A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
A minha musa inspiradora é o meu prazo de entrega.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
A moda dos casais trocados é relativamente nova. Quer dizer, desejar a mulher do próximo é antigo como os dez mandamentos; a novidade é o próximo gostar da idéia e desejar a sua mulher também.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
A principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
A vagina é o principal órgão sexual feminino. Seu ponto mais sensível é o clítoris, que fica na entrada, como um guichê. Daí a insistência da sua parceira para que você passe primeiro por ele antes de entrar.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Amante é o namorado que leva pijama.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Certos sons em francês só são perfeitamente obtidos num determinado grau de irritação.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Comecei a escrever profissionalmente aos 30 anos, quando fui trabalhar na imprensa, depois de tentar outras coisas que não deram certo. Na época, não se precisava ter diploma para começar no jornalismo. Comecei como copidesque e, eventualmente, passei a ter um espaço assinado e me tornei cronista. Antes, além de umas traduções do inglês, nunca tinha escrito nada, e não tinha idéia de ser escritor. Se o fato de ter um pai escritor me inibiu? Conscientemente, não. Inconscientemente, talvez. Às vezes, fico tentado a inventar algum grande drama edipiano entre meu pai e eu para satisfazer a expectativa das pessoas, mas nunca houve isso.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Dedico-me aos clássicos: Sófocles, Virgílio, Shakespeare e ao picolé de coco.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Eu era contra a crase até aprender a usá-la. Hoje, eu a defendo, para não concluir que perdi meu tempo.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Há uma linha muito tênue entre 'hobby' e 'doença mental'.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Muitas mulheres consideram os homens perfeitamente dispensáveis no mundo, a não ser naquelas profissões reconhecidamente masculinas, como as de costureiro, cozinheiro, cabeleireiro, decorador de interiores e estivador.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Nada separa as classes como a língua. Fora a renda, claro.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
No Brasil o fundo do poço é apenas uma etapa.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais o Titanic.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Nunca usei bombachas, não gosto de chimarrão e nem de me lembrar da última vez que subi num cavalo. Aliás, o cavalo também não gosta.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
O fato de viver numa casa em que havia livros e o livro era uma coisa importante. Determinou o meu gosto pela leitura e, eventualmente, meu trabalho. A escola teve pouco a ver com isso. Eu era um péssimo aluno e aproveitei muito pouco da escola. Era ótimo em geometria e nunca mais precisei da geometria na vida.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Por alguma razão, nada me parece tão lúbrico e devasso quanto anões besuntados numa orgia. Mas não falo por experiência.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria 'reuniões'.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Só quando ele fermenta um pouco mais...
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Todo corpo é um órgão sexual, com exceção, talvez, das clavículas.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção. Nunca falha.)
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.
( LUIS FERNANDO VERISSIMO)
Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idé ia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher. - Aloa. - Quem fala? - Com quem quer falar? - O dono desse telefone. - Ele não pode atender. - Quer chamá-lo, por favor? - Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado? - Bate na porta e chama esse vagabundo agora. Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo. - Aloa. - Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente. - Ele já vai sair do banheiro. - Você é a... - Uma amiga. - Como é seu nome? - Quem quer saber? O cidadão inventou um nome. - Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele. - Primo do Amleto? Amleto. O safado já tinha um nome. - É. De Quaraí. - Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí. - Pois é. - Carol. - Hein? - Meu nome. É Carol. - Ah. Vocês são... - Não, não. Nos conhecemos há pouco. - Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço. - Eu também não sei o endereço dele. - Mas vocês... - Nós estamos num motel. Este telefone é celular. - Ah. - Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou. - Ele disse que comprou? - Por que? O cidadão não se conteve. - Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim! - Não acredito. - Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta. - O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo. E Carol desligou de novo. O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou. - Aloa. - Carol, é o Tobias. - Quem? - O Taborda. Por favor, chame o Amleto. - Ele continua no banheiro. - Em que motel vocês estão? - Por que? - Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto... - Recém nos conhecemos. - Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos? - Esta é a primeira vez. - Vocês nunca tinham se visto antes? - Já, já. Mas, assim, só conversa. - E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí. - Pensei que fosse goiano. - Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano... - Não, não. Eu é que pensei. - Carol, ele ainda está no banheiro? - Está. - Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. - Saia daí enquanto é tempo, Carol! - Mas... - Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo. - Ele esta saindo do banheiro. - Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está. Clic. Dez minutos depois, o cidadão liga de novo. - Aloa. - Carol, onde você está? - O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa. - Carol, eu... - Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso. O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou: - Como ele vai devolver o telefone? - Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá. - Carol, não... Mas Carol já tinha desligado. O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez. -Aloa. Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento. - Carol, é o Torquatro. - Quem? - Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular! - Mas ele disse que vai devolver na... - Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol. - Então você também mentiu! - Carol... Clic. Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem. - Amleto? - Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro. - Olha aqui, seu... - Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era? - Só quero meu telefone. - Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino? - Quero meu celular de volta! - Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol... - Ladrão - Executivo - Devolve meu... Clic. Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente. - Ahn? - Quem fala? - É o Trola. - Como você conseguiu esse telefone? - Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou. - Onde você está? - Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai. - Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar. - Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo... - Onde você está? Eu quero saber onde! - Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...
