimos anos, alcançam
profundamente todos os grupos sociais, promovendo o melhoramento das condições
de vida nas várias regiões do país e elevando o nível de saúde e de bem-estar
geral. A ação tutelar e providente do Estado patenteia-se, de modo constante, na
solicitude com que cria os serviços de proteção ao lar operário, de assistência
à infância, de alimentação saudável e barata, de postos de saúde, de creches e
maternidades, instituído o ensino profissional junto às fábricas e, ultimamente,
voltando as suas vistas para a construção de vilas operárias e casas populares.
Na continuação desse programa renovador, que encontrou no atual ministro do
Trabalho um eficiente e devotado orientador, assinamos, hoje, um ato de
incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para
todo o país. Trata-se de antiga aspiração popular, promessa do movimento
revolucionário de 1930. Agora transformada em realidade, depois de longos e
acurados estados. Procuramos, por esse meio, assegurar ao trabalhador
remuneração eqüitativa, capaz de proporcionar-lhe o indispensável para o
sustento próprio e da família. O estabelecimento de um padrão mínimo de vida
para a grande maioria da população, aumentando, no decorrer do tempo, os índices
de saúde e produtividade, auxiliará a solução de importantes problemas que
retardam a marcha do nosso progresso.
À primeira vista, poderão pensar os menos avisados que a medida é prematura e
unilateral, visto beneficiar, apenas, os trabalhadores assalariados. Tal, porém,
não ocorre no plano do Governo. A elevação do nível de vida eleva, igualmente, a
capacidade aquisitiva das populações e incrementa, por conseguinte, as
indústrias, a agricultura e o comércio, que verão crescer o consumo geral e o
volume da produção.
As bases da nossa legislação social já estão solidamente lançadas nas leis que
regulam a duração do trabalho, a higiene industrial, a ocupação das mulheres e
menores, as aposentadorias e indenizações de acidentes, as associações
profissionais, os convênios coletivos e a arbitragem. Ultima-se, agora, a
organização da Justiça do Trabalho, cuja regulamentação está na fase final de
estudos e deverá ser posta em vigor dentro de pouco. É uma legislação que tende
a ampliar-se e a cobrir com a sua proteção os diversos ramos da economia
nacional, da fábrica aos campos, das oficinas aos estabelecimentos comerciais,
empresas de transportes e todos os empregos e ocupações. As sugestões da
experiência e as imposições da necessidade irão, naturalmente, indicando
modificações e ampliações cuidadosas. Chegaremos, assim, a consolidar esse corpo
de leis num Código do Trabalho adequando às condições do nosso progresso. Não é
de mais observar, a propósito das nossas conquistas de ordem social, que povos
de civilização mais velha, apontados como modelos a copiar, ainda não
conseguiram resolver satisfatoriamente as relações de trabalho, que continuam
sendo, para eles, causa de perturbações para o bem comum.
Embora deixados ao abandono, os nossos trabalhadores souberam resistir às
influências malsãs dos semeadores de ódios, a serviços de velhas e novas
ambições de poderio político, consagrados a envenenar o sentimento brasileiro de
fraternidade com o exotismo das lutas de classes. O ambiente nacional tem
reagido sadiamente contra esses agentes de perturbações e desordem. A propaganda
insidiosa e dissolvente, apenas, impressionou os pobres de espírito e ser viu
para agitar os mal intencionados.
Quem quer que observe a história e a dura lição sofrida por outros povos verá
que os extremismos, mesmo quando logram uma vitória efêmera, caem logo vítimas
dos próprios erros e das paixões que desencadearam, sacrificando muitas
aspirações justas e legítimas, que poderiam ser alcançadas pacificamente. A
sociedade brasileira, felizmente, repele, por índole, as soluções. Corrigidos os
abusos e imprevidências do passado, podermos encarar o futuro com serenidade,
certos de que as utopias ideológicas, na prática, verdadeiras calamidades
sociais, não conseguirão afastar-nos das normas de equilíbrio e bom senso em que
se pro cessa a evolução da nacionalidade.
Só o trabalho fecundo, dentro da ordem legal que as segura a todos patrões e
operários, chefes de indústrias e proletários, lavradores, artesãos,
intelectuais - um regime de justiça e de paz, poderá fazer a felicidade da
pátria brasileira.
