Prefiro uma injustiça a uma desordem
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)
Haverá flagelo mais terrível do que a injustiça de armas na mão?
( ARISTÓTELES )
Quem critica a injustiça fá-lo não porque teme cometer acções injustas, mas porque teme sofrê-las( PLATÃO )
A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.
( Frases e Pensamentos de Motesquieu)
A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa )
A direita quer manter este clima de poder, de injustiça social e de subserviência ao império norte-americano.
(OSCAR NIEMEYER)
Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça
( La Bruyère )
O estado da natureza é, antes, o estado da injustiça, da violência, do instinto natural desenfreado, das acções e dos sentimentos desumanos
( HEGEL )
A marca de sua ignorância é a profundidade da sua crença na injustiça e na tragédia. O que a lagarta chama de fim de mundo, o mestre chama de borboleta
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )
Mais importante do que a Arquitetura é estar ligado ao mundo. É ter solidariedade com os mais fracos, revoltar-se contra a injustiça, indignar-se contra a miséria. O resto é o inesperado; é ser levado pela vida.
(OSCAR NIEMEYER)
O bom juiz não deve ser jovem, mas ancião, alguém que aprendeu tarde o que é a injustiça, sem tê-la sentido como experiência pessoal e ínsita na sua alma; mas por tê-la estudado, como uma qualidade alheia, nas almas alheias( PLATÃO )
Não digas de nenhum sentimento que é pequeno ou indigno. Não vivemos de outra coisa que dos nossos pobres, formosos e magníficos sentimentos, e contra cada um que cometermos uma injustiça é uma estrela que apagamos
( HERMANN HESSE )
Toda a vez que há um declínio do Dharma (reto-agir; Justiça) e a predominância de Adharma (injustiça), Ó Arjuna, Eu Me manifesto. Eu apareço de tempos em tempos para proteger os bons, para mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo (Dharma). (4.07-08)
( Bhagavad Gita )
De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa )
Ser comunista, hoje, é ser um indivíduo simples, justo e solidário. O mundo que está aí me preocupa. Quando as torres gêmeas desabaram em Nova York, no 11 de setembro, eu tomava café em um bar do Rio. Vendo as imagens na TV, pensei em como somos pequenos no Universo. O homem precisa tomar consciência disso e parar de produzir injustiça.
(OSCAR NIEMEYER)
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".
(in Folha de São Paulo, 01/02/00)
Escreve-me um jovem físico de São Paulo. Chama-se Júlio, tem 26 anos e elogia as
posições que venho tomando nesta coluna em favor do povo pobre do Brasil. Diz
que, a princípio, ficou mesmo admirado por ver a Folha acolhê-las e publicá-las.
Mas depois, refletindo melhor, chegou à conclusão de que, tendo eu uma visão
religiosa do mundo e do homem, aquelas posições ficam todas invalidadas, porque
a idéia de Deus é o principal sustentáculo do castelo de privilégios da elite
econômica política, que dela se serve para manter o povo resignado diante de
todas as desigualdades e injustiças.
Na carta, o jovem físico não colocou seu sobrenome, e é por isso que não o
transcrevo aqui. Se, por acaso, estas linhas vierem a cair sob seus olhos,
peço-lhe que me mande um bilhete com seu telefone: gostaria muito de conversar
um pouco com ele, para agradecer pessoalmente os termos amistosos com os quais,
na carta, até as discordâncias foram formuladas.
Mas aqui, logo de entrada, gostaria de dizer-lhe que o Deus de quem me considero
filho não é capitalista e anti-socialista como declarou o economista Roberto
Campos em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras. Não se deixe
Júlio impressionar por nossos erros e pecados. Olhe somente o Cristo e ouça o
que ele dizia. Leia os "Atos dos Apóstolos" e veja como os primitivos cristãos
procuravam organizar a sociedade: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma
só alma. Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles
(...). Não havia entre eles indigente algum; (...) e distribuía-se a cada um
segundo a sua necessidade". Num ponto, porém, Júlio tem razão em sua crítica ao
cristianismo: depois que o imperador Constantino romanizou temporalmente a
Igreja, esta passou a dotar as desigualdades e injustiças do Império Romano.
