Frases e Pensamentos de Aprender

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APRENDER

84 resultados encontrados

A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais.
( ARISTÓTELES )


É lícito aprender mesmo do inimigo
( OVÍDIO )


É necessário aprender a aprender.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Aprender a amar é estar em constante modificação.
( LEO BUSCAGLIA )


O estudante não deve aprender pensamentos,deve aprender a pensar.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Aprender uma coisa significa entrar em contato com um mundo do qual não se tem a menor idéia. É preciso ser humilde para aprender(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


Aprender a dominar é fácil, mas a governar é difícil
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


É fazendo que se aprende a fazer aquilo que se deve aprender a fazer.
( ARISTÓTELES )


Castigar expressa a idéia de dar ao outro uma chance de aprender.
(ROBERTO SHINYASHIKI)


Desistir de aprender é egoísmo. Este é um ditado que eu gosto muito. Quando acalentamos o desejo de aprender mais, nossas vidas estarão repletas de genuína vitalidade e brilho.
(Daisaku Ikeda)


Falando do que não se conhece, acabamos por aprender
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )


Deves aprender as regras do jogo. E depois deves jogar melhor que todo mundo.
(ALBERT EINSTEIN)


Motivo de arrependimento é não aprender com os próprios erros.
( Frases e Pensamentos de Renato Russo )


É sempre possível aprender alguma sabedoria com um sábio.
( Eurípedes ) Mensagem sobre Filosofia


Quem não sente qualquer amor, tem de aprender a lisonjear, senão não se arranja
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


Se você quer trepar, vá à faculdade. Mas se você quer aprender alguma coisa, vá à biblioteca.
( Frank Zappa )


Aquilo que você mais sabe ensinar, é o que você mais precisa aprender
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )


Os homens hão-de aprender que a política não é a moral e que se ocupa apenas do que é oportuno
( HENRY DAVID THOREAU )


Aprender é descobrir o que já se sabe.
( Frases e Pensamentos de Richard Bach) Mensagem sobre Aprendizado


Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar. Ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender
( Blaise Pascal )


Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem.
( Frases e Pensamentos de WINSTON CHURCHILL)


Eu era contra a crase até aprender a usá-la. Hoje, eu a defendo, para não concluir que perdi meu tempo.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)


Ninguém há menos curioso de aprender do que os que nada sabem.
( Frases e Pensamentos de Suard) Mensagem sobre Aprendizado


Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,nunca tem medo e nunca se arrepende.
( Frases e Pensamentos de Leonardo da Vinci


Quando amas alguém e sabes que ele está pronto para aprender e crescer, tu o deixas em liberdade.
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )


Nunca dê as costas a um possível futuro sem antes ter certeza de que não tem nada a aprender com ele
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )


A experiência é uma escola onde são caras as lições, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender
( Frases e Pensamentos de Benjamin Franklin )


Qualquer upgrade custa mais e leva mais tempo para aprender.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Pessimismo


É verdadeiramente velho o homem que pára de aprender, quer tenha 20 ou 80 anos.
( Frases e Pensamentos de Henry Ford) Mensagem sobre Tempo


A magia é uma ponte que te permite ir do mundo visível para o invisível. E aprender as lições de ambos os mundos.(Frases e Pensamentos de Paulo Coelho)


A tarefa mais difícil é aprender a esquecer quem aprendemos a gostar.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Amor


A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender
( Frases e Pensamentos de Albino Teixeira) Mensagem sobre Aprendizado


A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender.
( Frases e Pensamentos de Albino Teixeira) Mensagem sobre Aprendizado


Castigar expressa a idéia de dar ao outro uma chance de aprender.
( Frases e Pensamentos de Roberto Shinyashiki) Mensagem sobre Aprendizado


Muitos não sabem quanto tempo e fadiga custa a aprender a ler. Trabalhei nisso anos e não posso dizer que o tenha conseguido
( JOHANN WOLFGANG VON GOETHE)


Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.
(FRASES E PENSAMENTOS DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)


Temos de aprender que a morte é apenas outro aspecto da vida. É uma separação do veículo, é uma continuação. A morte nos ensina a continuar.
( LEO BUSCAGLIA )


Uma coisa é querer aprender. Outra é querer garantias de que não vai errar.
( Frases e Pensamentos de Geraldo Eustáquio) Mensagem sobre Aprendizado


Aprender música lendo teoria musical é como fazer amor por correspondência.
( Frases e Pensamentos de Luciano Pavarotti) Mensagem sobre Aprendizado


O primeiro problema para todos,homens e mulheres,não é aprender,mas desaprender.
( Frases e Pensamentos de Gloria Steinem) Mensagem sobre Aprendizado


Ninguém é tão grande que não possa aprender,nem tão pequeno que não possa ensinar
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Sabedoria


Ninguém é tão grande que não possa aprender,nem tão pequeno que não possa ensinar.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)


Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,mas com o melhor que pode ser.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa,nunca tem medo e nunca se arrepende.
( Frases e Pensamentos de Leonardo da Vinci) Mensagem sobre Aprendizado


A raça humana não pode prosperar enquanto não aprender que há tanta dignidade em cultivar campos quanto em escrever um poema.
( Booker Washington ) Mensagem sobre Filosofia


Aprender a nunca continuar. Saber começar a cada instante é o segredo de jamais cair na rotina.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom.
(ALBERT EINSTEIN)


P. Por que uma mulher só precisa aprender a contar até 6 ? R. Porque não existe fogão com mais bocas.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Machismo


Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você o sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )


O futuro das organizações - e nações - dependerá cada vez mais de sua capacidade de aprender coletivamente.
( Frases e Pensamentos de Peter Senge) Mensagem sobre Aprendizado


O futuro das organizações - e nações - dependerá cada vez mais de sua capacidade de aprender coletivamente.
( Frases e Pensamentos de Peter Senge) Mensagem sobre Pensamentos


Sei que sou um espírito imperfeito e muito endividado, com necessidade constante de aprender, trabalhar , dominar-me e burilar-me, perante as Leis de Deus.(Frases e Pensamentos de Chico Xavier)


Não há enganos. Os acontecimentos que recaem sobre ti, por muito desagradáveis que sejam, são necessários para que aprendas aquilo que precisas aprender.
( Frases e Pensamentos de Richard Bach )


Se a história se repete,e o inesperado sempre acontece,quão incapaz precisa o homem ser de aprender com a experiência?
( Frases e Pensamentos de George Bernard Shaw) Tema: Aprendizado


Tentar e falhar é,pelo menos,aprender. Não chegar a tentar é sofrer a inestimável perda do que poderia ter sido.
( Frases e Pensamentos de Geraldo Eustáquio) Mensagem sobre Aprendizado


Se a história se repete,e o inesperado sempre acontece,quão incapaz precisa o homem ser de aprender com a experiência?
( Frases e Pensamentos de George Bernard Shaw) Mensagem sobre Aprendizado


O aprendizado nunca termina. Não existe parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo,há lições para aprender.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


A verdadeira liberdade é um ato puramente interior,como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere,e a estar sozinhos até no meio da multidão.
( Frases e Pensamentos de Massimo Bontempelli) Mensagem sobre Liberdade


A fim de aprender, temos de ser livres. Você tem de ser livre para experimentar, tentar, livre para errar, e lucro muito com meus erros. O segredo está em não cometer o mesmo erro duas vezes. Mas preciso estar livre para experimentar e tentar.
( LEO BUSCAGLIA )


E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Imagino que para lidar com as diferenças entre nós e as outras pessoas, temos que aprender compaixão, autocontrole, piedade, perdão, simpatia e amor - virtudes sem as quais nem nós, nem o mundo, podemos sobreviver.
( Wendell Berry ) Mensagem sobre Filosofia


A auto-satisfação é inimiga do estudo. Se queremos realmente aprender alguma coisa, devemos começar por libertar-nos disso. Em relação a nós próprios devemos ser 'insaciáveis na aprendizagem' e em relação aos outros, 'insaciáveis no ensino'
( Frases e Pensamentos de Mao Tsé-Tung )


A auto-satisfação é inimiga do estudo. Se queremos realmente aprender alguma coisa, devemos começar por libertar-nos disso. Em relação a nós próprios devemos ser 'insaciáveis na aprendizagem' e em relação aos outros, 'insaciáveis no ensino'.
( Frases e Pensamentos de Mao Tsé-Tung )


Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga,você será em algum momento condenado.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Você deve aprender que não pode ser amado por todas as pessoas. Isso é o ideal. No mundo dos homens, isso é raramente encontrado. Pode ser a melhor ameixa do mundo, madura, suculenta, doce, e oferecer-se a todos. Mas deve se lembrar de que existem pessoas que não gostam de ameixas.
( LEO BUSCAGLIA )


Se você ama uma pessoa, olhará para ela cuidadosamente. Ela está mudando a cada dia através de um processo lento e gradual que você certamente perderá se não aprender a olhar.Você deve compreender que a mudança é inevitável e quando direcionada para o amor e a auto-realização, é sempre boa.
( LEO BUSCAGLIA )


É importante aprender a não se aborrecer com opiniões diferentes das suas, mas dispor-se a trabalhar para entender como elas surgiram. Se depois de entendê-las ainda lhe parecerem falsas, então poderá combatê-las com mais eficiência do que se você tivesse se mantido simplesmente chocado.
( Bertrand Russell )


Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal de período integral chamada vida. A cada dia nesta escola,terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar dessas lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Vida


Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal de período integral chamada vida. A cada dia nesta escola,terá a oportunidade de aprender lições. Você poderá gostar dessas lições ou considerá-las irrelevantes ou estúpidas.
( Frases e Pensamentos de Autor Desconhecido) Mensagem sobre Aprendizado


