Frases e Pensamentos de Fora

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FORA

123 resultados encontrados

Fora da Caridade não há Salvação.
(ALLAN KARDEC)


Bom de briga é aquele que cai fora
( Adoniran Barbosa )


Mais por fora do que umbigo de vedete.
( Stanislaw Ponte Preta )


Se Allan Kardec tivesse escrito que fora do Espiritismo não há salvação, eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu Fora da Caridade, ou seja, fora do Amor não há salvação.(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


Sua mãe devia tê-lo jogado fora e ficado com a cegonha.
( Autor: Mae West )


"Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro." (Frases e Pensamentos de Machado de Assis)


Não procures a verdade fora de ti,ela está em ti,em teu ser. Não procures o conhecimento fora de ti,ele te aguarda em tua fé interior. Não procures a paz fora de ti,ela está instalada em teu coração. Não procures a felicidade fora de ti,ela habita em ti desde a eternidade.
( Frases e Pensamentos de Mestre Khane) Mensagem sobre Felicidade


Conhecimento auxilia por fora, mas só o amor socorre por dentro.
(ALBERT EINSTEIN)


Quem tem bastante no seu interior, pouco precisa de fora
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


Nada separa as classes como a língua. Fora a renda, claro.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)


A Maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si mesmo.
(ALBERT EINSTEIN)


Por isso não deves buscar teu amor lá fora. Não faças depender tua felicidade de nada que esteja fora de ti; as coisas se deterioram, as pessoas mudam.
( Frases e Pensamentos de Amor)


Mulher é como pizza: só é boa fora de casa!(Frases de Para-Choque de Caminhão - Caminhoneiros)


A maioria de nós prefere olhar para fora e não para dentro de si próprio.
(ALBERT EINSTEIN)


Não é possível estar dentro da civilização e fora da arte.
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa)


Não é possível estar dentro da civilização e fora da arte.
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa )


Quando estamos fora, o Brasil dói na alma; quando estamos dentro, dói na pele.
( Stanislaw Ponte Preta )


Se você tem alguma coisa há muito tempo,pode jogar fora. Se você joga fora alguma coisa que tem há muito tempo,vai precisar dela logo,logo...
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Pessimismo


A verdade não está lá fora, a verdade está dentro de você.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


Sogra! Tô fora,Filha! Tô dentro
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Sogras


Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda
(CARL GUSTAV JUNG) Mensagem sobre Pensamentos


Bom de briga é aquele que cai fora.
( Frases e Pensamentos de Adoniran Barbosa) Mensagem sobre Pensamentos


É preciso ter uma mente muito fora do comum, para analisar o óbvio.
( Albert North Whitehead ) Mensagem sobre Filosofia


Não é possível estar dentro da civilização e fora da arte.
( Frases e Pensamentos de Rui Barbosa) Mensagem sobre Arte


Sabe de uma coisa? Lá fora,o por do sol está dourado...
( Frases e Pensamentos de Roberto Godoy) Mensagem sobre Poesia


Feia por fora e bonita por dentro? Vira do avesso!
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Machismo


Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)


Quando se ama, não é preciso entender o que acontece lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)


A emoção de um músico é a coisa mais importante, é o que sobrepõe ao acorde. Se deixar isto de fora, a música não vai lhe tocar.
( Frank Zappa )


Nunca quis mudar a religião de ninguém, porque, positivamente, não acredito que a religião a seja melhor que 'a' religião 'b'... Nas origens de toda religião cristã está o Pensamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem seguir o Evangelho... Se Allan Kardec tivesse escrito que 'fora do Espiritismo não há salvação', eu teria ido por outro caminho. Graças a Deus ele escreveu 'Fora da Caridade', ou seja, fora do Amor não há salvação...(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


A vida por fora de nós é um reflexo daquilo que somos por dentro.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Filosofia


Para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter tem um caráter individual sem autenticidade.
(ALLAN KARDEC)


O pensamento, único tesouro que Deus põe fora do alcance de todo o poder e guarda como um elo secreto entre os infelizes e Ele próprio
( HONORÉ DE BALZAC )


Homem é igual a guardanapo: cheiroso e limpinho, mas descartável, use e jogue fora.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Feminismo


O progresso dá-nos tanta coisa que não nos sobra nada nem para pedir, nem para desejar, nem para jogar fora.
(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


A imaginação é mais importante que o conhecimento. Conhecimento auxilia por fora, mas só o amor socorre por dentro. Conhecimento vem, mas a sabedoria tarda.
(ALBERT EINSTEIN)


Em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós,se não possuímos a sua fonte dentro de nós.
( Frases e Pensamentos de Marquês de Maricá) Mensagem sobre Felicidade


Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Optar por um filho é decidir em dado momento ter o seu coração caminhando fora do corpo para sempre.
( Frases e Pensamentos de Elizabeth Stone) Mensagem sobre Dia das Mães


O mais tolo dos todos os erros é quando uma boa cabeça jovem crê perder a sua originalidade ao dar-se conta de uma verdade que já fora descoberta por outros
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


A polidez nem sempre inspira a bondade, a equidade, a complacência, a gratidão; mas, pelo menos, dá-lhes a aparência e faz aparecer o homem por fora como deveria ser por dentro
( La Bruyère )


"Quando se ama,não é preciso entender o que acontece lá fora,porque tudo passa a acontecer dentro de nós." - O Alquimista
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Amor


Os mortos são na vida os nossos vivos. Andam pelos nossos passos, trazemo-los ao colo pela vida fora e só morrem connosco.
( Frases e Pensamentos de Florbela Espanca) Mensagem sobre Tempo


O casamento é como uma armadilha para enguias: as que estão fora querem entrar e as que estão dentro querem sair.
( Frases e Pensamentos de Provérbio norueguês) Mensagem sobre Provérbios


Assim como uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o velho corpo. (2.22)
( Bhagavad Gita )


Posso olhar para uma garota meio fora de forma e se ela retribuir, não hesitarei em sair com ela. Se ela for boa de cama, pode pesar 70 kg, não me importo.
( Frases e Pensamentos de Arnold Schwarzenegger )


Os mais perigosos inimigos da Sociedade não são os de fora: podemos fechar-lhes as portas e os ouvidos. Os mais temíveis são os inimigos invisíveis, que aqui poderiam introduzir-se malgrado nosso.
(ALLAN KARDEC)


