Envelhecer é passar da paixão à compaixão.
( Frases e Pensamentos de Albert Camus)
Liberdade é uma possibilidade de ser melhor,enquanto que escravidão é a certeza de ser pior.
( Frases e Pensamentos de Albert Camus)
Se,apesar de tudo,os homens não conseguem fazer com que a história tenha significado,eles podem sempre agir de uma maneira que faça suas vidas terem um.
( Frases e Pensamentos de Albert Camus)
A criação é a mais eficaz de todas as escolas de paciência e de lucidez
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
A estupidez insiste sempre
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
A grandeza consiste em tentar ser grande. Não há outro meio
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
A imaginação oferece às pessoas consolação por aquilo que não podem ser e humor por aquilo que efectivamente são
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
A política é constituída por homens sem ideais e sem grandeza
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Chega sempre um momento na história em que quem se atreve a dizer que dois e dois são quatro é condenado à morte
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Dar-se não tem sentido a não ser que nos possuamos
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Envelhecer é passar da paixão à compaixão
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Eu revolto-me, logo existo
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Falando do que não se conhece, acabamos por aprender
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Fazer sofrer é a única maneira de nos enganarmos
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Fazer sofrer é a única maneira de se enganar
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Já é vender a alma não saber contentá-la
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Nenhum homem é hipócrita nos seus prazeres
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Não quero ser um génio... Já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que nada justifica tal sofrimento
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O heroísmo de pouco vale, a felicidade é mais difícil
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O homem não é nada em si mesmo. Não passa de uma probabilidade infinita. Mas ele é o responsável infinito dessa probabilidade
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O que conta é ser-se verdadeiro e então aí se inscreve tudo: a humanidade e a simplicidade
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O que é um rebelde? Um homem que diz não
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O êxito é fácil de obter. O difícil é merecê-lo
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Os artistas pensam segundo as palavras e os filósofos segundo as ideias
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Para a maioria dos homens, a guerra é o fim da solidão. Para mim, é a solidão infinita
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Quando procuro o que há de fundamental em mim, é o gosto da felicidade que eu encontro
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Quem escreve de um modo claro tem leitores. Quem escreve de um modo obscuro, comentadores
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Raramente confiamos naqueles que são melhores do que nós
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Só conheço uma obrigação: a de amar
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Tenho uma pátria: a língua francesa
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Toda a infelicidade dos homens provém da esperança
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Todas as revoluções modernas contribuíram para o fortalecimento do Estado
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Todo o mal e amargura pode ser consolado com amor
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Há meios que não se podem justificar
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Não há que ter vergonha de preferir a felicidade
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O homem é a criatura que, para afirmar o seu ser e a sua diferença, nega
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
O que é a felicidade além da simples harmonia entre o homem e a vida que ele leva?
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado
( Frases e Pensamentos de Albert Camus )
Sentia-me à vontade em tudo, isso é verdade, mas ao mesmo tempo nada me satisfazia. Cada alegria fazia-me desejar outra. Ia de festa em festa. Acontecia-me dançar noites a fio, cada vez mais louco com os seres e com a vida. Por vezes, já bastante tarde, nessas noites em que a dança, o álcool leve, o meu desenfreamento, o violento abandono de cada qual, me lançavam para um arroubo ao mesmo tempo lasso e pleno, parecia-me, no extremo da fadiga e no lapso de um segundo, compreender, enfim, o segredo dos seres e do mundo. Mas a fadiga desaparecia no dia seguinte e, com ela, o segredo; e eu atirava-me outra vez.
O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre. Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.