Mesmo assim, mesmo governada por mapas como Alexandre 6º, a Igreja continuou
condenando a usura e a ganância. De modo que, como Max Weber demonstrou de modo
irrespondível, foi o pensamento protestante que procurou legitimar a injustiça
social e a desigualdade: segundo os ideólogos "brancos, anglo-saxões e
protestantes", a riqueza era um sinal de predileção de Deus. E, juntando-se isso
à "sobrevivência do mais apto" de Darwin e Spencer, o capitalismo seria, mesmo,
preferido por Deus.
Entretanto - e graças sejam dadas a Ele por isso! - no século 20 os papas João
23 e Paulo 6º afastaram a Igreja de tal visão anticristã. De maneira que eu,
católico, posso dizer a Júlio que Deus, segundo visto por João 23 e por outros
que pensam como eu, é cristão, católico e socialista. O Deus que é capitalista
(e que, portanto, pode ser colocado a serviço da injustiça e da desigualdade) é
o do presidente Clinton, de Roberto Campos e do bispo Edir Macedo.
A glória repousa propriamente sobre aquilo que alguém é em comparação com os
outros. Portanto, ela é essencialmente relativa; por isso, só pode ter valor
relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso
é. Uma coisa só pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as
circunstâncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que alguém é imediatamente e por
si mesmo. Consequentemente, é nisso que tem de residir o valor e a felicidade do
grande coração e do grande espírito. Logo, valiosa não é a glória, mas aquilo
que faz com que alguém a mereça, pois isso, por assim dizer, é a substância, e a
glória é apenas o acidente. Ela age sobre quem é célebre, sobretudo como um
sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirmação da opinião elevada de si
mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz não é visível se não
for reflectida por um corpo, toda a excelência só adquire total consciência de
si própria pela glória. Mas o sintoma não é sempre infalível, visto que também
há glória sem mérito e mérito sem glória. Eis a justificativa para a frase tão
distinta de Lessing: Algumas pessoas são famosas, outras merecem sê-lo. Em
verdade, seria uma existência miserável aquela cujo valor ou desvalor dependesse
de como aparecesse aos olhos dos outros. Tal existência, entretanto, seria a
vida do herói e a do génio se o seu valor consistisse na glória, isto é, na
aprovação dos outros. Mas, antes, todo o ser vive e existe por conta própria,
logo, primariamente em si e para si.
O que alguém é, de qualquer maneira, é antes de mais nada e acima de tudo para
si mesmo; e se sob esse aspecto não é de muito valor, então não o é também em
geral. Pelo contrário, a imagem do nosso ser na cabeça dos outros é algo
secundário, derivado e submetido ao acaso, e só se relaciona muito
indirectamente com o próprio ser. Além do mais, as cabeças dos outros são um
cenário deveras miserável para que nele a verdadeira felicidade possa ter sede.
Antes, nelas só se pode encontrar uma felicidade quimérica. Que sociedade
heterogénea se reúne nesse templo da glória universal! Generais, ministros,
charlatães, saltimbancos, dançarinos, cantores, milionários e judeus. Sim, nesse
templo, os méritos de todas essas pessoas são bem mais sinceramente apreciados,
encontram bem mais estime sentie (estima sincera) do que os méritos espirituais,
sobretudo os de tipo superior, que obtêm da maioria apenas uma estime sur parole
(estima de ouvir dizer). Em sentido eudemonológico, portanto, a glória nada mais
é senão o pedaço mais raro e saboroso para o nosso orgulho e a nossa vaidade.
Estes, todavia, existem em excesso na maioria dos homens, embora eles os
dissimulem; talvez até de modo mais forte naqueles que, de alguma maneira, estão
aptos a adquirir glória e, portanto, têm muitas vezes de suportar em si mesmos,
por muito tempo, a consciência incerta do seu valor proeminente, antes que
chegue a oportunidade de o comprovar e então experimentar o reconhecimento. Até
lá, têm o sentimento de sofrer uma injustiça secreta.
Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo
De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.
Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta à
corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?
Pois parada não há em /parte alguma.
Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.
Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.
Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?