O Espiritismo não tem nacionalidade. Está por fora de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe da sociedade, pois cada um pode receber instruções de parentes e amigos de além túmulo.
(ALLAN KARDEC)


Se o telhado for mal construído ou estiver em mau estado, a chuva irá entrar na casa; assim a cobiça facilmente entra na mente, se ela é mal treinada ou fora de controle.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


Quando aquele cavalheiro nervoso entrou no hospital dizendo eu sou coronel eu sou coronel, o médico tirou o estetoscópio do ouvido e quis saber: Fora esse, qual o outro mal do qual o senhor se queixa?
( Stanislaw Ponte Preta )


Disseram que dei vexame bebendo champagne no sapato de Sophia Loren. Não é verdade. Derramei fora quase metade porque ela se recusava a tirar o maldito pé do sapato.
( Frases e Pensamentos de Groucho Marx) Mensagem sobre Pensamentos


O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Casamento baseia-se na teoria segundo a qual,quando um homem descobre uma marca de cerveja que corresponda exatamente ao seu gosto,ele deve jogar fora seu emprego e ir trabalhar na cervejaria.
( Frases e Pensamentos de George Jean Nathan) Mensagem sobre Casamento


Por favor, se você esta vivendo um problema, não olhe para fora de si mesmo procurando a causa. Não tente se iludir de que o outro é a fonte dos seus problemas. Perceba que esse problema está procurando lhe dar uma lição. Aproveite esse aviso para crescer!
(ROBERTO SHINYASHIKI)


O principal é deixar que flua sem vírgulas no caminho,pois o Amor é uma frase interminável que começa com maiúscula e se escreve de dentro para fora e vice-versa,e cuja leitura nunca termina,até que acaba.
( Frases e Pensamentos de Bruno Campel) Mensagem sobre Amor


Todas as misérias verdadeiras são interiores e causadas por nós mesmos. Erradamente julgamos que elas vêm de fora,mas nós é que as formamos dentro de nós,com a nossa própria substância.
( Frases e Pensamentos de Jacques Anatole France) Mensagem sobre Autoconhecimento


Na arte,a inspiração tem um toque de magia,porque é uma coisa absoluta,inexplicável. Não creio que venha de fora pra dentro,de forças sobrenaturais. Suponho que emerge do mais profundo eu da pessoa,do inconsciente individual,coletivo e cósmico...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)


Fé e amor são propensos a serem espasmódicos nas melhores mentes. Os homens vivem o limite dos mistérios e harmonias nos quais eles nunca entram, e com suas mãos no trinco da porta eles morrem do lado de fora.
( Frases e Pensamentos de Ralph Waldo Emerson ) Mensagem sobre Filosofia


O acontecimento recordado torna-se ficção,uma estrutura feita para acomodar certos sentimentos. Não fora por essas estruturas,a arte seria pessoal demais para que o artista a criasse,mais ainda para que a platéia a compreendesse.
( Frases e Pensamentos de Jerzy Kosinski) Mensagem sobre Arte


Lembremo-nos de que o homem interior se renova sempre. A luta enriquece-o de experiência, a dor aprimora-lhe as emoções e o sacrifício tempera-lhe o caráter. O Espírito encarnado sofre constantes transformações por fora, a fim de acrisolar-se e engrandecer-se por dentro.(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


A chuva que irriga os centros de poder imperialista afogas os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominadas para fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga.
( Eduardo Galeno )


- Todo processo psíquico consiste numa imagem e num ser que está imaginando, senão nenhuma consciência poderia existir e o evento não teria fenomenalidade. Também a imaginação é um processo psíquico, e por isso é completamente fora de propósito perguntar-se se a iluminação (o satori, por exemplo) é `real' ou `imaginária'


"Na arte,a inspiração tem um toque de magia,porque é uma coisa absoluta,inexplicável. Não creio que venha de fora pra dentro,de forças sobrenaturais. Suponho que emerge do mais profundo "eu" da pessoa,do inconsciente individual,coletivo e cósmico."
( Frases e Pensamentos de Clarice Lispector) Mensagem sobre Arte


Consciência Cósmica( GUIMARÃES ROSA )

Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força de dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me retasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...


CONSCIÊNCIA CÓSMICA( GUIMARÃES ROSA )

Já não é preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...
Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem de deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...
Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
E deveria rir, se me restasse o riso,
das tormentas que pouparam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo de meu corpo...


Mesmo que estude o Budismo se não perceber a natureza de sua própria vida, não pode-se afastar do sofrimento da vida e morte. Se procura o caminho fora de si mesmo e tenta praticar as mais variadas formas de exercícios e de bondade, isto é igual a um pobre que calcula dia e noite a fortuna do seu vizinho e não obtém um tostão sequer para si.
(Nitiren Daishonin)


Eu misturei tudo, eu lia livro, romance para mocinha, livro cor de rosa, misturado com Dostoievski, eu escolhia os livros pelos títulos e não por autores, porque eu não tinha conhecimento...fui ler aos 13 anos Herman Hesse, tomei um choque: O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora. (Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)


Divertir-se é viver,viver é divertido. Por isso não leio jornais. Eles não tem nada de divertido,apenas frutas estragadas por agrotóxicos,envenenadas por chumbo,mortas por desleixo. Frutas pisadas,esmagadas,colhidas fora de época,velhas demais. Frutas roubadas,escamotesdas,mercadejadas a preços ignóbeis. Frutas desperdiçadas.
( Frases e Pensamentos de Rui Magri) Mensagem sobre Vida


O tempo é sucessivo porque,tendo saído do eterno,quer voltar ao eterno. Quer dizer,a idéia de futuro corresponde a nosso desejo de voltar ao princípio. Deus criou o mundo. E todo o mundo,todo o universo das criaturas,quer voltar a este manancial eterno que é intemporal,não anterior nem posterior ao tempo,mas que está fora do tempo.
( Frases e Pensamentos de Jorge Luís Borges) Mensagem sobre Tempo


DESENCONTRÁRIOS( PAULO LEMINSKI )


Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.


