Frases e Pensamentos de feliz

Frases de feliz,Mensagens de feliz,Pensamentos de feliz, Reflexões sobre feliz, Citações de feliz,Poemas,Poesias

FELIZ

171 resultados encontrados

Não há arauto mais perfeito da alegria do que o silêncio. Eu sentir-me-ia muito pouco feliz se me fosse possível dizer a que ponto o sou.
(Frases e Pensamentos de William Shakespeare)


Feliz quem seus prazeres e cuidados a alguns hectares paternos limita,contente em respirar o ar nativo em sua própria terra.
( Frases e Pensamentos de Pope) Mensagem sobre Prazer


P. Por que uma loira fica feliz ao montar um quebra-cabeça em dois anos? R. Porque na caixa dizia: de 8 a 80 anos
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Loiras


O amor não é verbal, não exige correspondência nem precisa de expressão; mas exulta quando fala, alegra-se quando é correspondido, é feliz quando se expressa.
( Frases e Pensamentos de Amor)


"Meu conselho é que se case; se você arrumar uma boa esposa,será feliz; se arrumar uma esposa ruim,se tornará um filósofo."
( Frases e Pensamentos de Sócrates) Mensagem sobre Casamento


Uma pessoa pode ter uma infância triste e mesmo assim chegar a ser muito feliz na maturidade. Da mesma forma, pode nascer num berço de ouro e sentir-se enjaulada pelo resto da vida.
( CHARLES CHAPLIN )


O amor só vive pelo sofrimento e cessa com a felicidade; porque o amor feliz é a perfeição dos mais belos sonhos, e tudo que é perfeito, ou aperfeiçoado, toca o seu fim(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


O dinheiro não nos traz necessariamente a felicidade. Uma pessoa que tem dez milhões de dólares não é mais feliz do que a que tem só nove milhões.
( Frases e Pensamentos de H.Brown) Mensagem sobre Dinheiro


Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Uma ideia fugidia de que é amado, de que são vás as suspeitas que o atormentam, transforma em luz de amor a treva densa do ciúme - por instantes o ciumento repousa, chega a ser feliz.
( Frases e Pensamentos de Ciúme)


Haverá no mundo espetáculo mais comovente e respeitável que o de uma mãe cercada de seus filhos, dirigindo os trabalhos dos seus criados, buscando para o marido uma vida mais feliz e governando habilmente a casa?
( ROUSSEAU )


Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente feliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional.
( Frases e Pensamentos de Agatha Christie )


"A melhor maneira de servir a Deus é indo ao encontro de seus próprios sonhos. Só quem é feliz pode espalhar felicidade." - Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Magia


Não que seja contra, mas parece que silicone está sendo vendido em bacia na feira, você chega lá e compra a baciada! Tenho nervoso disso. Eu sou despeitada feliz! Não que eu não vá pôr um dia. Se cair...
( Frases e Pensamentos de Adriane Galisteu )


Meu conselho para quem quer ter uma criança sadia e feliz é mantê-la o mais longe possível de uma igreja. Crianças são ingênuas e confiam em todo mundo. Escola já é ruim mas se levá-la para a igreja, então está querendo mesmo problemas.
( Frank Zappa )


A humanidade transformou-se em uma grande família, tanto que não podemos garantir a nossa própria prosperidade se não garantirmos a prosperidade de todos. Se você quer ser feliz, precisa resignar-se a ver os outros também felizes.
( Bertrand Russell )


Mesmo quando não devo seguir o caminho reto porque é reto, opto por segui-lo porque descobri por experiência própria que, quando tudo é dito e feito, em geral, em geral é o caminho mais feliz e mais útil.
( Michel Eyquem de Montaigne ) Mensagem sobre Filosofia


A humanidade transformou-se em uma grande família, tanto que não podemos garantir a nossa própria prosperidade se não garantirmos a prosperidade de todos. Se você quer ser feliz, precisa resignar-se a ver os outros também felizes.
( Bertrand Russel ) Mensagem sobre Filosofia


Feliz aquele que vence o egoísmo, alcança a paz, encontra a verdade A verdade liberta-nos do mal; não há no mundo libertador igualConfia na verdade, mesmo que não sejais capazes de compreendê-la, mesmo que no começo vos pareça amarga a sua doçura.
(Buddha Sidharta Gautama / Buda Sakyamuni / Sidarta)


Que esta minha paz e este meu amado silêncio Não iludam a ninguém Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios Acho-me relativamente feliz Porque nada de exterior me acontece... Mas, Em mim, na minha alma, Pressinto que vou ter um terremoto(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


