Parem,eu confesso,sou poeta. Cada manhã que nasce me nasce uma rosa na face. Parem,eu confesso,sou poeta. Só meu amor é meu deus,eu sou ou seu profeta
( Frases e Pensamentos de Paulo Leminski) Tema: Poesia
Haja Hoje para tanto Ontem
( Frases e Pensamentos de Paulo Leminski) Tema: Tempo
A maldição de pensar fez suas vítimas: em minha geração, vi muitos poetas se transformarem em críticos, teóricos, professores de literatura
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Aqui dentro, duas obsessões me perseguem (que eu saiba): a fixação doentia na idéia de inovação e a (não menos doentia) angústia à comunicação, como se percebe logo, duas tendências irreconciliáveis
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar O mar não parou para ser olhado Foi mar pra tudo que é lado
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Isso de querer ser exatamente o que agente é, ainda vai nos levar além
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Me diverte pensar que, em vários momentos, estou brigando comigo mesmo
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Ontem tive a impressão que deus quis falar comigo não lhe dei ouvidos quem sou eu pra falar com deus? ele que cuide de seus problemas que eu cuido dos meus
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
Tudo dança hospedado numa casa em mudança
o mais fundo está sempre na superfície
( Frases e Pensamentos de PAULO LEMINSKI)
um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado como se chegando atrasado andasse mais adiante carrega o peso da dor como se portasse medalhas uma coroa um milhão de dólares ou coisa que os valha ópios édens analgésicos não me toquem nessa dor ela é tudo que me sobra sofrer, vai ser minha última obra
já me matei faz muito tempo me matei quando o tempo era escasso e o que havia entre o tempo e o espaço era o de sempre nunca mesmo o sempre passo morrer faz bem à vista e ao baço melhora o ritmo do pulso e clareia a alma morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma
epitáfio para o corpo Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito são suas obras completas.
epitáfio para a alma aqui jaz um artista mestre em disfarces viver com a intensidade da arte levou-o ao infarte deus tenha pena dos seus disfarces
Quem nunca viu que a flor, a faca e a fera tanto fez como tanto faz, e a forte flor que a faca faz na fraca carne, um pouco menos, um pouco mais, quem nunca viu a ternura que vai no fio da lâmina samurai, esse, nunca vai ser capaz.
parem eu confesso sou poeta cada manhã que nasce me nasce uma rosa na face parem eu confesso sou poeta só meu amor é meu deus eu sou o seu profeta
desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia o céu vai estar limpo e o sol brilhando você dormindo e eu sonhando nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia apenas você nua e eu como nasci eu dormindo e você sonhando não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado [aquele dia silêncio nós dois murmúrios azuis eu e você dormindo e sonhando nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia nada como um dia indo atrás do outro vindo você e eu sonhando e dormindo
para a liberdade e luta me enterrem com os trotskistas na cova comum dos idealistas onde jazem aqueles que o poder não corrompeu me enterrem com meu coração na beira do rio onde o joelho ferido tocou a pedra da paixão
aqui no oeste todo homem tem um preço uma cabeça a prêmio índio bom é índio morto sem emprego referência ou endereço tenho toda a liberdade pra traçar meu enredo nasci numa cidade pequena cheia de buracos de balas porres de uísque grandes como o grand cayon tiroteios noturnos entre pistoleiros brilhantes como o ouro da califórnia me segue uma estrela no peito do xerife de denver
quero a vitória do time de várzea valente covarde a derrota do campeão 5 X 0 em seu próprio chão circo dentro do pão
eu queria tanto ser um poeta maldito a massa sofrendo enquanto eu profundo medito eu queria tanto ser um poeta social rosto queimado pelo hálito das multidões em vez olha eu aqui pondo sal nesta sopa rala que mal vai dar para dois
podem ficar com a realidade esse baixo astral em que tudo entra pelo cano eu quero viver de verdade eu fico com o cinema americano
quando eu tiver setenta anos então vai acabar esta minha adolescência vou largar da vida louca e terminar minha livre docência vou fazer o que meu pai quer começar a vida com passo perfeito vou fazer o que minha mãe deseja aproveitar as oportunidades de virar um pilar da sociedade e terminar meu curso de direito então ver tudo em sã consciência quando acabar esta adolescência
Uma pálpebra, Mais uma, mais outras, Enfim, dezenas De pálpebras sobre pálpebras Tentando fazer Das minhas trevas Alguma coisa a mais Que lágrimas
acordei bemol tudo estava sustenido sol fazia só não fazia sentido
Um homem com uma dor um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado como se chegasse atrasado andasse mais adiante
um texto morcego se guia por ecos um texto texto cego um eco anti anti anti antigo um grito na parede rede rede volta verde verde verde com mim com com consigo ouvir é ver se se se se se
Ontens e hojes, amores e ódio, adianta consultar o relogio? Nada poderia ter sido feito, a não ser o tempo em que foi lógico. Ninguém nunca chegou atrasado. Bençãos e desgraças vem sempre no horário. Tudo o mais é plágio. Acaso é este encontro entre tempo e espaço mais do que um sonho que eu conto ou mais um poema que faço?
DESENCONTRÁRIOS( PAULO LEMINSKI )
Mandei a palavra rimar, ela não me obedeceu. Falou em mar, em céu, em rosa, em grego, em silêncio, em prosa. Parecia fora de si, a sílaba silenciosa. Mandei a frase sonhar, e ela se foi num labirinto. Fazer poesia, eu sinto, apenas isso. Dar ordens a um exército, para conquistar um império extinto.
Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?
a estrela cadente me caiu ainda quente na palma da mão
cortinas de seda o vento entra sem pedir licença
acordei e me olhei no espelho ainda a tempo de ver meu sonho virar pesadelo
amar é um elo entre o azul e o amarelo
jardim da minha amiga todo mundo feliz até a formiga
lembrem de mim como de um que ouvia a chuva como quem assiste missa como quem hesita, mestiça, entre a pressa e a preguiça
en la lucha de clases todas las armas son buenas piedras moches poemas
Manchete: CHUTES DE POETA NÃO LEVAM PERIGO À META
a estrela cadente me caiu ainda quente na palma da mão
cortinas de seda o vento entra sem pedir licença
Não Discuto com o destino o que pintar eu assino
Nada me demove ainda vou ser o pai dos irmãos Karamazov
I Confira tudo que respira conspira II Tudo é vago e muito vário meu destino não tem siso, o que eu quero não tem preço ter um preço é necessário, e nada disso é preciso III Cinco bares, dez conhaques atravesso são paulo dormindo dentro de um táxi IV isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além V O pauloleminski é um cachorro louco que deve ser morto a pau a pedra a fogo a pique senão é bem capaz o filhodaputa de fazer chover em nosso piquenique