Não há amor sem coragem e não há coragem sem amor.
( Frases e Pensamentos de Rollo May) Mensagem sobre Amor
O fraco em coragem é forte em astúcia.
( WILLIAM BLAKE )
A coragem não admite falsificação.
( Napoleão Bonaparte )
A coragem conduz às estrelas, e o medo à morte
( SÊNECA )
Devemos ir buscar a coragem ao nosso próprio desespero
( SÊNECA )
A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.
( ANAIS NIN)
É preciso coragem para levantar e falar,mas também é preciso coragem para sentar e ouvir.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Pensamentos
É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta? (Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)
A coragem cresce com a ocasião.
(Frases e Pensamentos de William Shakespeare)
A vida contrai-se e expande-se proporcionalmente à coragem do indivíduo
( ANAIS NIN )
Há calúnias contra as quais a própria inocência perde a coragem.
( Napoleão Bonaparte )
Poucas pessoas têm a coragem de ser covardes diante de testemunhas.
( Theóphile Gautier )
A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.
( ARISTÓTELES )
Para conhecer a felicidade é preciso ter a coragem de a engolir
( Autor: Charles Baudelaire )
Coragem política não significa suicídio político.
( Frases e Pensamentos de Arnold Schwarzenegger )
Tenha coragem de fazer uma revolução em sua vida e vá atrás do que dita a sua alma.
(ROBERTO SHINYASHIKI)
Se você não tem a coragem de ser um inimigo do mal, então também não pode ser um amigo do bem.
(Makiguti)
O Bom Deus me dá coragem na proporção dos meus sofrimentos
( Frases e Pensamentos de Santa Teresa de Jesus )
A coragem se expande com o uso...
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Pensamentos
Para suportar as aflições dos outros, todo o mundo tem coragem de sobra
( Frases e Pensamentos de Benjamin Franklin )
Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.
(ALLAN KARDEC)
O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo
( MIGUEL DE CERVANTES )
É a esta força que mantém sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer e não temer, que chamo e defino coragem( PLATÃO )
Campeão é aquele que tem a coragem de fazer uma profunda auto-análise e trabalhar para um constante aprimoramento.
(ROBERTO SHINYASHIKI)
Coragem é resistência ao medo,domínio do medo,e não ausência do medo.
( Frases e Pensamentos de Mark Twain) Mensagem sobre Medo
A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.
( Frases e Pensamentos de Anais Nin) Mensagem sobre Vida
Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram: a verdade, a bondade e a beleza
(ALBERT EINSTEIN)
Ganhamos força, coragem e confiança a cada experiência em que verdadeiramente paramos para enfrentar o medo
( Frases e Pensamentos de Eleanor Roosevelt)
O mundo está nas mão daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos. Cada qual com seus talentos.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
"Assumir a responsabilidade por nossos atos, com coragem e disposição, nos coloca a favor da vida e ela nos apóia." (Frases e Pensamentos de Zíbia Gasparetto)
Quando não se tem a coragem de viver como se pensa,acaba-se por pensar como se vive.
( Frases e Pensamentos de Victória Ocampo) Mensagem sobre Vida
Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma
plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em
êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como
resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de
Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a
solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça
com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o
nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus
braços meu pecado de pensar.
O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.
( Frases e Pensamentos de Charles Darwin) Mensagem sobre Tempo
O amor é uma flor delicada,mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício.
( Frases e Pensamentos de Sthendal) Mensagem sobre Amor
Cada um dos senhores deve reunir a coragem do leão e jamais sucumbir as ameaças de ninguém O leão não teme nenhum outro animal, nem tampouco seus filhotes temem.
(Nitiren Daishonin)
Os dois testes mais duros no caminho espiritual são a paciência para esperar o momento certo e a coragem de não nos decepcionar com o que encontramos. (Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
Os pássaros da madrugada não têm coragem de cantar, vendo o meu sonho interminável e a esperança do meu olhar.
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia
Os ideais que iluminaram meu caminho e sempre me deram coragem para enfrentar a vida com alegria foram a Verdade, a Bondade e a Beleza.
( Albert Einstein ) Mensagem sobre Filosofia
Exnamorados são como vestidos velhos: você vê um retrato antigo e não diz que um dia teve coragem de sair com aquilo.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Feminismo
"Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura,coragem,perseverança e paixão"."
( Frases e Pensamentos de Nise da Silveira) Mensagem sobre Autoconhecimento
"O mundo está nas mão daqueles que têm coragem de sonhar,e correr o risco de viver seus sonhos. Cada qual com seus talentos." - As Valkírias
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Vida
Quando alguém encontra seu caminho, precisa ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)
Você ganha forças,coragem e confiança a cada experiência em que você enfrenta o medo. você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.