Nunca será de mais insistir no carácter arbitrário da antiga oposição entre arte e a filosofia. Se quisermos interpretá-la num sentido muito preciso, é certamente falsa. Se quisermos simplesmente significar que essas duas disciplinas têm, cada uma delas, o seu clima particular, isso é verdade sem dúvida, mas muito vago. A única argumentação aceitável residia na contradição levantada entre o filósofo fechado no meio do seu sistema e o artista colocado diante da sua obra. Mas isto era válido para uma certa forma de arte e de filosofia, que aqui consideramos secundária. A ideia de uma arte separada do seu criador não está somente fora de moda. É falsa. Por oposição ao artista, dizem-nos que nunca nenhum filósofo fez vários sistemas. Mas isto é verdade, na própria medida em que nunca nenhum artista exprimiu mais de uma só coisa sob rostos diferentes. A perfeição instantânea da arte, a necessidade da sua renovação, só é verdade por preconceito. Porque a obra de arte também é uma construção, e todos sabem como os grandes criadores podem ser monótonos. O artista, tal como o pensador, empenha-se e faz-se na sua obra. Essa osmose levanta o mais importante dos problemas estéticos. Além disso, nada é mais vão que essas distinções, segundo os métodos e os objectos, para quem se persuade da unidade de finalidade do espírito. Não há fronteiras entre as disciplinas que o homem se propõe, para compreender e amar. Interpenetram-se e confunde-as a mesma angustia.
Todos os pensamentos que renunciam à unidade exaltam a diversidade. E a diversidade é o local da arte. O único pensamento que liberta o espírito é aquele que o deixa só, certo dos seus limites e do seu fim próximo. Nenhuma doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada dele, a primeira fará ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma alma para todo o sempre liberta da esperança. Ou nada fará ouvir, se o criador, cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale.
Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim. Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. Agora sei, aliás, que embora conquistadores falem algumas vezes de vencer e de exceder, o que eles querem sempre dizer é «excederem-se». Suponho que sabem o que isto quer dizer. Em certos momentos, todos os homens se sentem iguais a um deus. É assim, pelo menos, que se diz. Mas isto vem do facto de eles terem sentido, num instante, a espantosa grandeza do espírito humano. Os conquistadores são somente aqueles homens que sentem a sua força, o bastante para terem a certeza de viver constantemente nessas alturas e na plena consciência dessa grandeza. É uma questão de aritmética, de mais ou de menos. Os conquistadores são os que podem mais. Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer. É por isso que eles nunca deixam o crisol humano, mergulhando no mais ardente da alma das revoluções.
Cá entre nós, a servidão, de preferência sorridente, é pois inevitável. Mas não o devemos reconhecer. Quem não pode fugir a ter escravos, não valerá mais que os chame homens livres? Por princípio, em primeiro lugar, e depois para os não desesperar. É-lhes bem devida esta compensação, não acha? Deste modo eles continuarão a sorrir e nós manter-nos-emos de consciência tranquila. Sem o que, seríamos forçados a voltar-nos para nós mesmos, ficaríamos loucos de dor, ou até modestos, tudo é de temer.
Mandar é respirar, não é desta opinião? E até os mais deserdados chegam a respirar. O último na escala social tem ainda o cônjuge ou o filho. Se é celibatário, um cão. O essencial, em resumo, é uma pessoa poder zangar-se sem que outrem tenha o direito de responder. «Ao pai não se responde», conhece a fórmula? Em certo sentido, ela é singular. A quem se responderia neste mundo senão a quem se ama? Por outro lado, ela é convincente. É preciso que alguém tenha a última palavra. Senão, a toda a razão pode opor-se outra: nunca mais se acabava. A força, pelo contrário, resolve tudo. Levou tempo, mas conseguimos compreendê-lo. Por exemplo, deve tê-lo notado, a nossa velha Europa filosofa, enfim, da melhor maneira. Já não dizemos, como nos tempos ingénuos: «Eu penso assim. Quais são as suas objecções?» Tornámo-nos lúcidos. Substituímos o diálogo pelo comunicado.
Desconfiança da virtude formal - eis a explicação deste mundo. Os que sentiram uma vez esta desconfiança em relação a si próprios e passaram a tê-la em relação a todos os outros, ganharam uma susceptibilidade incessante relativamente a toda a virtude declarada. Daí a suspeitar da virtude em acto vai apenas um passo. Optaram pois por chamar virtude a quanto sirva ao advento da sociedade que eles desejam. O móbil profundo (esta desconfiança) é nobre. Mas estará o raciocínio certo, eis a questão.