O tempo é sucessivo porque,tendo saído do eterno,quer voltar ao eterno. Quer dizer,a idéia de futuro corresponde a nosso desejo de voltar ao princípio. Deus criou o mundo. E todo o mundo,todo o universo das criaturas,quer voltar a este manancial eterno que é intemporal,não anterior nem posterior ao tempo,mas que está fora do tempo.
( Frases e Pensamentos de Jorge Luís Borges) Mensagem sobre Tempo


O mundo estava no rosto da amada - ( RAINER MARIA RILKE )

O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.


Sem temer os obstáculos e maldades que surgem de dentro ou de fora, devemos atacá-los e combatê-los, e esta conquista irá fortalecer a nossa fé Com isso, poderemos ensinar e converter outras pessoas e receber benefícios maiores do que o necessário para erradicar os débitos do passadoDa mesma forma, como o veneno se transforma em remédio, podemos transformar a infelicidade em boa sorte como também evidenciar em nós mesmos a Lei que possibilita o acesso a suprema felicidade.
(Makiguti)


A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)


Sete bons homens de fino saber Criaram a xoxota, como pode se ver: Chegando na frente, veio um açougueiro Com faca afiada deu talho certeiro. Um bom marceneiro, com dedicação Fez furo no centro com malho e formão. Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno Forrou com veludo o lado interno. Um bom caçador, chegando na hora Forrou com raposa, a parte de fora. Em quinto chegou, sagaz pescador Esfregando um peixe, deu-lhe o odor. Em sexto, o bom padre da igreja daqui. Benzeu-a dizendo: É só pra xixi! Por fim o marujo, zarolho e perneta Chupou-a, fodeu-a e chamou-a Buceta(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


A mentalidade religiosa é totalmente oposta à científica, racional. É uma atitude que espera a resolução milagrosa dos problemas, não indo às causas para se acabar com eles. Leva à apatia, à fraqueza dos povos, já que tudo é resolvido fora da pessoa, pelos deuses. Não contando também com os milhares de fanáticos e dogmáticos cristãos que morrem e deixam morrer os seus filhos inocentes porque não aceitam tratamento médico. Aliás, eles estão totalmente dentro da lógica da religião, pois se tudo, incluso as doenças, foi criado por Deus, porquê tratar-se no hospital, contrariando a vontade e os desígnios do Senhor?
( Frases e Pensamentos deCassy Beski ) Mensagem sobre Religião


Mãe ( CORA CORALINA )

Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.


Coragem Ilusória ( ARISTÓTELES )

Há cinco espécies de coragem, assim denominadas segundo a semelhança:
suportam as mesmas coisas, mas não pelos mesmos motivos. Uma é a coragem
política: provém da vergonha; a segunda é própria dos soldados: nasce da
experiência e do facto de conhecer, não - como dizia Sócrates - os perigos, mas
os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experiência e da
ignorância, e por ela são induzidas as crianças e os loucos, estes quando
enfrentam a fúria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra espé
cie é a de quem tem esperança: graças a ela, arrostam os perigos aqueles que,
muitas vezes, tiveram sorte (...) e os ébrios; o vinho, de facto, excita a
confiança.
Outra ainda dimana da paixão irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se alguém está enamorado, é mais temerário que cobarde e enfrenta muitos
perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala
a lenda; o mesmo se passa com a cólera e com a ira. Pois a ira é capaz de nos pô
r fora de nós. Por isso, se afiguram também corajosos os javalis, embora não
sejam; quando fora de si, têm uma qualidade semelhante, de outro modo, são
inconstantes como os temerários. Todavia, a coragem que nasce da ira é a mais
natural: a ira é, efectivamente, algo de invencível, e é por isso que os jovens
lutam melhor. A coragem cívica, pelo contrário, brota da lei. Nenhuma destas esp
écies é, na realidade, coragem, mas todas são úteis para encorajar nas situações
de perigo.


O que se passa na cama(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)
É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.
Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima- O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.


Como a Vida Termina( CHARLES CHAPLIN )

A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o
verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer
primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar
um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o
bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe
bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma
responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa
seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?


"Se você é infeliz no amor, preste atenção no que está fazendo em sua vida. Identifique os papéis que tem assumido e reconheça que você não é nada daquilo. Descobrir como você é, do que gosta é a chave para obter felicidade.
Conhecer-se é fundamental. Saiba avaliar o que lhe dá prazer. Respeite seus sentimentos. Não tenha medo de ser o que é.
Se fizer isso, sentirá um calor agradável no peito, uma alegria gostosa, que tornará sua vida mais bonita e colocará mais sedução em seu sorriso.
Essa beleza da alma que se reflete nos sentimentos verdadeiros atrai, conquista, seduz. É o carisma. E se você jogar fora seu "sonho de amor", deixar acontecer naturalmente, gostar das pessoas como elas são, descobrirá de quanta beleza, dignidade, dedicação e amor elas são capazes. É só tentar." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


A vida do homem, vista de fora, é pequena em comparação com as forças da Natureza. O escravo é condenado a adorar o Tempo, o Destino e a Morte, porque são maiores que tudo que ele encontra em si mesmo, e porque todos seus pensamentos são de coisas que essas forças devoram. Mas por maiores que sejam, pensar muito nelas, sentir seu esplendor desapaixonado é maior ainda. E esse pensamento nor torna livres; não mais nos curvamos ante o inevitável segundo a forma oriental, mas o absorvemos, e o tornamos parte de nós mesmos. Abandonar a luta pela felicidade particular, expulsar toda a avidez de desejo passageiro, arder de paixão pelas coisas eternas - isto é a emancipação, e é a adoração do homem livre. E essa liberação é realizada pela contemplação do Destino; pois o próprio Destino é subjugado pela mente que nada deixa para ser purgado pelo fogo purificador do Tempo.
( Bertrand Russell )


Vida Ilusória ( HENRY DAVID THOREAU )

Ao mesmo tempo que a realidade é uma fábula, simulações e enganos são
considerados como as verdades mais sólidas. Se os homens se detivessem a
observar apenas as realidades, e não se permitissem ser enganados, a vida,
comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as
histórias das Mil e Uma Noites.
Se respeitássemos apenas o que é inevitável e tem direito a ser, a música e a
poesia ressoariam pelas ruas fora. Quando somos calmos e sábios, percebemos que
só as coisas grandes e dignas têm existência permanente e absoluta, que os
pequenos medos e os pequenos prazeres não passam de sombra da realidade, o que é
sempre estimulante e sublime. Por fecharem os olhos e dormirem, por consentirem
ser enganados pelas aparências, os homens em toda a parte estabelecem e confinam
as suas vidas diárias de rotina e hábito em cima de fundações puramente
ilusórias.