( Frases e Pensamentos de Eleanor Roosevelt) Mensagem sobre Medo
Concedei-nos Senhor,Serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar,Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguirmos umas das outras.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Sabedoria
"Quando alguém encontra seu caminho,precisa ter coragem suficiente para dar passos errados. As decepções,as derrotas,o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada." - Brida
( Frases e Pensamentos de Paulo Coelho) Mensagem sobre Magia
O amor não é água de córrego, é água de inundação. Quando vem, traz consigo muita coisa junta. Como uma enchente com caminhos próprios, derruba muros, causa insegurança, dá coragem para enfrentar obstáculos que pareciam intransponíveis e também provoca medo.
(ROBERTO SHINYASHIKI)
Continuarei confessando os erros cometidos. O único tirano que aceito neste mundo é a "silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de encontrar-me numa minoria tão desesperadora.
( MAHATMA GANDHI )
Estamos face a face com nosso destino, e devemos encontrá-lo com muita coragem e resolução. Para nós é a vida de ação, da extenuante performance do dever; deixe-nos viver nos arreios, esforçando-nos vigorosamente; deixe-nos correr o risco de nos desgastarmos do que enferrujarmos.
( Theodore Roosevelt )
Há cinco espécies de coragem, assim denominadas segundo a semelhança:
suportam as mesmas coisas, mas não pelos mesmos motivos. Uma é a coragem
política: provém da vergonha; a segunda é própria dos soldados: nasce da
experiência e do facto de conhecer, não - como dizia Sócrates - os perigos, mas
os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experiência e da
ignorância, e por ela são induzidas as crianças e os loucos, estes quando
enfrentam a fúria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra espé
cie é a de quem tem esperança: graças a ela, arrostam os perigos aqueles que,
muitas vezes, tiveram sorte (...) e os ébrios; o vinho, de facto, excita a
confiança.
Outra ainda dimana da paixão irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se alguém está enamorado, é mais temerário que cobarde e enfrenta muitos
perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala
a lenda; o mesmo se passa com a cólera e com a ira. Pois a ira é capaz de nos pô
r fora de nós. Por isso, se afiguram também corajosos os javalis, embora não
sejam; quando fora de si, têm uma qualidade semelhante, de outro modo, são
inconstantes como os temerários. Todavia, a coragem que nasce da ira é a mais
natural: a ira é, efectivamente, algo de invencível, e é por isso que os jovens
lutam melhor. A coragem cívica, pelo contrário, brota da lei. Nenhuma destas esp
écies é, na realidade, coragem, mas todas são úteis para encorajar nas situações
de perigo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)
Porque eles não suportam críticas. Por que Deus criou o homem? Porque vibradores não cortam grama. Exnamorados são como vestidos velhos: você vê um retrato antigo e não diz que um dia teve coragem de sair com aquilo. Como se chama um homem interessante no Brasil? Turista. De que adianta ter barriga de tanquinho se a torneira é pequena?!!
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Feminismo
Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsávl pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.
( CHARLES CHAPLIN )
Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.
Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.
Interroga a propriedade:
De onde vens?
Pergunta a cada idéia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala
E onde reina a opressão e se acusa o destino,
ele cita os nomes.
À mesa onde ele se senta
se senta a insatisfação.
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde o vai a revolta
e de onde o expulsam
persiste a agitação.
A idade de ser feliz.: Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)
Gosto dos valentes; mas não basta bater a torto e a direito; é preciso saber
ainda no que se bate. E muitas vezes há mais coragem em se conter e passar
adiante, a fim de se reservar para um adversário mais digno. Tende apenas
inimigos dignos de ódio, e não inimigos desprezíveis; é necessário que possais
estar orgulhosos dos vossos inimigos; já vos ensinei isso.
É necessário reservardes-vos para um adversário mais digno, meus amigos; por
isso tereis de passar por cima de muitas ofensas, - passar por cima de muita
canalha que vos massacrará com as palavras povo e nação.
Livrai o vosso olhar de se misturar às suas contestações. É um matagal de
direitos e de abusos. Ter de considerá-los irrita. Lançar aí os olhos -
atirar-se para a confusão - é a mesma coisa; ide-vos pois para os bosques e
deixai dormir a vossa espada!
Segui os caminhos que vos pertencem. E deixai povos e nações seguirem os seus
escuros caminhos, na verdade, nos quais não brilha uma única esperança!