"Se você que ser feliz, mande embora seu "severo juiz", ouça seu coração. Valorize o que sente e seja uma pessoa verdadeira. Assuma seus sentimentos. Só diga sim depois de sentir o que realmente quer. Não tenha receio de dizer não. Deixe de contar seus problemas aos outros e perguntar o que deve fazer. Confie em seus critérios. Você pode! Experimente." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


SORRI( CHARLES CHAPLIN )

Sorri quando a dor te torturar, e a saudade atormentar os teus dias tristonhos
vazios.
Sorri quando tudo terminar. Quando nada mais restar do teu sonho encantador.
Sorri quando o sol perder a luz, e sentires uma cruz nos teus ombros cansados,
doloridos.
Sorri vai mentindo a sua dor, e ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que
és feliz


Não há Felicidade Solitária( J. J. ROUSSEAU )

É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas mi­sérias comuns que
levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos
nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se
cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a
eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil fe­licidade. Um
ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade
absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser
imperfeito se pudesse bastar a si mes­mo, de que desfrutaria ele, na nossa
opinião? Estaria só, seria mi­serável. Não posso acreditar que aquele que não
precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama
na­da se possa sentir feliz.


A idade de ser feliz.: Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


Sou o que quero ser...(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)

Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela
só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce
dificuldades para fazê-la forte,
Tristeza para fazê-la humana e
esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos


No mundo sempre existirão pessoas que vão me amar pelo que sou,outras que vão me odiar pelo que sou e outras,ainda,que oras vão me amar oras vão me odiar pelo que sou. Sabendo disso,vivo livre. Falo o que penso,faço o que tenho vontade,mudo de opinião ao bel prazer. O importante é agradar a mim! Eu tenho de estar feliz comigo e para isso não posso fazer nada pensando em agradar outra pessoa senão eu mesma.
( Frases e Pensamentos de Claudia Giovanni) Mensagem sobre Autoconhecimento


No mundo sempre existirão pessoas que vão me amar pelo que sou,outras que vão me odiar pelo que sou e outras,ainda,que oras vão me amar oras vão me odiar pelo que sou. Sabendo disso,vivo livre. Falo o que penso,faço o que tenho vontade,mudo de opinião ao bel prazer. O importante é agradar a mim! Eu tenho de estar feliz comigo e para isso não posso fazer nada pensando em agradar outra pessoa senão eu mesma.
( Frases e Pensamentos de Claudia Giovanni) Mensagem sobre Auto-Conhecimento


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama - ou acha que ama - e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


As sem razões do amor (FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Filosofar é Preciso ( EPICURO )

Na juventude, não devemos hesitar em filosofar; na velhice, não devemos deixar
de filosofar. Nunca é cedo nem tarde demais para cuidar da própria alma. Quem
diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz
que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos
sempre filosofar; no último caso, para rejuvenescermos ao contacto do bem, pela
lembrança dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, tão
firmes quanto um ancião diante do futuro. É mister, pois, estudar os meios de
adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a não temos, fazemos
tudo por adquiri-la.


Folhas de rosa ( FLORBELA ESPANCA )

Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m'embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...


DEPENDE DE MIM( CHARLES CHAPLIN )

Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque
meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar
porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar
triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas
finanças, evitando o desperdício. Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças
por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que
eu queria ou posso ser grato por ter nascido. Posso reclamar por ter que ir
trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com o trabalho domé
stico ou agradecer a Deus. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar
com a possibilidade de fazer novas amizades. Se as coisas não saíram como
planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha
frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode
dar forma. Tudo depende só de mim.


Felicidade e Prazer ( EPICURO )