Analfabetismo - Ninguém precisa aprender a ler para trabalhar na enxada. - Não precisamos de escolas: precisamos de médicos. - Mas a ignorância é responsável pela doença e a miséria! - Saem da escola e na roça esquecem o que aprenderam. - Não querem mais voltar para a lavoura.
( Frases e Pensamentos de Fernando Sabino)


Sentir primeiro, pensar depois Perdoar primeiro, julgar depois Amar primeiro, educar depois Esquecer primeiro, aprender depois Libertar primeiro, ensinar depois Alimentar primeiro, cantar depois Possuir primeiro, contemplar depois Agir primeiro, julgar depois Navegar primeiro, aportar depois Viver primeiro, morrer depois(Frases e Pensamentos de Mário Quintana)


A economia emergente baseia-se no conhecimento, na imaginação, na curiosidade e no talento. E se pudéssemos aprender a explorar as ricas e maravilhosas diferenças entre as pessoas? Uma empresa capaz de explorar a singularidade de cada um de seus mil funcionários (ou 10 ou 10 mil) seria extremamente poderosa? De forma negativa, uma empresa que não descobre como usar as curiosidades especiais de seu pessoal não estará fada a ter problemas?
( Tom Peters ) Mensagem sobre Filosofia


Impressões mal Fundamentadas ( PLATÃO )

Sócrates- Quando a cera que está na alma de alguém é não apenas densa, mas
abundante e lisa, com a consistência adequada, o que vem através das percepções
grava-se neste «coração» da alma. Como Homero lhe chama de modo enigmático,
referindo-se à semelhança com a cera. Nesse momento, os sinais tornam-se puros
nestas pessoas e têm suficiente densidade para chegarem a ser duradouros.
Quantos são desse tipo têm, em primeiro lugar, facilidade em aprender, em
segundo, boa memória, e, em terceiro, não desviam os sinais das suas percepções,
mas têm opiniões verdadeiras. Com efeito, dado que os sinais são claros e bem
espaçados, distribuem-nos rapidamente em cada uma das impressões, às quais sem
dúvida se chama coisas que são. E estas pessoas são chamadas sábias. Ou não te
parece?
Teeteto- Sem dúvida. A explicação é maravilhosamente convincente.
Sócrates- Ora bem, vejamos o que sucede quando o coração de uma pessoa é hirsuto
- coisa que o poeta elogiou, na sua enorme sabedoria - ou, quando a cera está
suja e é impura, ou quando é extremamente líquida ou dura: aqueles cuja cera é
líquida têm facilidade para aprender, mas tornam-se esquecidos, enquanto, com
aqueles cuja cera é dura, ocorre o contrário. Os que têm a sua cera hirsuta e
áspera, como se fosse de pedra, repleta de terra, ou de sujidade mesclada com
ela, têm impressões sem clareza. Os que a têm dura também têm as impressões sem
clareza, pois têm-nas sem densidade. E os que a têm líquida, por sua vez, também
carecem de clareza, pois, por acção da fusão, rapidamente se tornam confusas. E
se, além de tudo isto, as impressões caíram umas em cima das outras, devido à
falta de espaço, e, se a alminha de uma pessoa é pequena, são ainda mais
carentes de clareza que aquelas. Por conseguinte, todos estes são os que chegam
a opinar falsidades, pois, quando vêem, ouvem ou pensam algo não são capazes de
distribuir com rapidez a impressão a cada coisa e são lentos. E, ao distribuirem
o que corresponde a outra, não só vêem mal, como ainda por cima ouvem e pensam
mal, na maior parte das vezes. Estes são os que não só se encontram na
falsidade, a respeito da realidade, como são chamados ignorantes.


Por não estarem distraídos(Frases e Pensamentos de Clarice Lispector)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a
garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca
entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta
sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam
e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede
deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a
sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o
brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles
admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se
transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande
dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não
via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto
ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais
erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham
prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de
súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar
um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se
estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a
carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou
os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Afirmando ironicamente que de nada sabia, Sócrates logo de início desarmava seu interlocutor e encorajava-o a expor seus pontos fracos. Através de perguntas, introduzia ora um, ora outro conceito, até que a pessoa via-se em tal conflito que já não podia prosseguir. Embaraçada, percebia que não sabia o que julgava saber e que apenas cultivara preconceitos. A partir daí, Sócrates podia guiá-la para o verdadeiro conhecimento, fazendo que extraísse de si mesma a resposta.
Certa vez, um rico habitante de Larissa chamado Mênon, viajou até Atenas para aprender a retórica dos sofistas. Ao encontrar Sócrates na praça, descalço e de ar zombeteiro, não resistiu a provocá-lo:
-- "Poderias me dizer, Sócrates, se a virtude pode ser ensinada? Ou se ela se adquire por exercício?"
-- "Muito me honras, estrangeiro, se julgas que sei se a virtude pode ser ensinada ou se ela se adquire de outro modo. Na realidade, confesso-te, Mênon, que não o sei. Aliás, nem sei o que é a virtude. E não sabendo o que é uma coisa, como queres que saiba como ela é?
A conversa prossegue, e a palavra passa rapidamente de um a outro interlocutor, até que Mênon, sente-se embaraçado e interrompe o diálogo. Irritado, tenta ridicularizar Sócrates e compara-o à tremelga marinha, peixe de abdômen volumoso, cabeça grande e lisa, capaz de desferir descargas elétricas, paralisando a quem o toca. Com isso, referia-se tanto ao físico de Sócrates, quanto ao seu modo de discutir.
Passado o choque inicial, Mênon vem a receber ampla compensação. É no decorrer deste diálogo que Sócrates fórmula sua teoria da reminiscência. Segundo ela, nada se aprende e nada se ensina, pois a alma apenas se recorda, de tudo que viu e de tudo que conheceu em suas infinitas vivências. A verdadeira ciência e a verdadeira opinião são apenas uma vaga recordação das verdades eternas que um dia a alma contemplou (Platão, Mênon).