A INÊS (LORD BYRON)

Não me sorrias! Minha fronte é triste,
Cavou-lhe sulcos da desgraça a mão!
Teu riso ardente, que traduz amores,
Jamais soubera compensar-te, não!
Oh! roga aos astros que jamais o pranto
Te banhe o rosto, qual o meu, em vão!
Não queiras, virgem, soerguer o manto,
Que oculta em sombras minhas lentas dores;
Travo de angústia me envenena os dias
Na mocidade, na estação das flores.
Fôra baldado! Tu jamais puderas
Trocar meu pranto no sorrir de amores!
Não é a febre de um amor ardente,
Não é a lava de voraz paixão,
Não é o ódio a me abrasar o peito,
De honras perdidas o desejo vão,
Que faz-me agora maldizer afetos,
Passar meus dias na desolação.
O mar, as flores o vergel, o prado,
Tudo que vejo, como a vida, odeio;
Da dor o manto o coração me enluta,
Nem a beleza faz pulsar meu seio;
E dos teus olhos mesmos a luz fulgente
Não faz minh'alma palpitar de enleio!


Andei léguas de sombra(FERNANDO PESSOA)

Andei léguas de sombra
Dentro em meu pensamento.
Floresceu às avessas
Meu ócio com sem-nexo,
E apagaram-se as lâmpadas
Na alcova cambaleante.
Tudo prestes se volve
Um deserto macio
Visto pelo meu tato
Dos veludos da alcova,
Não pela minha vista.
Há um oásis no Incerto
E, como uma suspeita
De luz por não-há-frinchas,
Passa uma caravana.
Esquece-me de súbito
Como é o espaço, e o tempo
Em vez de horizontal
É vertical.
A alcova
Desce não se por onde
Até não me encontrar.
Ascende um leve fumo
Das minhas sensações.
Deixo de me incluir
Dentro de mim. Não há
Cá-dentro nem lá-fora.
E o deserto está agora
Virado para baixo.
A noção de mover-me
Esqueceu-se do meu nome.
Na alma meu corpo pesa-me.
Sinto-me um reposteiro
Pendurado na sala
Onde jaz alguém morto.
Qualquer coisa caiu
E tiniu no infinito.


Estâncias para Música (LORD BYRON)

Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.
Quando, do pensamento de antes, a paixão expira
Na triste decadência do sentir;
Não é na jovem face apenas o rubor
Que esmaia rápido, porém do pensamento a flor
Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.
Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
Praia que nunca atingirão os panos lacerados.
Então, frio mortal da alma, como a noite desce;
Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;
toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;
Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.
Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,
Na meia-noite já sem esperança de repouso:
É como na hera em torno de uma torre já arruinada,
Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.
Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,
Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;
Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:
No ermo da vida assim seria para mim o pranto.


Eros e Psique (FERNANDO PESSOA)

...E assim vêdes, meu Irmão, que as verdades
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


O Sábio Face à Vida ( EPICURO )

Existe acaso alguém a quem possas colocar acima do sábio? O sábio tem, sobre os
deuses, opiniões piedosas. Não teme a morte em momento nenhum, considera-a o fim
normal da natureza, julga que o termo dos bens é fácil de atingir e de possuir,
sabe que os males têm uma duração e uma gravidade limitadas; sabe o que é mister
pensar da fatalidade, da qual se constuma fazer uma ama despótica. Sabe que os
acontecimentos nascem, uns da fortuna, outros de nós próprios, porque a
fatalidade é cega e a fortuna inconstante; que o que vem de nós não está
submisso a nenhuma tirania, sujeito a reproche e a elogio.
Com efeito, melhor fora acreditar nas narrativas mitológicas sobre os deuses que
tornar-se escravo da fatalidade dos físicos. A mitologia consente a esperança de
que, honrando os deuses, poderemos dispô-los a nosso favor, enquanto a
fatalidade é inexorável. O sábio não crê, como o vulgo, que a fortuna seja uma
divindade, pois um deus não pode agir de maneira desordenada. Nem é, para ele,
uma causa, dada a sua instabilidade. Não a admite como causa do bem e do mal, ou
da vida feliz; não obstante, sabe que pode trazer grandes bens ou grandes males.
Julga que vale mais fazer bons cálculos, mesmo aventurosos, do que ter sorte,
com maus cálculos. O que importa é ter êxito nas empresas sabiamente meditadas.


A Arte e a Filosofia ( ALBERT CAMUS )

Nunca será de mais insistir no carácter arbitrário da antiga oposição entre
arte e a filosofia. Se quisermos interpretá-la num sentido muito preciso, é
certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas
disciplinas têm, cada uma delas, o seu clima particular, isso é verdade sem
dúvida, mas muito vago. A única argumentação aceitável residia na contradição
levantada entre o filósofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado
diante da sua obra. Mas isto era válido para uma certa forma de arte e de
filosofia, que aqui consideramos secundária. A ideia de uma arte separada do seu
criador não está somente fora de moda. É falsa. Por oposição ao artista,
dizem-nos que nunca nenhum filósofo fez vários sistemas.
Mas isto é verdade, na própria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais
de uma só coisa sob rostos diferentes. A perfeição instantânea da arte, a
necessidade da sua renovação, só é verdade por preconceito. Porque a obra de
arte também é uma construção, e todos sabem como os grandes criadores podem ser
monótonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa
osmose levanta o mais importante dos problemas estéticos. Além disso, nada é
mais vão que essas distinções, segundo os métodos e os objectos, para quem se
persuade da unidade de finalidade do espírito. Não há fronteiras entre as
disciplinas que o homem se propõe, para compreender e amar. Interpenetram-se e
confunde-as a mesma angustia.