Devemos estudar os meios de alcançar a felicidade, pois, quando a temos,
possuímos tudo e, quando não a temos, fazemos tudo por alcançá-la. Respeita,
portanto, e aplica os princípios que continuadamente te inculquei,
convencendo-te de que eles são os elementos necessários para bem viver. Pensa
primeiro que o deus é um ser imortal e feliz, como o indica a noção comum de
divindade, e não lhe atribuas jamais carácter algum oposto à sua imortalidade e
à sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada é, pois
o bem e o mal só existem na sensação. De onde se segue que um conhecimento
exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal,
poupando-nos o acréscimo de uma ideia de duração eterna e a pena da
imortalidade. Porque não teme a vida quem compreende que não há nada de temível
no facto de se não viver mais. É, portanto, tolo quem declara ter medo da morte,
não porque seja temível quando chega, mas porque é temível esperar por ela.
É tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que não
faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males, a
morte, nada significa para nós, pois enquanto vivemos a morte não existe. E
quando a morte veio, já não existimos nós. A morte não existe, portanto, nem
para os vivos nem para os mortos, pois para uns ela não é, e pois os outros não
são mais.
(...) Deve, em terceiro lugar, compreender-se que, de entre os desejos, uns são
naturais e os outros vãos e que, de entre os naturais, uns são necessários e os
outros somente naturais. Finalmente, de entre os desejos necessários, uns são
necessários à felicidade, outros à tranquilidade do corpo e outros à própria
vida. Uma teoria verídica dos desejos ajustará os desejos e a aversão à saúde do
corpo e à ataraxia da alma, pois é esse o escopo de uma vida feliz, e todas as
nossas acções têm por fim evitar ao mesmo tempo o sofrimento e a inquietação.
Quando o conseguimos, todas as tempestades da alma se desfazem, não tendo já o
ser vivo de dirigir-se para alguma coisa que não possui, nem buscar outra coisa
que possa completar a felicidade da alma e do corpo. Porque nós buscamos o
prazer somente quando a sua ausência causa sofrimento. Quando não sofremos, não
sabemos que fazer do prazer. E por isso dizemos que o prazer é o começo e o fim
de uma vida venturosa. O prazer é, na verdade, considerado por nós como o
primeiro dos bens naturais, é ele que nos leva a aceitar ou a rejeitar as
coisas, a ele vamos parar, tomando a sensibilidade como critério do bem. Ora,
pois que o prazer é o primeiro dos bens naturais, segue-se que não aceitamos o
primeiro prazer que vem, mas em certos casos desdenhamos numerosos prazeres
quando têm por efeito um tormento maior. Por outro lado, há numerosos
sofrimentos que reputamos preferíveis aos prazeres, quando nos trazem um maior
prazer. Todo o prazer, na medida em que se conforma com a nossa natureza, é
portanto um bem, mas nem todo o prazer é entretanto necessariamente apetecível.
Do mesmo modo, se toda a dor é um mal, nem toda é necessariamente de evitar.
Daqui procede que é por uma sábia consideração das vantagens e dissabores que
traz que cada prazer deve ser apreciado. Na verdade, em certos casos, tratamos o
bem como um mal e, noutros, o mal como um bem.
Depender apenas de si mesmo é, em nossa opinião, grande bem, mas não se segue,
por isso, que devamos sempre contentar-nos com pouco. Simplesmente, quando a
abundância nos falece, devemos ser capazes de contentar-nos com pouco, pois
estamos persuadidos de que fruem melhor a riqueza aqueles que menos carecem dela
e que tudo que é natural se alcança facilmente, enquanto é difícil obter o que o
não é. As iguarias mais simples dão tanto prazer como a mesa mais ricamente
servida, quando está ausente o tormento que a carência determina, e o pão e a
água causam o mais vivo prazer quando os tomamos após longa privação. O hábito
da vida simples e modesta é portanto boa maneira de cuidar da saúde e torna, alé
m disso, o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente
realizar na vida. Permite-lhe ainda, eventualmente, apreciar melhor a vida
opulenta e endurece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando
dizemos que o prazer é o soberano bem, não falamos dos prazeres dos debochados,
nem dos gozos sensuais, como pretendem alguns ignorantes que nos combatem e
desfiguram o nosso pensamento. Falamos da ausência de sofrimento físico e da
ausência da perturbação moral.
Porque não são nem as bebidas e os banquetes contínuos, nem o prazer do trato
com as mulheres, nem o júbilo que dão o peixe e a carne com que se enchem as
mesas sumptuosas que ocasionam uma vida feliz, mas hábitos racionais e sóbrios,
uma razão buscando incessantemente causas legítimas de escolha ou de aversão e
rejeitando as opiniões susceptíveis de trazerem à alma a maior perturbação.
O princípio de tudo isto e, ao mesmo tempo, o maior bem é, portanto, a
prudência. Devemos reputá-la superior à própria filosofia, pois que ela é a
fonte de todas as virtudes que nos ensinam que não se alcança a vida feliz sem a
prudência, a honestidade e a justiça e que a prudência, a honestidade e a
justiça não podem obter-se sem o prazer.
As virtudes, efectivamente, provêm de uma vida feliz, a qual, por sua vez, é
inseparável das virtudes.