Quem tem coragem de perguntar, na noite imensa? E que valem as árvores, as casas, a chuva, o pequeno transeunte? Que vale o pensamento humano, esforçado e vencido, na turbulência das horas? Que valem a conversa apenas murmurada, a erma ternura, os delicados adeuses? Que valem as pálpebras da tímida esperança, orvalhadas de trêmulo sal? O sangue e a lágrima são pequenos cristais sutis, no profundo diagrama. E o homem tão inutilmente pensante e pensado só tem a tristeza para distingui-lo. Porque havia nas úmidas paragens animais adormecidos, com o mesmo mistério humano: grandes como pórticos, suaves como veludo, mas sem lembranças históricas, sem compromissos de viver. Grandes animais sem passado, sem antecedentes, puros e límpidos, apenas com o peso do trabalho em seus poderosos flancos e noções de água e de primavera nas tranqüilas narinas e na seda longa das crinas desfraldadas. Mas a noite desmanchava-se no oriente, cheia de flores amarelas e vermelhas. E os cavalos erguiam, entre mil sonhos vacilantes, erguiam no ar a vigorosa cabeça, e começavam a puxar as imensas rodas do dia. Ah! o despertar dos animais no vasto campo! Este sair do sono, este continuar da vida! O caminho que vai das pastagens etéreas da noite ao claro dia da humana vassalagem!
( Frases e Pensamentos de Cecilia Meireles) Mensagem sobre Poesia
De todas as coisas que podemos conceber neste mundo ou mesmo, de uma maneira
geral, fora dele, não há nenhuma que possa ser considerada como boa sem
restrição, salvo uma boa vontade. O entendimento, o espírito, o juízo e os
outros talentos do espírito, seja qual for o nome que lhes dermos, a coragem, a
decisão, a perseverança nos propósitos, como qualidades do temperamento, são,
indubitávelmente, sob muitos aspectos, coisas boas e desejáveis; contudo, também
podem chegar a ser extrordináriamente más e daninhas se a vontade que há-de usar
destes bens naturais, e cuja constituição se chama por isso carácter, não é uma
boa vontade. O mesmo se pode dizer dos dons da fortuna. O poder, a riqueza, a
consideração, a própria saúde e tudo o que constitui o bem-estar e contentamento
com a própria sorte, numa palavra, tudo o que se denomina felicidade, geram uma
confiança que muitas vezes se torna arrogância, se não existir uma boa vontade
que modere a influência que a felicidade pode exercer sobre a sensibilidade e
que corrija o princípio da nossa actividade, tornando-o útil ao bem geral;
acrescentemos que num espectador imparcial e dotado de razão, testemunha da
felicidade ininterrupta de uma pessoa que não ostente o menor traço de uma
vontade pura e boa, nunca encontrará nesse espectáculo uma satisfação
verdadeira, de tal modo a boa vontade parece ser a condição indispensável sem a
qual não somos dignos de ser felizes.
(...) A boa vontade não é boa pelo que produz e realiza, nem por facilitar o
alcance de um fim que nos proponhamos, mas apenas pelo querer mesmo; isto quer
dizer que ela é boa em si e que, considerada em si mesma, deve ser tida em preço
infinitamente mais elevado que tudo quanto possa realizar-se por seu intermédio
em proveito de alguma inclinação, ou mesmo, se se quiser, do conjunto de todas
as inclinações.
Como cento e quarenta sóis o sol-pôr resplandece,
Julho bem entrado,
um calor
pesado
na dacha.
Curvava-se o cabeço de Púshkino
para o morro de Akúlov,
e no sopé da colina -
uma aldeia
torcendo-se em telhados de casca.
E atrás da aldeia -
um buraco,
e a esse buraco, certamente,
descia o sol todas as tardes,
lentamente.
E no dia seguinte
de novo
a inundar o mundo
erguia-se vermelho.
E dia após dia
terrivelmente a irritar-
-me
lá estava
ele.
E assim enfurecendo-me um dia,
de raiva fiquei pálido
e gritei:
"Vai-te!
Chega de preguiçar no Inferno!"
E prossegui:
"Parasita!
Entre as nuvens sem fazer nada
e eu aqui - há tanto tempo
sentado a desenhar cartazes!"
E ainda:
"Espera!
Escuta, ó cabeça doirada,
porque não deixas essa vida,
e não vens até minha casa
tomar chá?"
O que eu fiz!
Estou tramado!
Para minha casa,
como um boi manso,
estendendo os raios-passos
andou o sol nos campos.