Não Amar nem Odiar ( ARTHUR SCHOPENHAUER )

Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem
e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu
valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e
atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do carácter.
Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro
custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos
a proteger-nos da confiabilidade e da amizade tolas.
«Não amar, nem odiar», eis uma sentença que contém a metade da prudência do
mundo; «nada dizer e em nada acreditar» contém a outra metade. Decerto, daremos
de bom grado as costas a um mundo que torna necessárias regras como estas e como
as seguintes.
Mostrar cólera e ódio nas palavras ou no semblante é inútil, perigoso,
imprudente, ridículo e comum. Nunca se deve revelar cólera ou ódio a não ser por
actos; e estes podem ser praticados tanto mais perfeitamente quanto mais
perfeitamente tivermos evitado os primeiros. Apenas animais de sangue frio são
venenosos.
Falar sem elevar a voz: essa antiga regra das gentes do mundo tem por alvo
deixar ao entendimento dos outros a tarefa de descobrir o que dissemos. Ora, tal
entendimento é vagaroso, e, antes que termine, já nos fomos. Por outro lado,
falar sem elevar a voz significa falar aos sentimentos, e então tudo se inverte.
Com maneiras polidas e tom amigável, pode-se falar grandes asneiras a muitas
pessoas sem perigo imediato.


ORAÇÃO DO POBRE (MADRE TERESA DE CALCUTÁ)

Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho
em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam. Não
há nada na tua vida que não tenha importância para mim.
Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas,
as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que
pudesses partilhar a minha força e a minha vitória.
Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor.Nunca duvides da minha
misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver
a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito.
Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa. Não há ninguém que
me interesse mais no mundo do que tu. Confia em mim. Pede-me todos os dias que
entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei.
A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto.Tudo
o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te
prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando
caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a
alegria de ser o teu Salvador.

Não há nada que eu não possa perdoar.
Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te
esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida. Tu já
experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não
experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes?


Eutanásia (LORD BYRON)

Quando o tempo me houver trazido esse momento,
Do dormir, sem sonhar que, extremo, nos invade,
Em meu leito de morte ondule, Esquecimento,
De teu sutil adejo a langue suavidade!
Não quero ver ninguém ao pé de mim carpindo,
Herdeiros, espreitando o meu supremo anseio;
Mulher, que, por decoro, a coma desparzindo,
Sinta ou finja que a dor lhe estará rasgando o seio.
Desejo ir em silêncio ao fúnebre jazigo,
Sem luto oficial, sem préstito faustoso.
Receio a placidez quebrar de um peito amigo,
Ou furtar-lhe, sequer, um breve espaço ao gozo.
Só amor logrará (se nobre à dor se esquive,
E consiga, no lance, inúteis ais calar),
No que se vai finar, na que lhe sobrevive,
Pela vez derradeira, o seu poder mostrar.
Feliz se essas feições, gentis, sempre serenas,
Contemplasse, até vir a triste despedida!
Esquecendo, talvez, as infligidas penas,
Pudera a própria Dor sorrir-te, alma querida.
Ah! Se o alento vital se nos afrouxa, inerte,
A mulher para nós contrai o coração!
Iludem-nos na vida as lágrimas, que verte,
E agravam ao que expira a mágoa e enervação.
Praz-me que a sós me fira o golpe inevitável,
Sem que me siga adeus, ou ai desolador.
Muita vida há ceifado a morte inexorável
Com fugaz sofrimento, ou sem nenhuma dor.
Morrer! Alhures ir... Aonde? Ao paradeiro
Para o qual tudo foi e onde tudo irá ter!
Ser, outra vez, o nada; o que já fui, primeiro
Que abrolhasse à existência e ao vivo padecer!...
Contadas do viver as horas de ventura
E as que, isentas da dor, do mundo hajam corrido,
Em qualquer condição, a humana criatura
Dirá: "Melhor me fora o nunca haver nascido!"


Sou Eu(FERNANDO PESSOA)

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...


CÂNTICO dos cânticos VIII( Salomão )

AH! quem me dera que foras como meu irmão, que mamou aos seios de minha
mãe! Quando te encontrasse lá fora, beijar-te-ia, e não me desprezariam!
Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te
daria a beber do vinho aromático e do mosto das minhas romãs.
A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abrace.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis nem desperteis o meu amor,
até que queira.
Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada ao seu amado? Debaixo da
macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela
que te deu à luz.
Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor
é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas
de fogo, com veementes labaredas.
As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que algu
ém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.
Temos uma irmã pequena, que ainda não tem seios; que faremos a esta nossa irmã,
no dia em que dela se falar?
Se ela for um muro, edificaremos sobre ela um palácio de prata; e, se ela for
uma porta, cercá-la-emos com tábuas de cedro.
Eu sou um muro, e os meus seios são como as suas torres; então eu era aos seus
olhos como aquela que acha paz.
Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; entregou-a a uns guardas; e cada um lhe
trazia pelo seu fruto mil peças de prata.
A minha vinha, que me pertence, está diante de mim; as mil peças de prata são
para ti, ó Salomão, e duzentas para os que guardam o seu fruto.
Ó tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua
voz; faze-me, pois, também ouvi-la.
Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados
sobre os montes dos aromas.


A Boa Vontade ( IMMANUEL KANT )

De todas as coisas que podemos conceber neste mundo ou mesmo, de uma maneira
geral, fora dele, não há nenhuma que possa ser considerada como boa sem
restrição, salvo uma boa vontade. O entendimento, o espírito, o juízo e os
outros talentos do espírito, seja qual for o nome que lhes dermos, a coragem, a
decisão, a perseverança nos propósitos, como qualidades do temperamento, são,
indubitávelmente, sob muitos aspectos, coisas boas e desejáveis; contudo, também
podem chegar a ser extrordináriamente más e daninhas se a vontade que há-de usar
destes bens naturais, e cuja constituição se chama por isso carácter, não é uma
boa vontade. O mesmo se pode dizer dos dons da fortuna. O poder, a riqueza, a
consideração, a própria saúde e tudo o que constitui o bem-estar e contentamento
com a própria sorte, numa palavra, tudo o que se denomina felicidade, geram uma
confiança que muitas vezes se torna arrogância, se não existir uma boa vontade
que modere a influência que a felicidade pode exercer sobre a sensibilidade e
que corrija o princípio da nossa actividade, tornando-o útil ao bem geral;
acrescentemos que num espectador imparcial e dotado de razão, testemunha da
felicidade ininterrupta de uma pessoa que não ostente o menor traço de uma
vontade pura e boa, nunca encontrará nesse espectáculo uma satisfação
verdadeira, de tal modo a boa vontade parece ser a condição indispensável sem a
qual não somos dignos de ser felizes.
(...) A boa vontade não é boa pelo que produz e realiza, nem por facilitar o
alcance de um fim que nos proponhamos, mas apenas pelo querer mesmo; isto quer
dizer que ela é boa em si e que, considerada em si mesma, deve ser tida em preço
infinitamente mais elevado que tudo quanto possa realizar-se por seu intermédio
em proveito de alguma inclinação, ou mesmo, se se quiser, do conjunto de todas
as inclinações.