A Ambição Superada ( Millôr Fernandes - em "Pif-Paf" )

Certo dia uma rica senhora viu, num antiquário, uma cadeira que era uma beleza.
Negra, feita de mogno e cedro, custava uma fortuna. Era, porém, tão bela, que a
mulher não titubeou - entrou, pagou, levou para casa.
A cadeira era tão bonita que os outros móveis, antes tão lindos, começaram a
parecer insuportáveis à simpática senhora. (Era simpática).
Ela então resolveu vender todos os móveis e comprar outros que pudessem se
equiparar à maravilhosa cadeira. E vendeu-os e comprou outros.
Mas, então a casa que antes parecia tão bonita, ficou tão bem mobilada que se
estabeleceu uma desarmonia flagrante entre casa e móveis. E a senhora começou a
achar a casa horrível.
E vendeu a casa e comprou uma outra maravilhosa.
Mas dentro daquela casa magnífica, mobilada de maneira esplendorosa, a mulher
começou, pouco a pouco, a achar seu marido mesquinho. E trocou de marido.
Mas mesmo assim não conseguia ser feliz. Pois naquela casa magnífica, com
aqueles móveis admiráveis e aquele marido fabuloso, todo mundo começou a achá-la
extremamente vulgar.


Os Ciúmes Das Nossas Virtudes ( FRIEDRICH NIETZSCHE )

Meu irmão, és feliz se só tens uma virtude e não várias: pois passarás mais
facilmente a ponte.
É uma distinção ter muitas virtudes, mas é sorte bem dura; e não são poucos os
que se têm ido matar ao deserto, cansados de serem combate e campo de batalha
das suas próprias virtudes.
Meu irmão, serão um mal a guerra e as batalhas? Mas são males necessários, e é
necessário que as tuas virtudes tenham ciúmes umas das outras e estejam
desconfiadas umas das outras e se caluniem entre si.
Vê, cada uma das tuas virtudes é ávida de tudo possuir, cada uma quer que a
totalidade da tua alma lhe sirva de arauto, quer toda a tua força na cólera, no
ódio e no amor.
Cada uma das tuas virtudes é ciosa das outras, e o ciúme é uma coisa terrível.
As próprias virtudes podem morrer de ciúme.
O que está cercado pela chama do ciúme acaba, como o escorpião, por voltar
contra si mesmo o seu aguilhão envenenado.
Ai! meu irmão, nunca viste uma virtude caluniar-se e apunhalar-se a si própria?
O homem é um ser que deve superar-se, por isso necessitas amar as tuas virtudes
- porque por elas morrerás.


"Nosso subconsciente trabalha na materialização de nossas crenças. Ele não tem senso de humor. Faz sempre o que acreditamos. Não falha. Dessa forma, o fracasso não existe. Você foi sempre um sucesso! Sua vida é obra sua. Você é responsável por suas experiências. Mesmo aquelas que parecem não depender de você foram atraídas por sua forma de pensar.
As coisas não vão bem? Só colhe infelicidade? É hora de perceber como você consegue fazer isso. Certamente não escolheu a atitude adequada para obter bons resultados. Mudando essa atitude, tudo se modificará.
A vida deseja que você desenvolva seus potenciais de espírito eterno e aprenda a ser feliz. A felicidade é nosso destino e só o bem é verdadeiro. Para nos ensinar isso, a vida programa nossas experiências de acordo com nossas necessidades. Através do resultado dessas experiências conquistamos a sabedoria.
Na queixa há sempre uma justificativa para continuarmos a ser como somos, mas há também uma auto-imagem negativa. Você pensa que não pode fazer nada, que é incapaz e não merece. Conforma-se em ser pobre, em ficar em segundo plano, em pensar primeiro nos outros (é feio pensar em você primeiro). Acha que, para você ter, outros terão que dar e perder. Como se Deus fosse pobre e tão limitado que para dar a uns teria que tirar de outros. Esses pensamentos são altamente depressivos e atraem infelicidade.
Seu subconsciente obedece às mensagens que você lhe envia. Você tem todo o poder de criar seu próprio destino. Se deseja viver melhor, reconheça isso.
Faça uma lista de suas crenças e até das frases que costuma dizer. Se puser atenção e for sincera, logo vai perceber quais as crenças que são responsáveis por sua infelicidade. Não pense mais nelas. Esqueça-as. Quanto mais se preocupar em eliminá-las, mais pensará nelas e as alimentará.
Trate de cultivar o oposto. Faça afirmações positivas sempre usando o presente. Exemplo: 'Eu sou feliz', 'Tenho muita sorte', 'Minha saúde está cada dia melhor', etc. Escreva-as e espalhe-as em sua casa, nos lugares onde você possa vê-las constantemente. Repita-as várias vezes por dia.
Mas não se esqueça de pôr emoção nelas, acreditar realmente no que afirmar. Ignore aquela vozinha que lhe diz que não vai funcionar. Não custa nada experimentar.
Lembre-se de que todos os problemas de sua vida foram criados por você. Você foi, é e sempre será um sucesso. Suas escolhas podem ter dado um resultado diverso do que você esperava, mas você conseguiu materializa-las. Refletem o que você crê, e o que você crê seu subconsciente materializa... Pense nisso." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