É fácil de ver que, entre as diferenças que distinguem os homens, muitas passam
por naturais, quando são unicamente a obra do hábito e dos diversos géneros de
vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou
delicado, a força ou a fraqueza que disso dependem, vêm muitas vezes mais da
maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constituição primitiva
dos corpos. Acontece o mesmo com as forças do espírito, e a educação não só
estabelece a diferença entre os espíritos cultivados e os que não o são, como
aumenta a que se acha entre os primeiros à proporção da cultura; com efeito,
quando um gigante e um anão marcham na mesma estrada, cada passo representa uma
nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do
estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em
que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem
exactamente as mesmas coisas, compreender-se-á quanto a diferença de homem para
homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a
desigualdade natural deve aumentar na espécie humana pela desigualdade de
instituição.
Mas, quando a natureza afectasse, na distribuição dos seus dons, tantas
preferências como se pretende, que vantagem os mais favorecidos tirariam disso,
com prejuízo dos outros, num estado de coisas que não admitiria quase nenhuma
espécie de relações entre eles? Onde não há amor, de que servirá a beleza? De
que serve o espírito a pessoas que não falam, e a astúcia às que não têm
negócios? Ouço sempre repetir que os mais fortes oprimirão os fracos. Mas, que
me expliquem o que querem dizer com a palavra opressão. Uns dominarão com
violência, outros gemerão sujeitos a todos os seus caprichos. Eis, precisamente,
o que se observa entre nós; mas, não vejo como se poderia dizer o mesmo dos
selvagens, a quem seria dificílimo fazer perceber o que é servidão e dominação.
Um homem poderá apoderar-se dos frutos colhidos por outro, da caça que o outro
matou, do antro que lhe servia de asilo; mas, como poderá conseguir fazer-se
obedecer? E quais poderiam ser as cadeias da dependência entre homens que não
possuíam nada? Se me expulsam de uma árvore, estou livre para ir para outra; se
me atormentam num lugar, quem me impedirá de passar para outro? Se encontro um
homem de força muito superior à minha, e, além disso, muito depravado, muito
preguiçoso e muito feroz, para me constranger a prover à sua subsistência
enquanto ele permanece ocioso, é preciso que ele se resolva a não me perder de
vista um só instante, que me deixe amarrado com grande cuidado enquanto dorme,
de medo que eu escape ou que o mate; isto é, fica obrigado a se expor
voluntariamente a um trabalho muito maior do que o que quer evitar, e do que o
que me dá a mim mesmo. Depois de tudo isso, a sua vigilância relaxa-se por um
momento, um barulho imprevisto fá-lo voltar a cabeça: dou vinte passos na
floresta, os meus ferros quebram-se, e nunca mais me tornará a ver.
Como, ao que parece, há muitos fins e podemos buscar alguns em vista de
outros: por exemplo, a riqueza, a música, a arte da flauta e, em geral, todos
aqueles fins que podem denominar-se instrumentos, é evidente que nenhum desses
fins é perfeito e definitivo por si mesmo. Mas o sumo bem deve ser coisa
perfeita e definitiva. Por conseguinte, se existe uma só e única coisa que seja
definitiva e perfeita, ela é precisamente o bem que procuramos; e se há muitas
coisas deste género, a mais definitiva entre elas será o bem. Mas, em nosso
entender, o bem que apenas deve buscar-se por si mesmo é mais definitivo que
aquele que se procura em vista de outro bem; e o bem que não deve buscar-se
nunca com vista noutro bem é mais definitivo que os bens que se buscam ao mesmo
tempo por si mesmos e por causa desse bem superior; numa palavra, o perfeito, o
definitivo, o completo, é o que é eternamente apetecível em si, e que nunca o é
em vista de um objecto distinto dele.