Poema em Linha Reta (FERNANDO PESSOA)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Os Moralistas (LUIS FERNANDO VERÍSSIMO)

- Você pensou bem no que vai fazer, Paulo?
- Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás.
- Olhe lá, hein, rapaz...
Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que
souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A
solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em
dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher.
- Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas...
- Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano!
- Dê outra chance ao seu casamento, Paulo.
- A Margarida é uma ótima mulher.
- Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de freqüentar nossa casa por causa da
Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo.
- E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos.
- Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá.
- Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio!
- É. Mas quando acontece com um amigo...
- Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa
importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício.
- Pense nas crianças, Paulo. No trauma.
- Mas nós não temos filhos!
- Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo.
- Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje,
o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada.
- Como, não muda nada?
- Muda tudo!
- Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo.
- Muda o quê?
- Bom, pra começar, você não vai poder mais freqüentar as nossas casas.
- As mulheres não vão tolerar.
- Você se transformará num pária social, Paulo.
- O quê?!
- Fora de brincadeira. Um reprobo.
- Puxa. Eu nunca pensei que vocês...
- Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo.
- Deixe pra decidir depois. Passado o verão.
- Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde.
- Está bem. Se vocês insistem...
Na saída, os três amigos conversam:
- Será que ele se convenceu?
- Acho que sim. Pelo menos vai adiar.
- E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol.
- Também, a idéia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora.
Quando não dava mais para arranjar substituto.
- Os casados nunca terão um goleiro como ele.
- Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio.
- Vai agüentar a Margarida pelo resto da vida.
- Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve.
- Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros?
- Podia.
- Impensável.
- É.
- Outra coisa.
- O quê?
- Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e".
- Mas funcionou, não funcionou?


Vestida de Preto Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou
contar é conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado
sempre. Depois do amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os
cinco mais ou menos, logo o meu amor se dirigiu para uma espécie de prima
longínqua que freqüentava a nossa casa. Como se vê, jamais sofri do complexo de
Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe e eu fomos muito bons amigos, sem
nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu
nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se
acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as
palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme
e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo
a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos
primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas
sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia
Velha, era fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias
e estragos. Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já
avançada para ele. Mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma
que casávamos rápido, só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que
dantes nos interessavam tanto, e cada par fugia logo, indo viver no seu quarto.
Os melhores interesses infantis do brinquedo, fazer comidinha, amamentar
bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade apressada para os
menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que os outros
faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas
sem tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo
iminente que ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e
assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não
lembro mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e
armários cheios de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se
lembrasse de tocar naqueles doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer
roubo! estávamos longe disso. O que nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre
uma cesta de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu
também estava longe de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos
os meus instintos na existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como
um danado dentro de mim e virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia
naqueles tempos cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali,
no travesseiro.
- Já é tarde, vamos dormir - Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o
travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria,
essa estava simples demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite:
olhou em torno e afinal, vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma
toalha de banho muito quentinha que estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro
no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas da janela sobre a tarde, e depois
deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela
deixou pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser
grande. Mas imaginem numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de
Maria, citação obrigatória e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por
causa duma neta preferida que ela imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos
cabelos de Maria.
- Você não vem dormir também? - ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
- Já vou - que eu disse - estou conferindo a conta do armazém.
Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado
em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente
assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia
espirrar, marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito
ridículo, havia de ser um espirrão enorme, os outros escutavam lá da
sala-de-visita longínqua, e daí é que o nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas
juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada,
ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles
cabelos, que maravilha! até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então
fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram
lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o
pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimô
nia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só
recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir
que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve.
Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a
perfeição fixa a gente. O beijo me deixara completamente puro, sem minhas
curiosidades nem desejos de mais nada, adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera
em meu cérebro uma enorme luz branca, meu ombro bem que doía no chão, mas a luz
era violentamente branca, proibindo pensar, imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto
barulhento. Percebi muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era
completamente feio.
- Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
- Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha - eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta,
sem método - pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar
que só alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante,
eu estava só pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos
antes era real.
- Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os
pratos que ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha,
uma indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza
viva, quase antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante
de todos, fiquei zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei
definitivo. Eu estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de
revoltas íntimas, detestava estudar. Só no desenho e nas composições de
português tirava as melhores notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero
em todas as outras. E todos os anos era aquela já esperada fatalidade: uma, duas
bombas (principalmente em matemáticas) que eu tomava apenas o cuidado de apagar
nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente
agora. Mas tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava
de mim!... Minha mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava
a imaginar que era só por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável,
incapaz de uma carícia. Como incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo,
a tara da família, ele jamais ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é
que, decidido em minha desesperada revolta contra o mundo que me rodeava,
sentindo um orgulho de mim que jamais buscava esclarecer, tão absurdo o
pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por um caso perdido,
que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular,
quando enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante
encabulado, todos em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando,
lembrando a bomba, me achincalhando em minha imperfeição de caso perdido.
Esbocei um gesto falsamente alegre de bom-dia, e fui no escritório pegado,
esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia já voltar para o meio de
todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que Tia Velha perdia
com suas preferências:
- Passou seu namorado, Maria.
- Não caso com bombeado - ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma.
Maria não gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal
podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte.
Nós seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até
viajava na Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem
indecente, se opondo ao casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas
ótimo. Houvera um rompimento de amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso
virara escândalo mastigado e remastigado nos comentários de hora de jantar. Tudo
por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela
não havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria.
"Não caso com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os
junto ao rosto, pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca
sem desgosto. Naquele instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que
eu dava em Maria, último beijo, beijo de despedida, que o cheiro desagradável do
papelão confirmou. Estava tudo acabado entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava
com uma raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia
que já não tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto
partira dela, fora por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza,
só vazio, não sei... creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada,
ajoelhar ali junto da escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu
era um perdido mesmo, Maria tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados.
Acho que até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem:
Pus tal firmeza em não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De
resto a mocidade raiava e eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se
passou em mim. Sem abandonar o meu jeito de "perdido", o cultivando mesmo,
ginásio acabado, eu principiara gostando de estudar. Me batera, súbito, aquela
vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo. Era mesmo uma impaciência
raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma orientação. Mas brilhava,
fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes, tinha idéias que
assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos
vinte anos fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e
se desfez de repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata
riquíssimo, casar em duas semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e
partir em busca duma embaixada européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe,
eu me recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e
devorar numa tarde um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia
Rose pra de-noite, e uma linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me
chamavam de "jardineiro", e eu punha na coincidência daqueles duas flores uma
força de destinação fatalizada. Tamanha mesmo que topando numa livraria com The
Gardener de Tagore, comprei o livro e comecei estudando o inglês com loucura.
Mário de Andrade conta num dos seus livros que estudou o alemão por causa dum
emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar
pela primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência,
conversando com mamãe na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda
desabrida:
- Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe
de nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de
canhão. Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se
atordoando com dinheiro e brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que
principiava sendo alguém, estudando por mim fora dos ginásios, vibrando em
versos que muita gente já considerava. E percebi horrorizado, que Rose! nem
Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é que amara sempre,
como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira, desgraçadíssimo,
aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me
imaginar feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria,
era exclusivamente Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em
mim... E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam
falando muito de Maria? Contavam que pintava o sete, ficara célebre com as
extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes às portas do divórcio, com um
caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que só pintava efeitos de
luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão, Maria pintada
nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao
menos me salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se
ela estava se transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era
apenas uma projeção dela, como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos
trocáramos por um estúpido engano de amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim,
mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a ela de novo. Foi a razão da briga
com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite - bebedeira tamanha que acabei
ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico, escândalo, e choro
largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo
depois de jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais.
Cheguei na casa dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de
gente ricaça, criado que leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam
ainda jantando. Me introduziram na saletinha da esquerda, uma espécie de
luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por inteiro, dando pro hol central. Que
fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na
saleta, virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de
preto. Olhem: eu sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive
a sensação da vontade de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida,
fantasticamente mulher. Meu corpo soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
- Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela
estava se entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu
queria, naquele se deixar olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do
corpo, toda vestida de preto. Um segundo, me passou na visão devorá-la numa hora
estilhaçada de quarto de hotel, foi horrível. Porém, não havia dúvida: Maria
despertava em mim os instintos da perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito
indiferente, e as vozes amontoadas vinham do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham,
cuidam de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas
Europas, divorciada afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado
em feiras internacionais. Um aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria...
bom: acho que vou falar banalidade.