O Sábio Face à Vida ( EPICURO )

Existe acaso alguém a quem possas colocar acima do sábio? O sábio tem, sobre os
deuses, opiniões piedosas. Não teme a morte em momento nenhum, considera-a o fim
normal da natureza, julga que o termo dos bens é fácil de atingir e de possuir,
sabe que os males têm uma duração e uma gravidade limitadas; sabe o que é mister
pensar da fatalidade, da qual se constuma fazer uma ama despótica. Sabe que os
acontecimentos nascem, uns da fortuna, outros de nós próprios, porque a
fatalidade é cega e a fortuna inconstante; que o que vem de nós não está
submisso a nenhuma tirania, sujeito a reproche e a elogio.
Com efeito, melhor fora acreditar nas narrativas mitológicas sobre os deuses que
tornar-se escravo da fatalidade dos físicos. A mitologia consente a esperança de
que, honrando os deuses, poderemos dispô-los a nosso favor, enquanto a
fatalidade é inexorável. O sábio não crê, como o vulgo, que a fortuna seja uma
divindade, pois um deus não pode agir de maneira desordenada. Nem é, para ele,
uma causa, dada a sua instabilidade. Não a admite como causa do bem e do mal, ou
da vida feliz; não obstante, sabe que pode trazer grandes bens ou grandes males.
Julga que vale mais fazer bons cálculos, mesmo aventurosos, do que ter sorte,
com maus cálculos. O que importa é ter êxito nas empresas sabiamente meditadas.


"A vida precisa ser renovada. A morte é a mudança que estabelece a renovação. Quando alguém parte, muitas coisas se modificam na estrutura dos que ficam e, sendo uma lei natural, ela é sempre um bem, muito embora as pessoas não queiram aceitar isso. Nada é mais inútil e machuca mais do que a revolta. Lembre-se de que nós não temos nenhum poder sobre a vida ou a morte. Ela é irremediável.
O inconformismo, a lamentação, a evocação reiterada de quem se foi, a tristeza e a dor podem alcançar a alma de quem partiu e dificultar-lhe a adaptação na nova vida. Ele também sente a sensação da perda, a necessidade de seguir adiante, mas não consegue devido aos pensamentos dos que ficaram, a sua tristeza e a sua dor.
Se ele não consegue vencer esse momento difícil, volta ao lar que deixou e fica ali, misturando as lágrimas, sem forças para seguir adiante, numa simbiose que aumenta a infelicidade de todos.
Pense nisso. Por mais que esteja sofrendo a separação, se alguém que você ama já partiu, libere-o agora. Recolha-se a um lugar tranqüilo, visualize essa pessoa em sua frente, abrace-a, diga-lhe tudo que seu coração sente. Fale do quanto a ama e do bem que lhe deseja. Despeça-se dela com alegria, e quando recorda-la, veja-a feliz e refeita.
A morte não é o fim. A separação é temporária. Deixe-a seguir adiante e permita-se viver em paz.
A morte é só uma mudança de estado. Depois dela, passamos a viver em outra dimensão" (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)


Resignação ( Narcisa Amália )

No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas...
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!...
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!...
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!...


ORAÇÃO DO POBRE (MADRE TERESA DE CALCUTÁ)

Quero que saibas que cada vez que me convidas, eu venho sempre, sem falta. Venho
em silêncio e de forma invisível, mas com um poder e um amor que não acabam. Não
há nada na tua vida que não tenha importância para mim.
Sei o que existe no teu coração, conheço a tua solidão e todas as tuas feridas,
as tuas rejeições e humilhações. Eu suportei tudo isto por causa de ti, para que
pudesses partilhar a minha força e a minha vitória.
Conheço, sobretudo, a tua necessidade de amor.Nunca duvides da minha
misericórdia, do meu desejo de te perdoar, do meu desejo de te bendizer e viver
a minha vida em ti, e que te aceito sem me importar com o que tenhas feito.
Se te sentes com pouco valor aos olhos do mundo, não importa. Não há ninguém que
me interesse mais no mundo do que tu. Confia em mim. Pede-me todos os dias que
entre e que me encarregue da tua vida e eu o farei.
A única coisa que te peço é que confies plenamente em mim. Eu farei o resto.Tudo
o que procuraste fora de mim só te deixou ainda mais vazio. Portanto, não te
prendas às coisas passageiras. Mas, sobretudo, não te afastes de mim quando
caíres. Vem a mim sem demora, porque quando me dás os teus pecados, dás-me a
alegria de ser o teu Salvador.

