Frases e Pensamentos de Infancia

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INFANCIA

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A vida é a infância da imortalidade
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


"A religião é comparável a uma neurose da infância." (Frases e Pensamentos de Sigmund Freud)


A multidão não envelhece nem adquire sabedoria: permanece sempre na infância
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


Há duas épocas na vida, infância e velhice, em que a felicidade está numa caixa de bombons.
(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


Minha infância foi formada por, vamos dizer, um pessimismo incrível, de Augusto dos Anjos, de Kafka, Schopenhauer.
( Frases e Pensamentos de Raul Seixas )


Ignorar as vidas dos homens mais ilustres da antiguidade é continuar sempre na infância.
( Frases e Pensamentos de Plutarco) Mensagem sobre Idade


Crianças- a alegria da infância a torna a idade mais agradável, porque a natureza dá às crianças um ar de loucura.
( Frases e Pensamentos de Erasmo de Rotterdam )


Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam.
( Tarsila do Amaral )


"A infância termina aos 12 anos; a juventude aos 20; a fé aos 30; a esperança aos 40 e o desejo aos 50."
( Frases e Pensamentos de Provérbio alemão) Mensagem sobre Idade


A harmonia da infância é um dom da natureza; a segunda harmonia deve resultar do trabalho e do culto ao espírito.
( Georg Wolhelm Friederich Hegel ) Mensagem sobre Filosofia


Uma pessoa pode ter uma infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer num berço de ouro e sentir-se enjaulada pelo resto da vida.
( CHARLES CHAPLIN )


Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia


Honrar o pai e a mãe não é somente respeitá-los, mas também assisti-los nas suas necessidades; proporcionar-lhes o repouso na velhice; cercá-los de solicitude, como eles fizeram por nós na infância.
(ALLAN KARDEC)


"Minha força vem da lembrança da infância na fazenda,de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam.""
( Frases e Pensamentos de Tarsila do Amaral) Mensagem sobre Sabedoria


Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso não deveria iludir um sábio ( 2.13).
( Bhagavad Gita )


"Só os fatos da infância explicam a sensibilidade aos traumatismos futuros e só com o descobrimento desses restos de lembranças, quase regularmente olvidados, e com a volta deles à consciência, é que adquirimos o poder de afastar os sintomas." (Frases e Pensamentos de Sigmund Freud)


A experiência me mostrou muito tarde que não se pode explicar os seres a partir de seus vícios,mas sim partindo daquilo que conservam intacto,de puro,daquilo que lhe resta da infância,por mais profundamente que seja necessário buscar.
( Frases e Pensamentos de Georges Bernanos) Mensagem sobre Sabedoria


As falsas Recordações: Se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido, com enternecimento eu não recordaria agora aquele velho tio de perna de pau, que nunca existiu na familia, e aquele arroio que nunca passou aos fundos do quintal, e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão, sob o zumbido inquietante dos besouros(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


ABERRAÇÃO ( AUGUSTO DOS ANJOS )

Na velhice automática e na infância,
(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)
Minha hibridez é a súmula sincera
Das defectividades da Substância.
Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cadáver na fragrância!
Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias lúgubres. Existo
Como o cancro, a exigir que os sãos enfermem...
Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o iodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!


"É muito mais difícil ser pai hoje do que antigamente, quando o pai chegava, batia no filho e pronto. No entanto, os pais não educavam os filhos melhor que hoje. Isso que estamos passando atualmente é resultado da má educação que eles nos deram e nós sobrevivemos às nossas custas, porque eles só foram chefes, só repetiram sistemas tradicionais. Fizeram o que os pais deles fizeram e os pais dos pais deles fizeram. Vinham em uma linha da chefia do "eu olho e você obedece". Essa geração de pais de hoje, os pais sufocados, é uma geração louvável de pais, pois eles apanharam na infância, se formaram por conta própria e, lógico, não foram perfeitos. Então, acabam "apanhando" hoje dos filhos. E é por isso que os chamo de pais sufocados..." (Frases e Pensamentos de Içami Tiba)