O gigante egoísta(OSCAR WILDE)

Todas as tardes, ao regressar da escola, costumavam as crianças ir brincar no
jardim do Gigante.
Era um jardim amplo e belo, com um macio e verde gramado. Aqui e ali, por sobre
a relva erguiam-se lindas flores como estrelas e havia doze pessegueiros que na
primavera floresciam em delicados botões cor-de-rosa e pérola, e no outono davam
saborosos frutos. Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão suavemente que
as crianças costumavam parar seus brinquedos, a fim de ouvi-los. - Como somos
felizes aqui!-, gritavam uns para os outros.
Um dia o Gigante voltou. Tinha ido visitar seu amigo o Ogre de Cornualha e ali
vivera com ele durante sete anos. Passados os sete anos, dissera tudo quanto
tinha a dizer, pois sua conversa era limitada, e decidiu voltar para seu
castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.
- Que estão vocês fazendo aqui? - gritou ele, com voz bastante ríspida e as
crianças puseram-se em fuga.
- Meu jardim é meu jardim - disse o Gigante -. Todos devem entender isto e não
consentirei que nenhuma outra pessoa, senão eu, brinque nele.
Construiu um alto muro cercando-o e pôs nele um cartaz:
É PROIBIDA A ENTRADAOS TRANSGRESSORES SERÃO PROCESSADOS
Era um Gigante muito egoísta.
As pobres crianças não tinham agora lugar onde brincar. Tentaram brincar na
estrada, mas a estrada tinha muita poeira e estava cheia de pedras duras, e isto
não lhes agradou. Tomaram o costume de vaguear, terminadas as lições, em redor
dos altos muros, conversando a respeito do belo jardim por eles cercados. - Como
éramos felizes ali!- diziam uns aos outros.
Depois chegou a primavera e por todo o país havia passarinhos e florinhas.
Somente no jardim do Gigante Egoísta reinava ainda o inverno. Os pássaros, uma
vez que não havia meninos, não cuidavam de cantar nele e as árvores esqueciam-se
de florescer. Somente uma bela flor apontou a cabeça dentre a relva, mas quando
viu o cartaz, ficou tão triste por causa das crianças que se deixou cair de novo
no chão, voltando a dormir. Os únicos que se alegraram foram a Neve e a Geada.
- A primavera esqueceu-se deste jardim - exclamaram -. de modo que viveremos
aqui durante o ano inteiro.
A Neve cobriu a relva com seu grande manto branco e o Gelo pintou todas as
árvores de prata. Então convidaram o Vento Norte para ficar com eles e o vento
veio. Estava envolto em peles e bramava o dia inteiro no jardim, derrubando
chaminés.
- Este lugar é delicioso - dizia ele -. Devemos convidar o Granizo a fazer-nos
uma visita.
De modo que o Granizo veio. Todos os dias, durante três horas, rufava no telhado
do castelo, até que quebrou a maior parte das ardósias, e depois punha-se a dar
voltas loucas no jardim, o mais depressa que podia. Trajava de cinzento e seu
hálito era frio como gelo.
- Não posso compreender por que a Primavera está demorando tanto a chegar -
disse o Gigante Egoísta, ao sentar-se à janela e olhar para fora, para seu
jardim frio e branco -. Espero que haja uma mudança de tempo.
Mas a Primavera nunca chegou, nem tampouco o Verão. O Outono deu frutos áureos a
todos os jardins, mas ao jardim do Gigante não deu nenhum.
- É demasiado egoísta - disse ele.
De modo que havia sempre Inverno ali e o Vento Norte, e o Granizo, e a Geada e a
Neve dançavam por entre as árvores.
Uma manhã jazia o Gigante acordado em sua casa, quando ouviu uma música
deliciosa. Soava tão docemente a seus ouvidos que pensou que deviam ser os
músicos do Rei que iam passando. Era na realidade apenas um pequeno pintarroxo
que cantava do lado de fora de sua janela, mas já fazia tanto tempo que não
ouvia ele um pássaro cantar em seu jardim que lhe pareceu aquela a mais bela
música do mundo. Então o Granizo parou de bailar por cima da cabeça dele, o
Vento Norte cessou seu rugido e delicioso perfume chegou até ele pela janela
aberta.
- Creio que chegou por fim a Primavera - disse o Gigante, saltando da cama e
olhando para fora.
Que viu ele?
Viu um espetáculo maravilhoso. Por um buraco feito no muro, as crianças
tinham-se introduzido no jardim, encarapitando-se nas árvores. Em todas as
árvores que conseguia ver achava-se uma criancinha. E as árvores sentiam-se tão
contentes por ver as crianças de volta que se haviam coberto de botões e
agitavam seus galhos gentilmente por cima das cabeças das crianças. Os pássaros
revoluteavam e chilreavam, com deleite, e as flores riam, apontando as cabeças
