Não há garantias. Do ponto-de-vista do medo,ninguém é forte o suficiente. Do ponto-de-vista do amor,ninguém é necessário.
( Frases e Pensamentos de Immanuel Kant) Mensagem sobre Verdade
É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias
( IMMANUEL KANT )
É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade
( IMMANUEL KANT )
A geometria é uma ciência de todas as espécies possíveis de espaços
( IMMANUEL KANT )
A missão suprema do homem é saber o que precisa para ser homem
( IMMANUEL KANT )
Todo o conhecimento humano começou com intuições, passou daí aos conceitos e terminou com ideias
( IMMANUEL KANT )
A felicidade não é um ideal da razão mas sim da imaginação
( IMMANUEL KANT )
Mesmo a mulher mais sincera esconde algum segredo no fundo do seu coração
( IMMANUEL KANT )
Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal
( IMMANUEL KANT )
Age de modo que consideres a humanidade tanto na tua pessoa quanto na de qualquer outro, e sempre como objectivo, nunca como simples meio
( IMMANUEL KANT )
A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor
( IMMANUEL KANT )
Belo, é tudo quanto agrada desinteressadamente
( IMMANUEL KANT )
Age de tal forma que a máxima do teu querer possa valer em todo o tempo também como princípio de uma legislação geral
( IMMANUEL KANT )
O mesmo acontece ao mérito e à inocência: perde-se, desde que deles nos sustentemos
( IMMANUEL KANT )
O desejo é a autodeterminação do poder duma pessoa pela imaginação dum facto futuro, que seria o efeito desse poder
( IMMANUEL KANT )
Uma proposição incorrecta é forçosamente falsa, mas uma proposição correcta não é forçosamente verdadeira
( IMMANUEL KANT )
O princípio da finalidade não é constituitivo, mas regulador
( IMMANUEL KANT )
A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade
( IMMANUEL KANT )
Quanto mais amor temos, tanto mais fácil fazemos a nossa passagem pelo mundo
( IMMANUEL KANT )
Lembra-te de esquecer
( IMMANUEL KANT )
O homem é o único animal que precisa de trabalhar
( IMMANUEL KANT )
A sabedoria das mulheres não é raciocinar, é sentir
( IMMANUEL KANT )
Todo o conhecimento exige um conceito, por mais imperfeito ou obscuro que ele possa ser
( IMMANUEL KANT )
Se todo o nosso conhecimento se inicia com a experiência, isso não prova que ele deriva por inteiro da experiência
( IMMANUEL KANT )
O dever é a necessidade de realizar uma acção por respeito pela ordem moral
( IMMANUEL KANT )
A majestade do dever nada tem a ver com a fruição da vida
( IMMANUEL KANT )
Ser feliz é necessariamente o desejo de todo o ser razoável mas finito, portanto é inevitavelmente um princípio determinante da sua faculdade de desejar
( IMMANUEL KANT )
A felicidade é o estado no mundo de um ser razoável, a quem, em todo o curso da sua existência, tudo acontece segundo a sua aspiração e a sua vontade
( IMMANUEL KANT )
Nas trevas, a imaginação trabalha mais activamente do que em plena luz
( IMMANUEL KANT )
O juízo é o conhecimento imediato de um objecto, consequentemente a representação de uma representação desse objecto
( IMMANUEL KANT )
O juízo em geral é a faculdade de pensar o particular como compreendido sob o universal
( IMMANUEL KANT )
Não se lesa ninguém com simples palavras, mesmo falsas; basta não acreditar nelas
( IMMANUEL KANT )
A morte, ninguém pode experimentá-la em si mesma (pois experimentar é da alçada da vida), só é possível percebê-la nos outros
( IMMANUEL KANT )
Ciência é o conhecimento organizado. Sabedoria é vida organizada
( IMMANUEL KANT )
A razão foi-nos atribuída como poderio prático, isto é, como poderio que deve ter influência sobre a vontade
( IMMANUEL KANT )
O homem encontra realmente em si uma faculdade pela qual se distingue de todas as outras coisas, mesmo de si mesmo na medida em que é afectado por objectos, e essa faculdade é a razão
( IMMANUEL KANT )
A faculdade de um ser de agir segundo as suas representações chama-se «vida»
( IMMANUEL KANT )
A experiência é sem qualquer dúvida o primeiro produto que o nosso entendimento obtém ao elaborar a matéria bruta das sensações
( IMMANUEL KANT )
A experiência é um conhecimento empírico, isto é, um conhecimento que determina um objecto por percepções
( IMMANUEL KANT )
A «autonomia» da vontade é o princípio único de todas as leis morais e dos deveres que estão em conformidade com elas
( IMMANUEL KANT )
Uma leitura alegre é tão útil à saúde como o exercício do corpo
( IMMANUEL KANT )