Não há nada que eu não possa perdoar.
Não importa o quanto tenhas andado sem rumo, não importa quantas vezes te
esqueceste de mim, não importa quantas cruzes levas na tua vida. Tu já
experimentaste muitas coisas, no teu desejo de seres feliz. Porque é que não
experimentas abrir-me o teu coração, agora mesmo, mais do que antes?


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: - Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus! - Aí, então, derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu... Ser seu amigo... já é um pedaço dele...(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


Eutanásia (LORD BYRON)

Quando o tempo me houver trazido esse momento,
Do dormir, sem sonhar que, extremo, nos invade,
Em meu leito de morte ondule, Esquecimento,
De teu sutil adejo a langue suavidade!
Não quero ver ninguém ao pé de mim carpindo,
Herdeiros, espreitando o meu supremo anseio;
Mulher, que, por decoro, a coma desparzindo,
Sinta ou finja que a dor lhe estará rasgando o seio.
Desejo ir em silêncio ao fúnebre jazigo,
Sem luto oficial, sem préstito faustoso.
Receio a placidez quebrar de um peito amigo,
Ou furtar-lhe, sequer, um breve espaço ao gozo.
Só amor logrará (se nobre à dor se esquive,
E consiga, no lance, inúteis ais calar),
No que se vai finar, na que lhe sobrevive,
Pela vez derradeira, o seu poder mostrar.
Feliz se essas feições, gentis, sempre serenas,
Contemplasse, até vir a triste despedida!
Esquecendo, talvez, as infligidas penas,
Pudera a própria Dor sorrir-te, alma querida.
Ah! Se o alento vital se nos afrouxa, inerte,
A mulher para nós contrai o coração!
Iludem-nos na vida as lágrimas, que verte,
E agravam ao que expira a mágoa e enervação.
Praz-me que a sós me fira o golpe inevitável,
Sem que me siga adeus, ou ai desolador.
Muita vida há ceifado a morte inexorável
Com fugaz sofrimento, ou sem nenhuma dor.
Morrer! Alhures ir... Aonde? Ao paradeiro
Para o qual tudo foi e onde tudo irá ter!
Ser, outra vez, o nada; o que já fui, primeiro
Que abrolhasse à existência e ao vivo padecer!...
Contadas do viver as horas de ventura
E as que, isentas da dor, do mundo hajam corrido,
Em qualquer condição, a humana criatura
Dirá: "Melhor me fora o nunca haver nascido!"


Civilização sem Riso ( Eça de Queiróz )

