A justiça é a vingança do homem em sociedade,como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.
( Frases e Pensamentos de Epicuro)
Os prazeres do amor jamais nos serviram. Devemos nos considerar felizes se não nos aborrecerem.
( Frases e Pensamentos de Epicuro)
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.
( Frases e Pensamentos de Epicuro)
A propósito de cada desejo deve-se colocar a questão: 'Que vantagem resultará se eu não o satisfizer ?'
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Não se pode não ter medo quando se inspira o medo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos quanto da certeza da sua ajuda
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A necessidade é um mal, mas não há necessidade de viver nela
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Entre os homens, na maioria dos casos, a inactividade significa torpor, e a actividade, loucura
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Toda amizade, por mais desejável que seja por si mesma, é, no fim das contas, construída sobre o proveito próprio
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Ávidos pelos bens distantes, não devemos desprezar os bens próximos; lembremo-nos de que estes últimos também, outrora, foram ansiosamente desejados
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Quem exige ajuda constante, e, do mesmo modo, quem nunca a presta, não é amigo. O primeiro quer comprar o nosso esforço com o seu afecto; o segundo nos rouba, para todo o futuro, a esperança consoladora
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Cada um sai da vida do mesmo modo como se tivesse acabado de nascer
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Nada faças na vida algo que te cause medo se teu vizinho vier a sabê-lo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Nada é suficiente para quem julgar o suficiente demasiadamente pouco
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Não provamos nosso sentimento ao amigo, compartilhando as suas lamentações, mas sim com a nossa ajuda activa
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O fruto mais saboroso da auto-suficiência é a liberdade
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens se deixa levar a actos que aumentam mais ainda esse medo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Muitos que alcançaram a riqueza não conseguiram um remédio contra seus males, mas apenas os trocaram por males ainda piores
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas sim em diminuir a tua cobiça
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Cada um deixa a vida como se tivesse acabado de começá-la
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O homem sereno procura serenidade para si e para os outros
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Aquele que melhor goza a riqueza é aquele que menos necessidade dela tem
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O desejo é a causa de todos os males
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A amizade e a lealdade residem numa identidade de almas raramente encontrada
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Nada é bastante ao homem para quem tudo é demasiado pouco
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Só há um caminho para a felicidade. Não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O prazer de fazer o bem, é maior do que recebê-lo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Entre os desejos, alguns são naturais e necessários, outros naturais e não necessários, e outros, nem naturais, nem necessários, mas efeito de opiniões vazias
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A morte nada é para nós, pois aquilo que já foi dissolvido não possui mais sentimentos. Aquilo, porém, que não possui mais sentimentos, não nos importa
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O apogeu do prazer será alcançado quando todas as dores forem eliminadas. Pois onde entrou o prazer não existem, enquanto ele reinar, nem dores nem padecimentos, ou até ambos
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Quanto à sensação de segurança perante os homens, o poder e o domínio são bens dados pela natureza, a partir dos quais podemos proporcionar-nos segurança
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Se aquilo que ocasiona prazer aos libertos eliminasse os receios do espírito, dos fenómenos da natureza, da morte e das dores, e se ainda ensinasse o conhecimento da limitação das ânsias, nada teríamos a desaprovar nessas pessoas
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A riqueza exigida pela natureza é limitada e facilmente arranjada; aquela, pelo contrário, que ambicionamos possuir num tolo desejo, chega ao infinito
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A segurança, perante os homens, pode ser fortificada, até um certo grau, pelo poder e pela riqueza; aquela, porém, que é conferida pela vida na tranquilidade e no retiro da massa dos homens é certamente mais genuína
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Verdade é que o homem sensato não evita o prazer, e quando finalmente as circunstâncias o obrigam a deixar a vida, ele não se comporta como se esta ainda lhe devesse algo para a suprema existência
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Se não podemos ver-nos, trocar ideias, nem estar em companhia um do outro, o sentimento do amor evaporar-se-á em pouco tempo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
As leis existem para os sábios, não para que não pratiquem injustiças, mas para que não as sofram
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Não podemos viver felizes se não formos justos, sensatos e bons; e não podemos ser justos, sensatos e bons sem sermos felizes
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Na discussão, o vencido obtém maior proveito, pois aprende o que ainda não sabia
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O homem é rico desde que se familiariza com a pobreza
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
O prazer é o primeiro dos bens. É a ausência de dor no corpo e de inquietação na alma
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Os prazeres do amor jamais nos serviram. Devemos considerar-nos felizes se não nos aborrecerem
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Somente o justo desfruta de paz de espírito
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Tu, que não és senhor do teu amanhã, não adies o momento de gozar o prazer possível! Consumimos nossa vida a esperar e morremos empenhados nessa espera do prazer
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Quem não considera o que tem como a maior riqueza, será sempre desditoso, ainda que seja dono do mundo
(Frases e Pensamentos de Epicuro )
Na juventude, não devemos hesitar em filosofar; na velhice, não devemos deixar de filosofar. Nunca é cedo nem tarde demais para cuidar da própria alma. Quem diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de filosofar, parece-se ao que diz que não é ainda, ou já não é mais, tempo de ser feliz. Jovens ou velhos, devemos sempre filosofar; no último caso, para rejuvenescermos ao contacto do bem, pela lembrança dos dias passados, e no primeiro, para sermos, embora jovens, tão firmes quanto um ancião diante do futuro. É mister, pois, estudar os meios de adquirir a felicidade; quando a temos, temos tudo; quando a não temos, fazemos tudo por adquiri-la.