A felicidade é o estado em que se encontra no mundo um ser racional para quem, em toda a sua existência, tudo decorre conforme o seu desejo e a sua vontade; pressupõe, por consequência, o acordo da natureza com todo o conjunto dos fins deste ser, e simultaneamente com o fundamento essencial de determinação da sua vontade. Ora a lei moral, como lei da liberdade, obriga por meio de fundamentos de determinação, que devem ser inteiramente independentes da natureza e do acordo dela com a nossa faculdade de desejar (como motor). Porém, o ser agente racional que actua no mundo não é simultaneamente causa do mundo e da própria natureza. Assim, pois, na lei moral não há o menor fundamento para uma conexão necessária entre a moralidade e a felicidade, com ela proporcionada, num ser que, fazendo parte do mundo, dele depende; este ser, precisamente por isso, não pode ser voluntariamente a causa desta natureza nem, no que à felicidade respeita, fazer com que, pelas suas próprias forças, coincida perfeitamente com os seus próprios princípios práticos. E, todavia, no problema prático que a razão pura nos prescreve, isto é, na prossecução do soberano bem, tal acordo é postulado como necessário: devemos procurar realizar o soberano bem, que, por consequência, tem de ser possível. Por conseguinte, postular também a existência de uma causa de toda a natureza, distinta da própria natureza que encerra o fundamento de tal conexão, isto é, a exacta harmonia da felicidade e da moralidade. Mas esta causa suprema deve conter o fundamento do acordo da natureza, não só com uma lei da vontade dos seres racionais, mas com a representação dessa lei, na medida em que eles fazem dela o motivo supremo da sua vontade, e, por consequência, não só apenas com a forma dos costumes, mas com a própria moralidade como fundamento determinante, isto é, com a intenção moral. O soberano bem não é, portanto, possível no mundo, a não ser que se admita uma natureza suprema dotada de causalidade conforme a intenção moral. Ora um ser capaz de agir segundo a representação de certas leis é uma inteligência (ser racional) e a causalidade de tal ser, segundo essa representação das leis, é uma vontade. Portanto, a causa suprema da natureza, como condição do soberano bem, é um ser que, por razão e vontade, é a causa, por conseguinte, o autor da natureza, isto é, Deus.
De todas as coisas que podemos conceber neste mundo ou mesmo, de uma maneira geral, fora dele, não há nenhuma que possa ser considerada como boa sem restrição, salvo uma boa vontade. O entendimento, o espírito, o juízo e os outros talentos do espírito, seja qual for o nome que lhes dermos, a coragem, a decisão, a perseverança nos propósitos, como qualidades do temperamento, são, indubitávelmente, sob muitos aspectos, coisas boas e desejáveis; contudo, também podem chegar a ser extrordináriamente más e daninhas se a vontade que há-de usar destes bens naturais, e cuja constituição se chama por isso carácter, não é uma boa vontade. O mesmo se pode dizer dos dons da fortuna. O poder, a riqueza, a consideração, a própria saúde e tudo o que constitui o bem-estar e contentamento com a própria sorte, numa palavra, tudo o que se denomina felicidade, geram uma confiança que muitas vezes se torna arrogância, se não existir uma boa vontade que modere a influência que a felicidade pode exercer sobre a sensibilidade e que corrija o princípio da nossa actividade, tornando-o útil ao bem geral; acrescentemos que num espectador imparcial e dotado de razão, testemunha da felicidade ininterrupta de uma pessoa que não ostente o menor traço de uma vontade pura e boa, nunca encontrará nesse espectáculo uma satisfação verdadeira, de tal modo a boa vontade parece ser a condição indispensável sem a qual não somos dignos de ser felizes. (...) A boa vontade não é boa pelo que produz e realiza, nem por facilitar o alcance de um fim que nos proponhamos, mas apenas pelo querer mesmo; isto quer dizer que ela é boa em si e que, considerada em si mesma, deve ser tida em preço infinitamente mais elevado que tudo quanto possa realizar-se por seu intermédio em proveito de alguma inclinação, ou mesmo, se se quiser, do conjunto de todas as inclinações.
Duas coisas enchem a alma de admiração e de respeito sempre renovados e que aumentam à medida que o pensamento mais vezes se concentra nelas: acima de nós, o céu estrelado; no nosso íntimo, a lei moral. Não é necessário buscá-las e adivinhá-las como se estivessem ofuscadas por nuvens ou situadas em região inacessível, para além do meu horizonte; vejo-as ante mim e relaciono-as imediatamente com a consciência da minha existência. A primeira, a partir do lugar que ocupo no mundo exterior, estende a relação do meu ser com as coisas sensíveis a todo esse imenso espaço onde os mundos se sucedem aos mundos e os sistemas aos sistemas e a toda a duração ilimitada dos seus movimentos periódicos. A segunda parte do meu invisível eu, da minha personalidade e do meu posto num mundo que possui a verdadeira infinitude, mas no qual o entendimento mal pode penetrar e ao qual reconheço estar vinculado por uma relação não apenas contingente, mas universal e necessária (relação que também alargo a todos esses mundos visíveis). Numa, a visão de uma infinidade de mundos quase aniquila a minha importância, na medida em que me considero uma criatura animal que, depois de ter (não se sabe como) gozado a vida durante um breve lapso de tempo, deve devolver a matéria de que é formada ao planeta em que vive e que não é mais do que um ponto no universo. Pelo contrário, a outra ergue infinitamente o meu valor como inteligência, mediante a minha personalidade, na qual a lei moral me revela uma vida independente da animalidade e até de todo o mundo sensível, pelo menos na medida em que podemos julgá-lo pelo destino que esta lei consigna à minha existência, e que, em vez de ser limitada às condições e aos limites desta vida, se alarga até ao infinito.