- Você pensou bem no que vai fazer, Paulo? - Pensei. Já estou decidido. Agora não volto atrás. - Olhe lá, hein, rapaz... Paulo está ao mesmo tempo comovido e surpreso com os três amigos. Assim que souberam do seu divórcio iminente, correram para visitá-lo no hotel. A solidariedade lhe faz bem. Mas não entende aquela insistência deles em dissuadi-lo. Afinal, todos sabiam que ele não se acertava com a mulher. - Pense um pouco mais, Paulo. Reflita. Essas decisões súbitas... - Mas que súbitas? Estamos praticamente separados há um ano! - Dê outra chance ao seu casamento, Paulo. - A Margarida é uma ótima mulher. - Espera um pouquinho. Você mesmo deixou de freqüentar nossa casa por causa da Margarida. Depois que ela chamou vocês de bêbados e expulsou todo mundo. - E fez muito bem. Nós estávamos bêbados e tínhamos que ser expulsos. - Outra coisa, Paulo. O divórcio. Sei lá. - Eu não entendo mais nada. Você sempre defendeu o divórcio! - É. Mas quando acontece com um amigo... - Olha, Paulo. Eu não sou moralista. Mas acho a família uma coisa importantíssima. Acho que a família merece qualquer sacrifício. - Pense nas crianças, Paulo. No trauma. - Mas nós não temos filhos! - Nos filhos dos outros, então. No mau exemplo. - Mas isto é um absurdo! Vocês estão falando como se fosse o fim do mundo. Hoje, o divórcio é uma coisa comum. Não vai mudar nada. - Como, não muda nada? - Muda tudo! - Você não sabe o que está dizendo, Paulo! Muda tudo. - Muda o quê? - Bom, pra começar, você não vai poder mais freqüentar as nossas casas. - As mulheres não vão tolerar. - Você se transformará num pária social, Paulo. - O quê?! - Fora de brincadeira. Um reprobo. - Puxa. Eu nunca pensei que vocês... - Pense bem, Paulo. Dê tempo ao tempo. - Deixe pra decidir depois. Passado o verão. - Reflita, Paulo. É uma decisão seriíssima. Deixe para mais tarde. - Está bem. Se vocês insistem... Na saída, os três amigos conversam: - Será que ele se convenceu? - Acho que sim. Pelo menos vai adiar. - E no solteiros contra casados da praia, este ano, ainda teremos ele no gol. - Também, a idéia dele. Largar o gol dos casados logo agora. Em cima da hora. Quando não dava mais para arranjar substituto. - Os casados nunca terão um goleiro como ele. - Se insistirmos bastante, ele desiste definitivamente do divórcio. - Vai agüentar a Margarida pelo resto da vida. - Pelo time dos casados, qualquer sacrifício serve. - Me diz uma coisa. Como divorciado, ele podia jogar no time dos solteiros? - Podia. - Impensável. - É. - Outra coisa. - O quê? - Não é reprobo. É réprobo. Acento no "e". - Mas funcionou, não funcionou?
Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro. Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las. - Você não sabe o que me aconteceu! - O quê? - Uma coisa incrível. - O quê? - Contando ninguém acredita. - Conta! - Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada? - Não. - Olhe. E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança. - O que aconteceu? E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo. - Que coisa - diria a mulher, calmamente. - Não é difícil de acreditar? - Não. É perfeitamente possível. - Pois é. Eu... - SEU CRETINO! - Meu bem... - Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria. - Mas, meu bem... - Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha! E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente: - Que fim levou a sua aliança? E ele disse: - Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei. Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam. - O mais importante é que você não mentiu pra mim. E foi tratar do jantar.