Eu penso que o riso acabou - porque a humanidade entristeceu. E entristeceu
- por causa da sua imensa civilização. O único homem sobre a Terra que ainda
solta a feliz risada primitiva é o negro, na África. Quanto mais uma sociedade é
culta - mais a sua face é triste. Foi a enorme civilização que nós criámos
nestes derradeiros oitenta anos, a civilização material, a política, a
económica, a social, a literária, a artística que matou o nosso riso, como o
desejo de reinar e os trabalhos sangrentos em que se envolveu para o satisfazer
mataram o sono de Lady MacBeth. Tanto complicámos a nossa existência social, que
a Acção, no meio dela, pelo esforço prodigioso que reclama, se tornou uma dor
grande: - e tanto complicámos a nossa vida moral, para a fazer mais consciente,
que o pensamento, no meio dela, pela confusão em que se debate, se tornou uma
dor maior. O homem de acção e de pensamento, hoje, está implacavelmente votado à
melancolia.
Este pobre homem de acção, que todas as manhãs, ao acordar, sente dentro em si
acordar também o amargo cuidado do pão a adquirir, da situação social a manter,
da concorrência a repelir, da «íngreme escada a trepar», poderá porventura
afrontar o Sol com singela alegria? Não. Entre ele e o Sol está o negro cuidado,
que lhe estende uma sombra na face, lhe mata nela, como a sombra sempre faz às
flores, a flor de todo o riso. Por outro lado o homem de pensamento que
constantemente, pelo fatalismo da educação científica e crítica, busca as
realidades através das aparências, e que no céu só vê uma complicada combinação
de gases, e que na alma só descobre uma grosseira função de órgãos, e que sabe
que porção de fosfato de cal entra em toda a lágrima, e que diante de dois olhos
resplandecentes de amor pensa nos dois buracos da caveira que estão por trás, e
que a todo o sacrifício heróico penetra logo o motivo egoísta, e que caminha
sempre à procura da lei estável e eterna, e que a cada passo perde um sonho, e
que por fim não sabe para onde vai, e nem mesmo sabe quem é - não pode ser senão
um triste!
Desde que homem de acção e homem de pensamento são paralelamente tristes - o
mundo, que é sua obra, só pode mostrar tristeza. Tristeza na sua literatura,
tristeza na sua sociedade, tristeza nas suas festas, tristeza nos fatos negros
de que se veste... Tristeza dentro de si, tristeza fora de si. E quando por
acaso alguém por profissão tradicional, como os palhaços, ou por contraste, ou
pela saudade da antiga alegria e o desejo de a ressuscitar, procura fazer rir
este mundo - só lhe consegue arrancar a tal casquinada curta, áspera, rangente,
quase dolorosa, que parece resultar de cócegas feitas nos pés de um doente.
Não há que duvidar! Voltaram os tempo de Albert Durer! Outra vez o famoso moço
de asas potentes, no meio dos inumeráveis instrumentos das ciências e das artes,
que atulham o seu laboratório, e diante das obras colossais, que com eles
construiu, sente, sob esta produção excessiva que o não tornou nem melhor nem
mais feliz, um imenso desalento, e, considerando a inutilidade de tudo, de novo
deixa pender sobre as mãos a testa coroada de louro.
Pobre moço, que, de muito trabalhar sobre o universo e sobre ti próprio,
perdeste a simplicidade e com ela o riso, queres um humilde conselho? Abandona o
teu laboratório, reentra na Natureza, não te compliques com tantas máquinas, não
te subtilizes em tantas análises, vive uma boa vida de pai próvido que amanha a
terra, e reconquistarás, com a saúde e com a liberdade, o dom augusto de rir.
Mas como pode escutar estes conselhos de sapiência um desgraçado que tem, nos
poucos anos que ainda restam de século, de descobrir o problema da comunicação
interastral, e de assentar sobre bases seguras todas as ciências psíquicas?
O infeliz está votado ao bocejar infinito. E tem por única consolação que os
jornais lhe chamem e que ele se chame a si próprio - o Grande Civilizado.