O critério simplesmente lógico da verdade, isto é, o acordo de um conhecimento com as leis gerais e formais do entendimento e da razão, é, decerto, a condition sine qua non e, portanto, a condição negativa de qualquer verdade; mas a lógica não pode ir mais além; nenhuma pedra de toque lhe permite descobrir o erro que atinge não a forma, mas o conteúdo.
É impossível compreender a produção de um ser dotado de liberdade por uma operação física. Não se pode nem mesmo compreender como é possível Deus criar seres livres; de facto, parece que todas as suas acções futuras deveriam ser predeterminadas por esse primeiro acto e compreendidas na cadeia da necessidade natural e, consequentemente, elas não seriam livres.
A crença, ou o valor subjectivo do juízo, com relação à convicção (que tem ao mesmo tempo um valor objectivo), apresenta os três graus seguintes: a opinião, a fé e a ciência. A opinião é uma crença que tem consciência de ser insuficiente tanto subjectiva quanto objectivamente. Se a crença é apenas subjectivamente suficiente e se é ao mesmo tempo considerada objectivamente insuficiente, chama-se fé. Enfim, a crença suficiente tanto subjectiva quanto objectivamente chama-se ciência.
Toda a arte pressupõe regras na base das quais uma produção, se deve considerar-se artística, é representada, em primeiro lugar, como possível; mas o conceito das belas-artes não permite derivar o juízo sobre a beleza da produção de qualquer regra que tenha um conceito como princípio determinante, em virtude de pôr como fundamento um conceito do modo por que tal é possível. Assim, a arte do belo não pode inventar ela mesma a regra segundo a qual realizará a sua produção. Mas, como sem regra anterior um produto não pode ser artístico, é necessário que a natureza dê a regra de arte ao próprio sujeito (na concordância das suas faculdades), isto é, as belas-artes só podem ser o produto do génio. Daí se conclui: 1º Que o génio é o talento de produzir aquilo de que se não pode dar regra determinada, mas não é a aptidão para o que pode ser apreendido consoante uma qualquer regra; portanto, a sua primeira característica é a originalidade. 2º Que as suas produções, visto que o absurdo também pode ser original, devem simultaneamente ser modelos, isto é, ser exemplares; por consequência, não sendo obras de imitação, têm de ser propostas à imitação das outras, isto é, servir-lhes de medida ou de regra critica. 3° Que ele mesmo não pode indicar cientificamente como leva a cabo a sua obra, mas que dá, enquanto natureza, a regra; portanto, o autor duma obra devida ao seu génio não sabe de onde lhe vêm as ideias e não depende dele concebê-las a seu grado ou segundo um plano, nem comunicá-las a outros em prescrições que os habilitariam a produzir obras semelhantes. (...) Tal mestria é incomunicável, é propiciada directamente a cada qual por intermé dio da natureza, desaparece, pois, com cada um até que a natureza confira a outro os mesmos dons; e a este mais não resta que ter um modelo para deixar manifestar-se de tal modo o talento de que tem consciência. Visto que o dom da natureza deve estabelecer a regra da arte (belas-artes), qual é, pois, tal regra? Não é possível formulá-la para servir de preceito, pois que nesse caso o juízo sobre o belo seria determinado por conceitos, mas a regra deve ser extraída do acto mesmo, isto é, do produto, deve servir aos outros de pedra de toque para o seu próprio talento, como um modelo para uma imitação que não deve ser servil. Como é tal coisa possível? Eis o que é difícil esclarecer. As ideias do artista despertam no discípulo ideias semelhantes, se a natureza dotou este de faculdades equivalentes. Os modelos da arte são, pois, os únicos guias que podem perpetuá-los.
O homem é um ser que tem necessidades na medida em que pertence ao mundo sensível, e, a esse respeito, a sua razão tem certamente um encargo que não pode declinar em relação à sensibilidade, o de se ocupar dos interesses da última, o de constituir máximas práticas, em vista da felicidade desta vida e também, quando é possível, da felicidade de uma vida futura. Mas não é, no entanto, tão completamente animal para ser indiferente a tudo o que a razão lhe diz por ela mesma e para empregá-la simplesmente como um instrumento próprio para satisfazer as suas necessidades como ser sensível. Pois o facto de ter a razão não lhe dá absolutamente um valor superior à simples animalidade, se ela só devesse servir-lhe para o que o instinto realiza nos animais.