Existe acaso alguém a quem possas colocar acima do sábio? O sábio tem, sobre os deuses, opiniões piedosas. Não teme a morte em momento nenhum, considera-a o fim normal da natureza, julga que o termo dos bens é fácil de atingir e de possuir, sabe que os males têm uma duração e uma gravidade limitadas; sabe o que é mister pensar da fatalidade, da qual se constuma fazer uma ama despótica. Sabe que os acontecimentos nascem, uns da fortuna, outros de nós próprios, porque a fatalidade é cega e a fortuna inconstante; que o que vem de nós não está submisso a nenhuma tirania, sujeito a reproche e a elogio. Com efeito, melhor fora acreditar nas narrativas mitológicas sobre os deuses que tornar-se escravo da fatalidade dos físicos. A mitologia consente a esperança de que, honrando os deuses, poderemos dispô-los a nosso favor, enquanto a fatalidade é inexorável. O sábio não crê, como o vulgo, que a fortuna seja uma divindade, pois um deus não pode agir de maneira desordenada. Nem é, para ele, uma causa, dada a sua instabilidade. Não a admite como causa do bem e do mal, ou da vida feliz; não obstante, sabe que pode trazer grandes bens ou grandes males. Julga que vale mais fazer bons cálculos, mesmo aventurosos, do que ter sorte, com maus cálculos. O que importa é ter êxito nas empresas sabiamente meditadas.
Nenhum prazer é um mal em si, mas certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior número de males que de prazeres. Se as coisas que proporcionam prazeres às pessoas dissolutas pudessem livrar-lhe o espírito das angústias que experimentam diante dos fenómenos celestes, da morte e dos sofrimentos, e se, por outro lado, lhes ensinassem o limite dos desejos, nada teriamos de censurar nelas, pois que as cumulariam de prazeres, sem mistura alguma de dor ou pesar, os quais constituem precisamente o mal.
A carne considera os prazeres ilimitados e seria mister um tempo infinito para satisfazê-la. Mas o entendimento, que determina o fito e os limites da carne, e que nos livra do temor em face da eternidade, possibilita-nos uma vida perfeita, onde não temos necessidade de duração infinita. Ele não foge, contudo, ao prazer e, quando as circunstâncias nos obrigam a deixar a vida, não se crê privado do que a vida oferecia de melhor. Quem conhece perfeitamente bem os limites que a vida nos traça, sabe quão fácil é obter o que suprime a dor, causada pela necessidade, e faz a vida inteira perfeita, de sorte que não tem mais necessidade de coisas cuja aquisição exija esforço. Todos os desejos que não provoquem dor quando permanecem insatisfeitos não são necessários, e poderão ser facilmente recalcados se nos parecerem difíceis de ser satisfeitos ou capazes de nos causar danos.