A aliança (LUIS FERNANDO VERÍSSIMO)

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De
qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a
crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio
ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das
pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício,
claro.
Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os
dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que
nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas
ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe
um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e
preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o
desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro
tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências...
Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava
fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e
caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a
chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro.
Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou
as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar
no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo
às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.
- Você não sabe o que me aconteceu!
- O quê?
- Uma coisa incrível.
- O quê?
- Contando ninguém acredita.
- Conta!
- Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
- Não.
- Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
- O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no
asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
- Que coisa - diria a mulher, calmamente.
- Não é difícil de acreditar?
- Não. É perfeitamente possível.
- Pois é. Eu...
- SEU CRETINO!
- Meu bem...
- Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa
aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa.
Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em
que só um imbecil acreditaria.
- Mas, meu bem...
- Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel.
Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou
em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara?
Nada, nada. E, finalmente:
- Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
- Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não
tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu
compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez
minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento
deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
- O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.


Aprendi( CHARLES CHAPLIN )

Aprendi que eu não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões
para que gostem de mim e ter paciência, para que a vida faça o resto. Aprendi
que não importa o quanto certas coisas sejam importantes para mim, tem gente que
não dá a mínima e eu jamais conseguirei convencê-las. Aprendi que posso passar
anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos. Que posso
usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou
falando. Eu aprendi... Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por
isso o resto da vida. Que por mais que se corte um pão em fatias, esse pão
continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos em nosso
caminho. Aprendi... Que vai demorar muito para me transformar na pessoa que
quero ser, e devo ter paciência. Mas, aprendi também, que posso ir além dos
limites que eu próprio coloquei. Aprendi que preciso escolher entre controlar
meus pensamentos ou ser controlado por eles. Que os heróis são pessoas que fazem
o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que
sentem. Aprendi que perdoar exige muita prática. Que há muita gente que gosta de
mim, mas não consegue expressar isso. Aprendi... Que nos momentos mais difíceis
a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar as
coisas. Aprendi que posso ficar furioso, tenho direito de me irritar, mas não
tenho o direito de ser cruel. Que jamais posso dizer a uma criança que seus
sonhos são impossíveis, pois seria uma tragédia para o mundo se eu conseguisse
convencê-la disso. Eu aprendi que meu melhor amigo vai me machucar de vez em
quando, que eu tenho que me acostumar com isso. Que não é o bastante ser
perdoado pelos outros, eu preciso me perdoar primeiro. Aprendi que, não importa
o quanto meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso. Eu
aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu
sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto. Aprendi que numa briga eu
preciso escolher de que lado estou, mesmo quando não quero me envolver. Que,
quando duas pessoas discutem, não significa que elas se odeiem; e quando duas
pessoas não discutem não significa que elas se amem. Aprendi que por mais que eu
queira proteger os meus filhos, eles vão se machucar e eu também. Isso faz parte
da vida. Aprendi que a minha existência pode mudar para sempre, em poucas horas,
por causa de gente que eu nunca vi antes. Aprendi também que diplomas na parede
não me fazem mais respeitável ou mais sábio. Aprendi que as palavras de amor
perdem o sentido, quando usadas sem critério. E que amigos não são apenas para
guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos. Aprendi que certas
pessoas vão embora da nossa vida de qualquer maneira, mesmo que desejemos
retê-las para sempre. Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser
gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.
Tua caminhada ainda não terminou... A realidade te acolhe dizendo que pela
frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras e do teu silêncio. Se
amanhã sentires saudades, lembra-te da fantasia e sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo jamais conseguirão obter, porque é uma
vitória que surge da paz e não do ressentimento. É certo que irás encontrar
situações tempestuosas novamente, mas haverá de ver sempre o lado bom da chuva
que cai e não a faceta do raio que destrói. Se não consegues entender que o céu
deve estar dentro de ti, é inútil buscá-lo acima das nuvens e ao lado das
estrelas. Por mais que tenhas errado e erres, para ti haverá sempre esperança,
enquanto te envergonhares de teus erros. Tu és jovem. Atender a quem te chama é
belo, lutar por quem te rejeita é quase chegar a perfeição. A juventude precisa
de sonhos e se nutrir de lembranças, assim como o leito dos rios precisa da água
que rola e o coração necessita de afeto. Não faças do amanhã o sinônimo de
nunca, nem o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram! Olhes
para trás... mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para
poderem seguir-te.