Será o Benedito! Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

A primeira vez que me encontrei com Benedito, foi no dia mesmo da minha chegada
na Fazenda Larga, que tirava o nome das suas enormes pastagens. O negrinho era
quase só pernas, nos seus treze anos de carreiras livres pelo campo, e enquanto
eu conversava com os campeiros, ficara ali, de lado, imóvel, me olhando com
admiração. Achando graça nele, de repente o encarei fixamente, voltando-me para
o lado em que ele se guardava do excesso de minha presença. Isso, Benedito
estremeceu, ainda quis me olhar, mas não pôde agüentar a comoção. Mistura de
malícia e de entusiasmo no olhar, ainda levou a mão à boca, na esperança talvez
de esconder as palavras que lhe escapavam sem querer:
- O hôme da cidade, chi!...
Deu uma risada quase histérica, estalada insopitavelmente dos seus sonhos
insatisfeitos, desatou a correr pelo caminho, macaco-aranha, num mexe-mexe
aflito de pernas, seis, oito pernas, nem sei quantas, até desaparecer por detrás
das mangueiras grossas do pomar.
Nos primeiros dias Benedito fugiu de mim. Só lá pelas horas da tarde, quando eu
me deixava ficar na varanda da casa-grande, gozando essa tristeza sem motivo das
nossas tardes paulistas, o negrinho trepava na cerca do mangueirão que
defrontava o terraço, uns trinta passos além, e ficava, só pernas, me olhando
sempre, decorando os meus gestos, às vezes sorrindo para mim. Uma feita, em que
eu me esforçava por prender a rédea do meu cavalo numa das argolas do mangueirão
com o laço tradicional, o negrinho saiu não sei de onde, me olhou nas minhas
ignorâncias de praceano, e não se conteve:
- Mas será o Benedito! Não é assim, moço!
Pegou na rédea e deu o laço com uma presteza serelepe. Depois me olhou irônico e
superior. Pedi para ele me ensinar o laço, fabriquei um desajeitamento muito
grande, e assim principiou uma camaradagem que durou meu mês de férias.
Pouco aprendi com o Benedito, embora ele fosse muito sabido das coisas rurais. O
que guardei mais dele foi essa curiosa exclamação, "Será o Benedito!", com que
ele arrematava todas as suas surpresas diante do que eu lhe contava da cidade.
Porque o negrinho não me deixava aprender com ele, ele é que aprendia comigo
todas as coisas da cidade, a cidade que era a única obsessão da sua vida.
Tamanho entusiasmo, tamanho ardor ele punha em devorar meus contos, que às vezes
eu me surpreendia exagerando um bocado, para não dizer que mentindo. Então eu me
envergonhava de mim, voltava às mais perfeitas realidades, e metia a boca na
cidade, mostrava o quanto ela era ruim e devorava os homens. "Qual, Benedito, a
cidade não presta, não. E depois tem a tuberculose que..."
- O que é isso?...
- É uma doença, Benedito, uma doença horrível, que vai comendo o peito da gente
por dentro, a gente não pode mais respirar e morre em três tempos.
- Será o Benedito...
E ele recuava um pouco, talvez imaginando que eu fosse a própria tuberculose que
o ia matar. Mas logo se esquecia da tuberculose, só alguns minutos de mutismo e
melancolia, e voltava a perguntar coisas sobre os arranha-céus, os "chauffeurs"
(queria ser "chauffeur"...), os cantores de rádio (queria ser cantor de
rádio...), e o presidente da República (não sei se queria ser presidente da
República). Em troca disso, Benedito me mostrava os dentes do seu riso
extasiado, uns dentes escandalosos, grandes e perfeitos, onde as violentas
nuvens de setembro se refletiam, numa brancura sem par.
Nas vésperas de minha partida, Benedito veio numa corrida e me pôs nas mãos um
chumaço de papéis velhos. Eram cartões postais usados, recortes de jornais, tudo
fotografias de São Paulo e do Rio, que ele colecionava. Pela sujeira e amassado
em que estavam, era fácil perceber que aquelas imagens eram a única Bíblia, a
exclusiva cartilha do negrinho. Então ele me pediu que o levasse comigo para a
enorme cidade. Lembrei-lhe os pais, não se amolou; lembrei-lhe as brincadeiras
livres da roça, não se amolou; lembrei-lhe a tuberculose, ficou muito sério. Ele
que reparasse, era forte mas magrinho e a tuberculose se metia principalmente
com os meninos magrinhos. Ele precisava ficar no campo, que assim a tuberculose
não o mataria. Benedito pensou, pensou. Murmurou muito baixinho:
- Morrer não quero, não sinhô... Eu fico.
E seus olhos enevoados numa profunda melancolia se estenderam pelo plano aberto
dos pastos, foram dizer um adeus à cidade invisível, lá longe, com seus
"chauffeurs", seus cantores de rádio, e o presidente da República. Desistiu da
cidade e eu parti. Uns quinze dias depois, na obrigatória carta de resposta à
minha obrigatória carta de agradecimentos, o dono da fazenda me contava que
Benedito tinha morrido de um coice de burro bravo que o pegara pela nuca. Não
pude me conter: "Mas será o Benedito!... E é o remorso comovido que me faz
celebrá-lo aqui.