Eis aí precisamente o carácter que parece ter a felicidade; buscamo-la por ela e
só por ela, e nunca com mira em outra coisa. Pelo contrário, quando buscamos as
honras, o prazer, a ciência, a virtude, sob qualquer forma que seja, desejamos,
indubitavelmente, todas essas vantagens por si mesmas; pois que,
independentemente de toda outra consequência, desejaríamos cada uma delas;
todavia, desejamo-las também com mira na felicidade, porque cremos que todas
essas diversas vantagens no-la podem assegurar; enquanto ninguém pode desejar a
felicidade, nem com mira nestas vantagens, nem, de maneira geral, com vista em
algo, seja o que for, distinto da felicidade mesma.
(...) Todavia, ainda convindo connosco em que a felicidade é, sem contradita, o
maior dos bens, o bem supremo, talvez haja quem deseje conhecer melhor a sua
natureza.
O meio mais seguro de alcançar esta completa noção é saber qual é a obra própria
do homem. (...) Viver é uma função comum ao homem e às plantas, e aqui apenas se
busca o que é exclusivamente especial ao homem; é por isso necessário pôr de
lado a vida de nutrição e de desenvolvimento. Em seguida vem a vida da
sensibilidade, mas esta, por sua vez, mostra-se igualmente comum a todos os
seres - o cavalo, o boi, e em geral a todos os animais, tal como ao homem.
Resta, portanto, a vida activa do ser dotado de razão. Mas neste ser deve
distinguir-se a parte que não possui directamente a razão e se serve dela para
pensar. Além disso, como esta mesma faculdade da razão se pode compreender num
duplo sentido, devemos não esquecer que se trata aqui, sobretudo, da faculdade
em acção, a qual merece mais particularmente o nome que a ambas convém. E assim
o próprio do homem será o acto da alma em conformidade com a razão, ou, pelo
menos, o acto da alma que não pode realizar-se sem a razão. (...) Mas o bem, a
perfeição para cada coisa, varia segundo a virtude especial dessa coisa. Por
conseguinte, o bem próprio do homem é a actividade da alma dirigida pela
virtude; e, como há muitas virtudes, será a actividade dirigida pela mais alta e
a mais perfeita de todas. Acrescente-se também que estas condições devem ser
realizadas durante uma vida inteira e completa, porque uma só andorinha não faz
a Primavera, nem um só dia formoso; e não pode tão-pouco dizer-se que um só dia
de felicidade, nem mesmo uma temporada, bastam para fazer um homem ditoso e
afortunado.
Você começa quando aprende a juntar as letras; faz frases engraçadinhas que seu
avô acha gênio e mostra a todo mundo. Então você se convence de que é escritor.
Essa convicção representa um compromisso, desde aquela idade remota, "já que é
um escritor, é obrigado a escrever". Se os pais são medíocres intelectualmente,
o exercício da suposta vocação torna-se fácil.
Mas quando os pais são ou literatos ou simples letrados muito mais lhe é
exigido. Você tem que apresentar originalidade ao lado da qualidade. Isso quer
dizer que você, desde esses inícios, já padece a maldição do escritor: ter
estilo e idéias animando esse estilo. Em geral, os pais se embasbacam diante de
qualquer manifestação intelectual precoce dos filhotes. Se eles não têm formação
intelectual sofisticada, tudo bem. Qualquer paráfrase dos livros da escola já
lhes parece excelente. Mas pais sofisticados é fogo. Não precisa nem que eles
leiam os modernos, Drummond, Guimarães Rosa, Cecília Meireles, para só citar os
mais ilustres e defuntos. Pai letrado quer que o filho faça pequenas frases,
emita conceitos, tudo dentro da baixa qualidade que a sua literatice considera
excelente. Portanto, para a qualidade da obra do filho, é melhor que os pais não
tenham fumaças literárias e deixem que o menino seja o seu próprio juiz.
E, se ele tiver talento, pode ir longe, liberto dos padrões da mediocridade domé
stica. Esse tipo de condenação não se pode fazer aos pais que realmente ou
produzem ou pelo menos sabem apreciar uma boa peça literária. O filho, em geral,
esconde deles as suas primícias, receoso do julgamento. E ele se faz censor de
si mesmo, olhando com os olhos do pai aquilo que o pai não vê. Existe ainda
outra maneira de ver estimulada a vocação literária dos jovens. É uma casa
aberta onde todo mundo lê, o bom e o ruim, mas onde igualmente todo mundo tem
direito à crítica, a falar o que pensa sobre a produção de pais, irmãos, tios e
visitas íntimas, numa espécie de tribunal literário exercido à mesa de jantar.