A Alegoria da Caverna ( PLATÃO )

- Imagina agora o estado da natureza humana com respeito à ciência e à
ignorância, conforme o quadro que dele vou esboçar. Imagina uma caverna
subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente
a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que não
possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido às cadeias que lhes prendem as
pernas e o tronco, podendo tão-só ver aquilo que se encontra diante deles. Nas
suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os
ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente
acessível. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes
que os charlatães de feita colocam entre si e os espectadores para esconder
destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
- Estou a imaginar tudo isso.
- Imagina homens que passem para além da parede, carregando objectos de todas as
espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal
modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam
uns com os outros, ou passam em silêncio.
- Estranho quadro e estranhos prisioneiros!
- E, no entanto, são ponto por ponto tal qual como nós. Em primeiro lugar,
julgas que percepcionarão outra coisa, de si mesmos e dos que se encontram a seu
lado, além das sombras que na sua frente se produzem, no fundo da caverna?
- Que outra coisa poderão ver, pois que, desde o nascimento, foram compelidos a
conservar a cabeça permanentemente imóvel?
- Verão, apesar disso, outras coisas além dos objectos que passam à sua
rectaguarda?
- Não.
- Se pudessem conversar uns com os outros, não concordariam em dar às sombras
que vêem os nomes dessas mesmas coisas?
- Sem dúvida.
- E se no fundo da sua prisão houvesse eco que repetisse as palavras daqueles
que passam, não imaginariam que ouviam falar as sombras mesmas que desfilam
diante dos seus olhos?
- Sim.
- E, por fim, não julgariam eles que nada existiria de real além das sombras?
- Não há dúvida.
- Pensa agora naquilo que naturalmente lhes aconteceria se fossem libertados das
suas cadeias e se fossem elucidados acerca do erro em que estavam. Liberte-se um
desses cativos, e que ele seja obrigado a levantar-se imediatamente, a voltar a
cabeça, a andar e a enfrentar a luz: nada disso poderá fazer sem grande esforço;
a luz encandear-lhe-á a vista e o deslumbramento produzido impedi-lo-á de
distinguir os objectos cujas sombras via antes. Que julgas tu que responderia se
lhe dissessem que até então apenas vira fantasmas e que agora tem ante os olhos
objectos mais reais e mais próximos da verdade? Se lhe mostrarem imediatamente
as coisas à medida que se forem apresentando, e se for obrigado, à força de
perguntas, a dizer o que é cada uma delas, não ficará perplexo e não julgará que
aquilo que dantes via era mais real do que aquilo que agora se lhe apresenta?
- Sem dúvida.
- E se o obrigassem a enfrentar o fogo, não adoeceria dos olhos? Não desviaria
os seus olhares, para dirigi-los para a sombra, que enfrenta sem dificuldade?
Não julgaria que essa sombra possui algo de mais claro e distinto do que tudo
quanto se lhe mostra?
- Certamente.
- Se agora o arrancarmos da caverna e o arrastarmos, pela senda áspera e
fragosa, até à claridade do Sol, que suplício o seu por ser assim arrastado!
Como está furioso! E, uma vez chegado à luz livre, os olhos ofuscados com o
fulgor dela, poderia ver alguma coisa da multitude de objectos a que chamamos
seres reais?
- De início ser-lhe-ia impossível.
- Necessitaria de tempo, sem dúvida, para se acostumar a eles. Aquilo que
distinguiria melhor seria, em primeiro lugar, as sombras; e, logo a seguir, as