Vestida de Preto Mário de Andrade ( MÁRIO DE ANDRADE )

Tanto andam agora preocupados em definir o conto que não sei bem se o que vou
contar é conto ou não, sei que é verdade. Minha impressão é que tenho amado
sempre. Depois do amor grande por mim que brotou aos três anos e durou até os
cinco mais ou menos, logo o meu amor se dirigiu para uma espécie de prima
longínqua que freqüentava a nossa casa. Como se vê, jamais sofri do complexo de
Édipo, graças a Deus. Toda a minha vida, mamãe e eu fomos muito bons amigos, sem
nada de amores perigosos.
Maria foi o meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu
nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se
acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom, e principalmente as
palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme
e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo aliás durava pouco, porque logo
a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos
primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas
sensível naquele instinto de estarmos sós.
E só mais tarde, já pelos nove ou dez anos, é que lhe dei nosso único beijo, foi
maravilhoso. Se a criançada estava toda junta naquela casa sem jardim da Tia
Velha, era fatal brincarmos de família, porque assim Tia Velha evitava correrias
e estragos. Brinquedo aliás que nos interessava muito, apesar da idade já
avançada para ele. Mas é que na casa de Tia Velha tinha muitos quartos, de forma
que casávamos rápido, só de boca, sem nenhum daqueles cerimoniais de mentira que
dantes nos interessavam tanto, e cada par fugia logo, indo viver no seu quarto.
Os melhores interesses infantis do brinquedo, fazer comidinha, amamentar
bonecas, pagar visitas, isso nós deixávamos com generosidade apressada para os
menores. Íamos para os nossos quartos e ficávamos vivendo lá. O que os outros
faziam, não sei. Eu, isto é, eu com Maria, não fazíamos nada. Eu adorava
principalmente era ficar assim sozinho com ela, sabendo várias safadezas já mas
sem tentar nenhuma. Havia, não havia não, mas sempre como que havia um perigo
iminente que ajuntava o seu crime à intimidade daquela solidão. Era suavíssimo e
assustador.
Maria fez uns gestos, disse algumas palavras. Era o aniversário de alguém, não
lembro mais, o quarto em que estávamos fora convertido em dispensa, cômodas e
armários cheios de pratos de doces para o chá que vinha logo. Mas quem se
lembrasse de tocar naqueles doces, no geral secos, fáceis de disfarçar qualquer
roubo! estávamos longe disso. O que nos deliciava era mesmo a grave solidão.
Nisto os olhos de Maria caíram sobre o travesseiro sem fronha que estava sobre
uma cesta de roupa suja a um canto. E a minha esposa teve uma invenção que eu
também estava longe de não ter. Desde a entrada no quarto eu concentrara todos
os meus instintos na existência daquele travesseiro, o travesseiro cresceu como
um danado dentro de mim e virou crime. Crime não, "pecado" que é como se dizia
naqueles tempos cristãos... E por causa disso eu conseguira não pensar até ali,
no travesseiro.
- Já é tarde, vamos dormir - Maria falou.
Fiquei estarrecido, olhando com uns fabulosos olhos de imploração para o
travesseiro quentinho, mas quem disse travesseiro ter piedade de mim. Maria,
essa estava simples demais para me olhar e surpreender os efeitos do convite:
olhou em torno e afinal, vasculhando na cesta de roupa suja, tirou de lá uma
toalha de banho muito quentinha que estendeu sobre o assoalho. Pôs o travesseiro
no lugar da cabeceira, cerrou as venezianas da janela sobre a tarde, e depois
deitou, arranjando o vestido pra não amassar.
Mas eu é que nunca havia de pôr a cabeça naquele restico de travesseiro que ela
deixou pra mim, me dando as costas. Restico sim, apesar do travesseiro ser
grande. Mas imaginem numa cabeleira explodindo, os famosos cabelos assustados de
Maria, citação obrigatória e orgulho de família. Tia Velha, muito ciumenta por
causa duma neta preferida que ela imaginava deusa, era a única a pôr defeito nos
cabelos de Maria.
- Você não vem dormir também? - ela perguntou com fragor, interrompendo o meu
silêncio trágico.
- Já vou - que eu disse - estou conferindo a conta do armazém.