Lembro-me da casa de Aníbal Machado, ponto obrigatório dos principiantes ou recé
m-chegados que lá iam (levados por algum "freguês" semanal de Aníbal).
Sendo o dono da casa quem era, além de excelente escritor ele próprio, um
animador generoso e um fino crítico de letras, a sua casa era uma espécie de
fórum literário, referência obrigatória de quem pretendia se apresentar como
escritor: "Ainda no domingo, na casa do Aníbal, ouvi o Vinícius dizer ao Conde
que o modernismo morreu..." e se desmentindo a si próprio acabava mostrando o
seu último poema - fina flor do modernismo, claro.
Mas voltando ao assunto da vocação literária: para escrever, tem que haver o dom
da escrita, tal como para o cantor é preciso o dom da voz. Todos conhecemos
pessoas inteligentes, até brilhantes na sua especialidade - medicina,
arquitetura, engenharia, economia e, na verdade, por mais sabedores que sejam no
seu ofício, não conseguem exprimir na palavra escrita essa sabedoria. Deus
sempre é parco na concessão de dotes: os que acumulam são sempre contados. Por
que as boas cantoras líricas geralmente têm tendência a engordar? E por que as
de bela silhueta quase sempre só dispõem de um fio mal afinado de voz?
Os grandes oradores dificilmente são bons escritores. Parece que eles necessitam
do estímulo de uma audiência cativa para suas frases de efeito. O que
desencadeia o seu talento não é uma página de papel em branco, mas uma audiência
presente. E, pensando bem, isso está certo: por que um único indivíduo pode
receber juntos os dons da escrita e da eloqüência? Eu, por mim, sempre espero
descobrir nos outros os dons ocultos pela modéstia ou timidez. Verdade que nem
sempre tenho êxito; Nosso Senhor parece que só distribui tais dotes com a mão
esquerda...
Eu penso que o riso acabou - porque a humanidade entristeceu. E entristeceu
- por causa da sua imensa civilização. O único homem sobre a Terra que ainda
solta a feliz risada primitiva é o negro, na África. Quanto mais uma sociedade é
culta - mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos
nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a
económica, a social, a literária, a artística que matou o nosso riso, como o
desejo de reinar e os trabalhos sangrentos em que se envolveu para o satisfazer
mataram o sono de Lady MacBeth. Tanto complicámos a nossa existência social, que
a Acção, no meio dela, pelo esforço prodigioso que reclama, se tornou uma dor
grande: - e tanto complicámos a nossa vida moral, para a fazer mais consciente,
que o pensamento, no meio dela, pela confusão em que se debate, se tornou uma
dor maior. O homem de acção e de pensamento, hoje, está implacavelmente votado à
melancolia.
Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si
acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter,
da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura
afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado,
que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às
flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que
constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as
realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação
de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe
que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos
resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e
que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha
sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e
que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão
um triste!
Desde que homem de acção e homem de pensamento são paralelamente tristes - o
mundo, que é sua obra, só pode mostrar tristeza. Tristeza na sua literatura,
tristeza na sua sociedade, tristeza nas suas festas, tristeza nos fatos negros
de que se veste... Tristeza dentro de si, tristeza fora de si. E quando por
acaso alguém por profissão tradicional, como os palhaços, ou por contraste, ou
pela saudade da antiga alegria e o desejo de a ressuscitar, procura fazer rir
este mundo - só lhe consegue arrancar a tal casquinada curta, áspera, rangente,
quase dolorosa, que parece resultar de cócegas feitas nos pés de um doente.
Não há que duvidar! Voltaram os tempo de Albert Durer! Outra vez o famoso moço
de asas potentes, no meio dos inumeráveis instrumentos das ciências e das artes,
que atulham o seu laboratório, e diante das obras colossais, que com eles
construiu, sente, sob esta produção excessiva que o não tornou nem melhor nem
mais feliz, um imenso desalento, e, considerando a inutilidade de tudo, de novo
deixa pender sobre as mãos a testa coroada de louro.