Devemos estudar os meios de alcançar a felicidade, pois, quando a temos, possuímos tudo e, quando não a temos, fazemos tudo por alcançá-la. Respeita, portanto, e aplica os princípios que continuadamente te inculquei, convencendo-te de que eles são os elementos necessários para bem viver. Pensa primeiro que o deus é um ser imortal e feliz, como o indica a noção comum de divindade, e não lhe atribuas jamais carácter algum oposto à sua imortalidade e à sua beatitude. Habitua-te, em segundo lugar, a pensar que a morte nada é, pois o bem e o mal só existem na sensação. De onde se segue que um conhecimento exacto do facto de a morte nada ser nos permite fruir esta vida mortal, poupando-nos o acréscimo de uma ideia de duração eterna e a pena da imortalidade. Porque não teme a vida quem compreende que não há nada de temível no facto de se não viver mais. É, portanto, tolo quem declara ter medo da morte, não porque seja temível quando chega, mas porque é temível esperar por ela. É tolice afligirmo-nos com a espera da morte, visto ser ela uma coisa que não faz mal, uma vez chegada. Por conseguinte, o mais pavoroso de todos os males, a morte, nada significa para nós, pois enquanto vivemos a morte não existe. E quando a morte veio, já não existimos nós. A morte não existe, portanto, nem para os vivos nem para os mortos, pois para uns ela não é, e pois os outros não são mais. (...) Deve, em terceiro lugar, compreender-se que, de entre os desejos, uns são naturais e os outros vãos e que, de entre os naturais, uns são necessários e os outros somente naturais. Finalmente, de entre os desejos necessários, uns são necessários à felicidade, outros à tranquilidade do corpo e outros à própria vida. Uma teoria verídica dos desejos ajustará os desejos e a aversão à saúde do corpo e à ataraxia da alma, pois é esse o escopo de uma vida feliz, e todas as nossas acções têm por fim evitar ao mesmo tempo o sofrimento e a inquietação. Quando o conseguimos, todas as tempestades da alma se desfazem, não tendo já o ser vivo de dirigir-se para alguma coisa que não possui, nem buscar outra coisa que possa completar a felicidade da alma e do corpo. Porque nós buscamos o prazer somente quando a sua ausência causa sofrimento. Quando não sofremos, não sabemos que fazer do prazer. E por isso dizemos que o prazer é o começo e o fim de uma vida venturosa. O prazer é, na verdade, considerado por nós como o primeiro dos bens naturais, é ele que nos leva a aceitar ou a rejeitar as coisas, a ele vamos parar, tomando a sensibilidade como critério do bem. Ora, pois que o prazer é o primeiro dos bens naturais, segue-se que não aceitamos o primeiro prazer que vem, mas em certos casos desdenhamos numerosos prazeres quando têm por efeito um tormento maior. Por outro lado, há numerosos sofrimentos que reputamos preferíveis aos prazeres, quando nos trazem um maior prazer. Todo o prazer, na medida em que se conforma com a nossa natureza, é portanto um bem, mas nem todo o prazer é entretanto necessariamente apetecível. Do mesmo modo, se toda a dor é um mal, nem toda é necessariamente de evitar. Daqui procede que é por uma sábia consideração das vantagens e dissabores que traz que cada prazer deve ser apreciado. Na verdade, em certos casos, tratamos o bem como um mal e, noutros, o mal como um bem. Depender apenas de si mesmo é, em nossa opinião, grande bem, mas não se segue, por isso, que devamos sempre contentar-nos com pouco. Simplesmente, quando a abundância nos falece, devemos ser capazes de contentar-nos com pouco, pois estamos persuadidos de que fruem melhor a riqueza aqueles que menos carecem dela e que tudo que é natural se alcança facilmente, enquanto é difícil obter o que o não é. As iguarias mais simples dão tanto prazer como a mesa mais ricamente servida, quando está ausente o tormento que a carência determina, e o pão e a água causam o mais vivo prazer quando os tomamos após longa privação. O hábito da vida simples e modesta é portanto boa maneira de cuidar da saúde e torna, alé m disso, o homem corajoso para suportar as tarefas que deve necessariamente realizar na vida. Permite-lhe ainda, eventualmente, apreciar melhor a vida opulenta e endurece-o contra os reveses da fortuna. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o soberano bem, não falamos dos prazeres dos debochados, nem dos gozos sensuais, como pretendem alguns ignorantes que nos combatem e desfiguram o nosso pensamento. Falamos da ausência de sofrimento físico e da ausência da perturbação moral. Porque não são nem as bebidas e os banquetes contínuos, nem o prazer do trato com as mulheres, nem o júbilo que dão o peixe e a carne com que se enchem as mesas sumptuosas que ocasionam uma vida feliz, mas hábitos racionais e sóbrios, uma razão buscando incessantemente causas legítimas de escolha ou de aversão e rejeitando as opiniões susceptíveis de trazerem à alma a maior perturbação. O princípio de tudo isto e, ao mesmo tempo, o maior bem é, portanto, a prudência. Devemos reputá-la superior à própria filosofia, pois que ela é a fonte de todas as virtudes que nos ensinam que não se alcança a vida feliz sem a prudência, a honestidade e a justiça e que a prudência, a honestidade e a justiça não podem obter-se sem o prazer. As virtudes, efectivamente, provêm de uma vida feliz, a qual, por sua vez, é inseparável das virtudes.