Fui me aproximando incomparavelmente sem vontade, sentei no chão tomando cuidado
em sequer tocar no vestido, puxa! também o vestido dela estava completamente
assustado, que dificuldade! Pus a cara no travesseiro sem a menor intenção de.
Mas os cabelos de Maria, assim era pior, tocavam de leve no meu nariz, eu podia
espirrar, marido não espirra. Senti, pressenti que espirrar seria muito
ridículo, havia de ser um espirrão enorme, os outros escutavam lá da
sala-de-visita longínqua, e daí é que o nosso segredo se desvendava todinho.
Fui afundando o rosto naquela cabeleira e veio a noite, senão os cabelos (mas
juro que eram cabelos macios) me machucavam os olhos. Depois que não vi nada,
ficou fácil continuar enterrando a cara, a cara toda, a alma, a vida, naqueles
cabelos, que maravilha! até que o meu nariz tocou num pescocinho roliço. Então
fui empurrando os meus lábios, tinha uns bonitos lábios grossos, nem eram
lábios, era beiço, minha boca foi ficando encanudada até que encontrou o
pescocinho roliço. Será que ela dorme de verdade?... Me ajeitei muito sem-cerimô
nia, mulherzinha! e então beijei. Quem falou que este mundo é ruim! só
recordar... Beijei Maria, rapazes! eu nem sabia beijar, está claro, só beijava
mamães, boca fazendo bulha, contato sem nenhum calor sensual.
Maria, só um leve entregar-se, uma levíssima inclinação pra trás me fez sentir
que Maria estava comigo em nosso amor. Nada mais houve. Não, nada mais houve.
Durasse aquilo uma noite grande, nada mais haveria porque é engraçado como a
perfeição fixa a gente. O beijo me deixara completamente puro, sem minhas
curiosidades nem desejos de mais nada, adeus pecado e adeus escuridão! Se fizera
em meu cérebro uma enorme luz branca, meu ombro bem que doía no chão, mas a luz
era violentamente branca, proibindo pensar, imaginar, agir. Beijando.
Tia Velha, nunca eu gostei de Tia Velha, abriu a porta com um espanto
barulhento. Percebi muito bem, pelos olhos dela, que o que estávamos fazendo era
completamente feio.
- Levantem!... Vou contar pra sua mãe, Juca!
Mas eu, levantando com a lealdade mais cínica deste mundo!
- Tia Velha me dá um doce?
Tia Velha - eu sempre detestei Tia Velha, o tipo da bondade Berlitz, injusta,
sem método - pois Tia Velha teve a malvadeza de escorrer por mim todo um olhar
que só alguns anos mais tarde pude compreender inteiramente. Naquele instante,
eu estava só pensando em disfarçar, fingindo uma inocência que poucos segundos
antes era real.
- Vamos! saiam do quarto!
Fomos saindo muito mudos, numa bruta vergonha, acompanhados de Tia Velha e os
pratos que ela viera buscar para a mesa de chá.
O estranhíssimo é que principiou, nesse acordar à força provocado por Tia Velha,
uma indiferença inexplicável de Maria por mim. Mais que indiferença, frieza
viva, quase antipatia. Nesse mesmo chá inda achou jeito de me maltratar diante
de todos, fiquei zonzo.
Dez, treze, quatorze anos... Quinze anos. Foi então o insulto que julguei
definitivo. Eu estava fazendo um ginásio sem gosto, muito arrastado, cheio de
revoltas íntimas, detestava estudar. Só no desenho e nas composições de
português tirava as melhores notas. Vivia nisso: dez nestas matérias, um, zero
em todas as outras. E todos os anos era aquela já esperada fatalidade: uma, duas
bombas (principalmente em matemáticas) que eu tomava apenas o cuidado de apagar
nos exames de segunda época.
Gostar, eu continuava gostando muito de Maria, cada vez mais, conscientemente
agora. Mas tinha uma quase certeza que ela não podia gostar de mim, quem gostava
de mim!... Minha mãe... Sim, mamãe gostava de mim, mas naquele tempo eu chegava
a imaginar que era só por obrigação. Papai, esse foi sempre insuportável,
incapaz de uma carícia. Como incapaz de uma repreensão também. Nem mesmo comigo,
a tara da família, ele jamais ralhou. Mas isto é caso pra outro dia. O certo é
que, decidido em minha desesperada revolta contra o mundo que me rodeava,
sentindo um orgulho de mim que jamais buscava esclarecer, tão absurdo o
pressentia, o certo é que eu já principiava me aceitando por um caso perdido,
que não adiantava melhorar.
Esse ano até fora uma bomba só. Eu entrava da aula do professor particular,
quando enxerguei a saparia na varanda e Maria entre os demais. Passei bastante