imagens dos homens e dos mais objectos, reflectidos à superfície das águas; por
fim, os próprios objectos. Daí volveria os olhos para o céu, cuja visão
suportaria com maior facilidade durante a noite, à luz da Lua e das estrelas, do
que durante o dia, à luz do Sol.
- Sem dúvida.
- Por fim, encontrar-se-ia em condições, não só de ver a imagem do Sol nas águas
e em tudo aquilo em que se reflicta, como de olhá-lo e contemplar o verdadeiro
Sol no seu verdadeiro local.
- Sim.
- Depois disto, pondo-se a reflectir, chegaria à conclusão de que o Sol é o que
determina as estações e os anos, e o que rege todo o mundo visível e que, de
certo modo, é causa daquilo que se via na caverna.
- É evidente que chegaria gradualmente a tais reflexões.
- E se, então, se recordasse da sua primeira habitação e da ideia que aí
formavam da sabedoria, ele e os seus companheiros de escravidão, não se
regozijaria com a mudança e não teria compaixão da desgraça daqueles que
permaneciam cativos?
- Certamente.
- Crês tu que agora ele sentisse ciúmes das honras, das vaidades e recompensas
ali outorgadas àquele que mais rapidamente captasse as sombras, àquele que com
maior segurança recordasse as que iam atrás ou juntas e por tal razão seria o
mais hábil em prever a sua aparição, ou que invejasse a condição daqueles que na
prisão eram mais poderosos e mais honrados? Não preferiria, como Aquiles,
segundo Homero, passar a vida ao serviço dum pobre lavrador e sofrê-lo, a voltar
ao seu primeiro estado e às suas primitivas ilusões?
- Não duvido de que preferiria suportar todos os males possíveis a voltar a
viver de tal modo.
- Atenta, pois, nisto: se regressasse novamente à sua prisão, para voltar a
ocupar nela o seu antigo posto, não se acharia como um cego, na súbita passagem
da luz do dia para a obscuridade?
- Sim.
- E se, no entanto, ainda não distinguisse nada e, antes que os seus olhos se
houvessem refeito, o que apenas poderia acontecer depois de muito tempo, tivesse
de discutir com os mais prisioneiros sobre essas sombras, não se tornaria
ridículo aos olhos dos outros, que diriam dele que, por ter subido até lá acima,
perdera a vista, acrescentando que seria uma loucura o eles pretenderem sair do
lugar onde se encontravam, e que, se alguém se lembrasse de tirá-los dali e
levá-los para a região superior, se tornaria necessário prendê-lo e matá-lo?
- Indiscutivelmente.
- Pois, meu querido Glauco, é essa, precisamente, a imagem da condição humana. A
caverna subterrânea é este mundo visível; o fogo que a ilumina, a luz do Sol; o
prisioneiro que ascende à região superior e a contempla é a alma que se eleva at
é à esfera do inteligível. É isto, pelo menos, o que penso, já que o queres
conhecer, mas só Deus sabe se é certo. Pelo que me toca, a coisa afigura-se-me
tal como te vou comunicar. Nos últimos limites do mundo inteligível encontra-se
a ideia do bem, que só com dificuldade se percebe, mas que, todavia, não pode
ser percebida sem que se conclua que ela é a causa primeira de quanto há de bom
e de belo no universo; que ela, neste mundo visível, produz a luz e o astro do
qual a luz irradia directamente; que, no mundo visível, engendra a verdade e a
inteligência; que é preciso, enfim, ter os olhos fitos nessa ideia, se quisermos
conduzir-nos honestamente na vida pública e privada.
- Na medida em que pude compreender a tua ideia, concordo contigo.
- Tens, pois, de admitir e não estranhar que aqueles que alcançaram essa sublime
contemplação desdenhem da intervenção nos assuntos humanos e que as suas almas
aspirem, incessantemente, a fixar-se nesse lugar eminente. Assim deve ser, se
isto está em conformidade com a pintura alegórica que esbocei.
- Assim deve ser.