por entre a relva. Era um belo quadro. Apenas em um canto ainda havia inverno.
Era o canto mais afastado do jardim e nele se encontrava um menininho. Era tão
pequeno que não podia alcançar os galhos da árvore e vagava em redor, chorando
amargamente. A pobre árvore estava ainda coberta de geada e neve e o Vento Norte
soprava e rugia por cima dela.
- Sobe, menino! - dizia a Árvore, inclinando seus ramos o mais baixo que podia.
Mas o menino era demasiado pequenino.
E ao contemplar o Gigante aquela cena seu coração enterneceu-se.
- Como tenho sido egoísta - disse. Agora estou sabendo por que a Primavera não
vinha cá. Vou colocar aquele pobre menininho no alto da árvore e depois
derrubarei o muro e meu jardim será para todo o sempre o lugar de brinquedo para
os meninos.
Sentia-se deveras muito triste pelo que tinha feito.
De modo que desceu as escadas e abriu a porta de entrada bem devagarinho, saindo
para o jardim. Mas quando as crianças o viram, ficaram tão atemorizadas que
saíram todas a correr e o jardim voltou a ser como no inverno. Somente o
menininho não correu, pois seus olhos estavam tão cheios de lágrimas que não
viram o Gigante chegar. E o Gigante deslizou por trás dele, apanhou-o
delicadamente com a mão e colocou-o no alto da árvore. E a árvore imediatamente
abriu-se em flor e os pássaros chegaram e cantaram nela pousados e o menininho
estendeu seus dois braços, cercou com eles o pescoço do Gigante e beijou-o. E as
outras crianças, quando viram que o Gigante já não era mau, voltaram correndo e
com eles veio também a Primavera.
- O jardim agora é de vocês, criancinhas - disse o Gigante, que pegou um grande
machado e derrubou o muro. E quando as pessoas iam passando para a feira ao
meio-dia, encontraram o Gigante a brincar com as crianças no mais belo jardim
que jamais haviam visto.
Brincaram o dia inteiro e à noitinha dirigiram-se ao Gigante para despedir-se.
- Mas onde está o companheirinho de vocês? - perguntou -. O menino que eu pus na
árvore?
O Gigante gostava mais dele porque o havia beijado.
- Não sabemos - responderam as crianças -. Foi-se embora.
- Devem dizer-lhe que não deixe de vir amanhã - disse o Gigante. Mas as crianças
responderam-lhe que não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes. E o
Gigante sentiu-se muito triste.
Todas as tardes, quando as aulas terminavam, as crianças chegavam para brincar
com o Gigante. Mas o menininho de quem o Gigante gostava nunca mais foi visto de
novo. O Gigante mostrava-se muito bondoso para com todas as crianças, contudo
tinha saudades do seu primeiro amiguinho e muitas vezes a ele se referia.
- Como gostaria de vê-lo! - costumava dizer.
Os anos se passaram e o Gigante foi ficando muito velho e fraco. Não podia mais
tomar parte nos brinquedos, de modo que se sentava numa grande cadeira de braços
e contemplava o brinquedo das crianças e admirava seu jardim.
- Tenho belas flores em quantidade - dizia ele , mas as crianças são as mais
belas flores de todas.
Numa manhã de inverno, olhou de sua janela, enquanto se vestia. Não odiava o
Inverno agora, pois sabia que era apenas a Primavera adormecida e que as flores
estavam descansando.
De repente, esfregou os olhos, maravilhado, e olhou e tornou a olhar. Era
realmente uma visão maravilhosa. No canto mais afastado do jardim via-se uma
arvore toda coberta de alvas e belas flores. Seus ramos eram cor de ouro e
frutos prateados pendiam deles e por baixo estava o menininho que ele amara.
O Gigante desceu as escadas a correr, com grande alegria, e saiu para o jardim.
Atravessou correndo o gramado e aproximou-se da criança. E quando chegou bem
perto dela, seu rosto ficou vermelho de cólera e perguntou.
- Quem ousou ferir-te?
Pois nas palmas das mãos da criança viam-se as marcas de dois cravos e as marcas
de dois cravos nos pequeninos pés.
- Quem ousou ferir-te? - gritou o Gigante -. Dize-me, para que eu possa tirar
minha grande espada e matá-lo.
- Não - respondeu o menino -. São estas as feridas do Amor.
- Quem és? - perguntou o Gigante, sentindo-se tomado dum grande respeito e
ajoelhando-se diante do menininho.
E o menino sorriu para o Gigante e disse:
- Tu me deixaste brincar uma vez em teu jardim, hoje virás comigo para o meu
jardim, que é o Paraíso.
E quando as crianças chegaram correndo naquela tarde, encontraram o Gigante
morto sob a árvore toda coberta de alvas flores.



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