encabulado, todos em férias, e os livros que eu trazia na mão me denunciando,
lembrando a bomba, me achincalhando em minha imperfeição de caso perdido.
Esbocei um gesto falsamente alegre de bom-dia, e fui no escritório pegado,
esconder os livros na escrivaninha de meu pai. Ia já voltar para o meio de
todos, mas Matilde, a peste, a implicante, a deusa estúpida que Tia Velha perdia
com suas preferências:
- Passou seu namorado, Maria.
- Não caso com bombeado - ela respondeu imediato, numa voz tão feia, mas tão
feia, que parei estarrecido. Era a decisão final, não tinha dúvida nenhuma.
Maria não gostava mais de mim. Bobo de assim parado, sem fazer um gesto, mal
podendo respirar.
Aliás um caso recente vinha se ajuntar ao insulto pra decidir de minha sorte.
Nós seríamos até pobretões, comparando com a família de Maria, gente que até
viajava na Europa. Pois pouco antes, os pais tinham feito um papel bem
indecente, se opondo ao casamento duma filha com um rapaz diz-que pobre mas
ótimo. Houvera um rompimento de amizade, mal-estar na parentagem toda, o caso
virara escândalo mastigado e remastigado nos comentários de hora de jantar. Tudo
por causa do dinheiro.
Se eu insistisse em gostar de Maria, casar não casava mesmo, que a família dela
não havia de me querer. Me passou pela cabeça comprar um bilhete de loteria.
"Não caso com bombeado"... Fui abraçando os livros de mansinho, acariciei-os
junto ao rosto, pousei a minha boca numa capa, suja de pó suado, retirei a boca
sem desgosto. Naquele instante eu não sabia, hoje sei: era o segundo beijo que
eu dava em Maria, último beijo, beijo de despedida, que o cheiro desagradável do
papelão confirmou. Estava tudo acabado entre nós dois.
Não tive mais coragem pra voltar à varanda e conversar com... os outros. Estava
com uma raiva desprezadora de todos, principalmente de Matilde. Não, me parecia
que já não tinha raiva de ninguém, não valia a pena, nem de Matilde, o insulto
partira dela, fora por causa dela, mas eu não tinha raiva dela não, só tristeza,
só vazio, não sei... creio que uma vontade de ajoelhar. Ajoelhar sem mais nada,
ajoelhar ali junto da escrivaninha e ficar assim, ajoelhar. Afinal das contas eu
era um perdido mesmo, Maria tinha razão, tinha razão, tinha razão, que tristeza!
Foi o fim? Agora é que vem o mais esquisito de tudo, ajuntando anos pulados.
Acho que até não consigo contar bem claro tudo o que sucedeu. Vamos por ordem:
Pus tal firmeza em não amar Maria mais, que nem meus pensamentos me traíram. De
resto a mocidade raiava e eu tinha tudo a aprender. Foi espantoso o que se
passou em mim. Sem abandonar o meu jeito de "perdido", o cultivando mesmo,
ginásio acabado, eu principiara gostando de estudar. Me batera, súbito, aquela
vontade irritada de saber, me tornara estudiosíssimo. Era mesmo uma impaciência
raivosa, que me fazia devorar bibliotecas, sem nenhuma orientação. Mas brilhava,
fazia conferências empoladas em sociedadinhas de rapazes, tinha idéias que
assustavam todo o mundo. E todos principiavam maldando que eu era muito
inteligente mas perigoso.
Maria, por seu lado, parecia uma doida. Namorava com Deus e todo o mundo, aos
vinte anos fica noiva de um rapaz bastante rico, noivado que durou três meses e
se desfez de repente, pra dias depois ela ficar noiva de outro, um diplomata
riquíssimo, casar em duas semanas com alegria desmedida, rindo muito no altar e
partir em busca duma embaixada européia com o secretário chique seu marido.
Às vezes meio tonto com estes acontecimentos fortes, acompanhados meio de longe,
eu me recordava do passado, mas era só pra sorrir da nossa infantilidade e
devorar numa tarde um livro incompreensível de filosofia. De mais a mais, havia
Rose pra de-noite, e uma linda namoradinha oficial, a Violeta. Meus amigos me
chamavam de "jardineiro", e eu punha na coincidência daqueles duas flores uma
força de destinação fatalizada. Tamanha mesmo que topando numa livraria com The
Gardener de Tagore, comprei o livro e comecei estudando o inglês com loucura.
Mário de Andrade conta num dos seus livros que estudou o alemão por causa dum
emboaba tordilha... eu também: meu inglês nasceu duma Violeta e duma Rose.
Não, nasceu de Maria. Foi quando uns cinco anos depois, Maria estava pra voltar
