Dinheiro semeia dinheiro e o primeiro franco é,muitas vezes,mais difícil de ganhar que o segundo milhão.
( Frases e Pensamentos de Jean-Jacques Rousseau) Mensagem sobre Dinheiro
O homem nasceu livre,e em todos os lugares ele está acorrentado.
( Frases e Pensamentos de Jean-Jacques Rousseau) Mensagem sobre Liberdade
A alma resiste muito mais facilmente à dor profunda do que à tristeza prolongada
( ROUSSEAU )
A compaixão é um sentimento natural que, ao moderar a violência do amor pelo próprio ego em cada indivíduo, contribui para a preservação de toda a espécie. É ela que nos impele a consolar imediatamente aqueles que estão sofrendo sem que tenhamos pensado sobre isso antes
( ROUSSEAU )
A espada gasta a bainha, costuma dizer-se. Eis o que aconteceu comigo. As minhas paixões fizeram-me viver, e as minhas paixões mataram-me
( ROUSSEAU )
A espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que eu quero, mas a de não fazer o que eu não quero
( ROUSSEAU )
A fingida caridade do rico não passa, da sua parte, de mais um luxo; ele alimenta os pobres como cães e cavalos
( ROUSSEAU )
A juventude é o tempo ideal para o estudo da sabedoria
( ROUSSEAU )
A melhor maneira de pedir a Deus é tornarmo-nos merecedores do que desejamos
( ROUSSEAU )
A paciência é amarga, mas seus frutos são doces
( ROUSSEAU )
A propriedade privada introduz a desigualdade entre os homens, a diferença entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância do mais forte. O homem é corrompido pelo poder e esmagado pela violência
( ROUSSEAU )
A razão forma o ser humano, o sentimento o conduz
( ROUSSEAU )
A unidade de todas as coisas vivas existe neste mundo onde todo o mundo e todas as coisas buscam silenciosamente a Deus. Somente os ateus vêem um silêncio eterno
( ROUSSEAU )
A verdadeira mãe e dona-de-casa, longe de ser uma mulher de sociedade, é tão-somente uma reclusa do lar como uma religiosa em seu convento
( ROUSSEAU )
As boas acções elevam o espírito e predispõem-no a praticar outras
( ROUSSEAU )
As consolações indiscretas agravam as aflições violentas
( ROUSSEAU )
As injúrias são as razões dos que não tem razão
( ROUSSEAU )
Bastará nunca sermos injustos para estarmos sempre inocentes?
( ROUSSEAU )
Com 16 anos, o adolescente conhece o sofrimento porque já sofreu, porém mal sabe que outros seres sofrem também.
( ROUSSEAU )
Como quer que seja, não se pode negar que Adão fosse soberano do mundo, como Robinson o foi de sua ilha, porque foi o único que a habitou: uma coisa era muito cômoda nesse império! O monarca, firme em seu trono, não temia rebeliões nem guerras ou conspiradores
( ROUSSEAU )
Dinheiro semeia dinheiro e, o primeiro franco é, muitas vezes, mais difícil de ganhar que o segundo milhão
( ROUSSEAU )
Felicidade: uma polpuda conta bancária, um bom cozinheiro e uma boa digestão
( ROUSSEAU )
Haverá no mundo espetáculo mais comovente e respeitável que o de uma mãe cercada de seus filhos, dirigindo os trabalhos dos seus criados, buscando para o marido uma vida mais feliz e governando habilmente a casa?
( ROUSSEAU )
Há no fundo das almas um precipício inato de justiça e de virtude, com o qual nós julgávamos as nossas ações e as dos outros como boas ou más; e é a este princípio que dou o nome de consciência
( ROUSSEAU )
Maquiavel, fingindo dar lições aos Príncipes, deu grandes lições ao povo
( ROUSSEAU )
Nossa curiosidade é proporcional a nossa cultura
( ROUSSEAU )
Não há nada que esteja menos sob o nosso domínio que o coração, e, longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe
( ROUSSEAU )
Não é imprudente que se tem o coração moço quando o corpo já não o é
( ROUSSEAU )
O Homem é bom por natureza
( ROUSSEAU )
O homem de bem é um atleta a quem dá prazer lutar nu
( ROUSSEAU )
O homem nasceu livre, e em todos os lugares ele está acorrentado
( ROUSSEAU )
O homem verdadeiramente livre apenas quer o que pode e faz o que lhe agrada
( ROUSSEAU )
O maior passo para o bem é não fazer o mal
( ROUSSEAU )
O mundo da realidade tem seus limites. O mundo da imaginação não tem fronteiras
( ROUSSEAU )
O primeiro que tendo cercado um terreno se lembrou de dizer: "Isto é meu", e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: "Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdido se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém"
( ROUSSEAU )
Para conhecer os homens é preciso vê-los atuar
( ROUSSEAU )
Quem enrubesce já é culpado; a verdadeira inocência não tem vergonha de nada
( ROUSSEAU )
Rico ou pobre, todo preguiçoso é um cretino.