Pobre moço, que, de muito trabalhar sobre o universo e sobre ti próprio,
perdeste a simplicidade e com ela o riso, queres um humilde conselho? Abandona o
teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não
te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a
terra, e reconquistarás, com a saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.
Mas como pode escutar estes conselhos de sapiência um desgraçado que tem, nos
poucos anos que ainda restam de século, de descobrir o problema da comunicação
interastral, e de assentar sobre bases seguras todas as ciências psíquicas?
O infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os
jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio - o Grande Civilizado.
Mesa redonda no melhor hotel de N... Contra as paredes de mármore da alta e
clara sala de jantar ondula o rumor humano e o barulho dos talheres.
Apressados, como sombras mudas, os criados de casaca preta andam de cá
para lá com as bandejas de prata. Nos baldes com gelo brilham garrafas de
champanhe. Tudo cintila à luz das lâmpadas eléctricas: as taças, os olhos e as
jóias das mulheres, os crânios luzidios dos cavalheiros e até mesmo as
palavras que saltam como faúlhas. Quando são espirituosas, estala, mais perto
ou mais longe, o chamejar agudo dum riso breve numa garganta feminina.
Depois as senhoras comem a sopa fumegante em finas taças translúcidas,
enquanto os jovens ajustam o monóculo e percorrem com um olhar crítico a
mesa multicor.
Eram todos eles frequentadores que se conheciam já. Mas, nesse dia, um
desconhecido sentara-se numa das extremidades da mesa. Os homens
deitaram-lhe um olhar rápido, porque o traje desse homem pálido e grave não
era da última moda. Subia-lhe até ao queixo um alto colarinho branco e
apertava-lhe o pescoço a grande gravata negra que se usava no começo do
século. O casaco preto assentava-lhe nos ombros largos. O mais surpreendente
eram os grandes olhos cinzentos do recém-chegado, que com olhar solene e
poderoso parecia trespassar de lado a lado toda a assistência, e que brilhava
como se algum longínquo desígnio nele incessantemente se reflectisse.
Aquele olhar atraía os olhos das mulheres curiosas que o interrogavam em
segredo. Murmuraram toda a espécie de suposições, tocaram-se com o pé,
interrogaram-se, encolheram os ombros e, apesar de tudo, não conseguia
explicar-se aquela presença.
A baronesa polaca Vilovsky, jovem e espirituosa Witib, estava ao centro dos
conservadores. Também ela parecia interessar-se pelo taciturno desconhecido.
Os seus grandes olhos negros suspendiam-se com estranha insistência nos
traços cavados do estrangeiro. A sua mão fina tamborilava nervosamente na
toalha adamascada, fazendo brilhar a magnífica jóia que ornava um dos seus
anéis. Com uma pressa impaciente e pueril, ora falava de um assunto, ora
doutro, para depois se interromper bruscamente ao notar que o estrangeiro não
tomava parte na conversação. Julgava-o um artista com muita habilidade e
levava a conversa para os temas de arte mais diversos. Em vão. O
desconhecido vestido de preto conservava o olhar perdido no vago. Mas a
baronesa Vilovsky não abandonava a partida.
- Já ouviu falar do terrível incêndio na aldeia de B...?- perguntou ela ao seu
vizinho.
E como lhe respondesse afirmativamente, acrescentou: - Proponho formarmos
uma comissão para organizar um peditório e uma obra de beneficência em
favor das vítimas desse incêndio.
Lançou em volta olhares interrogadores. Vivas aprovações acolheram a
proposta. Um sorriso sarcástico iluminou o rosto do desconhecido. A baronesa
sentiu esse sorriso sem o ver. Uma grande cólera a agitava.
- Está toda a gente de acordo? - observou ela num tom imperioso, que não
admitia réplicas. E ouviu-se então um coro de vozes:
- Sim, de acordo! Naturalmente!
O conviva que me ficava defronte, um banqueiro de Colónia, com gesto
eloquente, ia já a meter a mão no bolso que continha a sua carteira cheia de
notas do banco.
- Podemos contar consigo, senhor? - perguntou a baronesa ao estrangeiro. A
sua voz tremia. O desconhecido pôs-se de pé e, em voz alta, sem olhar, num
tom brutal, disse:
- Não!