Discurso nas comemorações do Dia do Trabalho em 1º de maio de 1940 ( GETÚLIO VARGAS )

Trabalhadores do Brasil: Aqui estou, como de outras vezes, para compartilhar as
vossas comemorações e testemunhar o apreço em que tenho o homem de trabalho como
colaborador direto da obra de reconstrução política e econômica da Pátria. Não
distingo, na valorização do esforço construtivo, o operário fabril do técnico de
direção, do engenheiro especializado, do médico, do advogado, do industrial ou
do agricultor. O salário, ou outra forma de remuneração, não constitui mais do
que um meio próprio a um fim, e esse fim é, objetivamente, a criação da riqueza
nacional e o surto de maiores possibilidades à nossa civilização.
A despeito da vastidão territorial, da abundância de recursos naturais e da
variedade de elementos de vida, o futuro do país repousa, inteiramente, em nossa
capacidade de realização. Todo trabalhador, qualquer que seja a sua profissão é,
a este respeito, um patriota que conjuga o seu esforço individual à ação
coletiva, em prol da independência econômica da nacionalidade. O nosso progresso
não pode ser obra exclusiva do Governo, sim de toda a Nação, de todas as
classes, de todos os homens e mulheres, que se enobrecem pelo trabalho,
valorizando a terra em que nasceram.
Constitui preocupação constante do regime que adotamos difundir entre os
elementos laboriosos a noção da responsabilidade que lhe cabe no desenvolvimento
do país, pois o trabalho bem feito é uma alta forma de patriotismo, como a
ociosidade uma atitude nociva e reprovável. Nas minhas recentes excursões aos
Estados do Centro e do Sul, em conta to com as mais diversas camadas da
população, recebi caloroso acolhimento e manifestações que testemunham, de modo
inequívoco, a confiança que os brasileiros, desde os simples operários aos
expoentes das atividades produtoras, depositam na ação governamental.
Falando em momento como este, diante de uma multidão que vibra de Exaltação
patriótica, não posso deixar de pensar como os nossos governantes permaneceram,
durante tanto tempo, indiferentes à cooperação construtiva das classes
trabalhadoras. Relegados a existência vegetativa, privados de direitos e
afastados dos benefícios da civilização, da cultura e do conforto, os
trabalhadores brasileiros nunca obtiveram, sob os governos eleitorais, a menor
proteção, o mais elementar amparo. Para arrancar-lhes os votos, os políticos
profissionais tinham de mantê-los desorganizados e sujeitos à vassalagem dos
cabos eleitorais.
A obra de reparação e justiça realizada pelo Estado Novo distancia-nos,
imensamente, desse passado condenável, que comprometia aos nossos sentimentos
cristãos e se tornara obstáculo insuperável à solidariedade nacional. Naquela é
poca, ao aproximar-se o Primeiro de Maio, o ambiente era bem diverso.
Generalizavam-se as apreensões e abria-se um período de buscas policiais no
núcleos associativos, pondo-se em custódia os suspeitos, dando a todos uma
sensação de insegurança e exibindo um luxo de força nas ruas e locais de
reunião, que, não raro, redundavam em choques e conflitos sangrentos.
Atualmente, a data comemorativa dos homens de trabalho é festiva e de
confraternização.
Os benefícios da política trabalhista, empreendida nestes últimos anos, alcançam
profundamente todos os grupos sociais, promovendo o melhoramento das condições
de vida nas várias regiões do país e elevando o nível de saúde e de bem-estar
geral. A ação tutelar e providente do Estado patenteia-se, de modo constante, na
solicitude com que cria os serviços de proteção ao lar operário, de assistência
à infância, de alimentação saudável e barata, de postos de saúde, de creches e
maternidades, instituído o ensino profissional junto às fábricas e, ultimamente,
voltando as suas vistas para a construção de vilas operárias e casas populares.