Vestida de Preto Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou
contar é conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado
sempre. Depois do amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os
cinco mais ou menos, logo o meu amor se dirigiu para uma espécie de prima
longínqua que freqüentava a nossa casa. Como se vê, jamais sofri do complexo de
Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe e eu fomos muito bons amigos, sem
nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu
nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se
acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as
palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme
e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo
a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos
primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas
sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia
Velha, era fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias
e estragos. Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já
avançada para ele. Mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma
que casávamos rápido, só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que
dantes nos interessavam tanto, e cada par fugia logo, indo viver no seu quarto.
Os melhores interesses infantis do brinquedo, fazer comidinha, amamentar
bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade apressada para os
menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que os outros
faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas
sem tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo
iminente que ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e
assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não
lembro mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e
armários cheios de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se
lembrasse de tocar naqueles doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer
roubo! estávamos longe disso. O que nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre
uma cesta de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu
também estava longe de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos
os meus instintos na existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como
um danado dentro de mim e virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia
naqueles tempos cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali,
no travesseiro.
- Já é tarde, vamos dormir - Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o
travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria,
essa estava simples demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite:
olhou em torno e afinal, vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma
toalha de banho muito quentinha que estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro
no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas da janela sobre a tarde, e depois
deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela
deixou pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser
grande. Mas imaginem numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de
Maria, citação obrigatória e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por
causa duma neta preferida que ela imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos
cabelos de Maria.
- Você não vem dormir também? - ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
- Já vou - que eu disse - estou conferindo a conta do armazém.
Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado
em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente
assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia
espirrar, marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito
ridículo, havia de ser um espirrão enorme, os outros escutavam lá da
sala-de-visita longínqua, e daí é que o nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas
juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada,
ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles
cabelos, que maravilha! até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então
fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram
lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o
pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimô
nia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só
recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir
que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve.
Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a
perfeição fixa a gente. O beijo me deixara completamente puro, sem minhas
curiosidades nem desejos de mais nada, adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera
em meu cérebro uma enorme luz branca, meu ombro bem que doía no chão, mas a luz
era violentamente branca, proibindo pensar, imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto
barulhento. Percebi muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era
completamente feio.
- Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
- Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha - eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta,
sem método - pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar
que só alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante,
eu estava só pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos
antes era real.
- Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os
pratos que ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha,
uma indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza
viva, quase antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante
de todos, fiquei zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei
definitivo. Eu estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de
revoltas íntimas, detestava estudar. Só no desenho e nas composições de
português tirava as melhores notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero
em todas as outras. E todos os anos era aquela já esperada fatalidade: uma, duas
bombas (principalmente em matemáticas) que eu tomava apenas o cuidado de apagar
nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente
agora. Mas tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava
de mim!... Minha mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava
a imaginar que era só por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável,
incapaz de uma carícia. Como incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo,
a tara da família, ele jamais ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é
que, decidido em minha desesperada revolta contra o mundo que me rodeava,
sentindo um orgulho de mim que jamais buscava esclarecer, tão absurdo o
pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por um caso perdido,
que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular,
quando enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante
encabulado, todos em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando,
lembrando a bomba, me achincalhando em minha imperfeição de caso perdido.
Esbocei um gesto falsamente alegre de bom-dia, e fui no escritório pegado,
esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia já voltar para o meio de
todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que Tia Velha perdia
com suas preferências:
- Passou seu namorado, Maria.
- Não caso com bombeado - ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma.
Maria não gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal
podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte.
Nós seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até
viajava na Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem
indecente, se opondo ao casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas
ótimo. Houvera um rompimento de amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso
virara escândalo mastigado e remastigado nos comentários de hora de jantar. Tudo
por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela
não havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria.
"Não caso com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os
junto ao rosto, pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca
sem desgosto. Naquele instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que
eu dava em Maria, último beijo, beijo de despedida, que o cheiro desagradável do
papelão confirmou. Estava tudo acabado entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava
com uma raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia
que já não tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto
partira dela, fora por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza,
só vazio, não sei... creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada,
ajoelhar ali junto da escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu
era um perdido mesmo, Maria tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados.
Acho que até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem:
Pus tal firmeza em não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De
resto a mocidade raiava e eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se
passou em mim. Sem abandonar o meu jeito de "perdido", o cultivando mesmo,
ginásio acabado, eu principiara gostando de estudar. Me batera, súbito, aquela
vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo. Era mesmo uma impaciência
raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma orientação. Mas brilhava,
fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes, tinha idéias que
assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos
vinte anos fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e
se desfez de repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata
riquíssimo, casar em duas semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e
partir em busca duma embaixada européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe,
eu me recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e
devorar numa tarde um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia
Rose pra de-noite, e uma linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me
chamavam de "jardineiro", e eu punha na coincidência daqueles duas flores uma
força de destinação fatalizada. Tamanha mesmo que topando numa livraria com The
Gardener de Tagore, comprei o livro e comecei estudando o inglês com loucura.
Mário de Andrade conta num dos seus livros que estudou o alemão por causa dum
emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar
pela primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência,
conversando com mamãe na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda
desabrida:
- Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe
de nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de
canhão. Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se
atordoando com dinheiro e brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que
principiava sendo alguém, estudando por mim fora dos ginásios, vibrando em
versos que muita gente já considerava. E percebi horrorizado, que Rose! nem
Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é que amara sempre,
como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira, desgraçadíssimo,
aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me
imaginar feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria,
era exclusivamente Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em
mim... E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam
falando muito de Maria? Contavam que pintava o sete, ficara célebre com as
extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes às portas do divórcio, com um
caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que só pintava efeitos de
luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão, Maria pintada
nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao
menos me salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se
ela estava se transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era
apenas uma projeção dela, como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos
trocáramos por um estúpido engano de amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim,
mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a ela de novo. Foi a razão da briga
com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite - bebedeira tamanha que acabei
ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico, escândalo, e choro
largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo
depois de jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais.
Cheguei na casa dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de
gente ricaça, criado que leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam
ainda jantando. Me introduziram na saletinha da esquerda, uma espécie de
luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por inteiro, dando pro hol central. Que
fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na
saleta, virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de
preto. Olhem: eu sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive
a sensação da vontade de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida,
fantasticamente mulher. Meu corpo soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
- Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela
estava se entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu
queria, naquele se deixar olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do
corpo, toda vestida de preto. Um segundo, me passou na visão devorá-la numa hora
estilhaçada de quarto de hotel, foi horrível. Porém, não havia dúvida: Maria
despertava em mim os instintos da perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito
indiferente, e as vozes amontoadas vinham do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham,
cuidam de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas
Europas, divorciada afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado
em feiras internacionais. Um aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria...
bom: acho que vou falar banalidade.



A pesquisa da expressão "feliz" retornou 1 páginas

feliz 1