A baronesa estremeceu. Sorriu contrafeita. Todos os olhos estavam fitos no
estrangeiro. Este dirigiu o seu olhar à baronesa e prosseguiu:
- A senhora comete um acto inspirado pelo amor; eu, pela minha parte, ando
através do mundo com o propósito de matar o mesmo amor. Seja onde for que
o encontre, assassino-o. E encontro-o muitas vezes em choupanas, nos
castelos, nas igrejas e na natureza. Mas persigo-o impiedosamente. E da
mesma maneira que na Primavera os ventos quebram a rosa que demasiado
cedo desabrochou, assim também a minha grande e obstinada vontade a
destrói: porque penso que a lei do amor nos foi prematuramente imposta.
A sua voz ressoou cavernosa como o eco do som do sino às Ave-Marias. A
baronesa fez menção de responder, mas o homem continuou: - Não me
compreendeu ainda. Escute-me. Os homens não se encontravam amadurecidos
quando o Nazareno veio até eles e lhes trouxe o amor. Na sua generosidade
pueril e ridícula, julgava ele fazer-lhes bem. Para uma raça de gigantes, o
amor teria sido um confortável travesseiro na brancura do qual poderiam com
volúpia sonhar novos feitos. Mas para homens fracos é a extrema decadência.
Um sacerdote católico que se encontrava presente levou a mão ao colarinho
como se sentisse faltar-lhe o fôlego.
- A extrema decadência!... - exclamava o estrangeiro. - Não falo do amor entre
os sexos. Falo do amor do próximo, da caridade e da piedade, da graça e da
indulgência. Não há piores venenos para a nossa alma!
Um som indistinto se ouviu entre os espessos lábios do sacerdote.
- Dize-me tu, ó Cristo: que fizeste? Parece-me que fomos educados como
aqueles animais ferozes que se procuram desabituar dos seus mais profundos
instintos, no propósito de lhes bater impunemente com um látego de domador
quando eles se tornarem meigos. Da mesma maneira nos limaram os dentes e
as garras e nos pregaram o amor do próximo. Arrancaram-nos das mãos o
brilhante dardo da nossa vontade altiva e pregaram-nos o amor do próximo! E
foi assim que nos entregaram nus à tempestade da vida, na qual
incessantemente sobre nós caem as marretadas do destino, ao mesmo tempo
que, por outro lado, se nos prega o amor do próximo!
Todos, sustendo a respiração, escutavam. Os criados não se atreviam a mexer-
se e mantinham-se firmes perto da mesa segurando nas mãos as bandejas de
prata. As palavras do desconhecido, como um sopro violento de tempestade,
rompiam o abafado silêncio.
- E nós obedecemos - continuou ele. - Obedecemos cega e estupidamente a
essa ordem insensata. Partimos em procura daqueles que tinham sede, dos que
tinham fome, dos doentes, dos leprosos, dos fracos e nós próprios somos
doentes e miseráveis. Sacrificamos a nossa vida para erguer aqueles que
caíam, animar os que duvidavam, consolar os que estavam tristes, e nos
próprios desesperamos. Aos que tinham assassinado as nossas mulheres e os
nossos filhos, tinham lançado a discórdia nos nossos lares, não destruímos as
suas próprias casas, e eles puderam esperar nelas calmamente o fim dos seus
dias.
Um terrível acento de zombaria fez-lhe tremer a voz, e continuou:
- Aquele que celebram como Messias transformou o mundo inteiro num
enorme hospício de doentes incuráveis. Os fracos, os miseráveis e os inválidos
são seus filhos e seus favoritos. Então os fortes viriam ao mundo apenas para
proteger, servir e velar por esses inermes seres? E se eu sinto em mim um
fogoso entusiasmo, um entusiasmo intenso e celeste para a luz, se subo com
firmeza o caminho escarpado e pedregoso, devo acaso, quando vejo já
flamejar o divino fim, inclinar-me para o inválido caído à beira do caminho?