( ROUSSEAU )
Se houvesse um povo de deuses, seria governado democraticamente, mas aos homens não convém tão perfeito governo
( ROUSSEAU )
Se houvesse uma nação de deuses, seria governada democraticamente, mas um sistema tão perfeito não é adequado para os homens
( ROUSSEAU )
Se há escravos por natureza, é porque os há contra a natureza; a força formou os primeiros, e a covardia os perpetuou
( ROUSSEAU )
Se tirardes de vosso coração o amor ao belo, terareis dele todo o encanto de viver
( ROUSSEAU )
Sempre acreditei que o bem era apenas o belo posto em ação, que um dependia intimamente do outro, e que ambos tinham origem na natureza bem ordenada
( ROUSSEAU )
Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos
( ROUSSEAU )
Só entende o valor do silêncio quem tem necessidade de calar para não ferir alguém
( ROUSSEAU )
Todo o mal vem da fraqueza
( ROUSSEAU )
Uma parte dos homens age sem pensar, e a outra pensa sem agir
( ROUSSEAU )
É muito difícil pensar nobremente quando se pensa apenas em viver
( ROUSSEAU )
Consultei os filósofos, folheei os seus livros, examinei as suas diversas opiniões; achei-os todos orgulhosos, afirmativos, dogmáticos - mesmo no seu pretenso cepticismo -, não ignorando nada, não demonstrando nada, troçando uns dos outros; e esse ponto, que é comum a todos eles, pareceu-me ser o único em que todos concordavam. Triunfantes quando atacam, não têm vigor quando se defendem. Se examinais as suas razões, só as têm para destruir; se contais os seus caminhos, cada um está limitado ao seu; só se põem de acordo para discutir; prestar-lhes ouvidos não era o meio de me livrar da minha incerteza. Compreendi que a insuficiência do espírito humano é a primeira causa dessa prodigiosa diversidade de sentimentos, e que o orgulho é a segunda. Nós não temos a medida dessa imensa máquina, não podemos calcular as suas proporções; não lhe conhecemos nem as primeiras leis nem a causa final; ignoramo-nos a nós mesmos; não conhecemos nem a nossa natureza nem o nosso princípio activo; mal sabemos se o homem é um ser simples ou composto: mistérios impenetráveis rodeiam-nos por todos os lados; pairam por cima da região sensível; para os compreendermos, supomos ter inteligência, e apenas temos imaginação. Cada um de nós abre através desse mundo imaginário - um caminho que supõe ser o bom; nenhum de nós pode saber se o caminho que abriu conduz ao objectivo que tem em mente. Porém, queremos compreender tudo, tudo conhecer. A única coisa que não conseguimos é ignorar o que não conseguimos saber. Preferimos entregar-nos ao acaso, e crer naquilo que não existe, a reconhecer que nenhum de nós pode compreender o que é. Pequena parte de um grande todo cujos limites não alcançamos, e cujo autor entrega às nossas loucas discussões, somos suficientemente vãos para pretender decidir o que é esse todo, e o que nós próprios somos, em relação a ele. Mesmo que os filósofos tivessem a possibilidade de descobrir a verdade, qual, de entre eles, se interessaria por ela? Cada um deles sabe muito bem que o seu sistema não tem mais fundamentos que os dos outros; mas sustenta-o, porque é seu. Não houve um único que, tendo chegado a distinguir o verdadeiro e o falso, não tivesse preferido a mentira que encontrou à verdade descoberta por outro. Onde se encontra o filósofo que, para defender a sua glória, não enganaria cientemente o género humano? Onde se encontra aquele que, no âmago do seu coração, tem outro propósito que não seja o de se distinguir? Contanto que se eleve acima do vulgar, contanto que apague o brilho dos seus concorrentes, que mais deseja ele? O essencial é pensar diferentemente dos outros. Para os crentes, é um ateu; para os ateus, seria um crente.
É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas misérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil felicidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mesmo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria miserável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama nada se possa sentir feliz.