Não quero mostrar receio -
e retirar-me de costas.
Mas já estão no quintal os seus olhos.
Já anda no meu quintal.
Pela janela,
pela porta,
pelas gretas
escorre a massa do sol,
tudo invade;
e tomando alento,
começou a falar:
"Afasto-me do fogo
pela primeira vez desde a criação.
Chamaste-me?
Então vamos ao chá,
ao chá, poeta, com geleia!"
Eu estava com lágrimas nos olhos -
meio louco de calor
mas apontei-lhe o samovar:
"Então,
senta-te, astro!"
O diabo tirou da manga a minha audácia
de lhe gritar -
desconcertado,
sentei-me no meu canto,
temendo o pior!
Mas os estranhos raios do sol
Correram, -
e a minha tensão
esquecendo,
sentei-me, a conversar
com o astro calmamente.
Falei disto,
daquilo,
da horrível ROSTA,
mas o sol:
"Muito bem,
não te zangues,
encara as coisas com simplicidade!
E eu, julgas
que brilhar
é fácil?
Experimenta!
A mim
disseram-me que fosse brilhar,
e eu brilho com toda a gana!"
Demos assim à língua até ao escurecer -
isto é, até à noite passada.
Que escuridão esta!
Em "ti"
há eu e tu, coragem.
E não tardámos
a ficar amigos.
Bato-lhe no ombro.
E o sol também:
"Tu e eu
somos camaradas!
Vamos, poeta,
olhemos,
cantemos
neste mundo tão chato.
Eu ponho a minha luz solar,
e tu - a tua
em versos."
As paredes de trevas,
as prisões da noite,
sobre a terra serão esmagadas pelos nossos dois ataques.
A desordem de versos e de luz -
brilha naquilo que atinge!
Cansa-se então,
e quer
dormir,
esquecer no sono.
De repente - eu
com toda a força brilho -
e de novo o dia nasce.
Brilhar sempre,
brilhar em toda a parte,
até ao dia em que a fonte da vida se esgote,
brilhar -
e é tudo!
É o nosso lema - meu
e do sol!
Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou
contar é conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado
sempre. Depois do amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os
cinco mais ou menos, logo o meu amor se dirigiu para uma espécie de prima
longínqua que freqüentava a nossa casa. Como se vê, jamais sofri do complexo de
Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe e eu fomos muito bons amigos, sem
nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu
nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se
acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as
palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme
e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo
a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos
primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas
sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia
Velha, era fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias
e estragos. Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já
avançada para ele. Mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma
que casávamos rápido, só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que
dantes nos interessavam tanto, e cada par fugia logo, indo viver no seu quarto.
Os melhores interesses infantis do brinquedo, fazer comidinha, amamentar
bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade apressada para os
menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que os outros
faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas
sem tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo
iminente que ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e
assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não
lembro mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e
armários cheios de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se
lembrasse de tocar naqueles doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer
roubo! estávamos longe disso. O que nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre
uma cesta de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu
também estava longe de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos
os meus instintos na existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como
um danado dentro de mim e virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia
naqueles tempos cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali,
no travesseiro.
- Já é tarde, vamos dormir - Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o
travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria,
essa estava simples demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite:
olhou em torno e afinal, vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma
toalha de banho muito quentinha que estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro
no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas da janela sobre a tarde, e depois
deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela
deixou pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser
grande. Mas imaginem numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de
Maria, citação obrigatória e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por
causa duma neta preferida que ela imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos
cabelos de Maria.
- Você não vem dormir também? - ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
- Já vou - que eu disse - estou conferindo a conta do armazém.
Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado
em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente
assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia
espirrar, marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito
ridículo, havia de ser um espirrão enorme, os outros escutavam lá da
sala-de-visita longínqua, e daí é que o nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas
juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada,
ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles
cabelos, que maravilha! até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então
fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram
lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o
pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimô
nia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só
recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir
que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve.
Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a
perfeição fixa a gente. O beijo me deixara completamente puro, sem minhas
curiosidades nem desejos de mais nada, adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera
em meu cérebro uma enorme luz branca, meu ombro bem que doía no chão, mas a luz
era violentamente branca, proibindo pensar, imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto
barulhento. Percebi muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era
completamente feio.
- Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
- Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha - eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta,
sem método - pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar
que só alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante,
eu estava só pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos
antes era real.
- Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os
pratos que ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha,
uma indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza
viva, quase antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante
de todos, fiquei zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei
definitivo. Eu estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de
revoltas íntimas, detestava estudar. Só no desenho e nas composições de
português tirava as melhores notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero
em todas as outras. E todos os anos era aquela já esperada fatalidade: uma, duas
bombas (principalmente em matemáticas) que eu tomava apenas o cuidado de apagar
nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente
agora. Mas tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava
de mim!... Minha mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava
a imaginar que era só por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável,
incapaz de uma carícia. Como incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo,
a tara da família, ele jamais ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é
que, decidido em minha desesperada revolta contra o mundo que me rodeava,
sentindo um orgulho de mim que jamais buscava esclarecer, tão absurdo o
pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por um caso perdido,
que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular,
quando enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante
encabulado, todos em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando,
lembrando a bomba, me achincalhando em minha imperfeição de caso perdido.
Esbocei um gesto falsamente alegre de bom-dia, e fui no escritório pegado,
esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia já voltar para o meio de
todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que Tia Velha perdia
com suas preferências:
- Passou seu namorado, Maria.
- Não caso com bombeado - ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma.
Maria não gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal
podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte.
Nós seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até
viajava na Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem
indecente, se opondo ao casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas
ótimo. Houvera um rompimento de amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso
virara escândalo mastigado e remastigado nos comentários de hora de jantar. Tudo
por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela
não havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria.
"Não caso com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os
junto ao rosto, pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca
sem desgosto. Naquele instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que
eu dava em Maria, último beijo, beijo de despedida, que o cheiro desagradável do
papelão confirmou. Estava tudo acabado entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava
com uma raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia
que já não tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto
partira dela, fora por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza,
só vazio, não sei... creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada,
ajoelhar ali junto da escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu
era um perdido mesmo, Maria tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados.
Acho que até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem:
Pus tal firmeza em não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De
resto a mocidade raiava e eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se
passou em mim. Sem abandonar o meu jeito de "perdido", o cultivando mesmo,
ginásio acabado, eu principiara gostando de estudar. Me batera, súbito, aquela
vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo. Era mesmo uma impaciência
raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma orientação. Mas brilhava,
fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes, tinha idéias que
assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos
vinte anos fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e
se desfez de repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata
riquíssimo, casar em duas semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e
partir em busca duma embaixada européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe,
eu me recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e
devorar numa tarde um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia
Rose pra de-noite, e uma linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me
chamavam de "jardineiro", e eu punha na coincidência daqueles duas flores uma
força de destinação fatalizada. Tamanha mesmo que topando numa livraria com The
Gardener de Tagore, comprei o livro e comecei estudando o inglês com loucura.
Mário de Andrade conta num dos seus livros que estudou o alemão por causa dum
emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar
pela primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência,
conversando com mamãe na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda
desabrida:
- Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe
de nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de
canhão. Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se
atordoando com dinheiro e brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que
principiava sendo alguém, estudando por mim fora dos ginásios, vibrando em
versos que muita gente já considerava. E percebi horrorizado, que Rose! nem
Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é que amara sempre,
como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira, desgraçadíssimo,
aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me
imaginar feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria,
era exclusivamente Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em
mim... E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam
falando muito de Maria? Contavam que pintava o sete, ficara célebre com as
extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes às portas do divórcio, com um
caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que só pintava efeitos de
luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão, Maria pintada
nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao
menos me salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se
ela estava se transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era
apenas uma projeção dela, como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos
trocáramos por um estúpido engano de amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim,
mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a ela de novo. Foi a razão da briga
com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite - bebedeira tamanha que acabei
ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico, escândalo, e choro
largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo
depois de jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais.
Cheguei na casa dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de
gente ricaça, criado que leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam
ainda jantando. Me introduziram na saletinha da esquerda, uma espécie de
luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por inteiro, dando pro hol central. Que
fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na
saleta, virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de
preto. Olhem: eu sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive
a sensação da vontade de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida,
fantasticamente mulher. Meu corpo soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
- Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela
estava se entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu
queria, naquele se deixar olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do
corpo, toda vestida de preto. Um segundo, me passou na visão devorá-la numa hora
estilhaçada de quarto de hotel, foi horrível. Porém, não havia dúvida: Maria
despertava em mim os instintos da perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito
indiferente, e as vozes amontoadas vinham do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham,
cuidam de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas
Europas, divorciada afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado
em feiras internacionais. Um aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria...
bom: acho que vou falar banalidade.