pela primeira vez ao Brasil, a mãe dela, queixosa de tamanha ausência,
conversando com mamãe na minha frente, arrancou naquele seu jeito de gorda
desabrida:
- Pois é, Maria gostou tanto de você, você não quis!... e agora ela vive longe
de nós.
Pela terceira vez fiquei estarrecido neste conto. Percebi tudo num tiro de
canhão. Percebi ela doidejando, noivando com um, casando com outro, se
atordoando com dinheiro e brilho. Percebi que eu fora uma besta, sim agora que
principiava sendo alguém, estudando por mim fora dos ginásios, vibrando em
versos que muita gente já considerava. E percebi horrorizado, que Rose! nem
Violeta, nem nada! era Maria que eu amava como louco! Maria é que amara sempre,
como louco: ôh como eu vinha sofrendo a vida inteira, desgraçadíssimo,
aprendendo a vencer só de raiva, me impondo ao mundo por despique, me
superiorizando em mim só por vingança de desesperado. Como é que eu pudera me
imaginar feliz, pior: ser feliz, sofrendo daquele jeito! Eu? eu não! era Maria,
era exclusivamente Maria toda aquela superioridade que estava aparecendo em
mim... E tudo aquilo era uma desgraça muito cachorra mesma. Pois não andavam
falando muito de Maria? Contavam que pintava o sete, ficara célebre com as
extravagâncias e aventuras. Estivera pouco antes às portas do divórcio, com um
caso escandaloso por demais, com um pintor de nomeada que só pintava efeitos de
luz. Maria falada, Maria bêbeda, Maria passada de mão em mão, Maria pintada
nua...
Se dera como que uma transposição de destinos... E tive um pensamento que ao
menos me salvou no instante: se o que tinha de útil agora em mim era Maria, se
ela estava se transformando no Juca imperfeitíssimo que eu fora, se eu era
apenas uma projeção dela, como ela agora apenas uma projeção de mim, se nos
trocáramos por um estúpido engano de amor: mas ao menos que eu ficasse bem ruim,
mas bem ruim mesmo outra vez pra me igualar a ela de novo. Foi a razão da briga
com Violeta, impiedosa, e a farra dessa noite - bebedeira tamanha que acabei
ficando desacordado, numa série de vertigens, com médico, escândalo, e choro
largo de mamãe com minha irmã.
Bom, tinha que visitar Maria, está claro, éramos "gente grande" agora. Quando
soube que ela devia ir a um banquete, pensei comigo: "ótimo, vou hoje logo
depois de jantar, não encontro ela e deixo o cartão". Mas fui cedo demais.
Cheguei na casa dos pais dela, seriam nove horas, todos aqueles requififes de
gente ricaça, criado que leva cartão numa salva de prata etc. Os da casa estavam
ainda jantando. Me introduziram na saletinha da esquerda, uma espécie de
luís-quinze muito sem-vergonha, dourado por inteiro, dando pro hol central. Que
fizesse o favor de esperar, já vinham.
Contemplando a gravura cor-de-rosa, senti de supetão que tinha mais alguém na
saleta, virei. Maria estava na porta, olhando pra mim, se rindo, toda vestida de
preto. Olhem: eu sei que a gente exagera em amor, não insisto. Mas se eu já tive
a sensação da vontade de Deus, foi ver Maria assim, toda de preto vestida,
fantasticamente mulher. Meu corpo soluçou todinho e tornei a ficar estarrecido.
- Ao menos diga boa-noite, Juca...
"Boa-noite, Maria, eu vou-me embora"... meu desejo era fugir, era ficar e ela
ficar mas, sim, sem que nos tocássemos sequer. Eu sei, eu juro que sei que ela
estava se entregando a mim, me prometendo tudo, me cedendo tudo quanto eu
queria, naquele se deixar olhar, sorrindo leve, mãos unidas caindo na frente do
corpo, toda vestida de preto. Um segundo, me passou na visão devorá-la numa hora
estilhaçada de quarto de hotel, foi horrível. Porém, não havia dúvida: Maria
despertava em mim os instintos da perfeição. Balbuciei afinal um boa-noite muito
indiferente, e as vozes amontoadas vinham do hol, dos outros que chegavam.
Foi este o primeiro dos quatro amores eternos que fazem de minha vida uma grave
condensação interior. Sou falsamente um solitário. Quatro amores me acompanham,
cuidam de mim, vêm conversar comigo. Nunca mais vi Maria, que ficou pelas
Europas, divorciada afinal, hoje dizem que vivendo com um austríaco interessado
em feiras internacionais. Um aventureiro qualquer. Mas dentro de mim, Maria...
bom: acho que vou falar banalidade.