Devo anima-lo, erguê-lo, arrasta-lo comigo e gastar a minha força ardente a
tratar desse cadáver impotente que, alguns passos adiante, cairá de novo,
prostrado? Como havemos nós de subir, se todas as nossas forças forem
aplicadas em proteger e erguer os miseráveis, os oprimidos e até mesmo os
preguiçosos hipócritas que não têm medula nem alma?
Elevou-se um murmúrio.
- Silêncio! - exclamou o estrangeiro numa voz de estentor. - Sois demasiado
fracos para confessardes que é assim mesmo como eu digo. Desejais enterrar-
vos eternamente no pântano. Julgais ver o céu porque vedes o reflexo dele no
regato. Ora, compreendei-me bem. Ligaram a nossa força à terra. É preciso
que ela se apague miseravelmente nos braseiros da misericórdia. Deve servir
apenas para acender o incenso da piedade, para produzir os vapores que nos
entorpecem os sentidos. Ela, essa força que poderia elevar-se para o céu como
uma grande chama livre e jubilosa!
Todos se calaram. Sorridente, o estranho desconhecido prosseguiu:
- E se os nossos antepassados fossem macacos, animais selváticos movidos
por poderosos instintos naturais, e se um Messias lhes tivesse pregado o amor
do próximo, obedecendo à sua palavra eles ter-se-iam impedido de realizar
todo e qualquer desenvolvimento das suas possibilidades. Nunca a massa
múltipla e estúpida pode determinar o progresso; só o «único», o grande, que
odeia a populaça, obscuramente consciente da sua baixeza, pode caminhar
sem receios na estrada da vontade, com uma força divina e um sorriso
vitorioso nos lábios. A nossa geração também não esta no cume da pirâmide
infinita do devir. Também nós não significamos um termo. Também nós não
estamos ainda demasiado amadurecidos como vós presunçosamente acreditais.
Portanto, para a frente! Não havemos de elevar-nos pelo conhecimento, pela
vontade e pelo poder? Não devem os fortes conseguir escapar da atmosfera de
constrangimento e de inveja das massas para seguirem em direcção à luz?
«Ouçam-me todos! Encontramo-nos em pleno combate! À direita e à esquerda
de nós caem os nossos companheiros; caem vítimas de fraqueza, de doença, de
vício e de loucura... e de todos os outros projécteis que sobre eles vomita o
destino terrível. Deixem-nos cair, deixem-nos morrer abandonados,
miseráveis! Sejam duros, sejam terríveis, sejam impiedosos! É preciso
avançar. Para a frente!
«Para que são esses olhares de temor? Sois acaso cobardes? Receais, vós
também, ficar para trás? Pois então deixai-vos para estoirar como cães! Sou
forte, tenho direito de viver. O forte segue sempre em frente!... As fileiras
cerradas abrir-se-lhe-ão. Mas são pouco numerosos os grandes, os poderosos,
os divinos que, com os olhos cheios de sol, esperam a nova terra sagrada.
Talvez que isso ocorra dentro de milhares de anos. Talvez que então, com os
seus braços fortes, musculosos e imperiosos construam um templo sobre os
corpos dos doentes, dos fracos e dos enfezados... Um império eterno...»
Os olhos brilhavam-lhe. Levantara-se. A sua silhueta erguia-se com grandeza
sobrenatural. Parecia aureolado de luz. Tinha o aspecto de um deus.
O olhar pareceu demorar-se-lhe um momento na visão maravilhosa; depois
regressando, subitamente, à realidade concluiu:
- Vou através do mundo para matar o amor. Que a força seja convosco! Vou-
me através do mundo para pregar aos fortes: ódio, ódio e ainda ódio!
Todos se olharam, mudos. A baronesa, dominada por viva emoção, calcava o
lenço contra as pálpebras.
Quando ela levantou os olhos, o lugar ao canto da mesa estava vazio.
Percorreu-os a todos um frémito. Ninguém proferiu palavra. Os criados,
trémulos ainda, retomaram o serviço.
O gordo banqueiro, sentado em frente de mim, foi o primeiro a retomar o uso
da palavra.
Disse entre dentes:- Era um louco ou...
Não ouvi o resto da frase, porque o homem mastigava com a boca muito cheia
um pedaço de empadão de lagosta.