Na continuação desse programa renovador, que encontrou no atual ministro do
Trabalho um eficiente e devotado orientador, assinamos, hoje, um ato de
incalculável alcance social e econômico: a lei que fixa o salário mínimo para
todo o país. Trata-se de antiga aspiração popular, promessa do movimento
revolucionário de 1930. Agora transformada em realidade, depois de longos e
acurados estados. Procuramos, por esse meio, assegurar ao trabalhador
remuneração eqüitativa, capaz de proporcionar-lhe o indispensável para o
sustento próprio e da família. O estabelecimento de um padrão mínimo de vida
para a grande maioria da população, aumentando, no decorrer do tempo, os índices
de saúde e produtividade, auxiliará a solução de importantes problemas que
retardam a marcha do nosso progresso.
À primeira vista, poderão pensar os menos avisados que a medida é prematura e
unilateral, visto beneficiar, apenas, os trabalhadores assalariados. Tal, porém,
não ocorre no plano do Governo. A elevação do nível de vida eleva, igualmente, a
capacidade aquisitiva das populações e incrementa, por conseguinte, as
indústrias, a agricultura e o comércio, que verão crescer o consumo geral e o
volume da produção.
As bases da nossa legislação social já estão solidamente lançadas nas leis que
regulam a duração do trabalho, a higiene industrial, a ocupação das mulheres e
menores, as aposentadorias e indenizações de acidentes, as associações
profissionais, os convênios coletivos e a arbitragem. Ultima-se, agora, a
organização da Justiça do Trabalho, cuja regulamentação está na fase final de
estudos e deverá ser posta em vigor dentro de pouco. É uma legislação que tende
a ampliar-se e a cobrir com a sua proteção os diversos ramos da economia
nacional, da fábrica aos campos, das oficinas aos estabelecimentos comerciais,
empresas de transportes e todos os empregos e ocupações. As sugestões da
experiência e as imposições da necessidade irão, naturalmente, indicando
modificações e ampliações cuidadosas. Chegaremos, assim, a consolidar esse corpo
de leis num Código do Trabalho adequando às condições do nosso progresso. Não é
de mais observar, a propósito das nossas conquistas de ordem social, que povos
de civilização mais velha, apontados como modelos a copiar, ainda não
conseguiram resolver satisfatoriamente as relações de trabalho, que continuam
sendo, para eles, causa de perturbações para o bem comum.
Embora deixados ao abandono, os nossos trabalhadores souberam resistir às
influências malsãs dos semeadores de ódios, a serviços de velhas e novas
ambições de poderio político, consagrados a envenenar o sentimento brasileiro de
fraternidade com o exotismo das lutas de classes. O ambiente nacional tem
reagido sadiamente contra esses agentes de perturbações e desordem. A propaganda
insidiosa e dissolvente, apenas, impressionou os pobres de espírito e ser viu
para agitar os mal intencionados.
Quem quer que observe a história e a dura lição sofrida por outros povos verá
que os extremismos, mesmo quando logram uma vitória efêmera, caem logo vítimas
dos próprios erros e das paixões que desencadearam, sacrificando muitas
aspirações justas e legítimas, que poderiam ser alcançadas pacificamente. A
sociedade brasileira, felizmente, repele, por índole, as soluções. Corrigidos os
abusos e imprevidências do passado, podermos encarar o futuro com serenidade,
certos de que as utopias ideológicas, na prática, verdadeiras calamidades
sociais, não conseguirão afastar-nos das normas de equilíbrio e bom senso em que
se pro cessa a evolução da nacionalidade.
Só o trabalho fecundo, dentro da ordem legal que as segura a todos patrões e
operários, chefes de indústrias e proletários, lavradores, artesãos,
intelectuais - um regime de justiça e de paz, poderá fazer a felicidade da
pátria brasileira.