Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito,desconfio que haja falta de amor.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima, porém produção.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Sem forma revolucionária não há arte revolucionária.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Traduzir poemas é tarefa difícil, especialmente os meus.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Uma outra razão da dificuldade da tradução de meus versos vem de que introduzo nos versos a linguagem quotidiana, falada...
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Tais versos só são compreensíveis e só têm graça se se sente o sistema geral da língua, e são quase intraduzíveis, como jogos de palavras.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
A arte não é um espelho para reflectir o mundo, mas um martelo para forjá-lo
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Se a criança é um porquinho, quando adulto não poderá ser outra coisa senão um porco
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Não é difícil morrer nesta vida: / Viver é muito mais difícil
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coração.
( Frases e Pensamentos de Vladimir Maiakovski)
Eu à poesia só permito uma forma: concisão, precisão das fórmulas matemáticas. Às parlengas poéticas estou acostumado, eu ainda falo versos e não fatos. Porém se eu falo "A" este "a" é uma trombeta-alarma para a Humanidade. Se eu falo "B" é uma nova bomba na batalha do homem.
Desatarei a fantasia em cauda de pavão num ciclo de matizes, entregarei a alma ao poder do enxame das rimas imprevistas. Ânsia de ouvir de novo como me calarão das colunas das revistas esses que sob a árvore nutriz es- cavam com seus focinhos as raízes.
Costurarei calças pretas com o veludo da minha garganta e uma blusa amarela com três metros de poente. pela Niévski do mundo, como criança grande, andarei, donjuan, com ar de dândi. Que a terra gema em sua mole indolência: "Não viole o verde de as minhas primaveras!" Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência: "No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!" Não sei se é porque o céu é azul celeste e a terra, amante, me estende as mãos ardentes que eu faço versos alegres como marionetes e afiados e precisos como palitar dentes! Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta garota que me olha com amor de gêmea, cubram-me de sorrisos, que eu, poeta, com flores os bordarei na blusa cor de gema!
A todos vocês, que eu amei e que eu amo, ícones guardados num coração-caverna, como quem num banquete ergue a taça e celebra, repleto de versos levanto meu crânio. Penso, mais de uma vez: seria melhor talvez pôr-me o ponto final de um balaço. Em todo caso eu hoje vou dar meu concerto de adeus. Memória! Convoca aos salões do cérebro um renque inumerável de amadas. Verte o riso de pupila em pupila, veste a noite de núpcias passadas. De corpo a corpo verta a alegria. esta noite ficará na História. Hoje executarei meus versos na flauta de minhas próprias vértebras.
Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas
só
soluçando eu avanço por vias que se encruz-
ilham
à vista
de cruci-
fixos
polícias
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama
O mar se vai o mar de sono se esvai Como se diz: o caso está enterrado a canoa do amor se quebrou no quotidiano Estamos quites Inútil o apanhado da mútua dor mútua quota de dano
Passa de uma você deve estar na cama À noite a Via Láctea é um Oka de prata Não tenho pressa para que acordar-te com relâmpago de mais um telegrama como se diz o caso está enterrado a canoa do amor se quebrou no quotidiano Estamos quites inútil o apanhado da mútua do mútua quota de dano Vê como tudo agora emudeceu Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu em horas como esta eu me ergo e converso com os séculos a história do universo
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras Não as que se aplaudem do alto dos teatros Mas as que arrancam caixões da treva e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro Às vezes as relegam inauditas inéditas Mas a palavra galopa com a cilha tensa ressoa os séculos e os trens rastejam para lamber as mãos calosas da poesia Sei o pulso das palavras parecem fumaça Pétalas caídas sob o calcanhar da dança Mas o homem com lábios alma carcaça.
Não acabarão nunca com o amor, nem as rusgas, nem a distância. Está provado, pensado, verificado. Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento: Amo firme, fiel e verdadeiramente.
Cada um ao nascer traz sua dose de amor, mas os empregos, o dinheiro, tudo isso, nos resseca o solo do coração. Sobre o coração levamos o corpo, sobre o corpo a camisa, mas isto é pouco. Alguém imbecilmente inventou os punhos e sobre os peitos fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem. A mulher se pinta. O homem faz ginástica pelo sistema Muller. Mas é tarde. A pele enche-se de rugas. O amor floresce, floresce, e depois desfolha.
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Como cento e quarenta sóis o sol-pôr resplandece, Julho bem entrado, um calor pesado na dacha. Curvava-se o cabeço de Púshkino para o morro de Akúlov, e no sopé da colina - uma aldeia torcendo-se em telhados de casca. E atrás da aldeia - um buraco, e a esse buraco, certamente, descia o sol todas as tardes, lentamente. E no dia seguinte de novo a inundar o mundo erguia-se vermelho. E dia após dia terrivelmente a irritar- -me lá estava ele. E assim enfurecendo-me um dia, de raiva fiquei pálido e gritei: "Vai-te! Chega de preguiçar no Inferno!" E prossegui: "Parasita! Entre as nuvens sem fazer nada e eu aqui - há tanto tempo sentado a desenhar cartazes!" E ainda: "Espera! Escuta, ó cabeça doirada, porque não deixas essa vida, e não vens até minha casa tomar chá?" O que eu fiz! Estou tramado! Para minha casa, como um boi manso, estendendo os raios-passos andou o sol nos campos. Não quero mostrar receio - e retirar-me de costas. Mas já estão no quintal os seus olhos. Já anda no meu quintal. Pela janela, pela porta, pelas gretas escorre a massa do sol, tudo invade; e tomando alento, começou a falar: "Afasto-me do fogo pela primeira vez desde a criação. Chamaste-me? Então vamos ao chá, ao chá, poeta, com geleia!" Eu estava com lágrimas nos olhos - meio louco de calor mas apontei-lhe o samovar: "Então, senta-te, astro!" O diabo tirou da manga a minha audácia de lhe gritar - desconcertado, sentei-me no meu canto, temendo o pior! Mas os estranhos raios do sol Correram, - e a minha tensão esquecendo, sentei-me, a conversar com o astro calmamente. Falei disto, daquilo, da horrível ROSTA, mas o sol: "Muito bem, não te zangues, encara as coisas com simplicidade! E eu, julgas que brilhar é fácil? Experimenta! A mim disseram-me que fosse brilhar, e eu brilho com toda a gana!" Demos assim à língua até ao escurecer - isto é, até à noite passada. Que escuridão esta! Em "ti" há eu e tu, coragem. E não tardámos a ficar amigos. Bato-lhe no ombro. E o sol também: "Tu e eu somos camaradas! Vamos, poeta, olhemos, cantemos neste mundo tão chato. Eu ponho a minha luz solar, e tu - a tua em versos." As paredes de trevas, as prisões da noite, sobre a terra serão esmagadas pelos nossos dois ataques. A desordem de versos e de luz - brilha naquilo que atinge! Cansa-se então, e quer dormir, esquecer no sono. De repente - eu com toda a força brilho - e de novo o dia nasce. Brilhar sempre, brilhar em toda a parte, até ao dia em que a fonte da vida se esgote, brilhar - e é tudo! É o nosso lema - meu e do sol!