O amor por nós mesmos, que só a nós diz respeito, sente-se satisfeito quando as nossas verdadeiras necessidades ficam satisfeitas; mas o amor-próprio - que se pretende comparar com ele - nunca se sente satisfeito nem o poderia estar, porque esse sentimento, que nos leva a preferirmo-nos aos outros, também exige que os outros nos prefiram a eles próprios; ora isso é impossível. Eis como as paixões suaves e afectuosas têm origem no amor por si próprio, e como as paixões de ódio e de ira provêm do amor-próprio. Assim, o que torna o homem essencialmente bom é o facto de ter poucas necessidades e de pouco se comparar com os outros; o que o torna essencialmente mau é ter muitas necessidades e preocupar-se muito com a opinião. Sobre este princípio, é fácil ver como se podem dirigir - para o bem ou para o mal - todas as paixões das crianças e dos homens. É verdade que, como não podem viver sempre sós, dificilmente poderão viver sempre bons: e esta dificuldade aumentará, necessariamente, com o alargamento das suas relações; e é nisso, sobretudo, que os perigos da sociedade nos tornam a arte e os cuidados mais indispensáveis para prevenir - no coração humano - a depravação originada pelas suas novas necessidades.
Se a princípio a profusão e a variedade de diversões parecem contribuir para a felicidade, se a uniformidade de uma vida igual parece a princípio enfastiante, considerando-se melhor, percebe-se, pelo contrário, que o hábito mais doce da alma consiste numa moderação de gozo que deixa pouco espaço ao desejo e ao desgosto.
É fácil de ver que, entre as diferenças que distinguem os homens, muitas passam por naturais, quando são unicamente a obra do hábito e dos diversos géneros de vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou delicado, a força ou a fraqueza que disso dependem, vêm muitas vezes mais da maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constituição primitiva dos corpos. Acontece o mesmo com as forças do espírito, e a educação não só estabelece a diferença entre os espíritos cultivados e os que não o são, como aumenta a que se acha entre os primeiros à proporção da cultura; com efeito, quando um gigante e um anão marcham na mesma estrada, cada passo representa uma nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem exactamente as mesmas coisas, compreender-se-á quanto a diferença de homem para homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a desigualdade natural deve aumentar na espécie humana pela desigualdade de instituição. Mas, quando a natureza afectasse, na distribuição dos seus dons, tantas preferências como se pretende, que vantagem os mais favorecidos tirariam disso, com prejuízo dos outros, num estado de coisas que não admitiria quase nenhuma espécie de relações entre eles? Onde não há amor, de que servirá a beleza? De que serve o espírito a pessoas que não falam, e a astúcia às que não têm negócios? Ouço sempre repetir que os mais fortes oprimirão os fracos. Mas, que me expliquem o que querem dizer com a palavra opressão. Uns dominarão com violência, outros gemerão sujeitos a todos os seus caprichos. Eis, precisamente, o que se observa entre nós; mas, não vejo como se poderia dizer o mesmo dos selvagens, a quem seria dificílimo fazer perceber o que é servidão e dominação. Um homem poderá apoderar-se dos frutos colhidos por outro, da caça que o outro matou, do antro que lhe servia de asilo; mas, como poderá conseguir fazer-se obedecer? E quais poderiam ser as cadeias da dependência entre homens que não possuíam nada? Se me expulsam de uma árvore, estou livre para ir para outra; se me atormentam num lugar, quem me impedirá de passar para outro? Se encontro um homem de força muito superior à minha, e, além disso, muito depravado, muito preguiçoso e muito feroz, para me constranger a prover à sua subsistência enquanto ele permanece ocioso, é preciso que ele se resolva a não me perder de vista um só instante, que me deixe amarrado com grande cuidado enquanto dorme, de medo que eu escape ou que o mate; isto é, fica obrigado a se expor voluntariamente a um trabalho muito maior do que o que quer evitar, e do que o que me dá a mim mesmo. Depois de tudo isso, a sua vigilância relaxa-se por um momento, um barulho imprevisto fá-lo voltar a cabeça: dou vinte passos na floresta, os meus ferros quebram-se, e nunca mais me tornará a ver.
Mau grado o que dizem os moralistas, o entendimento humano deve muito às paixões, que, de comum acordo, também lhe devem muito: é pela sua actividade que a nossa razão se aperfeiçoa; só procuramos conhecer porque desejamos gozar; e não é possível conceber porque aquele que não tivesse desejos nem temores se desse ao trabalho de raciocinar. As paixões, por sua vez, originam-se a partir das nossas necessidades, e o seu progresso dos nossos conhecimentos; porque só podemos desejar ou temer coisas segundo as ideias que temos delas, ou pelo simples impulso da natureza; e o homem selvagem, privado de toda a sorte de luzes, só experimenta as paixões dessa última espécie; os únicos bens que conhece no universo são a sua nutrição, uma fêmea e o repouso; os únicos males que teme são a dor e a fome. Digo a dor, e não a morte; porque jamais o animal saberá o que é morrer; e o conhecimento da morte e dos seus terrores foi uma das primeiras aquisições que o homem fez afastando-se da condição animal.